O psicanalista Contardo Calligaris estará no Fronteiras do Pensamento Florianópolis da próxima semana, ao lado do urbanista Enrique Peñalosa e do físico Marcelo Gleiser - dias 07, 08 e 09 de outubro. A terceira edição do projeto em Florianópolis abordará as temáticas de mobilidade urbana, origens do universo e dos seres, além do comportamento humano na visão da psicanálise. Nesta entrevista, Calligaris discute a necessidade do objeto para definir o sujeito - a importância do materialismo para uma sociedade embasada na diferenciação, na individuação, na relação entre indivíduo e seu grupo.
Que aspectos da cultura mais nos afetam?
Contardo Calligaris: A nossa cultura faz parte do pacote de coisas que nos definem. Ela nos fabrica de tal forma que, mesmo que nos tornemos budistas, continuaremos a pensar e a sentir de determinada forma. Nesse sentido, a transmissão cultural é quase genética. Há muitos elementos da nossa cultura que contribuem para definir quem somos. Por exemplo, em nossa cultura não existem diferenças de casta. O que introduz a diferença social é o olhar dos outros. Isso faz com que nos preocupemos com a nossa imagem social. A necessidade de seduzir os outros para obter a aprovação e o reconhecimento é uma grande conseqüência da nossa cultura.
Quer dizer que nos preocupamos mais com nossa imagem do que com o que realmente somos?
Contardo Calligaris: A melhor maneira de enxergar as pessoas é como cebolas, que têm vários invólucros, mas não têm caroço. Nós não temos caroço, nós somos os invólucros. Não é tirando as roupas e acessórios que encontraremos “quem somos realmente”. Essa é uma reivindicação bastante recorrente no amor, por exemplo. “Você não me ama pelo que sou verdadeiramente. Você me ama porque tenho carro importado e uma casa na praia.” As mulheres têm estas frases: “Você me ama porque sou bonita, não por mim mesma”.
Mas o que é “mim mesma”? Quem é você senão a pessoa que fez isso ou aquilo na vida, que acumulou coisas, que é bonita? Mas achamos, equivocadamente, que essas coisas são só superficiais. E essa sensação de que a nossa imagem não representa aquilo que realmente somos se tornou uma grande fonte de sofrimento hoje em dia.
Como formamos a nossa imagem?
Contardo Calligaris: Bom, o que nos define não é mais o berço, como era nas sociedades tradicionais, em que marquês nascia marquês, camponês nascia camponês e nenhum dos dois tinha qualquer possibilidade de mudar isso ao longo da vida. Então, temos que nos definir por meio das riquezas e das posses. Em nossa sociedade, as diferenças quantitativas se transformam em qualitativas. O que você tem e o que você pode acabam determinando como você é percebido pelos outros e por você mesmo. Assim, o materialismo é o meio pelo qual construímos nossa imagem e acaba influenciando, também, o que pensamos que realmente somos. Podemos esbravejar contra nosso materialismo, mas é por causa dele que a nossa posição social não é carimbada na nossa bunda ou na nossa cara, não nasce conosco. O materialismo e a imagem que ele nos permite construir para nós mesmos são necessários para se ter uma sociedade como a nossa.
Como usamos o materialismo para construir nossa imagem?
Contardo Calligaris: É um movimento circular. Precisamos de elementos que possam nos diferenciar e nos ajudar a construir nossa imagem social. Encontramos esses elementos nos desfiles de moda, na mídia, na publicidade e em milhares de outras experiências. E, aplicando nossa criatividade a esses elementos, construímos imagens para nós mesmos. Essas imagens, por sua vez, realimentam a moda, a mídia e a publicidade. Esse ciclo perdura porque a exigência de ser diferente, o individualismo, é outra grande regra da nossa cultura. Isso se torna uma corrida. Não podemos parar de buscar uma diferenciação.
De onde vem a exigência de sermos diferentes?
