domingo, 16 de maio de 2010

Ψ DISTÚRBIOS PSICOSSOMÁTICOS 3

Ψ ENTENDENDO A CEFALÉIA
abordagem COGNITIVO COMPORTAMENTAL

- É reconhecida a necessidade de que o tratamento da dor crônica envolva profissionais de várias áreas. Esse reconhecimento da multidimensionalidade da dor crônica fez surgir, a partir dos anos 50s,
Centros Multidisciplinares, para o tratamento da dor crônica. Esses centros são cada dia mais frequentes em muitos países.
- O sucesso terapêutico requer esforço multidisciplinar, englobando várias áreas do conhecimento humano, que incluem a neurologia, a psicologia, a psiquiatria, a anestesiologia, a fisiatria, além da enfermagem.
- A abordagem Cognitivo-Comportamental tem sido cada vez mais utilizada para o tratamento da cefaléia persistente e outras dores crônicas, por considerar, as relações entre indivíduo e ambiente, procura articular o mundo interno do doente (cognições, pensamentos sentimentos e emoções) aos aspectos cognitivos afetivos e comportamentais do indivíduo, e seu mundo externo (comportamento individual e sociedade, resposta ambiental).
- Para isso busca instrumentalizar o doente para uma convivência com a dor menos penosa, além de fornecer toda a informação sobre o que é a doença, os fatores desencadeantes, as dores consequentes e o uso de medicamentos preventivos. Dor de cabeça ou cefaléia, é definida como sensação dolorosa na cabeça, pescoço e face. Existem mais de 150 tipos e podem ser primárias (causadas por distúrbios bioquímicos no cérebro que levam ao mau funcionamento dos neurotransmissores e/ ou receptores como a enxaqueca) ou secundárias (causada por problemas em qualquer região do corpo, podendo ter inúmeras causas). As cefaléias primárias são elas próprias o sintoma e a doença do indivíduo. As cefaléias quando crônicas (que duram meses ou anos) tornam-se profundamente problemáticas ou incapacitantes, transformando em grande sofrimento a vida dos indivíduos. A cefaléia crônica é, um grande desafio para os profissionais que buscam ajudar os indivíduos que se encontram nessa condição álgica. Apesar de existir várias formas de tratamento, nem um deles isolado pode resolver todos os tipos de dor. Por isso, na abordagem do doente de dor crônica, é muito freqüente se associar vários tipos de tratamentos paralelos. Essa associação deve ser planejada entre os vários profissionais de saúde envolvidos.
- Através da Psicoterapia Cognitivo Comportamental, o doente é levado a analisar a ligação entre pensamento, emoção, comportamentos e fatores ambientais, que contribuem, tanto para o surgimento, quanto para a perpetuação dos sintomas da doença. Procura-se estimular a aderência ao tratamento, substituir comportamentos que possam desencadear crises de cefaléias por aqueles que possam preveni-las e diminuir a percepção da dor.
- É importante instrumentalizar o paciente para que os desencadeantes e consequentes ambientais, alimentares e emocionais sejam controlados pelo mesmo. Busca-se, desta forma, que o indivíduo que sofre de cefaléia possa desenvolver uma reestruturação cognitiva dando uma resignificação a sua condição de saúde. 
- Durante o tratamento psicoterapêutico, avalia-se e trata-se a depressão e a ansiedade, que geralmente estão associadas à cefaléia crônica. A terapia objetiva reduzir os sintomas da cefaléia crônica, promovendo e estimulando o doente a desenvolver estratégias de enfrentamento mais adaptativas e eficientes, mudando as cognições distorcidas a respeito da doença e diminuindo os comportamentos de esquiva e sintomas psicológicos (ex: depressão, ansiedade e estresse), além de melhorar a percepção da qualidade de vida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Nevralgias Cranianas e Dor Facial. Tradução autorizada pela Sociedade Brasileira de Cefaléia e pela Sociedade Internacional de Cefaléia 1997.
Classificação e Critérios Diagnósticos das Cefaléia, BECK, Aaron et alli.
Terapia Cognitiva da depressão. Porto Alegre: Artes Médicas,1997.
BECK, Judith. Terapia Cognitiva - teoria e prática. Porto Alegre: Artes Médicas,1997. CARLSON, N. L. (1998) - Physiology of Behavior - Ally and Bacon - Needham Heights, MA, USA - pp. 205-213 - ISBN 0-205-27340-8.
GRAEFF, F. G.; BRANDÃO, M. L.(Eds) (1999) - Neurobiologia das Doenças Mentais - São Paulo - Lemos .
Winnicott, Donald Woods. A Importância do Setting no Encontro com a Regressão na Psicanálise(1964). In: Explorações Psicanalíticas; D. W. Winnicott/ Clare Winnicott, Ray Shepherd & Madeleine Davis; Trad.: José Octávio de Aguiar Abreu- Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994.
Winnicott, Donald Woods. O Conceito de Indivíduo saudável (1989). In:Tudo Começa em Casa; Associação Brasileira de Medicina Psicossomática – Regional São Paulo - 2004 -
Cláudio José da Silva - Psicólogo, Geisa Quental - Médica; João Paulo Correia Lima - Psicólogo; Maria Aparecida Borges - Fisioterapeuta; Osvaldo Amorim – Engenheiro; Sônia Maria Estácio Ferreira – Psicóloga.
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica) 



sábado, 15 de maio de 2010

Ψ NÓS OS PACIENTES PSICOSSOMÁTICOS

                                                   ...  porque a dor da alma é a mais profunda...

