sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Colham rosas enquanto podem...

Colham botões de rosas enquanto podem
O velho Tempo continua voando:
E essa mesma flor que hoje lhes sorri,
Amanhã estará expirando.
O glorioso sol, lume do céu,
Quanto mais alto eleva-se a brilhar,
Mais cedo encerrará sua jornada,
E mais perto estará de se apagar.
Melhor idade não há que a primeira,
Quando a juventude e o sangue pulsam quentes;
Mas quando passa, piores são os tempos
Que se sucedem e se arrastam inclementes.
Por isso, sem recato, usem o tempo,
E enquanto podem, vivam a festejar,
Pois depois de haver perdido os áureos anos,
Terão o tempo inteiro para repousar.
(Robert Herrick)

sábado, 3 de janeiro de 2009

flores

"O mundo não se fez para pensarmos nele... mas para estarmos de acordo." (Fernando Pessoa)
fotos: Sérgio Surkamp















sobre a imortalidade da alma - Jung

Em 1956, respondendo a um senhor H. J. Barret, dos Estados Unidos, escreve Jung sobre sua crença na imortalidade da alma: Ainda que meu tempo seja escasso e minha idade avançada um fato real, tenho gosto em responder às suas perguntas. Não são fáceis como, por exemplo, a primeira: Se eu acredito numa sobrevivência pessoal após a morte. Não poderia dizer que acredito nela, pois não tenho o dom da fé. Só posso dizer se sei alguma coisa ou não.
1. Sei que a psique possui certas qualidades que transcendemos limites do tempo e do espaço. Em outras palavras, a psique pode tornar elásticas essas categorias, ou seja, 100 milhas podem ser reduzidas a uma jarda, e um ano a poucos segundos.
Isto é um fato do qual temos todas as provas necessárias.
Além disso, há certos fenômenos 'post-mortem' que eu não consigo reduzir a ilusões subjetivas. Por isso, sei que a psique pode funcionar sem o empecilho das categorias de espaço e tempo. Isto não significa que eu tenha qualquer tipo de certeza quanto à natureza transcendental da psique. A psique pode ser qualquer coisa.
2. Não há razão alguma para supor que todos os chamados fenômenos psíquicos sejam efeitos ilusórios de nossos processos mentais.
3. Não acho que todos os relatos dos chamados fenômenos miraculosos (como precognição, telepatia, conhecimento supranormal, etc.) sejam duvidosos. Sei de muitos casos emque não paira a mínima dúvida sobre sua veracidade.
4. Não acho que as chamadas mensagens pessoais dosmortos devam ser rechaçadas in globo como ilusões.
Kant disse certa vez que duvidava de toda história individual sobre fantasmas, etc., mas, se tomadas em conjunto, havia algo nelas...
Eu examino minuciosamente o meu material empírico e devo dizer que, entre muitíssimas suposições arbitrárias, há casos que me fazem titubear. Tomei como regra aplicar a sábia frase de Multatuli: Não existe nada que seja totalmente verdadeiro, nem mesmo esta frase (Jung, 2003,pp. 53-54).
Essa carta não deixa dúvida que Jung estava propenso a ter a imortalidade pessoal como um fato com fortes evidênciasde realidade.
Autor de uma vasta e erudita obra, ele revolucionou os estudos psicológicos, superando o reducionismo que ainda teima a imperar nesse campo de estudo. Mentalidade científica aplicou o método experimental com rigor em suas pesquisas, embora permanecesse sempre aberto ao novo, ao inesperado, ao incomum, sem temer avaliá-lo e aceitá-lo.
(Jung citado por Djalma Motta Argollo)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

as várias maneiras de amar...

