sábado, 19 de setembro de 2015

(...)


                                                           Stanislaw Górski
 "(...) Porque tem outra coisa: girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto."
                                                    (A morte dos girassóis – Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Ψ "A Luta Entre Eros e Tanatos se decide dentro de nós a cada instante." (Freud)

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          Sergey Ignatenko
*O que diz a mitologia: Na mitologia grega, Eros é o deus do amor. Thanatos a personificação da morte.
*Eros, o mais belo dos deuses, com seu arco e flecha do amor atinge homens, mulheres e deuses.
*Um belo dia Eros adormeceu numa caverna, embriagado por Hipno (deus do sono, irmão de Tânatos).
*Enquanto sonhava suas flechas se espalharam pela caverna, misturando-se às flechas da morte.
*Ao acordar, Eros sem querer levou algumas flechas que pertenciam a Tanatos. Desde então Eros passou a portar flechas de amor e morte.
            *Freud se apropria do mito e cria o conceito de pulsão de vida: Eros e pulsão de morte: Tanatos, (abordados em "Mais além do princípio do prazer" e "Mal-estar na civilização").

*Eros teria a função de amalgamar partículas fragmentadas da substância viva e criar unidades cada vez mais complexas, buscando preservar o organismo vivo e a espécie.

*O instinto de vida garante a autopreservação das espécies, a sobrevivência e reprodução do indivíduo.

*Eros inclui tudo que visa o prazer (como o contato físico, alimentação, energia, movimento, alegria).

*A energia psíquica de Eros é referida como libido ou o impulso vital como um dos instintos primários principais que determinam o comportamento humano, ao lado da morte.

*No entanto, a pulsão de vida não atua de forma isolada. Por isso a existência no ser humano de uma ambivalência em tudo que ele pensa, faz e sente.

*Onde há amor deve haver ódio, toda sexualidade necessita de um grau de agressividade, em proporções variadas. Essas polaridades são os cernes dos conflitos psíquicos.
 *A pulsão de morte também está presente e age de forma silenciosa.

*É o que Freud define como o mal-estar intrínseco a cultura: a destrutividade do ser humano, voltada para si mesmo ou para os outros -  esse algo que existe e que foge a norma e a criação de sentidos.

*Dostoiévski refere que tememos o fato de que secretamente sabemos da existência de um demônio oculto, que habita todo homem.

*A Sombra é um dos conceitos mais importantes da teoria junguiana. O mal, na psicologia profunda, pode ser associado ao arquétipo da sombra que representa o lado escuro e desconhecido do Si Mesmo.

*A sombra é tudo aquilo que eu desconheço ou não aceito em mim.

*Nela está contida toda a potencialidade inconsciente, aspectos altamente construtivos ou destru0tivos.

*Reconhecê-la é o primeiro passo para a ampliação da consciência e para um melhor relacionamento com si mesmo e com o mundo.

*Pois toda sombra tende a ser projetada e, consequentemente, as projeções geram mau humor, intolerância e dificuldades para os diversos tipos e níveis de relacionamentos.

*Com isso podemos concluir que todas as doenças - físicas, psíquicas, sociais ... são projeções sombrias que precisam ser conscientizadas e integradas na consciência.

“Vergonha, culpa, orgulho, medo, ódio, inveja, carência e avidez são subprodutos inevitáveis da construção do ego. Eles estimulam a polaridade entre o sentimento de inferioridade e a vontade de poder. Eles são os aspectos da sombra da primeira emancipação do ego." (Edward C. Whitmont)
     
*A vida se mostra, faz barulho, é conflito.

*Já a morte é taciturna, quase invisível.

*Trabalhando para Eros, a pulsão de morte pode ser intensamente criativa.
                                                                                                                               Klimt
 *Garcia-Roza (1995), refere que a partir do destruição causada pela pulsão de morte é que se pode ir em busca do diferente, do novo.

*A agressividade humana pode e deve ser canalizada em prol da vida.

*É preciso que conheçamos esse “demônio oculto” e que o coloquemos para trabalhar a nosso favor.

*Quando Freud (1920), constrói a hipótese da pulsão de morte ele amplia conceito de pulsão, que passa a ser compreendido como um impulso inerente à vida, algo anterior à sexualidade, anterior a representação psíquica, algo que não é visível, nem dizível.

*A pulsão de morte está para além do princípio do prazer, além do aparelho psíquico e só se mostra quando ligada à pulsão de vida.

