Mostrando postagens com marcador filme. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filme. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
O Menino e o Mundo
Sinopse: Sofrendo com a falta do pai, um menino deixa sua aldeia e descobre um mundo fantástico dominado por máquinas-bichos e estranhos seres alienígenas. Uma inusitada animação com várias técnicas artísticas que retrata as questões do mundo moderno através do olhar de uma criança.
"O Menino e o Mundo" dirigido pelo brasileiro Alê Abreu venceu o prêmio de “Melhor Filme de Animação” no Festival Internacional de Havana, além de integrar o Anima Mundi 2014. E concorre ao Oscar 2016.
https://www.youtube.com/watch?v=6lFP8FVUwK8
domingo, 19 de abril de 2015
Ψ O Retrato de Dorian Gray
Diga-me qual o seu segredo,
- Mas se contar terei que matá-lo.
*O Duplo/ Sombra: A Psicanálise se apropria das artes, da literatura, da mitologia para desvendar os encantos e as estranhezas da psique humana.
*Na literatura várias obras mencionam esse aspecto: O Duplo de Dostoievsky; O Homem duplicado de Saramago; Fausto de Goethe: (aqui o personagem Mefisto inteligente e sedutor, se transforma em espelho para o lado obscuro de Fausto e o corrompe por meio do desejo e de poder). O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: (que mostra a duplicidade do personagem Gray e denuncia sua imperfeição e farsa).
*Cientistas do comportamento humano concordam que as questões existenciais nos levam a lidar com o nosso narcisismo quando nos deparamos com a finitude e a precariedade da vida.
*Segundo Freud, fica bem guardado tudo que é estranho, os aspectos mais primitivos de nossa mente.
*Freud, ao falar de narcisismo nos diz que a criança primeiro toma a si mesmo como objeto de amor e centro do mundo, antes de se dirigir aos objetos externos.
*O narcisismo é uma fase inicial do desenvolvimento, que depois pode levar ao ego ideal.
*Algumas pessoas ficam fixadas a esta fase do desenvolvimento, não conseguindo se ligar a outras, o que as impossibilita vivenciar um relacionamento amoroso.
*O duplo surge quando não conseguimos tolerar nossa realidade psíquica interna e dar conta de nós por inteiro, com nossas limitações, imperfeições e até aspectos que não aprovamos muito em nós.
*O “duplo”, que é fruto também de algo reprimido e deslocado para fora, fruto da onipotência para a realização de desejos e também à onipotência de pensamentos.
***Sobre O Retrato de Dorian Gray: Dorian, herdeiro de uma casa do avô chega a Londres.
*Inicialmente, um rapaz jovem de rara beleza, ingênuo e frágil que se vê encantado com a cidade e o as possibilidades que ela oferece.
*Conhece o Pintor Basil, que se sente atraído pela beleza de Dorian, pinta o seu retrato e se apaixona pelo jovem.
*O Retrato fica perfeito e deixa as pessoas encantadas.
*Dorian também se apaixona pela sua imagem no retrato, ficando preso à própria imagem.
*Basil o apresenta a Henry, que se torna um grande amigo e “conselheiro” de Dorian.
*Henry apresenta o mundo a Dorian pela ótica do prazer e da intensidade das paixões (...) “A vida é só um momento. Você perde a vida por bom senso”, ou, “O homem quer ser feliz, mas a sociedade quer que ele seja bom”, e ainda:“Você quer ser bom?” (...) “consciência ou covardia”, “Procure sempre novas sensações”.
(...) E Dorian fica totalmente manipulado por Henry, seguindo os prazeres imediatos e superficialidade dos contatos.
*Henry questiona com Dorian se ele não faria um pacto para não envelhecer, e ele o faz.
*(...) Enfim, observamos que Dorian vivia a onipotência da imortalidade, que nada poderia abalar sua vida.
*Ele não envelheceria, não sofreria, e para que isso acontecesse, tudo de ruim estaria no quadro.
*E Dorian conseguiu viver este duplo com o pacto demoníaco.
*Após o pacto a ingenuidade vai desaparecendo dando lugar a arrogância e onipotência.
*Dorian assassina o amigo Basil e esconde o corpo.
*Dorian conhece Sybil: A mulher pela qual se apaixona, ainda assim a trata com cinismo e ela grávida e abandonada se mata.
*(...) Dorian vivencia várias orgias mostrando uma liberação total de prazer em uma Inglaterra aristocrática e hedonista do século XIX.
*No final da história quando Dorian retorna da viagem que fez, após ter cometido o assassinato de Basil, todos os personagens envelhecem, menos ele, e parece que ele não se abala com isso.
*Todos ficam hipnotizados pela sua imagem, e isso parece não perturbá-lo. Aqui fica claro o seu sentimento de superioridade em relação aos demais.
*Já Henry, que de inicio se divertia, no final parece perceber e se assustar com o que criou, aqui a criatura ficou pior do que o que o seu criador.
*Henry fica preocupado quando vê que sua filha se apaixona por Dorian.
*É neste momento que tudo se rompe. O amor quebra o pacto. Dorian teve dois amores, mas no primeiro, ele mostrou que era mais apaixonado por ele e pela sua vida, do que pela mulher amada.