O jardineiro conversava com as flores e elas se habituaram ao diálogo.
 Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio.
 O GIRASSOL não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os GIRASSÓIS são orgulhosos de natureza.
 Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o GIRASSOL chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria.
Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de GIRASSOL e de renovar-lhe a terra, na devida ocasião.
 O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma.
 E mandou-o embora. Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o GIRASSOL a mudar de atitude.
A mais triste de todas era o GIRASSOL, que não se conformava com a ausência do homem. "VOCÊ O TRATAVA MAL, AGORA ESTÁ ARREPENDIDO?"
- "NÃO, RESPONDEU, ESTOU TRISTE PORQUE AGORA NÃO POSSO TRATÁ-LO MAL. É A MINHA MANEIRA DE AMAR, ELE SABIA DISSO, E GOSTAVA".
                                                                  (Carlos Drummond Andrade)

"Sutilmente Meu Corpo Toca a Alma"

"Viver gera experiências.
Experiências geram marcas.
Marcas ficam registradas, sejam elas boas ou ruins. 
Os registros destas marcas quando negativas e destrutivas ficam marcadas nas memórias conscientes e subconscientes gerando couraças e respostas somáticas que se cristalizam com o tempo em forma de sintomas e doenças".
- Dança provém do sânscrito "TAN" que significa anseio, tensão, representando a celebração pela vida...
- Esta que antecede a todas as formas de comunicação (estando atrás somente do som), surgiu para o homem pré-histórico pela necessidade de relacionar-se com a natureza e animais.
- Trata-se de uma dança do Período Matriarcal, cujos movimentos revelam sensualidade, em sua forma primitiva era considerada um ritual sagrado. Relacionado aos cultos da Deusa-Mãe, provavelmente por esse motivo os homens eram excluídos de seu cerimonial (Portinari, 1989).
- O termo DANÇA do VENTRE é a tradução do inglês americano ‘Bellydance’, e do árabe ‘Raqs Sharqi’ (literalmente Dança do Leste).
- Sua origem registra-se há mais de sete mil anos. Há correntes que defendem que a Dança do Ventre teria nascido na Índia, de onde foi difundida com a ajuda de povos ciganos do Oriente.
- Tribos primitivas a utilizavam como forma de reverenciar seus deuses e ancestrais.

- Também sempre esteve presente na natureza em ritos de aproximação e acasalamento entre os animais. Refere-se ainda, que através de ritos religiosos, preparava as mulheres para se tornarem mães (Penna, 1977).
- Os ornamentos, principalmente o véu fazem parte do ritual. É comum nas regiões do Oriente as mulheres cobrirem a cabeça com véus, tendo para isso diferentes motivos e estilos de uso. Na Índia elas se cobrem em sinal de castidade, os cabelos em trança enfeitados com pérolas e flores.
- No Mundo Árabe os véus são parte da rotina de qualquer pessoa, seja para proteger a cabeça do calor, seja por motivo religioso, ou como adorno; sobre o véu na altura da testa, é usada uma tiara com moedas de ouro e prata presas a correntes que caem nas têmporas e tilitam com o caminhar.

- A maioria das religiões do Oriente impõe o uso do véu, em países  conservadores de um islamismo extremado, como Arábia Saudita e demais países do Golfo, devem usar um manto negro que lhes oculta completamente o rosto e corpo desde a adolescência, não sendo jamais permitido tirá-los em público.

A DANÇA DO VENTRE E OS BENEFÍCIOS PARA A SAÚDE DA MULHER:
- As potencialidades sensoriais, sensitivas, perceptivas, cinestésicas, motoras, criativas e comunicativas são ampliadas. O reconhecimento da identidade, a sensação de acolhimento que a Dança do Ventre trabalha, diminui sintomas psicossomáticos.