"Estar cheio de vida é respirar profundamente, mover-se livremente e sentir com intensidade." (Alexander Lowen)

“Um funcionamento inadequado da psique pode causar tremendos prejuízos ao corpo, da mesma forma que, inversamente, um sofrimento corporal pode afetar a psique pois a psique e o corpo não estão separados, mas são animados por uma mesma vida. Assim sendo, é rara a doença corporal que não revele complicações psíquicas, mesmo quando não seja psiquicamente causada.” (Jung).

“Quando o sofrimento não pode expressar-se pelo pranto, ele faz chorar os outros órgãos.” (William Motsloy)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ψ DISTÚRBIOS PSICOSSOMÁTICOS 2




. Amigdalite - Emoções reprimidas, criatividade sufocada
. Anorexia - Ódio ao extremo de si mesmo
. Apendicite - Medo da vida, bloqueio do fluxo do que é bom.
. Arterosclerose - Resistência, recusa de ver o bem
. Artrite - crítica mantida por longo tempo
. Asma - Sentimento contido, choro reprimido
. Bronquite - Ambiente familiar "inflamado", gritos , discussões
. Câncer - Mágoa profunda, tristeza mantida por muito tempo
. Colesterol - Medo de aceitar a alegria
. Derrame - Resistência. Rejeição a vida
. Diabetes - Tristeza profunda. Amargura. Vida sem doçura
. Diarréia - Medo, rejeição, fuga
. Dor de cabeça - Autocrítica, falta de valorização
. Dor nos joelhos - Medo de recomeçar, medo de seguir em frente
. Enxaqueca - Raiva reprimida. Pessoa perfeccionista
. Frigidez - Medo, negação do prazer
. Gastrite - Incerteza profunda, sensação de condenação , idéias mal digeridas
. Hemorróidas - Medo de prazos determinados, raiva do passado
. Hepatite - Raiva, ódio. Resistência a mudanças
. Insônia - Medo, culpa
. Labirintite - Medo de não estar no controle
. Meningite - Tumulto interior, falta de apoio
. Nódulos - Ressentimento, frustração. Ego ferido
. Pele (acne) - Não perdoa a si mesmo
. Pneumonia - Desespero, cansaço da vida
. Pressão alta - Problema pessoal duradouro não resolvido
. Pressão baixa - Falta de amor quando criança
. Prisão de ventre - Preso ao passado, medo de não ter dinheiro suficiente
. Pulmões - Medo de absorver a vida
. Resfriados - Confusão mental, desordem, mágoas
. Reumatismo - Sentir-se vítima, falta de amor, amargura
. Rinite alérgica - Congestão emocional, culpa, crença em perseguição
. Rins - Medo de crítica, do fracasso, desapontamento
. Sinusite - Irritação com pessoa próxima
. Tireóide - Humilhação
. Tumores - Alimentar-se de mágoas,
. Úlcera - Medo de não ser bom o bastante
. Varizes - Desencorajamento. Sentir sobrecarregado
• Câncer - Mágoa profunda, tristezas mantidas por muito tempo.
• Fibromas - Alimentar mágoas causadas pelo parceiro.
• Ronco - Teimosia, apego ao passado.
(Fonte: Louise L. Hay)

Ψ DISTÚRBIOS PSICOSSOMÁTICOS1

Segundo Fenichel toda doença poderia ser considerada "PSICOSSOMÁTICA", visto não haver doença inteiramente "somática" livre de influência psíquica.

. A resistência contra as infecções bem como todas as funções vitais, são incessantemente influenciadas pelo estado emocional até a mais "psíquica das conversões pode basear-se em facilitação puramente "somática".

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Wulff descreveu uma neurose que não é rara em mulheres e que se relaciona com a histeria, a ciclotimia e as drogas.
. O comportamento de uma pessoa é influenciado continuamente pelas suas necessidades instintivas inconscientes um exemplo seria o pigarro forçado habitual persistente, seca a garganta e resulta em faringite. Ou seja,uma atitude pouco usual que tem raiz em conflitos instintivos inconscientes, gera certo comportamento, que por sua vez causa alterações somáticas dos tecidos. Estas alterações não são psicogênicas diretamente, mas o comportamento da pessoa que iniciou as alterações este foi psicogênico.
. Nas disfunções hormonais feminina os distúrbios psíquicos que antecedem a menstruação (TPM), possuem um fator somático, a saber, as alterações físicas que se produzem na fonte dos impulsos instintivos. Por outro lado, a significação inconsciente da idéia de menstruação e a reação psíquica a esta significação também podem alterar os fenômenos hormonais.
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Nos casos em que há transtornos, o sentimento corporal pré-menstrual representa tensão, retenção (às vezes gravidez), sujeira, ódio por vezes relaxamento, limpeza, em certos casos frustração de desejos de maternidade.
. As pacientes alternam períodos de depressão nos quais se "empanturram" (ou bebem) e se sentem "gordas","inchadas", "desmazeladas", "grávidas" e deixam o ambiente também em desordem. Alternando períodos em que sentem-se exuberantes, esbeltas e se comportam com uma certa vivacidade. Esses sentimentos às vezes mostram uma ambivalência em relação à figura materna e consequentemente uma rejeição à própria feminilidade.

.TRATO GASTRINTESTINAL: Um bom exemplo de TRANSTORNO PSICOSSOMÁTICO que a Psicanálise interpreta como resultado físico de uma atitude inconsciente é a úlcera péptica. A pessoa que tem atitude exigente RECEPTIVO-ORAL cronicamente frustrada e que a reprimiu, manifestando com frequência comportamento muito ativo do tipo da formação reativa, mostra inconscientemente "fome de amor" permanente.
A palavra "fome" neste contexto é literal. É uma fome permanente que faz com que essa pessoa proceda como procede alguém que está esfomeado. A mucosa gástrica começa a secretar, do mesmo modo que no caso de quem está esperando comida, sem que esta secreção tenha qualquer outra significação psíquica específica. A hipersecreção crônica é a causa imediata da úlcera, e esta é a consequência fisiológica incidental de uma atitude psicogênica, não é satisfação forçada de impulso reprimido.
 