*Seu narcisismo, sua arrogância e onipotência foram aparecendo a ponto de não o deixar se ligar verdadeiramente à mulher amada.
*Dorian parece estar envolvido amorosamente, mas sofre por não poder ter uma intimidade total, porque uma parte sua estava no quadro e ele não queria que ela descobrisse; ela por sua vez sabia que tinha algo diferente.
*Podemos pensar que com o seu narcisismo, Dorian Gray não acessa suas dores, sua condição humana; ou que seu duplo passa a viver o que ele deixou de viver.
*Ele não envelheceria, não sofreria, e para que isso acontecesse, tudo de ruim estaria no quadro.
*Para concluir, Dorian conseguiu viver este duplo com o pacto demoníaco.
*Com tudo isso que Dorian vive, é o retrato que sofre as dores e mudanças, começando com os bichos saindo do quadro, dos olhos, penso o que de tão podre ele não podia ver, e terminando com o quadro envelhecendo, ficando horroroso monstruoso.
*Ele esconde o quadro, sugerindo que ele não poderia lidar com estas situações e elas ficariam no retrato.
*Pode-se pensar também que o quadro é um duplo, que vive as questões que Dorian não pode assumir que sente.
*As partes sombrias de Dorian eram colocadas no retrato. Ele olha para dentro do quadro e o quadro para ele. O retrato parece que tem vida própria e o observa.
*Os seus sofrimentos e marcas da vida ficam no quadro, no seu duplo.
*Mas, podemos observar que este lado narcísico, obscuro e sombrio que nós não gostamos de olhar, se encontram em diversos graus em nós mesmos, ou em outras pessoas.
*Como nos percebermos e aceitarmos a nós como somos por inteiro? Para isso, precisamos encontrar uma condição mental que possa nos ajudar a pensarmos pensamentos antes impensáveis e lidarmos com emoções que nos pareçam insuportáveis, mas que fazem parte da nossa condição humana.
*Fonte: www.sbprp.org.br/cinema/dorian_gray.pdf
www.interseccaopsicanalitica.com.br
(*Sugiro o filme dirigido por Oliver Parker, (2009), com roteiro de Toby Finlay e estrelando Ben Barnes e Colin Firth. Baseado na obra The Picture of Dorian Gray, do escritor irlandês Oscar Wilde, o filme contra a trajetória do personagem principal, Dorian Gray, um atraente aristocrata inglês cujo retrato envelhece em seu lugar).
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
- Mas se contar terei que matá-lo.
*Na literatura várias obras mencionam esse aspecto: O Duplo de Dostoievsky; O Homem duplicado de Saramago; Fausto de Goethe: (aqui o personagem Mefisto inteligente e sedutor, se transforma em espelho para o lado obscuro de Fausto e o corrompe por meio do desejo e de poder). O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: (que mostra a duplicidade do personagem Gray e denuncia sua imperfeição e farsa).
*Cientistas do comportamento humano concordam que as questões existenciais nos levam a lidar com o nosso narcisismo quando nos deparamos com a finitude e a precariedade da vida.
*Segundo Freud, fica bem guardado tudo que é estranho, os aspectos mais primitivos de nossa mente.
*Freud, ao falar de narcisismo nos diz que a criança primeiro toma a si mesmo como objeto de amor e centro do mundo, antes de se dirigir aos objetos externos.
*O narcisismo é uma fase inicial do desenvolvimento, que depois pode levar ao ego ideal.
*Algumas pessoas ficam fixadas a esta fase do desenvolvimento, não conseguindo se ligar a outras, o que as impossibilita vivenciar um relacionamento amoroso.
*O duplo surge quando não conseguimos tolerar nossa realidade psíquica interna e dar conta de nós por inteiro, com nossas limitações, imperfeições e até aspectos que não aprovamos muito em nós.
*O “duplo”, que é fruto também de algo reprimido e deslocado para fora, fruto da onipotência para a realização de desejos e também à onipotência de pensamentos.
***Sobre O Retrato de Dorian Gray: Dorian, herdeiro de uma casa do avô chega a Londres.
*Inicialmente, um rapaz jovem de rara beleza, ingênuo e frágil que se vê encantado com a cidade e o as possibilidades que ela oferece.
*Conhece o Pintor Basil, que se sente atraído pela beleza de Dorian, pinta o seu retrato e se apaixona pelo jovem.
*O Retrato fica perfeito e deixa as pessoas encantadas.
*Dorian também se apaixona pela sua imagem no retrato, ficando preso à própria imagem.
*Basil o apresenta a Henry, que se torna um grande amigo e “conselheiro” de Dorian.
*Henry apresenta o mundo a Dorian pela ótica do prazer e da intensidade das paixões (...) “A vida é só um momento. Você perde a vida por bom senso”, ou, “O homem quer ser feliz, mas a sociedade quer que ele seja bom”, e ainda:“Você quer ser bom?” (...) “consciência ou covardia”, “Procure sempre novas sensações”.
(...) E Dorian fica totalmente manipulado por Henry, seguindo os prazeres imediatos e superficialidade dos contatos.
*Henry questiona com Dorian se ele não faria um pacto para não envelhecer, e ele o faz.