*Tanatos entendido como pulsão de destruição é pura dispersão, potência dispersa.

*Por isso Freud irá afirmar que ela é uma pulsão por excelência.

*A pulsão de vida seria algo já capturado pelo psíquico, cujo objetivo também seria conduzir o organismo à morte, mas a própria morte, preservando a vida para que ela morra ao seu próprio modo. (Freud, 1920)

Fonte: JUNG, C. G. A Natureza da Psique, Petrópolis, Vozes, 1984.
JUNG, C. G. O Eu e o Inconsciente, Petrópolis, Vozes, 1984.
Rodrigues M., Samara - Psicóloga Mestranda  Universidade Estadual de Maringá. Eros e Tanathus - Nossas Porções de Vida e Morte
Freud, S. (1920). Além do princípio de prazer. In: Escritos sobre Psicologia do Inconsciente, vol. II. (Luiz Alberto Hanns, trad). Rio de Janeiro: Imago, 2006.
Freud, S. (1923) O Eu e o Id. In: Escritos sobre Psicologia do Inconsciente, vol. III. (Luiz Alberto Hanns, trad). Rio de Janeiro: Imago, 2007.
Freud, S. (1930) O Mal estar na Cultura. (Renato Zwick, trad). Porto Alegre: 2011. 
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

Ψ Outros Fragmentos Barthes

“Uma pequena minoria de pessoas acha-se  capacitada,  por  sua  constituição,  a  encontrar felicidade no caminho do amor”. (FREUD, 1914)

 "Como se chama aquele sujeito que se obstina num 'erro', contra tudo e contra todos, como se tivesse diante de si a eternidade para se 'enganar'? - Relapso!"

(...) que seja de um amor a outro ou no interior do mesmo amor, não paro de 'recair' numa doutrina interior que ninguém partilha comigo.

Quando o corpo de WERTHER é levado à noite para um canto do cemitério, perto das duas tílias (a árvore do perfume simples, da lembrança e do adormecimento), "nem um só padre o acompanhava" (essa é a última frase do romance).

A religião não apenas condena, em Werther o suicida, mas também, talvez, o amante, o utópico, o desclassificado, aquele que não está 'religado' a nenhum outro ser além dele mesmo.

(...) após discutir o assunto, os cientistas concluíram: os animais não se suicidam... no máximo alguns como cavalos, cachorros - tem vontade de se mutilar.

É entretanto, referindo-se aos cavalos que Werther alude à nobreza que marca todo suicídio: Fala-se de uma nobre raça de cavalos que, quando se sentem terrivelmente acalorados, tem o instinto de eles próprios se abrirem uma veia, com uma dentada, para respirar mais livremente.

É o que acontece muitas vezes comigo: gostaria de me abrir uma veia, para me assegurar a liberdade eterna.

*Fragmentos de Um Discurso Amoroso - Roland Barthes
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Ψ “A realidade é aquilo sobre o que a gente repousa para continuar a sonhar.” Lacan

 As Flores no Vaso
"(...) ela sabe que é necessário por flores no vaso constantemente: é preciso preencher o vazio com a beleza mais pura, mais gratuita, para que a vida tenha algum sentido e para aplacar a dor de existir."

*O filme 'As Horas' - Stephen Daldry - 2002, conta a história de três mulheres - Virginia Woolf, Laura Brown, Clarissa Vaughan - passada em três épocas diferentes, diante da vida e da morte.


*Três sujeitos diante da pulsão de morte e atravessados por três posições fantasísticas diversas: como as Horas da mitologia grega, Eunômia, Dicéa e Irene, elas podem representar o dia, o entardecer e a noite.

*Em 1923, cuidada por Leonard, um marido que a ama, Virginia Woolf é a noite: mulher melancólica, insone, inapetente, doente, tentando sobreviver, através de tratamento psiquiátrico, à ideação suicida e alucinações auditivas.
*Ela não se cuida, está absorta apenas em sua escrita, no seu romance, nas suas personagens.
*Sua relação com o marido, a irmã, os sobrinhos e as empregadas é distante, superficial, pois ela está tragada pela força de seu mundo interior.
*Tentou se matar duas vezes e na terceira consegue, afogando-se num rio com pedras no bolso do casaco.
*Virginia passou o último período da vida escrevendo Mrs. Dalloway e tentando dar um destino à personagem que não fosse a morte.
*Mas a morte é o grande interesse de Virginia, como na cena em que encontra-se deitada ao lado da ave morta, olhando-a após ter cercado o seu corpo com flores.
*Apenas a escrita de Virginia consegue dar um contorno fantasístico à sua vida, uma janela para o real.
*Mas eis que de dentro de sua própria fantasia de escritora, a morte lhe acena continuamente.
*Nem o intenso e dedicado amor de Leonard consegue deter esse fluxo inexorável de autodestruição.
*Leonard satisfazia todos os seus caprichos, tentando com isso dar-lhe todas as alegrias possíveis, mas seu desejo mais profundo era a morte.