. SISTEMA MUSCULAR: Os efeitos físicos do estado de represamento emocional refletem-se facilmente no sistema muscular. É como se quisesse contrabalançar com uma pressão muscular externa a pressão internados impulsos reprimidos que procuram descarga motora.
Fenichel cita o exemplo de uma paciente que achava difícil falar durante o tratamento psicoterapêutico. Ficava visivelmente espástica sempre que tentava falar. Sentia-se contraída principalmente o tórax eos membros. Nõ conseguia "descarregar"/falar. Passada uma hora da consulta em silêncio, sentia-se exausta como se tivesse feito exercícios físicos intensos.


. APARELHO RESPIRATÓRIO: Na asma brônquica infantil o ataque é o equivalente da angústia. É um pedido de socorro que a criança dirige à mãe, na qual ela tenta introjetá-la pela respiração a fim de se sentir protegida.
. De acordo com French e Alexander o ataque de asma é reação ao perigo de separação da mãe; Que o ataque é uma espécie de equivalente de ansiedade e raiva reprimidos; O perigo de perder a mãe e de ser deixado só, sentimento que acompanha o indivíduo a vida inteira se não for devidamente elaborado.
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Outros exemplos são resfriados comuns de repetição (o medo de resfriar-se atrai certas pessoas paradoxalmente para situações que as tornam suscetíveis).
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E a "tosse nervosa" é, às vezes, sintoma de conversão, ou seja, identificação histérica com uma pessoa que tosse ou recordações infantis de tosse orgânicas persistentes nos primeiros anos de vida.


. PRESSÃO SANGUíNEA: Caracterizam-se os casos de hipertensão essencial por extrema tensão instintiva inconsciente; inclinação para a agressividade, mostra-se em pessoas que à superfície parecem muito calmas, não dando saída aos seus impulsos. A tensão interna não realizada parece ser, um dos componentes etiológicos da HAS, atuando por influências hormonais resultantes de conflitos inconscientes através da vasomotricidade e dos rins. A mais frequente incidência de hipertensão essencial no homem moderno deve ligar-se à situação psíquica dos indivíduos que, depois de aprender que a agressividade é má, tem que continuar a viver num mundo em que se exige quantidade enorme dela.

. CORAÇÃO E APARELHO CIRCULATÓRIO: Segundo Fenichel, tanto a raiva, a excitação sexual quanto a ansiedade se manifestam fisiologicamente em alterações circulatórias funcionais.
. Considera-se o coração o órgão do amor: bate rápido na raiva e no medo, dá a impressão de pesado quando a pessoa está triste. Toda sorte de "emoção inconsciente" pode exprimir-se em aceleramento do pulso.
. As reações vasomotoras gerais como enrubescimento, palidez, desmaio e tonturas, são bastante comuns nas neuroses, isto porque as expressões vasomotoras são as que mais aparecem nas manifestações físicas de todos os afetos e as reações vasomotoras são canais fáceis para descargas de emergência sempre que se bloqueia a descarga muscular.

Nesta perspectiva, ainda destacam-se as cefaléias psicossomáticas resultantes de conflitos inconscientes (tensões musculares específicas durante o sono) e as cefaléias de conversão (essas exprimem fantasias de gravidez).
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A investigação de pacientes que sofrem de enxaqueca mostra que eles são emocionalmente instáveis, amedrontam-se e deprimem-se com facilidade além de inibições sexuais.

. A PELE: A tendência da pele a sofrer a influência de reações vasomotoras e estas por sua vez, sendo evocadas por impulsos inconscientes, pode ser compreendida sob o aspecto das suas funções fisiológicas gerais.
. Considera-se quatro características da pele como revestimento externo do organismo, representando a fronteira entre este e o mundo exterior:
1. A pele como função protetora geral que examina os estímulos que chegam e em caso de necessidade embota-os ou até rejeita-os. Do mesmo modo que os músculos ficam rígidos inespecificamente na luta com os impulsos reprimidos, as funções vasomotoras da pele também servem de "armadura". Terá a fisiologia de explicar
de que maneira as alterações vasomotoras resultam em errupção das dermatoses.
2. A pele é zona erógena importante, se o impulso a usá-la como tal for reprimido, as tendências recorrentes à estimulação cutânea e contra esta encontrarão expressão somática em alterações cutâneos. Além dos estímulos táteis e térmicos, também a dor pode ser fonte de prazer cutâneo erógeno. Os conflitos sadomasoquistas constituem com frequência a base inconsciente das dermatoses. Tem-se referido que as irrupções de psoríase, representam às vezes, impulsos sádicos que se voltam contra o ego.

3. A pele, superfície do organismo, é a parte que externamente se vê, daí ser a sede da expressão de conflitos que giram em redor do exibicionismo. Daí também se encontrarem na base de certas dermatoses os mesmos conflitos inconscientes que se encontram em fobias ligadas à beleza e à falta dela, nos casos de temor social e medo do palco e de exibicionismo perverso.
4. Equivalentes da ansiedade também se podem localizar como reações cutâneas. Em certos indivíduos, os sintomas torturantes dos pruridos devem ser resultado psicossomático da sexualidade reprimida.