 - A dança pode estimular e equilibrar os hormônios femininos, auxiliar na cura da insuficiência ovariana, bem como combater a prisão de ventre, uma vez que trabalha o tônus da parede abdominal contribuindo para o peristaltismo vonluntário.
 - Isso acontece através das ondulações abdominais, combinados à respiração.
- Fatores como uma boa circulação sanguínea, também contribuem para a manutenção da juventude.
- O cérebro precisa ser irrigado para que as glândulas pineal e pituitária responsáveis pelo desenvolvimento sexual do indivíduo funcionem adequadamente.
- Os tecidos precisam de nutrientes para seu funcionamento, toxinas e resíduos precisam ser eliminados pois quando se acumulam nas articulações, prejudicam os movimentos;

- Uma má circulação pode prejudicar o bom funcionamento dos órgãos.
- A Dança do Ventre pode ativar a circulação sanguínea, principalmente na região genito-urinária, como também sob a força extática de movimentos como os tremidos, a circulação sanguínea é ativada e percorre todo o organismo, chegando inclusive ao cérebro, onde se localizam os neurotransmissores responsáveis pelo equilíbrio do humor.
- Com o passar dos anos, a musculatura, também por força da gravidade, tende a pesar. Os músculos sustentam menos o esqueleto – a coluna, como também os órgãos.
- Embora a Dança do Ventre não defina tanto a musculatura do corpo como na musculação, seu exercício lhe confere elasticidade e sustentabilidade, principalmente à região abdominal (neste caso, as ondulações ventrais fortalecem a região como também a definem).
- A coluna, que abriga uma legião de nervos da medula espinal, cuja importância no funcionamento fisiológico é de peso ímpar, pois órgãos e glândulas estão a ela ligados, necessita de elasticidade, flexibilidade que a dança favorece.
 
Fonte: WikipédiaPrev: RITMOS ÁRABES/ PENNA, Lucy. Dance e Recrie o Mundo. São Paulo: Ed. Summus, 1997. PORTINARI, Maribel. História da Dança. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1989. 

(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

é assim que te quero! Pablo Neruda

É assim que te quero, amor,
assim,
é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luze sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita de luz e pão e sombra,
eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor,
uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Ψ "Não sou mais infeliz do que os outros..."

Ψ "Eu não tenho desprezo pelo mundo. Expressar desdém pelo mundo é apenas outra forma de cortejá-lo, de ganhar audiência e aplauso.
 Não, eu não sou um pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores!
 Não sou infeliz - ao menos não mais infeliz que os outros."

"Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade...
Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, vivi mais de setenta anos.
Tive o bastante para comer.
Apreciei muitas coisas - a companhia de nha mulher, meus filhos, o pôr-do-sol.
 Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu.  Que mais posso querer?"
(Sigmund Freud - 1856/ 1939)
Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

sem amor não sobrevivemos...