 
*Em 1951, Laura Brown está lendo o romance Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf.
*Casada com um marido dedicado, tendo um filho adorável, morando num lindo bairro e numa casa perfeita, Laura está infeliz.
*Ela é uma mulher dividida e angustiada como o entardecer.
*Não quer aquela vida para ela, mas não sabe o que fazer senão matar-se para se ver livre daquela prisão de luxo.
*Aquela confortável prisão domiciliar não é a que lhe convém.
*O olhar de seu filho, Richard, parece compreendê-la todo o tempo -  ele se tornará um importante poeta.
*Chega a ir até um hotel para ingerir frascos inteiros de remédios e desaparecer, mas é contida pelo apelo da vida apenas embrionária da filha
que está começando a gestar.
*Decide ir embora depois que a filha nascer: não aguentou, não teve escolha, era ir embora ou morrer.
*Escolheu finalmente a vida, abandonou aquela redoma que não a protegia de si mesma e inventou uma nova fantasia: foi ser bibliotecária no Canadá.
*Seu marido morreria jovem de câncer, assim como essa filha.
*Richard, seu filho poeta, se mataria com aids em estágio terminal, dizendo que não queria mais enfrentar as horas.
*Quando jovem, ele fora amante de Clarissa Vaughan e agora era o seu melhor amigo.

*Clarissa vive em Nova York em 2001, é editora, tem uma filha adulta e uma namorada com quem partilha uma casa.
*Sempre ocupada com seus afazeres domésticos, ela organiza com detalhes a festa na qual Richard, já na fase mais adiantada da doença, seria homenageado com um prêmio pelo conjunto de sua obra, marcando os lugares das mesas e cozinhando.
*Sua fantasia está preservada e é sempre renovada, pelo trabalho, pela amizade, pelo amor.
*O olhar de Clarissa está sempre iluminado, brilhando, refletindo a luz do dia.
*Nem mesmo a morte de Richard abalaria a felicidade que conquistava em cada momento de seus dias.
*Clarissa se apega a seus objetos amorosos, constrói sua fantasia incessantemente e não abre mão dela.
*Antes de ir para a cama à noite, seu olhar acaricia amorosamente a sua casa, um verdadeiro lar.
*Ele está sempre repleto de vasos com flores: apesar da morte, da perda do amigo, da dor do encontro com Laura Brown que veio para o enterro do filho, do desencontro contínuo imposto pela vida, ela consegue fantasiar e sonhar.
*Ela sabe que é necessário pôr flores no vaso constantemente: é preciso preencher o vazio com a beleza mais pura, mais gratuita, para que a vida tenha algum sentido e para aplacar a dor de existir. E as flores bem simbolizam aquilo que na natureza expressa a transitoriedade inerente à felicidade.
*Das três Horas, apenas a ela se aplica a formulação de Lacan: “A realidade é aquilo sobre o que a gente repousa para continuar a sonhar.”


Fonte: A Clínica do Amor - Jorge Sesarino -  PsicoDom, v.2, n.2, jun. 2008 
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

domingo, 23 de agosto de 2015

Ψ sobre o sentimento de culpa

                                                                  Bouguereau - 1862
“Menelau:  Que tens tu? Que doença te destrói? 
*Orestes:  A consciência, porque sei que pratiquei uma ação terrível”.
(*Orestes matou a mãe e Egisto, o amante. Foi perseguido pelas Eríneas,seres que tinham o poder de decidir sobre a vida e a morte dos mortais. Julgado por seu crime, o voto da deusa Atena desempatou o resultado a seu favor.)

Diz
Jung: "A verdade sai do erro. Por isso nunca tive medo de errar, nem dele me arrependi seriamente". 