BIBLIOGRAFIA: Otto Fenichel - "Teoria psicoanalitica de las Neurosis"
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

terça-feira, 11 de maio de 2010

ΨTRANSTORNOS ALIMENTARES 2





OBESIDADE: H Bruch confronta a ANOREXIA e a BULIMIA







  


       



 . Problema da obesidade deve ser abordado a partir de dois fatos essenciais que ninguém contesta: 
De um lado as ingestões alimentares excessivas aumentam o peso, enquanto que as restrições alimentares (baixas calorias) o diminuem. Por outro lado, cada indivíduo rege de modo particular do ponto de vista ponderal aos excessos e as restrições alimentares.

. Segundo Royer, a fisiopatologia das obesidades é obscura e é impossível falar-se de obesidade em geral.
. Ele assinala fatores múltiplos eventualmente associados à origem das obesidades infantis: Excesso de entrada de tecido adiposo secundário por hipofagia (psicógena, hipotalâmica ou ambiental); Por inatividade (psicógena, social, paralítica); Por neglicogênese (hipercorticismo); Deficiência do metabolismo dos lipídiops do tecido adiposo por anomalia do controle extrínseco (endócrino e neurossimpático) ou do metabolismo autônomo (defeitos enzimáticos).


. Meyer observa que apenas 10% das crianças cujos pais tem peso normal apresentam excesso de peso; contra 40% das que tem apenas um dos pais obeso e 80% daqueles cujo pai e mãe sofrem desta enfermidade; 70% das crianças obesas tem os dois pais obesos.

. H Bruch em seus primeiros estudos (anos 30), enfatizou um PERFIL PECULIAR de criança obesa e sua constelação familiar, tema retomado na década de 70, considerando a criança obesa como resultado de uma compensação pela imperfeição na vida dos pais. A mãe parece querer moldar a criança à sua imagem.

. O que é importante é saber se a compulsão alimentar e a inatividade física estão associadas não apenas à história somática, mas também ao ajustamento social pobre a uma imaturidade emocional ou a uma maturidade defeituosa e conhecer o valor que adquire a compulsão dentro desta desorganização.

. Sabe-se que a criança cujas outras necessidades estão reprimidas ou insatisfeitas reage através de uma solicitação alimentar crescente e um desejo de satisfação imediata à alimentação, equivalente ao amor, tem um valor de compensação de reconforto,
aparentemente submissa ela se torna na realidade um tirano que não suporta a recusa.


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Assim nos conflitos da vida social a compulsão alimentar pode tomar o lugar da agressividade e o peso passa a ter um valor simbólico, há o temor de perder a sua força pelo emagrecimento (a gordura como proteção).

 
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A obesidade pode estar ligada a um distúrbio de personalidade. Ser obeso tem importância para a criança, se não encontra solução para suas dificuldades a obesidade serve de "proteção" para seus problemas. Mais do que todos os outros, este tipo de obeso resiste à dieta e quando lhe é imposta, torna-se fonte de
uma grande tensão.


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Existe o obeso cujo estado é consequência de experiência emocional traumatizante, na qual a compulsão e a obesidade tem a função de protegê-lo da angústia e da depressão. E o obeso cujo estado se caracteriza sobretudo por uma impossibilidade de suportar as frustrações ou retardamento nas gratificações.

  
BIBLIOGRAFIA:  J.  de  AJURIAGUERRA - "Manual de Psiquiatria Infantil"
( txt elaborado por Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

sábado, 1 de maio de 2010

Ψ TRANSTORNOS ALIMENTARES 1

... quando a autoimagem fica distorcidaANOREXIA/ BULIMIA
 Segundo SPITZ, (Psicanalista Austríaco - 1887/ 1974), o comportamento da criança frente ao seio da mãe passa por diversas fases:
. No oitavo dia de vida ela responde aos sinais que são inicialmente os de sensibilidade profunda ou do equilíbrio;. Até o início do segundo mês de vida a criança reconhece o sinal do alimento apenas quando tem fome;
. Por volta do fim do segundo mês, ela reage à presença do adulto que se lhe aproxima quando ela chora porque tem fome. Então ela pára de gemer, abre a boca ou avança os lábios. Esta reação já ocorre quando a criança espera a mamada. Ela responde a um estímulo exterior em função apenas de uma percepção interoceptiva nascida de uma pulsão insatisfeita. É importante observar que após este período a criança fixa invariavelmente os olhos no rosto da mãe. O objeto que a satisfaz e a pessoa que dá esta satisfação estão intimamente ligados.

. Por volta do terceiro mês a criança reage à percepção das mamadas por modificações motoras ou por movimentos de sucção.