*(...) Enfim, observamos que Dorian vivia a onipotência da imortalidade, que nada poderia abalar sua vida.
*Ele não envelheceria, não sofreria, e para que isso acontecesse, tudo de ruim estaria no quadro.
*E Dorian conseguiu viver este duplo com o pacto demoníaco.
*Após o pacto a ingenuidade vai desaparecendo dando lugar a arrogância e onipotência.
*Dorian assassina o amigo Basil e esconde o corpo.
*Dorian conhece Sybil: A mulher pela qual se apaixona, ainda assim a trata com cinismo e ela grávida e abandonada se mata.
*No final da história quando Dorian retorna da viagem que fez, após ter cometido o assassinato de Basil, todos os personagens envelhecem, menos ele, e parece que ele não se abala com isso.
*Todos ficam hipnotizados pela sua imagem, e isso parece não perturbá-lo. Aqui fica claro o seu sentimento de superioridade em relação aos demais.
*Já Henry, que de inicio se divertia, no final parece perceber e se assustar com o que criou, aqui a criatura ficou pior do que o que o seu criador.
*Henry fica preocupado quando vê que sua filha se apaixona por Dorian.
*É neste momento que tudo se rompe. O amor quebra o pacto. Dorian teve dois amores, mas no primeiro, ele mostrou que era mais apaixonado por ele e pela sua vida, do que pela mulher amada.
*Seu narcisismo, sua arrogância e onipotência foram aparecendo a ponto de não o deixar se ligar verdadeiramente à mulher amada.
*Dorian parece estar envolvido amorosamente, mas sofre por não poder ter uma intimidade total, porque uma parte sua estava no quadro e ele não queria que ela descobrisse; ela por sua vez sabia que tinha algo diferente.
*Podemos pensar que com o seu narcisismo, Dorian Gray não acessa suas dores, sua condição humana; ou que seu duplo passa a viver o que ele deixou de viver.
*Ele não envelheceria, não sofreria, e para que isso acontecesse, tudo de ruim estaria no quadro.
*Para concluir, Dorian conseguiu viver este duplo com o pacto demoníaco.
*Com tudo isso que Dorian vive, é o retrato que sofre as dores e mudanças, começando com os bichos saindo do quadro, dos olhos, penso o que de tão podre ele não podia ver, e terminando com o quadro envelhecendo, ficando horroroso monstruoso.
*Ele esconde o quadro, sugerindo que ele não poderia lidar com estas situações e elas ficariam no retrato.
*Pode-se pensar também que o quadro é um duplo, que vive as questões que Dorian não pode assumir que sente.
*As partes sombrias de Dorian eram colocadas no retrato. Ele olha para dentro do quadro e o quadro para ele. O retrato parece que tem vida própria e o observa.
*Os seus sofrimentos e marcas da vida ficam no quadro, no seu duplo.
*Mas, podemos observar que este lado narcísico, obscuro e sombrio que nós não gostamos de olhar, se encontram em diversos graus em nós mesmos, ou em outras pessoas.
*Como nos percebermos e aceitarmos a nós como somos por inteiro? Para isso, precisamos encontrar uma condição mental que possa nos ajudar a pensarmos pensamentos antes impensáveis e lidarmos com emoções que nos pareçam insuportáveis, mas que fazem parte da nossa condição humana.
*Fonte: www.sbprp.org.br/cinema/dorian_gray.pdf
www.interseccaopsicanalitica.com.br
(*Sugiro o filme dirigido por Oliver Parker, (2009), com roteiro de Toby Finlay e estrelando Ben Barnes e Colin Firth. Baseado na obra The Picture of Dorian Gray, do escritor irlandês Oscar Wilde, o filme contra a trajetória do personagem principal, Dorian Gray, um atraente aristocrata inglês cujo retrato envelhece em seu lugar).
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
segunda-feira, 24 de março de 2014
Ψ Um Método Perigoso
Resenha do Filme: "Um método perigoso" - Direção - David Cronenberg.


*O filme se desenvolve no final do séc. XIX e início do séc. XX.
- Trata-se da relação de Carl Jung com Sigmund Freud. Inicialmente uma relação de admiração de Jung por Freud, que no decorrer da história vai se mostrando frágil e interrompida devido às diferenças na forma de pensar de ambos.
- FREUD, mais pragmático segue com a Psicanálise e JUNG, revolucionário rompe com o mestre e estabelece também a sua teoria, tendo se tornado um dos maiores Psicoterapeutas da história.
- Um dos conflitos entre os dois refere-se à "libido", o embate acontece pois Jung não concorda com a prevalência da sexualidade no desenvolvimento do ser humano e propõe pesquisar outros pressupostos para explicar a psique.
- Freud não aceitava que Jung se enveredasse por um campo místico, analisando fenômenos parapsicológicos e outros.
- O filme enfatiza também as diferentes interpretações que Jung e Freud tinham da psicanálise.
- No Filme: SABINA SPIELREIN é uma paciente internada no sanatório de Zurich, com diagnóstico de histeria.
- Sabina é uma mulher perturbada e uma das primeiras pacientes curadas por Jung, e mais tarde torna-se psicanalista e psiquiatra.