1. Sem amor não poderíamos sobreviver. Os seres humanos são criaturas sociais e sentir-se valorizado é a própria base da vida.
2. Quanto mais respeito sentimos por uma pessoa comum, mais dela nos aproximamos e mais nos predispomos a seguir seus conselhos. Do mesmo modo, quanto mais crédito você der a seu mestre, maior progresso terá nas suas práticas.
3. Se está acima de sua capacidade dar o melhor de si, a situação é uma. Mas se está a seu alcance, você deve fazê-lo.
4. A única coisa que importa é colocar em prática, com sinceridade e seriedade, aquilo em que se acredita.
5. Quer se creia, quer não em uma religião, quer se creia, quer não na reencarnação, não há ninguém que deixe de apreciar a cordialidade e a compaixão.
6. Se nos examinamos a cada dia com atenção e vigilância, interrogando nossos pensamentos, nossas motivações e suas manifestações sobre nosso comportamento exterior, poderá emergir em nós uma real oportunidade de mudança e de aperfeiçoamento pessoal.
7. Minha ignorância, meus apegos, meu desejo, meus ódios! Eis aí, na verdade, meus inimigos.
8. A finalidade de todas as grandes religiões não é se manifestar exteriormente, construindo grandes templos, mas criar templos de bondade e compaixão no interior, em nosso coração.
9. Quando somos capazes de reconhecer e perdoar os atos de ignorância cometidos no passado, nós nos fortificamos e nos colocamos à altura de resolver de maneira construtiva os problemas do presente.
10. Um dos pontos mais relevantes nos relacionamentos humanos é a gentileza. Ela, o am, esse sentimento que é a essência da fraternidade, levam-nos à paz interior e a compaixão.
11. Se nosso espírito não se mantém estável e calmo mesmo quando nossa condição física é satisfatória, não conseguimos tirar dele nenhum prazer. Portanto, o segredo de uma vida desabrochada, agora e no futuro, consiste em desenvolver um espírito feliz.
12. É indispensável demonstrar tolerância e paciência no amor a seus inimigos. Esse é o fundamento da vida espiritual, graças ao qual vivemos para o amor do próximo e para o bem da humanidade.
13. A crença religiosa não é uma garantia de integridade moral. Olhando para a história, vemos que, entre os grandes provocadores – aqueles que distribuíram fartamente violência, brutalidade e destruição –, muitos há que professaram uma fé religiosa, às vezes escancaradamente. A religião pode nos ajudar a estabelecer princípios éticos. Contudo é possível falar de ética e moralidade sem recorrer à religião.
14. Cada uma das ações que projetamos e realizamos e o modo pelo qual decidimos pautar nossa vida – como decidimos vivê-la no quadro das limitações impostas pelas circunstâncias – podem ser percebidos como nossa resposta à grande questão diante da qual todos estamos: “Como posso ser feliz?”
15. Em nossa grande busca de amor, somos mantidos pela esperança. Sabemos, muito embora não o queiramos admitir, que não pode haver nenhuma garantia de uma vida melhor e mais feliz do que a que levamos no dia de hoje.
16. O importante é que as pessoas façam um esforço sincero para desenvolver sua capacidade em matéria de compaixão. O grau que elas poderão realmente alcançar depende de numerosos fatores. Se realmente fazem tudo o que lhes é possível para ser mais cordiais e tornar o mundo um lugar melhor, então, a cada tarde, poderão dizer: “Pelo menos fiz o melhor que pude...”
17. Não podemos vencer a cólera e o ódio simplesmente suprimindo-os. Devemos cultivar empenhadamente seus antídotos: a paciência e a tolerância.
18. A linha divisória entre um desejo – ou um ato – negativo e um positivo não está no fato de ele lhe oferecer imediatamente a sensação de satisfação, mas, sim, no fato de ao final produzir resultados positivos ou negativos.
19. A cobiça está ligada ao fato de que, embora o motivo subjacente seja a busca da satisfação, quer a ironia que, depois de conseguido o objeto de seus desejos, você nunca se sinta satisfeito. O verdadeiro antídoto contra a cobiça é o contentamento. Se você tem disso um senso desenvolvido, pouco importa que você consiga ou não o objeto. Nos dois casos, você estará igualmente satisfeito.
20. Por via do esforço contínuo, poderemos superar todas as formas de condicionamento negativo e provocar mudanças políticas em nossa vida. Mas é ainda necessário percebermos que a verdadeira mudança não ocorre no intervalo de uma noite.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tocando em frente

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder seguir,
...É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada...
(Almir Sater/ Renato Teixeira)

domingo, 23 de novembro de 2008

Cansado de ficar em casa observando a chuva?

As horas passam marcando os momentos
Que se vão, que formam um dia monótono
Você desperdiça e perde as horas
De uma maneira descontrolada
Perambulando num pedaço de terra
Na sua cidade natal
Esperando alguém ou algo
Que venha mostrar-lhe o caminho
Cansado de deitar-se na luz do sol
De ficar em casa observando a chuva
Você é jovem e a vida é longa
Há tempo de matar o hoje
E depois, um dia você descobrirá
Que dez anos ficaram para trás
Ninguém te disse quando correr
Você perdeu o tiro de partida
E você corre e corre para alcançar o sol
Mas ele está indo embora no horizonte
E girando ao redor da Terra para se levantar
Atrás de você outra vez
O sol permanece, relativamente, o mesmo
Mas você está mais velho
Com o fôlego mais curto
E a cada dia mais próximo da morte
Cada ano está ficando mais curto
Nunca você parece ter tempo.
Planos que tampouco deram em nada
Ou em meia página de linhas rabiscadas
Insistindo num desespero quieto
É a maneira inglesa
O tempo se foi, a canção terminou
Pensei que tivesse algo mais a dizer
Meu lar, meu lar denovo,
eu gosto de estar aqui quando posso
Quando eu chego em casa com frio e cansado,
É bom esquentar meus ossos do lado do fogo
Muito longe atravessando o campo
o badalar do sino de ferro
Chamam os fiéis para os seus pés
Para escutar as macias palavras
mágicas faladas.
(Time - Pink Floyd)