ANNA FREUD, (Psicanalista, 1895/ 1982), distingue duas satisfações diferentes: A satisfação da fome saciada e a satisfação erótica oral;
. A atividade oral é ao mesmo tempo, uma fonte de satisfação e uma necessidade biológica de nutrição.
. Desde o segundo ano a criança diferenciará entre a mãe e o alimento mas esta relação persistirá no inconsciente.
. O ato de mamar não responde unicamente à satisfação trazida pela alimentação, proporcionando também um prazer em si.
. A criança descobre que a excitação da boca e dos lábios provoca prazer, mesmo sem alimento. Ela suga o polegar que faz funcionar seu
automatismo de sucção a fim de obter prazer na falta do seio materno.
. São numerosos os autores que enfatizam sobre o interesse que se deve atribuir ao tipo de alimentação da criança em sua organização psicológica posterior, já que é admitido que a atividade de sucção desempenha seu papel nas primeiras organizações emocionais e está no foco de suas primeiras fantasias.
. Seria importante saber se a criança tira mais vantagens do aleitamento pelo seio ou pela mamadeira e se seria similar quando a criança é alimentada pelo seio ou mamadeira pela mãe ou por outra pessoa permanentemente. Isto implicaria de fato, problemas sociais: a alimentação pelo seio é uma servidão ou uma necessidade?
O que é certo, é que pode haver no aleitamento artificial todo o ritual e a segurança que comporta o aleitamento pelo seio.
Segundo ANNA FREUD, a noção de desmame também permanece ambígua enquanto não se separa de um lado, a passagem da alimentação pelo seio para a mamadeira e, de outro lado a passagem do aleitamento do seio ou mamadeira para os alimentos sólidos.
. As recusas alimentares quando do desmame brusco ou demasiadamente tardio pode se manifestar pela criança sob
forma de cólera diante da comida, de insatisfação em relação aos novos sabores, de uma falta de espírito de descoberta sob o plano alimentar, de uma falta de prazer na zona oral.
. Por vezes o desmame provoca um resultado oposto, isto é, BULIMIA e
medo de ter fome.
MELANIE KLEIN (1882/ 1960), refere que a experiência do desmame é o objeto amado primitivo que é sentido como perdido e, consequentemente, a angústia depressiva são reforçadas. Todo recém nascido (humano ou animal) possui desde o início da vida os elementos necessários para adquirir o comportamento frente ao alimento. Estes alimentos são de duas ordens, uns instintivos, naturais e não condicionados e outros adquiridos, ligados à educação e condicionados.
. É importante distinguir a FOME
do APETITE. A FOME é um estado somático provocada pela privação do alimento e resolvido após a ingestão do mesmo. Já o APETITE é um estado consciente caracterizado por um desejo de alimentar-se estreitamente condicionado por uma experiência anterior e provocado pelo interesse experimentado por este ou aquele alimento.
OS DISTÚRBIOS OROALIMENTARES NO LACTENTE: A anorexia do segundo semestre no desenvolvimento do bebê é a mais frequente (entre o quinto e o oitavo mês), quando da supressão progressiva do leite e da introdução de um regime diversificado, época em que ocorrem modificações extremamente importantes na vida do lactente.
Pode ocorrer dois tipos de anorexia: ANOREXIA DE INÉRCIA - a criança não se interessa, nem coopera, por vezes nem mesmo deglute, o leite escorre passivamente ou ele vomita o pouco que engoliu.
. ANOREXIA de OPOSIÇÃO: se caracteriza por reação de agitação intensa, recusa, rejeição e vômito. A criança trava uma verdadeira luta com o adulto.
Ao fim de um certo tempo a criança condicionará seus hábitos aos dos pais e esses se deixam tiranizar ou reagem com hostilidade tiranizando-a, a fim de vencer a "luta". 

- ANOREXIA NA SEGUNDA INFÂNCIA: Ela se organiza sob forma de oposição frente a rigidez dos pais (exigências quantitativas ou qualitativas, severa ordenação das refeições, obrigação de manter o mesmo rítmo que os adultos).
. A evolução desta anorexia não é comumente grave do ponto de vista fisiológico, embora crie em geral, o modelo do comportamento alimentar posterior.
. De um modo geral, são os pais hiperansiosos e hiperprotetores ou rígidos que organizam (ou desorganizam), por suas condutas frente à alimentação a personalidade de seu filho de um modo frequentemente patológico.

 
- ANOREXIA NA ADOLESCÊNCIA: Foi descrita na segunda metade do séc. XIX por Lasègue e Gull, como ANOREXIA HISTÉRICA. Frequentemente os sintomas aparecem próximo à puberdade. caracteriza-se por redução alimentar por motivos variados, no início eletivas (determinado alimento já não agrada mais) ou quantitativas (se refere a qualquer alimento).
. A anorética minimiza seu problema, ela reconhece que não tem fome e que isto não a impede de se sentir bem. Inicialmente suas atividades continuam preservadas e aumentam gradativamente.
. Com o decorrer do tempo as relações sociais e amorosas vão se tornando superficiais; Posteriormente negam totalmente a realidade dos fatos, quando pressionada a anorética reage por uma dissimulação organizada, cospe os alimentos, mente sobre seu peso, provoca vômito e as restrições alimentares podem se alternar com a bulimia. A família começa a se alarmar, transformando o problema como centro das preocupações familiares, predominando a pressão, o controle e o desespero.

- ASPECTOS PSICODINÂMICOS: Os conceitos psicodinâmicos evoluíram com o tempo, hoje considera-se que algumas garotas desejam emagrecer para se aproximar de um ideal feminino etéreo, romântico seguindo o apelo da mídia.
. Pode tratar-se de uma reação frente a uma certa obesidade adquirida pela mãe no período da menopausa.
. Na anorexia a necessidade fundamental, vital - A FOME - cuja não saciedade provoca um prazer orgânico intenso é levada a seu ápice(orgasmo da fome), como se a seu nível mais profundo, o do instinto, a perversão atuasse, trazendo uma satifação à não satisfação,(masoquismo).
. Segundo Selvini-Palazzoli, "não encontramos nunca entre os anoréticos o desejo consciente ou inconsciente de suicídio e não podemos falar de uma verdadeira depressão. Eles não suprimem completamente os alimentos, eles reduzem de maneira absurda e brincam com a morte como criança que a concebem como um jogo na qual se escondem, comportando com seu corpo de maneira mágica sem contato com a relidade."