Contardo Calligaris: O valor supremo da nossa sociedade é o de sermos, cada um, um indivíduo singular. Isso é mais importante para nós do que pertencermos a uma comunidade. É irônico e contraditório, mas a única coisa que vai me dizer que sou um indivíduo e que sou singular é que os outros me reconheçam como tal. Para que me reconheçam, portanto, eu preciso pertencer a um grupo dos que me reconhecem como indivíduo. Se eu pertenço a um grupo, já sou menos individualista do que poderia ser.
No fundo, então, é o individualismo que causa o sofrimento ao qual você se referiu?
Contardo Calligaris: Há uma culpa em nosso individualismo. A autonomia é a expressão máxima do ideal de individualismo da nossa sociedade. Mas autonomia exige rebeldia, porque ser autônomo é desobedecer e se afastar da família. Na adolescência, lidamos com a contradição que está no discurso de todos os pais. É um discurso que diz “me obedeça e faça o que eu digo” e, ao mesmo tempo, “seja independente, se torne autônomo” e, portanto, “me desobedeça”. Na vida adulta, a culpa é substituída por algo análogo, que é a nostalgia. Sentimos saudades dos valores da vida comunitária, familiar. Com isso, nos tornamos individualistas com ideais comunitários. Construímos uma imagem singular, mas precisamos que ela seja reconhecida pela comunidade.
(Extraído da revista Playboy nº 347, P. 82 - 87)
Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
Poucos dias após o falecimento de meu
pai tive o seguinte sonho: meu pai se levantava de seu túmulo e, ainda
sentado, se limpava por causa da terra que estava por cima dele.
A razão
dele estar se levantando é que um de meus primos tinha chegado atrasado
no enterro e não teve tempo de vê-lo.A interpretação me pareceu
bastante clara: Quando meu pai faleceu, este meu primo não foi ao
enterro porque estava viajando e incomunicável.
O sonho então representa
algo que não aconteceu: meu primo chegando ao enterro, mas atrasado.
Aquilo foi razão suficiente para traduzir o seguinte pensamento latente:
"Mas meu pai não pode ir embora sem se despedir de todos antes."
Mas
ainda há mais: Há um associação entre meu primo e eu mesmo.
No dia de
seu falecimento no hospital, eu teria que ir para lá no turno da tarde
para ficar com meu pai, segundo nossa escala de revezamento.
No entanto,
logo pela manhã fui acordado por um telefonema avisando de seu
falecimento. Ou seja, eu próprio não cheguei a tempo de me despedir
dele, o que aparece representado no sonho através da imagem de meu
primo.
Podemos então corrigir e traduzir de forma mais exata o
pensamento latente representado no sonho: "Meu pai não pode ir embora
sem se despedir de mim antes."
Sonhos com pessoas queridas, que
faleceram recentemente, geralmente são uma tentativa de realização do
desejo de trazer de volta esses falecidos.
Notem que enfatizo aqui o
"geralmente" porque, a partir de uma perspectiva psicanalítica, um sonho
com semelhante estrutura pode ter outros significados.
Percebam
que na análise que fiz de meu próprio sonho, a interpretação de que meu
primo era uma representação de mim mesmo foi feita através da livre
associação.
*da obra "Conferências introdutórias
sobre Psicanálise (Partes I e II)",
p. 188-191, vol. XV da Edição
Standard das Obras Psicológicas Completas.
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)
"Os sonhos nos mostram como encontrar um sentido em nossas vidas, como cumprir nosso próprio destino e realizar o potencial maior de vida que há em nós." (B.F)
*O Sonho da Mulher:
"... sonhei que uma mulher olhava no espelho e dizia: - 'meu marido levou o espelho embora para não ter que olhar para mim'.
(...)
então eu vi uma mulher: Era Marilyn Monroe, toda branca e luminosa, cabelos loiros dançando nas ondas, mas mutilada (sem braços, sem pernas, só tronco);
... e captei a expressão de seus lábios vermelhos.