sábado, 22 de novembro de 2008

Te Amo Secretamente...

Não te amo como se fosse rosa de sal,
topázio ou flecha 
de cravos que
propaga o fogo:
te amo secretamente
entre a sombra e a alma...
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta,
a luz daquelas flores,e graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascender da terra...
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira
Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
(Pablo Neruda)

Então é Natal... Eis o Menino!

Então é Natal!
A festa cristã
Do velho e do novo,
Do amor como um todo!
E então é Natal
Pro enfermo e pro são
 Pro rico e pro pobre
Num só coração!
Então, bom Natal
Pro branco e pro negro,
Amarelo e vermelho,
Pra paz, afinal!
Então, bom Natal!
E um Ano Novo também!
Que seja feliz quem
Souber o que é o Bem...












                                      

domingo, 16 de novembro de 2008

Ψ TOC... TOC... TOC... Desculpe o Transtorno!!!

- Segundo AJURIAGUERRA, "o conceito de OBSESSÃO nos remete a idéia de perseguição, enquanto o conceito de COMPULSÃO traz a idéia de constrangimento. Um e outro não podem ser compreendidos, a não ser em relação a um EGO que se sente limitado na livre utilização da expressão do seu pensamento e de suas representações ou de seus atos. Perda da capacidade de escolha, parasitismo parcial, automatização limitada ou contradição permanente, uma estranha limitação que só se resolve na e pela atividade doentia em si mesma, LUTA QUE NÃO ENCONTRA SOLUÇÃO, a não ser no seu próprio desenvolvimento, alívio transitório mas inútil, porque seu destino é a REPETIÇÃO".   (Manual de Psiquiatria Infantil, pag. 624).


- Há casos em que se pode observar diretamente a transição de uma FOBIA para uma OBSESSÃO. De início evitam-se certas situações, depois, exerce-se atenção constante de forma a garantir o necessário impedimento, mais tarde esta atenção assume caráter obsessivo. As situações são as mais variadas: compulsões a lavar-se, medo de sujar-se, rituais sociais, cerimoniais ligados ao sono, medo de adormecer, rituais concernentes à maneira de andar, inibições da marcha...
- Certo paciente tinha que arrumar a todo momento os objetos em cima de uma estante para impedir que caíssem na cabeça de alguém, entretanto, distribuía-lhes de modo a oportunizar a queda. Para proteger os entes queridos contra os seus impulsos hostis, há muitos neuróticos obsessivos, que os defendem contra riscos imaginários de modo tão abnegado que chegam a atormentá-los, de fato, exprimindo a sua hostilidade "sem querer".

- Na verdade, uma ritualização compulsiva é inerente ao desenvolvimento normal da criança. Durante as atividades lúdicas, a criança, vive ao mesmo tempo em prazer e desprazer; prazer pelo que se repete e desprazer pelo desaparecimento do objeto. É o jogo do esconde esconde, no mundo mágico da primeira fase do desenvolvimento, que se transforma mais tarde , num jogo sem fim de construção e destruição, onde não se sabe se o maior prazer está em construir o castelo ou dar um soco e destruir tudo.