- O filme salienta ainda, a inconstância de Jung quanto a sua postura ética em relação à paciente Sabine, com a qual teve um caso amoroso no decorrer do tratamento.
- O caso entre os dois é incentivado por Otto Gross, um psiquiatra psicótico, vivido por Vincent Cassel, em uma pequena participação na trama.
- A causa da histeria na abordagem psicanalítica está relacionada ao desenvolvimento psicossexual infantil causando problemas na sua vida futura.
- Na abordagem com Sabine também ficou claro outra premícia, a existência do ID, EGO e SUPEREGO.
- Ou seja, vê-se o SUPEREGO como uma força moral que regula o EGO e impede de viver somente sob o princípio do prazer do ID e também do SUPEREGO.
- Se não houver equilíbrio destas funções psíquicas, o paciente adoece. No caso de Sabine, ela reprime (mecanismo de defesa) aquilo que o inconsciente quer trazer à tona, seus instintos sexuais.
Ψ SOBRE A TRANSFERÊNCIA E A CONTRATRANSFERÊNCIA
*FREUD - " (...) desejos do passado, reprimidos ou não satisfeitos, tendem a se transferir para um novo objeto, isto é, para o analista". Inicialmente FREUD denominou como meras repetições neuróticas, porém, mais tarde percebeu a utilidade da transferência na cura, pois reativava os desejos e experiências reprimidas na infância e assim conduzia ao âmago da neurose.
*FERENCZI - As tentativas em conquistar um absoluto estado de franqueza fizeram com que Ferenczi, por vezes, ‘trocasse’ de posição com seus pacientes, deixando-se analisar por eles e permitindo-lhes um contato físico mais aprofundado, incluindo beijos recíprocos.
- Tão logo travou conhecimento da técnica da ‘análise mútua’, Freud escreveu uma longa carta a Ferenczi, (1931) - “Percebo que as divergências entre nós atingem seu ponto culminante a partir de um detalhe técnico que vale a pena ser examinado. Você não faz segredo do fato de que beija seus pacientes e permite que eles também o beijem.
(...) Até o momento sustentamos, dentro da nossa técnica, a conclusão de que os pacientes não devem ter satisfações eróticas”.
*JUNG - Considerava a visão de FREUD limitada e unilateral, preocupou-se não apenas com a causa, mas também pelo SIGNIFICADO da transferência, incluindo elementos arquetípicos do INCONSCIENTE COLETIVO. Para JUNG na PSICOLOGIA ANALÍTICA utiliza-se a "palavra transferência" como termo técnico para as projeções que ocorrem no relacionamento PACIENTE X ANALISTA.
*ZIMERMAN (2004) - A CONTRATRANSFERÊNCIA caracteriza-se como uma resposta emocional do analista aos estímulos que provêm do paciente tais como medo, dúvidas, excitação, confusão, tédio...
- Antes de ser Psicoterapeuta ele deve ter a honestidade de reconhecer esses sentimentos, para que não se transformem em uma contratransferência patológica, que ocorre quando ele transmite ao paciente sua "neurose particular", podendo ocorrer abusos e injustiças.
- LACAN (1960) - Diante dos engodos relacionados ao ‘ser’, Lacan nos ensinou a prescindir da contratransferência, remetendo-nos às implicações do analista na transferência e deslocando o operador lógico do tratamento: do ser ao desejo.
- Foram as discussões sobre o ser do analista que fizeram com que Lacan se ocupasse do desejo do analista na prática clínica.
“Sou possuído por um desejo mais forte”, diz Lacan ao discutir os sentimentos do analista diante do analisando e acrescenta: “Ele está autorizado a dizê-lo enquanto analista, enquanto produziu-se, para ele, uma mutação na economia de seu desejo".
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica


*O filme se desenvolve no final do séc. XIX e início do séc. XX.
- Trata-se da relação de Carl Jung com Sigmund Freud. Inicialmente uma relação de admiração de Jung por Freud, que no decorrer da história vai se mostrando frágil e interrompida devido às diferenças na forma de pensar de ambos.
- FREUD, mais pragmático segue com a Psicanálise e JUNG, revolucionário rompe com o mestre e estabelece também a sua teoria, tendo se tornado um dos maiores Psicoterapeutas da história.
- Um dos conflitos entre os dois refere-se à "libido", o embate acontece pois Jung não concorda com a prevalência da sexualidade no desenvolvimento do ser humano e propõe pesquisar outros pressupostos para explicar a psique.
- Freud não aceitava que Jung se enveredasse por um campo místico, analisando fenômenos parapsicológicos e outros.
- O filme enfatiza também as diferentes interpretações que Jung e Freud tinham da psicanálise.
- No Filme: SABINA SPIELREIN é uma paciente internada no sanatório de Zurich, com diagnóstico de histeria.
- Sabina é uma mulher perturbada e uma das primeiras pacientes curadas por Jung, e mais tarde torna-se psicanalista e psiquiatra.
- O filme salienta ainda, a inconstância de Jung quanto a sua postura ética em relação à paciente Sabine, com a qual teve um caso amoroso no decorrer do tratamento.