- EVOLUÇÃO: A síndrome psíquica acompanha-se de uma síndrome somática caracterizada por emagrecimento considerável, perdendo até a metade do peso, palidez, olheiras,amenorréia, envelhecimento precoce. Os exames de laboratório evidenciam diminuição do metabolismo de base, aumento colesterol, hipoglicemia, aumento da sensibilidade à insulina, anemia com diminuição da taxa de hemoglobina.
- QUANTO AO TRATAMENTO: O ISOLAMENTO - grande número de autores admite que é impossível tratar a anorética no meio familiar; não deve receber visitas; ter acesso a qualquer correspondência durante tempo necessário para que se processe alguma melhora.

- PSICOTERAPIA Psicanalítica ou Cognitivo Comportamental ou outras, inclui familiares; Terapia Medicamentosa Associada.

Ajuriaguerra - Manual de Psiquiatria
 (Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

COMPANHEIROS!





Primeiro de Maio é uma data de luta companheiro. De luta por milhões de trabalhadores, de todas as épocas. É um simbolo companheiro, um símbolo do movimento social universal dos trabalhadores, e não um movimento para se sentir bem, do individuo. Infelizmente o que as pessoas querem e fazem hoje com a dita liberdade individual não passa de uma concepção individualista de mundo, conceituada no inicio da modernidade, uma busca da liberdade de pensamento mas com preceitos do eu, e não do nós. Assim, companheiro, o primeiro de maio, é uma data histórica de luta dos trabalhadores, contra a burguesia que explora, e contra o individualismo que ilude e faz apenas ser gado marcado. (Orlando Ferretti - Geógrafo e Professor de Geografia, Doutorando em Geografia UFSC) http://geoexperiencias.blogspot.com/
"... mandar, deveria ser trocado pela palavra Amar.
Amar com boas atitudes, não julgando os outros como Ignorantes,
Ignorantes são aqueles que mais tem poder e Ousam,
Ousam mais em crescer a si próprio com a destruição do outro,
Outro, este deveria ser outro PRIMEIRO DE MAIO, onde a dignidade deveria ser igual para todo e qualquer ser trabalhador, empregado ou não.
Enfim, igual para todo ser humano que deseja ser entendido e respeitado
como gente e construtor de um mundo melhor!"

... respira a calma flor de um sonho

Uma vive e a outra olha
de cima pra essa imensidão
Num jardim não sei aonde
respira calma flor de um sonho
nascido aqui
Nesse quarto todo branco
onde lutas louca assim avenca
parida no seio de onde
respira a calma flor de um sonho
que espera aí
A nossa chuva molhando o jardim
dentro do corpo
dentro do outono
são flores de abril
A nossa chuva molhando o jardim
dentro do corpo
dentro do outono
dentro de mim

Avenca

Zé Geraldo/ Composição: Aroldo Santarosa

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ψ O ANIQUILAMENTO DO FEMININO PELA MÍDIA



Apesar do grande avanço na luta travada pelas mulheres do mundo para conquistar espaços e oportunidades, há muito a ser feito para que se reverta toda uma história de opressão e desigualdade, construída através de séculos de desrespeito aos valores ligados ao feminino.

Em relação à violação dos direitos humanos, a violência contra a mulher é um ponto sensível que precisa ser tocado para que possa sanado nas diversas esferas em que ocorre. Seja no nível coletivo ou doméstico, a violência e o desrespeito aos direitos da mulher é um fato.


Entretanto, uma outra forma de violência contra a mulher acontece diariamente diante dos nossos olhos. Uma violência psicológica que tem sido perpetrada pelo Grande Deus Mercado, devidamente assessorado pela mídia.


A moderna cultura ocidental é dominada por uma filosofia narcisista, que “coisifica” o ser humano. 


Conseqüentemente pensamentos e comportamentos são influenciados por essa filosofia, gerando uma sociedade imagética que privilegia a imagem em detrimento de outros conteúdos.

Em relação à mulher, a imagem veiculada pela mídia é escancaradamente “coisificada”. Os valores ligados ao feminino são subvertidos e apresentados de maneira preconceituosa e distorcida, reforçando o conceito (ou preconceito) de que o valor da mulher está ligado a sua imagem e nunca a sua inteligência ou capacidade profissional.


A mulher é retratada apenas como um corpo que vende qualquer produto e não um sujeito real de carne e osso.


Mas o absurdo não para por aí. Colocada a serviço de um mercado que visa apenas o lucro, a mídia publicitária impõe um padrão de beleza que é inalcançável para a maioria das mulheres. Um modelo de beleza pasteurizado - a mulher branca, magra, de cabelos lisos e loiros.


Na tentativa de se adequarem a esse padrão, as mulheres, principalmente adolescentes, passam a subverter a própria aparência e a camuflar a sua identidade étnica. Muitas destas jovens acabam ficando tão obcecadas em atingir esse padrão de beleza que acabam negligenciando outros aspectos do seu desenvolvimento, desconsiderando inclusive suas capacidades intelectuais.


Drogas anorexísticas, regimes e dietas malucas, cirurgias estéticas, lipoaspiração, liposescultura e muito implante de silicone. Vale tudo para ficar parecida com a "top-model" famosa, a atriz da novela das oito ou com a BBB da última estação. A pressão sofrida para atingir esse ideal estético gera uma relação de conflito com o próprio corpo. Acabam surgindo em decorrência, patologias físicas na forma de distúrbios alimentares (anorexia, bulimia) e transtornos psicológicos (depressão, ansiedade, fobias). A frustração e o sentimento de inadequação acabam por dificultar as relações afetivas e sociais.