- A criança cria seus próprios rituais, seja para adormecer, seja na arrumação da sua roupa, higiene, alimentação, na imposição de certa atitude aos pais, ou na escolha do animal que vai lhe servir de companhia durante o sono. Pequenas manias saudáveis, não fosse a necessidade da mãe de não negar nada ao filho, aí corre-se o risco de torná-las permanentes.
- É no decorrer da puberdade que a síndrome obsessiva apresenta as características do comportamento adulto. Aqui vemos as OBSESSÕES IDEATIVAS, a "loucura da dúvida" que se caracteriza pelas ruminações com temas metafísicos (vida e morte, bem e mal, existência ou não de Deus, o tempo que passa); as OBSESSÕES FÓBICAS, fobia à objetos, lugares, claustrofobia, ideações sobre a morte, doenças.

- E as OBSESSÕES IMPULSIVAS, como o medo de cometer um desatino, de pronunciar palavras profanas, roubo ou agressões. Tudo isto acompanhado de uma luta ansiosa para evitar que o ato se concretize. Exemplo típico é a doença de Gilles de la Turette ou "doença dos tiques", que se acompanha de uma atividade verbal compulsiva.

- CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA O TOC: De acordo com o Código Internacional de Doenças o Transtorno é caracterizado essencialmente por idéias obsessivas ou por comportamentos compulsivos recorrentes.
 - As idéias obsessivas são pensamentos, representações ou impulsos, que se intrometem na consciência do sujeito de modo repetitivo e estereotipado. O sujeito reconhece, que se trata de seus próprios pensamentos, mas estranhos à sua vontade e em geral desprazeirosos e faz esforços frustrados na tentativa de controlá-los. Os comportamentos e os rituais compulsivos são atividades estereotipadas repetitivas. O comportamento compulsivo tem por finalidade prevenir algum evento objetivamente improvável, freqüentemente implicando dano ao sujeito ou causado por ele, que ele teme que possa ocorrer. O transtorno se acompanha quase sempre de ansiedade. Esta ansiedade se agrava quando o sujeito tenta resistir à sua atividade compulsiva.
- Se os pensamentos aflitivos e recorrentes estão relacionados exclusivamente a temores de vir a ter, ou à idéia de já ter uma doença grave, com base na interpretação errônea de sintomas somáticos, então se aplica o diagnóstico de Hipocondria, ao invés de Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Entretanto, se a preocupação acerca de ter uma doença se acompanha de rituais, como abluções excessivas ou comportamento de verificação, relacionados a preocupações com uma doença ou sua transmissão a outras pessoas, então um diagnóstico adicional de Transtorno Obsessivo-Compulsivo pode ser indicado.
- Se a principal preocupação é com contrair uma doença (não com ter uma doença) e não estão envolvidos quaisquer rituais, então uma Fobia Específica de doenças pode ser o diagnóstico mais apropriado.
- Um diagnóstico de Transtorno Obsessivo-Compulsivo deve ser considerado apenas se houver um consumo de tempo considerável ou se decorrer daí um prejuízo ou sofrimento clinicamente significativos.
Obsessões ou compulsões: Obsessões, definidas por (1) pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que, em algum momento durante a perturbação, são experimentados como intrusivos e inadequados e causam acentuada ansiedade ou sofrimento,