“Todo homem mata aquilo que ama”. (Oscar Wilde)

"O sofrimento não vem para torná-lo infeliz e sim para torná-lo consciente". (Osho)

*Pois só entendemos quem somos de verdade através do sofrimento e do erro.

*É a culpa que nos mostrará onde estão nossas maiores deficiências. 


*A Culpa: é o nosso pior pesadelo e redenção. 

*Corresponde aos sonhos mais cruéis. Causa melancolia, ansiedade que corrompe o bem-estar. 

*Mas depois da noite escura, vem o dia. Uma nova oportunidade para encarar os desafios e resolvê-los com pé no chão e cabeça erguida. 

*Temos medo de nos refletirmos na escuridão, pois somos nós que alimentamos toda e qualquer confusão, aumentando o perigo daquilo que julgamos impossível de ser administrado.
 
*Por isso que a partir de uma postura de aceitação das responsabilidades pode ser o começo de mudanças favoráveis ao que se mostra nebuloso. 


*O sentimento de culpa é como um espelho no escuro: aponta aquilo que não temos tanta coragem de tentar enxergar devido à falta de clareza.

*Desespero, desgraça e preocupação são alguns dos seus piores atributos.


*Os erros que se repetem... A culpa aflige. Vem o desespero.

*Por vezes resultará na vitimização. E é justamente essa a conduta de quem mais sofre: repetir o discurso de que o mundo é injusto e que nada de bom lhe acontece.


*Precisamos de paz.
O sofrimento que vem se arrastando por um tempo pode tirar o sono.


*O importante a ser reconhecido é o medo de encarar a verdade: não há ninguém culpado por prejuízos e fracassos, a não ser a própria pessoa que  está sofrendo.

*Uma postura radical merece ser adotada. Aceite os desafios que já existem e os que podem surgir para que você se fortaleça ainda mais e se orgulhe de ser quem é.

*Por isso que a partir de uma postura de aceitação das responsabilidades pode ser o começo de mudanças favoráveis ao que se mostra nebuloso.

 

*A Culpa leva a preocupação excessiva, incômodo, urgência em resolver uma situação, falta de sono e stress.

*Um olhar desconfiado. ... e agora nos deparamos com o medo.


*Medo, defesa, bloqueio, desconfiança.


*A culpa indica crueldade consigo mesmo, angústia, tormento.


*Já que estamos sofrendo tantas consequências pelos atos passados (como a própria vergonha do erro cometido), como poderemos ter um futuro de paz e alegria?


*Este sentimento tem apenas o intuito de informar que você errou, o que o torna tão falível como qualquer outro ser humano. 

*Na verdade, isso nos ajuda a sermos mais humildes e a termos mais consciência dos nossos atos.
 
*Sentir-se culpado indica que em algum momento fizemos algo de tão terrível para nós ou para outro(s) que gerou arrependimento.

 
*Sofra mas se transforme! Seu erro com certeza não foi o maior erro de todos e nem é você o pior dos seres humanos.


*Liberte-se da culpa e seja feliz por ter aprendido mais uma lição!

Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Leonid Afremov

Se você vai em direção ao seu verdadeiro destino, retrocessos serão sempre seguidos por novos progressos.
Como não se pode ficar parado, temos que seguir em frente.
Mas se sua mente inventa uma meta que é menor do que o que os deuses tinham em mente para você, você vai tropeçar nos próprios pés.
Então, faça as fronteiras de sua mente tão ampla quanto possível, 
melhor ainda: torne-se livre de quaisquer limites. (Oracle of the sun)

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

(...)

A verdadeira arte de viajar: A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa, 
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo. 
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali... 
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
                                                                              (Mario Quintana)
                                     

                                                                        Pino Daeni
                                Pino Daeni                                     
                                                                                                                                                 
                                                  Alexander Averin
                                                 Alexander Averin
                                                                 Ron DiScenza             
                                                   Donna Munsch

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele tá doendo em mim ... (Nelson Gonçalves)

Eu Carrego seu coração comigo
(Eu o carrego no meu coração)
(...)

Porque você é meu mundo, minha verdade.
Este é o maior dos segredos que ninguém sabe:

(Você é a raiz da raiz ... 
e o céu do céu de uma árvore chamada vida;
que cresce mais alta do que a alma pode esperar
ou a mente pode esconder.
Este é o milagre que distancia as estrelas).

Eu Carrego seu coração
(carrego no meu coração)
                         E.E Cummings