- O caso entre os dois é incentivado por Otto Gross, um psiquiatra psicótico, vivido por Vincent Cassel, em uma pequena participação na trama.
- A causa da histeria na abordagem psicanalítica está relacionada ao desenvolvimento psicossexual infantil causando problemas na sua vida futura.
- Na abordagem com Sabine também ficou claro outra premícia, a existência do ID, EGO e SUPEREGO.
- Ou seja, vê-se o SUPEREGO como uma força moral que regula o EGO e impede de viver somente sob o princípio do prazer do ID e também do SUPEREGO.
- Se não houver equilíbrio destas funções psíquicas, o paciente adoece. No caso de Sabine, ela reprime (mecanismo de defesa) aquilo que o inconsciente quer trazer à tona, seus instintos sexuais.
Ψ SOBRE A TRANSFERÊNCIA E A CONTRATRANSFERÊNCIA
“Lidar com a transferência é uma cruz.”
(carta de Freud para Oskar Pfister - 1910).
*FERENCZI - As tentativas em conquistar um absoluto estado de franqueza fizeram com que Ferenczi, por vezes, ‘trocasse’ de posição com seus pacientes, deixando-se analisar por eles e permitindo-lhes um contato físico mais aprofundado, incluindo beijos recíprocos.
- Tão logo travou conhecimento da técnica da ‘análise mútua’, Freud escreveu uma longa carta a Ferenczi, (1931) - “Percebo que as divergências entre nós atingem seu ponto culminante a partir de um detalhe técnico que vale a pena ser examinado. Você não faz segredo do fato de que beija seus pacientes e permite que eles também o beijem.
(...) Até o momento sustentamos, dentro da nossa técnica, a conclusão de que os pacientes não devem ter satisfações eróticas”.
*JUNG - Considerava a visão de FREUD limitada e unilateral, preocupou-se não apenas com a causa, mas também pelo SIGNIFICADO da transferência, incluindo elementos arquetípicos do INCONSCIENTE COLETIVO. Para JUNG na PSICOLOGIA ANALÍTICA utiliza-se a "palavra transferência" como termo técnico para as projeções que ocorrem no relacionamento PACIENTE X ANALISTA.
*ZIMERMAN (2004) - A CONTRATRANSFERÊNCIA caracteriza-se como uma resposta emocional do analista aos estímulos que provêm do paciente tais como medo, dúvidas, excitação, confusão, tédio...
- Antes de ser Psicoterapeuta ele deve ter a honestidade de reconhecer esses sentimentos, para que não se transformem em uma contratransferência patológica, que ocorre quando ele transmite ao paciente sua "neurose particular", podendo ocorrer abusos e injustiças.
- LACAN (1960) - Diante dos engodos relacionados ao ‘ser’, Lacan nos ensinou a prescindir da contratransferência, remetendo-nos às implicações do analista na transferência e deslocando o operador lógico do tratamento: do ser ao desejo.
- Foram as discussões sobre o ser do analista que fizeram com que Lacan se ocupasse do desejo do analista na prática clínica.
“Sou possuído por um desejo mais forte”, diz Lacan ao discutir os sentimentos do analista diante do analisando e acrescenta: “Ele está autorizado a dizê-lo enquanto analista, enquanto produziu-se, para ele, uma mutação na economia de seu desejo".
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Ψ O Sonho de Jung
"Tive um sonho que me assustou e me animou ao mesmo tempo.
Era de noite, e encontrava-me num lugar desconhecido.
Avançava com dificuldade contra um vento forte.
Uma densa bruma cobria tudo.
Nas minhas mãos em forma de taça, tinha uma débil luz que ameaçava extinguir-se a todo o momento.
A minha vida dependia dessa débil luz, que eu protegia preciosamente, derrepente, tive a impressão de que algo me seguia. Olhei para trás e apercebi-me da forma gigantesca de um ser que me seguia e avançava atrás de mim. Mas ao mesmo tempo estava consciente de que, apesar do meu terror, devia proteger a minha luz através das trevas e contra o vento.
Ao acordar dei-me conta que a forma monstruosa era a minha sombra, formada pela pequena chama que tinha acendido no meio da tempestade. Sabia também que aquela frágil luz era a minha consciência. A única que possuía, confrontada com o poder das trevas, era uma luz, a minha única luz." (Recuerdos, Sueños e Pensamientos – Carl Jung)
De acordo com Jung, a Sombra é a parte da personalidade que a pessoa não reconhece em si mesma.
Ainda que repudiada, ela é parte integrante de nossa natureza, não podendo ser simplesmente eliminada.
A Sombra pode ser também um campo fértil, fonte de espontaneidade, vitalidade e principalmente de criatividade.
O encontro com a própria Sombra é parte importante do que Jung chamava de Processo de Individuação.
A sombra sempre está aí atrás de mim e me observa.
Se fixo somente a luz… não vejo a sombra.
Se mergulho na escuridão… não vejo a luz.
Percebo-a pela projecção. Aumento-a pelo significado.
Só no equilíbrio encontro a totalidade e portanto, sou livre.
A luta é sempre interna. E sem máscara me reconheço.
Me liberto dos medos e me curo.
Sei que é neste movimento entre a luz e a sombra que me transmuto.