Mas a parte mais perversa desse fato é que a mesma frustração gerada e alimentada pela mídia torna a mulher uma presa fácil de todo tipo de anúncio publicitário. De cosméticos a aparelhos de ginástica, passando por dietas e fórmulas emagrecedoras que prometem "milagres", a baixa estima e a frustração feminina com sua própria imagem GERA LUCRO E MUITO LUCRO!

 
Para confirmar isso é só dar uma olhada na programação da televisão aberta. Salvo raríssimas exceções, o que se vê é pouca ou nenhuma informação que possa ser considerada útil. Muita fofoca televisiva, muita futilidade, música de péssima qualidade, receitas engordativas e muito, mais muito merchandising. Questões mais profundas não fazem parte da pauta dos programas destinados às mulheres.


Na mídia impressa a coisa não é diferente. As revistas femininas, que mais se assemelham a catálogos publicitários, reforçam nas entrelinhas de suas páginas a imagem de uma mulher narcisista que precisa preencher o vazio da sua existência com fofocas sobre gente famosa.


 Contraditórias em seus conteúdos trazem na mesma edição matérias que ensinam a cozinhar 'pratos maravilhosos' para conquistar o seu homem pelo estômago e dietas milagrosas que vão deixá-la magra, para poder caber nas roupas que os estilistas famosos criaram para modelos de passarela e não para mulheres reais.

Para fazer frente a essa realidade sómente com muita lucidez e discernimento. Não consumir produtos que utilizem a imagem da mulher de forma pejorativa pode ser um caminho. Uma forma de obrigar o mercado a rever as suas estratégias publicitárias.


 Educar nossas crianças com bases que contemplem mais os valores humanos e menos o consumo também é uma atitude que se faz urgente. Mais do que homens ou mulheres somos seres humanos. E seres humanos não são coisas e nem 'mercadoria' a ser consumida. 

Um masculino saudável e equilibrado só irá se reconhecer através de um feminino saudável e equilibrado e vice versa. Esse equilíbrio não pode ser alcançado em uma sociedade 'corpocêntrica' - que não incentiva o desenvolvimento integral do ser humano.  
(txt- Irene Carmo Pimenta)
Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ψ mulheres nas antigas civilizações






As mulheres de origem Celta eram criadas tão livremente como os homens. A elas era dado o direito de escolher os seus parceiros e nunca poderiam ser forçadas a uma relação que não queriam.
 Eram ensinadas a trabalhar para que pudessem garantir o seu sustento, bem como eram excelentes amantes, donas de casas e mães.

*A primeira lição: “Ama o teu homem e segue-o, mas somente se ambos representarem, um para o outro, o que a Deusa Mãe ensinou: Amor, companheirismo e amizade.
*Jamais permitas que algum homem te escravize: Tu nasceste livre para amar, e não para ser escrava.
*Jamais permitas que o teu coração sofra em nome do amor. Amar é um acto de felicidade, para quê sofrer?
*Jamais permitas que os teus olhos derramem lágrimas por alguém que nunca te fará sorrir!

*Jamais permitas que o uso do teu próprio corpo seja cerceado. Saibas que o corpo é a moradia do espírito. Para quê mantê-lo aprisionado?
*Jamais permitas ficar horas esperando por alguém que nunca virá, mesmo tendo prometido! *Jamais permitas que o teu nome seja pronunciado em vão por um homem cujo nome tu nem sequer sabes!
*Jamais permitas que o teu tempo seja desperdiçado com alguém que nunca terá tempo para ti! *Jamais permitas ouvir gritos nos teus ouvidos.
O Amor é o único que pode falar mais alto!
*Jamais permitas que paixões desenfreadas te levem de um mundo real para outro que nunca existiu! 

*Jamais permitas que outros sonhos se misturem aos teus, tornando-os um grande pesadelo! 
*Jamais acredites que alguém possa voltar quando nunca esteve presente!  *Jamais permitas que o teu útero gere um filho que nunca terá um pai!
*Jamais permitas viver na dependência de um homem como se tivesses nascido inválida! 

*Jamais te ponhas linda e maravilhosa, a fim de esperar por um homem que não tenha olhos para te admirar! 
*Jamais permitas que os teus pés caminhem na direcção a um homem que vive fugindo de ti!!
*Jamais permitas que a dor, a tristeza, a solidão, o ódio, o ressentimento, o ciúme, o remorso e tudo aquilo que possa tirar o brilho dos teus olhos, te dominem, fazendo arrefecer a força que existe dentro de ti!
E, sobretudo, jamais permitas perderes a dignidade de ser..."

(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica) 

Ψ PSICOTERAPIA EXISTENCIAL - o homem já nasce confuso


Ψ "... o homem é naturalmente desorientado e já nasce confuso." (Ortega y Gasset)

 Tal desorientação está relacionada com a solidão existencial, com a condenação à culpa, ao sofrimento e à morte. Ainda que confuso ele busca um sentido. 

O papel da Análise Existencial é o de ajudar a elaborar a nossa história, facilitando uma noção mais clara da existência para que possamos nos interpretar e para que nossa história de vida seja menos absurda, desmascarando as ilusões, os enganos da consciência, transformando assim em realidade a nossa utopia pessoal ou nosso projeto de vida.

 VIR-A-SER é dar luz a si próprio, renascer a cada dia e assumir as rédeas do destino e construir a própria história. Ao tentar assumir a sua história o homem se depara com limites que interferem nas possibilidades de crescimento.
Os principais limites são: a MORTE, a LIBERDADE, o ISOLAMENTO EXISTENCIAL, o SOFRIMENTO, a RESPONSABILIDADE e a BUSCA DE SENTIDO PARA A VIDA.