(2) os pensamentos, impulsos ou imagens não são meras preocupações excessivas com problemas da vida real; (3) a pessoa tenta ignorar ou suprimir tais pensamentos, impulsos ou imagens, ou neutralizá-los com algum outro pensamento ou ação; (4) a pessoa reconhece que os pensamentos, impulsos ou imagens obsessivas são produto de sua própria mente (não impostos a partir de fora, como na inserção de pensamentos); Compulsões, definidas por (1) e (2), comportamentos repetitivos (por ex., lavar as mãos, organizar, verificar) ou atos mentais (por ex., orar, contar ou repetir palavras em silêncio) que a pessoa se sente compelida a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser rigidamente aplicadas; (2) os comportamentos ou atos mentais visam a prevenir ou reduzir o sofrimento ou evitar algum evento ou situação temida; entretanto, esses comportamentos não têm uma conexão realista com o que visam a neutralizar ou evitar ou são claramente excessivos.
. Em algum ponto durante o curso do transtorno, o indivíduo reconheceu que as obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais.
- As obsessões ou compulsões causam acentuado sofrimento, consomem tempo (tomam mais de 1 hora por dia) ou interferem significativamente na rotina, funcionamento ocupacional (ou acadêmico), atividades ou relacionamentos sociais do indivíduo.
- Transtorno Dismórfico Corporal; preocupação com drogas na presença de um Transtorno por uso de substâncias; preocupação com ter uma doença grave na presença de Hipocondria; preocupação com anseios ou fantasias sexuais na presença de uma Parafilia; ruminações de culpa na presença de um Transtorno Depressivo Maior;  A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.
TRATAMENTO: Existe Tratamento eficaz para o TOC?
O diagnóstico é feito por avaliação clínica, não existem exames capazes de detectar a doença. O transtorno obsessivo-compulsivo não tem cura, mas pode ser controlado. Conforme o caso, pode ser necessário manter por toda a vida o tratamento com Psicofármacos e Psicoterapia.
A TERAPIA COMPORTAMENTAL COGNITIVA é considerada um dos tratamentos de primeira linha, juntamente com os medicamentos. Os Grupos de Auto Ajuda também tem sido uma alternativa de tratamento.
A Terapia Comportamental baseia-se na constatação de que, se o paciente desafia seus medos, por exemplo, expondo-se às situações que evita ou tocando nos objetos que considera contaminados (exposição) e, ao mesmo tempo, deixa de realizar os rituais de descontaminação ou verificações (prevenção da resposta), embora num primeiro momento a aflição aumente, em pouco tempo ela tende a diminuir até desaparecer por completo espontaneamente (habituação). Repetindo tais exercícios os medos de tocar em coisas sujas ou contaminadas, de fazer verificações ou a necessidade de realizar rituais acabam desaparecendo por completo.
Eu suma: Exposição + Prevenção da Resposta; Habituação; Desaparecimento dos sintomas.
BUSCAR AJUDA ESPECIALIZADA EVITA SOFRIMENTO DESNECESSÁRIO.
Referência Bibliográfica:
AJURIAGUERRA, J - Manual de Psiquiatria Infantil
FENICHEL,Otto - Teoria Psicanalítica das Neuroses
DSM-III-R, Diagnostical and Manual of Mental Disorders, 3 ed., revisada, American Psychiatric Association, Washington, 1987. OMS (Organização Mundial de Saúde)/ CID 10 - Código Internacional de Doenças
( Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