Então me permito sonhar e deixar cada um seguir o seu sonho.
O filme "Cisne Negro" ilustra o lado sombrio. Uma Análise Psicológica do filme
No filme Natalie Portman representa Nina, uma bailarina perfeccionista que queria dançar o cisne negro no balé de Tchaikovsky 'O Lago dos Cisnes'.
Nina é uma jovem aspirante ao sucesso, dominada pela figura materna e emocionalmente insegura.
Vivendo uma vida excessivamente controlada, busca sempre pela perfeição.
Representar o Cisne Branco não lhe oferece dificuldades, devido a sua característica de doçura e delicadeza.
Mas para dançar o Cisne Negro é necessário que ela penetre no lado sombrio de si mesma e para isso lhe faltava sensualidade, energia e agressividade.
Os cisnes simbolizam dois arquétipos importantes: PERSONA e SOMBRA.
Nina encontra seu psiquismo dividido entre sua personalidade de menina frágil e sua sombra de uma mulher sedutora e espontânea, características castradas por uma figura materna ambivalente.
A mãe de Nina: Uma bailarina frustrada que projeta seu fracasso na filha, pois ao engravidar tinha deixado de dançar.
Carregada de ódio e frustração, se utilizando do mecanismo de defesa de Formação Reativa, superprotegia Nina, mutilando seu psiquismo, não permitindo que esta crescesse livre e independente.
Formava com ela uma díade doentia, onde sua filha não podia pensar, nem ter um corpo próprio.
Sendo assim, Nina não pôde se constituir enquanto sujeito separado da mãe, construindo um falso self.

Segundo Joyce McDougall, as díades 'uma mente para dois' e 'um corpo para dois', produzem psicose e transtornos psicossomáticos respectivamente.
Nina tinha que ser infantil, seu quarto era cheio de bichinhos de pelúcia, dependia da mãe até para cortar as unhas.
A mãe precisava sentir-se necessária na vida da filha.
Não permitia que esta pensasse seus próprios pensamentos nem que sentisse os pedidos de seu corpo.
Pensava e sentia por ela e esta, para responder ao desejo da mãe e ter assim seu amor que era condicional, reprimia seus desejos, a mulher sensual e agressiva que havia nela. Projetava em outras mulheres sua sombra, invejando-as, querendo ter o que depositava nelas.
Seu inconsciente trabalhava querendo equilibrá-la, buscando torná-la um verdadeiro self, mas a cisão estava presente, constituindo um quadro paranóico, incrementado por sintomas de transtorno alimentar.
Não podia ter um corpo de mulher adulta, sendo assim provocava o vômito, não engordando, não deixando aparecer suas curvas femininas.
Roubou o baton e os brincos de Bete, a bailarina que até então dançava o cisne negro. Quando a bailarina perdeu seu lugar no balé, Nina deslocou sua inveja a outra bailarina que se mostrava mais solta, livre, sem muita técnica, mas encantando com sua sensualidade.
A projeção de sua sombra em Lily (nome da primeira mulher expulsa do paraíso por Deus por não ser submissa ao Adão) vai se tornando cada vez mais perigosa, pois começa a delirar e alucinar misturando-se com ela na sua fantasia.
Nina começa a mesclar suas roupas, ora branco, ora preto, buscando inconscientemente a interação de opostos, atuando, não refletindo sobre o que ocorria com ela, mostrando seu desequilíbrio cada vez mais evidente.
Mutilava-se nas costas, coçando até ferir. Desejo de ser acariciada? É sempre do lado esquerdo, lado do coração, da emoção.
As costas representavam seu inconsciente, algo que não podia ver, mas que gostaria de ter acesso.

Mais à frente no filme, em suas alucinações, vê asas do cisne negro nascendo em suas costas. Seu desejo realizando-se em seu delírio.
Nina, garota virginal, pura, presa num corpo de cisne branco, como nos contos de fada precisa de um príncipe para libertá-la. Só um amor pode quebrar o feitiço feito pela bruxa mãe.
O príncipe, animus, representado pelo diretor da peça de balé, faz a ponte para a integração entre persona (pura, virginal, cisne branco) e sombra (sensual, agressiva, cisne negro).
Em seu processo de integração da sombra, seus núcleos homossexuais vem à tona, pela não incorporação da sensualidade nela, seu desejo de liberdade, de viver sua sexualidade ainda não constituída devido à relação simbiótica com a mãe e delira concretizando em alucinação, uma relação homossexual com Lily, seu objeto de inveja e depositária de suas projeções.
Reivindica o lugar de cisne negro ao diretor que escarna dela.
Ela, usando o baton vermelho roubado da antiga bailarina o beija e morde-o mostrando em um lapso a sensualidade e agressividade reprimidas e perdidas em seu inconsciente que precisavam vir à tona.
O diretor dá a ela o lugar pedido. Agora, na busca de perfeição, quer trazer à tona a mulher sensual represada nela.
Machuca o pé, representante de falo, pois é ambivalente, tem medo de realizar o desejo de independência, se tornando uma mulher adulta.
Após sua aproximação do diretor da peça através da sedução, surgem espinhas em seu rosto.
Quer ficar feia, indesejável para se defender de seu desejo sexual que está à flor da pele.