*Para Refletir: O Que é o espelho?
* No espelho refletimos e reflete nossa imagem.
- A palavra refletir tem duplo sentido: refletir sobre si mesmo.
- Pensar, Refletir, encontrar a própria identidade.
- Mostra objetivamente nossa face.
- Pode ser um choque ao se ver no espelho.
- O espelho levado embora, assim a mulher não precisa mais se olhar.
- Mas, o marido é quem leva o espelho embora para não ter que olhar para ele.
(absurdo onírico?)
Espelho. Espelho Meu...
- No conto de fadas: a Branca de Neve é a mais bela, e foi o espelho que contou à bruxa.
- A mulher do sonho tenta acusar o marido por impedi-la de ver sua própria identidade.
- Alguns movimentos de liberação feminina salientam que são os homens que roubam a identidade da mulher.
- Entretanto, são elas que não constroem sua própria identidade.
- Sentem-se lesadas, violentadas ou rendidas e a reação mais mesquinha é a de acusar o marido.
*Mas onde a sociedade, (os homens) contribuem para isso?
- Quando se idealiza esteticamente e de forma romântica a Mulher Ideal.
- Como exemplo o mito Marilyn Monroe o ícone da beleza perfeita no imaginário masculino.
- E as projeções: Se o amor do homem pela mãe foi projetado de forma idealizada, a mulher "eleita" precisa chegar o mais perto desta perfeição idealizada da sua figura materna.
- Porém, se a relação materna não foi tão boa assim, a procura é por uma mulher totalmente diferente da mãe má, (busca-se o mito).
- A mulher que tenta se moldar e entrar neste jogo, torna-se amargurada e culpa o homem que a impossibilita de ser ela mesma.
- Sabe-se que a vivência negativa do ÂNIMUS (o masculino interno na mulher) destrói sua vida, pois a separa de sua essência feminina, afastando-a da delicadeza, da feminilidade, onde ela sente-se jogada num mundo sem sentido.
- A destruição de sua criatividade e subjetividade.
- Se o modelo paterno foi tirânico assim será seu ÂNIMUS.
- Portanto, a relação de uma menina com o pai e seu desligamento saudável vai definir seu desenvolvimento global e a busca saudável de um companheiro de jornada.
- No sonho: Marilyn Monroe aparece como uma figura ambígua e deixa a mulher perturbada.
- Ainda que represente o ideal de beleza no inconsciente coletivo masculino e modelo de beleza para muitas mulheres, no sonho a figura está fragmentada, ela aparece sem braços (ação), sem pernas (postura na realidade).
- A imagem feminina não pode agir, não está ancorada na realidade (como competir com o mito?).
- A organização massificada da sociedade moderna destrói os sentimentos, cria um padrão estereotipado de beleza.
- Isso despersonaliza e enlouquece principalmente as mulheres que estão mais conectadas com os sentimentos.
- Ao conectar a cabeça ao corpo, ativa-se o sistema linfático que exprime as emoções.
- Em psicoterapia, ou qualquer outra prática que trabalhe o corpo (yoga, artes marciais, bioenergética, a dança...) extravazam-se as emoções, (através das lágrimas, suor e outras reações físicas), resultando numa melhor conexão com o corpo que estava fragmentado, adormecido, mutilado.
Fonte: Marie-Louise Von Franz - *O Sonho da Mulher, narrado em "O Caminho dos Sonhos"
Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
Tu sabes, conheces melhor do que eu
a velha história:
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
(No Caminho, com Maiakóvski - Autor: Eduardo Alves da Costa)
Salvador Dalí
Klimt
Monet
Ivan Slavinsky
Raquel Taraborelli
Igor Medvedev
Igor Medvedev
Renoir
kartiny Svezhest
Lyudmila Skripch
serguei Toutounov
A cena: ocorre no ambulatório de clínica geral de um serviço público, onde o médico recebe, para consulta, uma moça tímida provinciana de aspecto sofrido, limitando-se a queixar de uma dor que, embora profunda, ela não consegue localizar:
- Onde você sente essa dor? (pergunta-lhe o médico, impaciente, pensando na interminável fila de atendimentos que o aguardam no corredor do ambulatório).