 *A PRIMEIRA PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL: Frente à morte nada mais podemos fazer senão ficarmos preocupados, não há escapatória possível. Conscientes dela, somos surpreendidos por uma sensação de absurdo, impotência e insegurança permanente. A trágica experiência da transitoriedade da vida ajuda o ser humano a empregar responsavelmente seu tempo. 

*A SEGUNDA PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL É COM A LIBERDADE: Diante da transitoriedade da vida e com a possibilidade da morte o homem dá valor à liberdade e luta por ela, sente urgência em ser livre. O cerceamento da liberdade pode instigar revoluções ou mesmo engessar indivíduos em atitudes reacinárias, recusando-se à ação livre. A liberdade desafia a criatividade e a vontade autêntica de cada um ser ele mesmo apesaar das provocações quotidianas massificadas. 

*A TERCEIRA PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL É COM O ISOLAMENTO EXISTENCIAL: O homem segue solitário pela vida afora. Desde o nascimento luta em sua trajetória na esperança de compartilhar sua solidão com alguém, mas na maior parte do tempo está absolutamente só. Nunca se está tão só como ao nascer e ao morrer. Ao nascer a experiência é intransferível e ao morrer é partida solitária. 

*A QUARTA PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL É COM O SOFRIMENTO: O sofrimento é inevitável como disse FRANKL, há uma certa dose de sofrimento que está ligada à própria condição humana. A experiência do prazer e da dor são intransferíveis, como se a natureza quisesse dizer-nos que o mais importante nesse mundo é que todos possam experimentar diretamente a vida. Porque somos capazes de sentir dor e sofrer, somos cautelosos e responsáveis diante da vida, (o que contribuiu para a humanização do homem, desenvolvendo sentimentos de compaixão, amor e zelo pelos outros seres). Foi a vulnerabilidade humana que construiu a civilização, o convívio em comunidade garantindo a preservação da espécie. 

*A QUINTA PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL É COM O SENTIMENTO DE CULPA: A culpa ajuda-nos a rever o caminho e a cuidar dos outros. Fugimos da culpa, evitando prejudicar nossos companheiros de jornada e agravar ainda mais nosso isolamento existencial.A culpa tem origem na sensação de atingir o outro fazendo-o sofrer. Segundo Melanie Klein este sentimento faz-se acompanhar do desejo de reparação ou de expiação para compensar o prejuízo causado à pessoa.
Por ser provido de consciência pressupõe-se que o homem deva assumir a culpa e responsabilidade pelo que faz, responder por suas condutas, comportamentos e atitudes. 

*A SEXTA PREOCUPAÇÃO ESTÁ RELACIONADA COM A RESPONSABILIDADE: Ser homem é basicamente ser capaz de assumir RESPONSABILIDADES, sem assumir compromissos a vida fica desprovida de qualquer sentido.

 *A SÉTIMA PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL HUMANA TRATA-SE DA BUSCA DE SENTIDO PARA A VIDA: Esta é questão fundamental para a humanidade desde o princípio da história: de LAO-TSÉ a VIKTOR FRANKL, dos ASTECAS aos ÍNDIOS DA AMAZÔNIA, de ZENÃO de ELÉIA a HEIDEGGER... 
O sentido volta-se para o futuro, para o depois, para o que ainda estar por vir, e que só existe no reino da ESPERANÇA.  Subsistem, lado a lado, as preocupações fundamentais do homem com a morte, o sofrimento, a culpa, a liberdade, o isolamento existencial, a responsabilidade, que contribuem para a realização da meta primordial do homem - o ENCONTRO DE UM SENTIDO para sua vida.

 A LOGOTERAPIA visa facilitar a compreensão deste sentido vital que pode estar escondido como as raízes da árvore, mas que tem força de sustentação porque, como disse o poeta, O QUE A ÁRVORE TEM DE FLORIDO VIVE DO QUE ESTÁ SEPULTADO. 

Fonte: GOMES, José Carlos - A Prática da Psicoterapia Existencial - LOGOTERAPIA - vozes - Petrópolis 1988. (txt elaborado por Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

sábado, 13 de março de 2010

"canto para a minha morte"

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar
Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,
mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...
Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,
mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
(Composição: Paulo Coelho/ Raul Seixas)

Tan tan tan batem na porta, não precisa ver quem é...




Dona desses traiçoeiros
Sonhos sempre verdadeiros
Oh! Dona desses animais
Dona dos seus ideais
Oh! Dona desses animais
Dona dos seus ideais
Pelas ruas onde andas
Onde mandas todos nós
Somos sempre mensageiros
Esperando tua voz
Teus desejos, uma ordem
Nada é nunca, nunca é não
Porque tens essa certeza
Dentro do teu coração

Tan, tan, tan, batem na porta
Não precisa ver quem é
Pra sentir a impaciência
Do teu pulso de mulher
Um olhar me atira à cama
Um beijo me faz amar
Não levanto, não me escondo
Porque sei que és minha
Dona!!!
Dona desses traiçoeiros
Sonhos sempre verdadeiros
Oh! Dona desses animais
Dona dos seus ideais
Não há pedra em teu caminho
Não há ondas no teu mar
Não há vento ou tempestade
Que te impeçam de voar
Entre a cobra e o passarinho
Entre a pomba e o gavião
Ou teu ódio ou teu carinho
Nos carregam pela mão
É a moça da Cantiga
A mulher da Criação
Umas vezes nossa amiga
Outras nossa perdição
O poder que nos levanta
A força, que nos faz cair
Qual de nós ainda não sabe
Que isso tudo te faz
Dona! Dona!Dona!
(Roupa Nova - Composição: Sá & Guarabyra)

domingo, 7 de março de 2010