Resiste à mudanças, ao novo.
Ela dança solta, sensualidade e agressividade emergem compondo sua sexualidade.
Vive intensamente a ambivalência entre o desejo de ser mulher e o medo que a mantém infantil, dependente, pura.
Sabe que o mundo dos adultos é fascinante, mas também perigoso.
Entregar-se a um homem, apaixonar-se envolve ganhos e perdas.
Segue ambivalente com relação ao diretor da peça e esta ambivalência aumenta quando fica sabendo do atropelamento de Bete, a antiga bailarina que dançava o cisne negro.
Esta foi mutilada por um atropelamento que sofreu e pela vida quando perdeu seu lugar na peça e no coração do diretor desta.
Nina vai visitá-la assustando-se ao vê-la. Devolve os objetos roubados pois não há mais o que invejar.
Tem medo e desejo frente ao lugar que pretende ocupar. Entra em conflito com a mãe que não está suportando seu crescimento e tenta bloqueá-lo.
Nina está lutando, buscando seu espaço tentando romper a simbiose com a mãe, procurando sua identidade, mas sua fragilidade egóica é grande.
Mistura-se cada vez mais com Lily, sentindo-se perseguida por esta, acreditando que perderá seu lugar para ela.
No dia da estréia, dança o cisne branco, caindo, quebrando com isto o encanto da perfeição.
A moça pura cai das mãos de seu companheiro de dança, representando sua dificuldade em confiar nos homens.
Confia só em si mesma. Vai para o camarim e alucina que Lily tomará seu lugar dançando o cisne negro.
Entra em luta corporal com esta, matando-a em sua alucinação para assumir o lugar.
Não consegue integrar a sombra tornando-se mulher, para isto precisa exterminar com uma parte sua.
Volta ao palco dançando maravilhosamente o cisne negro alucinando ser o próprio.
Após a volta ao camarim descobre que não matou Lilye sim que se feriu gravemente com o espelho que quebrou.
Tirando de sua barriga o vidro com que se feriu, começou a sangrar.
Voltando ao palco realizando a dança de sua vida, com a perfeição que exigia, não resiste ao ferimento, terminando o espetáculo com sua morte, sendo ovacionada num primeiro momento pela sua representação, deixando todos consternados depois quando viram o que havia ocorrido.
Sua mãe estava no palco assistindo. Em sua fragilidade emocional, não conseguiu tornar-se uma mulher integrando seus aspectos sombrios à persona, permitindo-se amar um homem, representante de seu animus, completando-se, deixando seu vínculo simbiótico com a mãe para trás.
Tentou com todas as suas forças, mas rompeu com a realidade. Seu inconsciente se mobilizou produzindo sintomas.
Segundo Jung, quando algo não vai bem o arquétipo self fica ativado produzindo sintomas, levando a pessoa a um novo ponto de equilíbrio.
Desta experiência poderia surgir renovada, mais completa ou estilhaçar-se totalmente. Infelizmente o fim foi trágico, como na maioria das grandes estórias de amor.
Fonte: Profa. Dra. Denise Hernandes Tinoco, Doutora em Psicologia Clínica PUC/SP.
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)
sábado, 19 de fevereiro de 2011
secretamente sonha com a beleza, secretamente, secretamente
É mais estranho do que podia imaginarAtreve-se a olhar?
Consegue pensar em mim?
Este gárgula repugnante
Que arde no inferno
Mas que, secretamente,
Anseia pelo paraíso
Secretamente, secretamente (...)
O medo pode se transformar em amor
Você aprenderá a olhar,
A encontrar o homem
Por trás do monstro
Desta repulsiva carcaça
Que parece um animal
Mas que, secretamente,
Sonha com a beleza
Secretamente, secretamente
do filme O FANTASMA DA ÓPERA
Consegue pensar em mim?
Este gárgula repugnante
Que arde no inferno
Mas que, secretamente,
Anseia pelo paraíso
Secretamente, secretamente (...)
O medo pode se transformar em amor
Você aprenderá a olhar,
A encontrar o homem
Por trás do monstro
Desta repulsiva carcaça
Que parece um animal
Mas que, secretamente,
Sonha com a beleza
Secretamente, secretamente
do filme O FANTASMA DA ÓPERA
domingo, 16 de novembro de 2008
O universo feminino na visão de ALMODÓVAR

PEDRO ALMODÓVAR (24/09/1951), Diretor de cinema espanhol. Iniciou sua atividade artística na área do teatro e do movimento vanguardista. Transformado em estandarte da Movida Madrileña (movimento de renovação cultural lançado em Madri após a morte do ditador Francisco Franco), de 1974 a 1978 realizou filmes em Super 8, seu primeiro longa-metragem. Sua carreira começou realmente com Pepi, Luci, Bom/1979-1980, ponto de partida definitivo do estilo Almodóvar, tanto na forma como no conteúdo. Nesse filme já aparecem todos os elementos característicos dos trabalhos seguintes: Labirinto de Paixões/1982; Maus Hábitos/1983; Que Eu Fiz para Merecer Isto?/1984; Matador, 1986; A Lei do Desejo, 1986. Os irmãos, a mulher, as donas-de-casa, as relações conjugais turbulentas, a moça supermoderna, os anúncios, a música, as fotos, as janelas, os movimentos de câmara extravagantes, a paisagem urbana (Madri), os ambientes kitsch, a amizade entre mulheres, a homossexualidade, a transexualidade, a depravação, o absurdo ao estilo de Luis Buñuel. Em Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos/1988, rompeu um pouco com seu cinema anterior, mas de um modo coerente: abandonou o frívolo e o miserável e passou para o sofisticado e elegante, sem deixar de ser ele próprio, como continuou a demonstrar em filmes como Ata-me /1989; De Salto Alto/1991, Kika/ 1993; A Flor do Meu Segredo/1995 ou Carne Trêmula/1997. Almodóvar transformou-se no mais popular cineasta espanhol e com maior projeção internacional, ainda mais depois de Tudo sobre Minha Mãe/1999, que lhe deu o Oscar de melhor filme estrangeiro.