- Não sei dizer, responde-lhe ela, desconcertada.
- Como não sabe? (replica-lhe o médico, visivelmente irritado).
- Não sei onde dói, só sei que dói, e que dói muito… (A Hora da Estrela, C. Lispector)
*Sobre a Depressão: Lacan (1966) refere como a "dor de existir" .
- Sartre: Em "L'Âge de Raison" fala de uma ausência de sensibilidade que acomete o indivíduo incapaz de localizar no mundo, um valor que justifique a sua existência.
- Maria Rita Kehl - a vida não faz nenhum sentido, o universo é indiferente às nossas dores e ninguém se preocupa tanto conosco a ponto de querer realmente nos salvar.
- O filósofo Martin Heidegger, para quem a experiência do tédio (Langeweile), como aquilo que nos arrasta e nos deixa vazio, alimenta-se precisamente de sua ausência de localização (Heidegger, 1992).
- Na prática psicológica lidamos com indivíduos que se mostram apáticos, desprovidos de intencionalidade, que se vêem incapazes de se localizarem no tédio em que se tornou a sua realidade
- Segundo Freud, a depressão revela a condição de desamparo da qual tentamos nos proteger construindo uma rede de vínculos ilusórios a que chamamos de amor e de sentido da vida, sem que se saiba o que isso quer dizer: “é preciso estar inconsciente de uma ilusão para que ela nos sustente”.
- A psicanálise concede, desde Freud, sua margem de razão ao sujeito deprimido, na medida em que reconhece o valor de verdade que seu sofrimento revela e a sua condição de desamparo que lhes é inerente.
- Afora isso, a experiência analítica produz invariavelmente, sobre o paciente, o afeto de tristeza resultante do luto que ela provoca ao fazer tombar os ideais em que ele se alienava: ela expõe, em seu percurso, a frivolidade dos valores imaginários que sustentam a felicidade dos imbecis, ao confrontar o sujeito com sua condição primordial de desamparo.
- A psicanálise tem a dizer que não existe, em sua perspectiva, a depressão no singular, como não existe tampouco a dor no singular, para a medicina.
- Existem sim a histeria, a psicose, a neurose obsessiva, a perversão; porém a depressão, não constitui por si só, para a doutrina psicanalítica, nenhum tipo de nosologia determinada.
- Não acreditamos existir a depressão e a dor enquanto entidades clínicas autônomas, como quer fazer crer as classificações inspiradas no DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders).
- No séc. XIX, houve a valorização da dor pelo poeta. E o discurso contemporâneo foge de tudo que não corresponde esteticamente as suas expectativas: o doente, o diferente, o portador de necessidades especiais, o obeso, o anoréxico, o idoso... sublima-se tudo, como se fossem deficiências a serem corrigidas em prol da ditadura do corpo perfeito e da perversa alegria.
- A civilização que valoriza a competição e as conquistas do mercado não mais tolera seus deprimidos (Soller, 2005).
- A psicanálise, desde Freud, em relação ao sujeito deprimido: reconhece o valor de verdade que seu sofrimento revela enquanto condição de desamparo que lhes é inerente. e questiona a frivolidade dos valores utópicos que sustentam a felicidade imaginária da maioria, pois confronta o sujeito com sua condição original de abandono, desamparo.
- À propósito da depressão, no que a psicanálise enuncia talvez de mais fundamental: ainda que não reprove o deprimido, nem por isso deixa de formular um julgamento sobre depressão. É preciso não encerrá-lo numa abordagem puramente moralista das patologias depressivas, já há muito em desuso nas abordagens contemporâneas do sofrimento psíquico.