O universo feminino na visão de ALMODÓVAR


PEDRO ALMODÓVAR (24/09/1951), Diretor de cinema espanhol. Iniciou sua atividade artística na área do teatro e do movimento vanguardista. Transformado em estandarte da Movida Madrileña (movimento de renovação cultural lançado em Madri após a morte do ditador Francisco Franco), de 1974 a 1978 realizou filmes em Super 8, seu primeiro longa-metragem. Sua carreira começou realmente com Pepi, Luci, Bom/1979-1980, ponto de partida definitivo do estilo Almodóvar, tanto na forma como no conteúdo. Nesse filme já aparecem todos os elementos característicos dos trabalhos seguintes: Labirinto de Paixões/1982; Maus Hábitos/1983; Que Eu Fiz para Merecer Isto?/1984; Matador, 1986; A Lei do Desejo, 1986. Os irmãos, a mulher, as donas-de-casa, as relações conjugais turbulentas, a moça supermoderna, os anúncios, a música, as fotos, as janelas, os movimentos de câmara extravagantes, a paisagem urbana (Madri), os ambientes kitsch, a amizade entre mulheres, a homossexualidade, a transexualidade, a depravação, o absurdo ao estilo de Luis Buñuel. Em Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos/1988, rompeu um pouco com seu cinema anterior, mas de um modo coerente: abandonou o frívolo e o miserável e passou para o sofisticado e elegante, sem deixar de ser ele próprio, como continuou a demonstrar em filmes como Ata-me /1989; De Salto Alto/1991, Kika/ 1993; A Flor do Meu Segredo/1995 ou Carne Trêmula/1997. Almodóvar transformou-se no mais popular cineasta espanhol e com maior projeção internacional, ainda mais depois de Tudo sobre Minha Mãe/1999, que lhe deu o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Raimunda (Penélope Cruz) e sua irmã Soledad (Lola Dueñas) visitam o túmulo de sua falecida mãe (Carmen Maura) para limpá-lo e encerá-lo, conforme dita a tradição do lugarejo onde elas cresceram. Elas também visitam uma tia senil que conversa com a mãe das moças como se ela ainda estivesse viva, e é olhada de perto por uma prestativa amiga da família, Agustina (Blanca Portillo).
A desgraça vem em dose dupla quando a tia vem a falecer e a filha adolescente de Raimunda (Yohana Cobo) passa a ser molestada pelo próprio pai. O fantasma da matriarca da família passa a aparecer com maior freqüência para Soledad, desencadeando eventos que afetam drasticamente as rotinas de todas as mulheres que a conheceram em vida. Tenso, engraçado, revoltante e tocante, o filme é puro Almodóvar. Ensaia uma retorno às cores berrantes do início da carreira do diretor, mas somente timidamente, e sempre em passagens abrilhantadas por uma radiante Penélope Cruz.
O desprezo pelos personagens masculinos é tão gritante que, no final do filme, a platéia fica a se indagar se o marido de Soledad também não entrou na dança protagonizada pelas demais mulheres da família. Elas, por sua vez, voltam a encarnar a força motora por trás dos acontecimentos enquanto representam o papel de pivôs de tragédias e mudanças, uma constante na filmografia de Almodóvar.
Há mensagens dentro da trama, com certeza. Sendo uma história centrada em pessoas, é sempre possível tirar algo de proveito do filme relacionado à natureza humana. A idéia que mais forte é a de que, não importa quão absurda seja a atitude de alguém, não importa o grau de revolta com o qual nos deparamos nestas situações, sempre há um motivo para tudo. NINGUÉM ABANDONA ALGUÉM SEM MOTIVO, NINGÚEM SAI DO SEU COMPORTAMENTO NATURAL SEM UMA BOA RAZÃO, NINGUÉM RENEGA ALGUÉM IMPORTANTE COMPLETAMENTE SEM QUE ALGO MUITO IMPORTANTE TENHA ACONTECIDO.

Volver é o nome da canção que Penélope Cruz canta a certa altura do filme. Na verdade, quando ela o faz, com muita graça, a história já anda pelo fim. E fala disso, entre outras coisas, da experiência da volta. Só que o que acontece nessa mais uma vez inspirada história passional almodovariana não deixa de ser surpreendente. Ou seja, volta quem se supunha que não pudesse voltar.
Não existe nenhum enigma nisso, a não ser que se pense que pessoas que já morreram se tornam ausentes também no imaginário dos que vivem. Quer dizer, que não vivam como lembranças, ou como, por assim dizer, acidentes de percurso simbólico. Um pai muito importante, uma mãe marcante não desaparecem simplesmente porque deixaram de ter existência física. Estão presentes e determinam até certo ponto a vida das pessoas. É como se costuma dizer: muitas vezes os mortos governam os vivos.

sábado, 15 de novembro de 2008

DOR quando se sente em demasia...

Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase, Este poder ser que...,
Isto.
Um internado num manicômio é,
ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio. Estou doido a frio. Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...
Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?

Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco.
Hoje é quem eu sou.
Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer
— Júpiter, Jeová,
a Humanidade
— Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?
Estala, coração de vidro pintado!

(Baudelaire - Esta velha angústia)