Raimunda (Penélope Cruz) e sua irmã Soledad (Lola Dueñas) visitam o túmulo de sua falecida mãe (Carmen Maura) para limpá-lo e encerá-lo, conforme dita a tradição do lugarejo onde elas cresceram. Elas também visitam uma tia senil que conversa com a mãe das moças como se ela ainda estivesse viva, e é olhada de perto por uma prestativa amiga da família, Agustina (Blanca Portillo).A desgraça vem em dose dupla quando a tia vem a falecer e a filha adolescente de Raimunda (Yohana Cobo) passa a ser molestada pelo próprio pai. O fantasma da matriarca da família passa a aparecer com maior freqüência para Soledad, desencadeando eventos que afetam drasticamente as rotinas de todas as mulheres que a conheceram em vida. Tenso, engraçado, revoltante e tocante, o filme é puro Almodóvar. Ensaia uma retorno às cores berrantes do início da carreira do diretor, mas somente timidamente, e sempre em passagens abrilhantadas por uma radiante Penélope Cruz.
O desprezo pelos personagens masculinos é tão gritante que, no final do filme, a platéia fica a se indagar se o marido de Soledad também não entrou na dança protagonizada pelas demais mulheres da família. Elas, por sua vez, voltam a encarnar a força motora por trás dos acontecimentos enquanto representam o papel de pivôs de tragédias e mudanças, uma constante na filmografia de Almodóvar.
Há mensagens dentro da trama, com certeza. Sendo uma história centrada em pessoas, é sempre possível tirar algo de proveito do filme relacionado à natureza humana. A idéia que mais forte é a de que, não importa quão absurda seja a atitude de alguém, não importa o grau de revolta com o qual nos deparamos nestas situações, sempre há um motivo para tudo. NINGUÉM ABANDONA ALGUÉM SEM MOTIVO, NINGÚEM SAI DO SEU COMPORTAMENTO NATURAL SEM UMA BOA RAZÃO, NINGUÉM RENEGA ALGUÉM IMPORTANTE COMPLETAMENTE SEM QUE ALGO MUITO IMPORTANTE TENHA ACONTECIDO.
Há mensagens dentro da trama, com certeza. Sendo uma história centrada em pessoas, é sempre possível tirar algo de proveito do filme relacionado à natureza humana. A idéia que mais forte é a de que, não importa quão absurda seja a atitude de alguém, não importa o grau de revolta com o qual nos deparamos nestas situações, sempre há um motivo para tudo. NINGUÉM ABANDONA ALGUÉM SEM MOTIVO, NINGÚEM SAI DO SEU COMPORTAMENTO NATURAL SEM UMA BOA RAZÃO, NINGUÉM RENEGA ALGUÉM IMPORTANTE COMPLETAMENTE SEM QUE ALGO MUITO IMPORTANTE TENHA ACONTECIDO.
Volver é o nome da canção que Penélope Cruz canta a certa altura do filme. Na verdade, quando ela o faz, com muita graça, a história já anda pelo fim. E fala disso, entre outras coisas, da experiência da volta. Só que o que acontece nessa mais uma vez inspirada história passional almodovariana não deixa de ser surpreendente. Ou seja, volta quem se supunha que não pudesse voltar.
Não existe nenhum enigma nisso, a não ser que se pense que pessoas que já morreram se tornam ausentes também no imaginário dos que vivem. Quer dizer, que não vivam como lembranças, ou como, por assim dizer, acidentes de percurso simbólico. Um pai muito importante, uma mãe marcante não desaparecem simplesmente porque deixaram de ter existência física. Estão presentes e determinam até certo ponto a vida das pessoas. É como se costuma dizer: muitas vezes os mortos governam os vivos.
Não existe nenhum enigma nisso, a não ser que se pense que pessoas que já morreram se tornam ausentes também no imaginário dos que vivem. Quer dizer, que não vivam como lembranças, ou como, por assim dizer, acidentes de percurso simbólico. Um pai muito importante, uma mãe marcante não desaparecem simplesmente porque deixaram de ter existência física. Estão presentes e determinam até certo ponto a vida das pessoas. É como se costuma dizer: muitas vezes os mortos governam os vivos.
Assinar:
Postagens (Atom)