- Entretanto, Lacan diz, sem meias palavras, em 'Télévision' sobre o afeto depressivo: que resulta de uma covardia moral (lâcheté morale), ao qualificar a depressão como efeito de uma lâcheté, está antes se referindo a ela como efeito de uma frouxidão, de uma ausência de tensão necessária ao exercício lógico do pensamento.
- Lacan refere em suas próprias palavras: A tristeza é qualificada de depressão, ao se lhe dar por suporte a alma, ou então a tensão psicológica.
- A falta de vontade constante do sujeito depressivo corresponde, em certo sentido, a uma recusa ética de situar, através do pensamento, a estrutura simbólica que o determina no inconsciente.
- F. Regnault nos convida a examinar, além disso, a propósito desse deixar-se levar do sujeito triste, o valor etimológico de um termo para designar o que hoje entendemos por depressão.
- Trata-se do léxico latim acedia, o qual vem designar a tristeza a partir de um aspecto particular que nos interessa; do grego a-kedia significa, literalmente, não tomar cuidado, não zelar, deixar para lá, conforme se verifica na postura do sujeito depressivo que se coloca como se nada lhe dissesse respeito.
- O depressivo assim pretende sofrer de um estado de alma, quando na verdade, explicita F. Regnault, ele comete uma falta do pensamento: ele se recusa a zelar pela tensão necessária a sua vontade, para situar logicamente a causa que o determina na estrutura.
- Dessa ausência de tensão resulta, a dolorosa anestesia que acomete o sujeito deprimido, cujo campo perceptivo se dilata numa proliferação infinita de coisas insignificantes.
- Um exemplo contemporâneo de experiência que acomete o sujeito insone, diante da televisão, conforme se lê no ensaio de T. Assunção: “O material de que está composta esta figura - como a modalidade mesma do zapping frenético na TV a cabo já anuncia - é a superabundância monstruosamente variada de programas: circo ou feira eletrônico-feérica contendo inumerável repertório de jogos, entrevistas, shows...
[...] Paradoxalmente, o signo que resume o efeito dessa pletora de variações é a repetição. No interior (ou mais precisamente na superfície) de um universo variado de imagens e falas regido pela pressão mercadológica de produzir novidades, está a triste sensação de mesmidade. Dos fragmentos assim recortados a memória que resta no dia seguinte é opaca e confusa e se assemelha estranhamente à memória de qualquer outra madrugada no zapping televisivo [...].
BIBLIOGRAFIA: ALQUIÉ, F. Leçons sur Spinoza. Paris: La Table Ronde, 2003.
ASSUNÇÃO, T. “Nota insone sobre a TV”. In Ensaios de Escola, R.J., Sete Letras, 2003.
DELEUZE, G. Spinoza – philosophie pratique. Paris: Minuit, 1981.
FREUD, S. Über Wilde Psychoanalyse, Gesammelte Werke. Frankfurt am Main: Fischer Verlag, t. VIII.
GUÉROULT, “Obscurité, confusion, mutilation, inadéquation des idées”. In Spinoza, t. II (L’Âme). Paris: Aubier Montaigne, 1974
HEIDEGGER, M. Les concepts fondamentaux de la métaphysique [1929-30] (trad. fr. D. Panis). Paris: Gallimard, 1992
LACAN, J. “Kant avec Sade”, in Écrits. Paris: Seuil, 1966.
LACAN, J. “Televisão”. In Outros escritos, R.J., Jorge Zahar, 2003.
MILLER, J.-A. Pièces détachées, curso inédito 2004/2005.
REGNAULT, F. “Passions dantesques”. In La cause freudienne, no 58 : Maladies de l’époque. Paris: ECF – Navarin/Seuil, octobre, 2003.
SOLLER, C. “Esses deprimidos de quem não gostamos”. In O que Lacan dizia das mulheres. R.J.: Jorge Zahar, 2005.
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)