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sábado, 8 de julho de 2017

G20/ 2017 e a fome no mundo cita Brasil como inspiração...

"Considero um escândalo ético e político a comunidade mundial até hoje não ser capaz de empreender um esforço para dar fim à pior miséria no mundo".             (filósofo alemão Julian N. Rümelin)


"Você tem que entender, ninguém coloca seus filhos em um barco a menos que a água seja mais segura do que a terra."
(Warsan Shire - poeta britânico-somali)  
*MUNDO: Resultados da luta contra a pobrezva devem ser celebrados?
Enquanto manchetes negativas predominam, pesquisadores e autores tentam enfatizar os avanços alcançados no combate à miséria e à fome mundo afora – e o Brasil é inspiração. Organizações humanitárias mantêm alarme.

*Fome na Somália - Distribuição de alimento na Somália - Miséria, fome, crises migratórias: na cúpula do G20, que se realiza em Hamburgo, não há como deixar de ouvir os alertas sobre um possível colapso do mundo. No entanto, estatísticas recentes apontam que há esperança na luta contra a pobreza extrema, doenças e conflitos.

"As condições de vida estão cada vez melhores. Em todo o mundo a pobreza recuou maciçamente", afirma o pesquisador alemão Max Roser, que atua na Universidade de Oxford e integra o número crescente de economistas, políticos e jornalistas dispostos a contrapor uma visão positiva às notícias apocalípticas.

*No site Our World in Data (Nosso mundo em dados), Roser apresenta, em gráficos interativos, resultados positivos de projetos sociais de organizações humanitárias, das Nações Unidas e de governos na luta global contra a pobreza e a fome.

*Brasil como inspiração - A inspiração para o projeto surgiu depois que Roser passou alguns meses no Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade, no Rio de Janeiro, em 2011, em viagem de pesquisa.

*Os programas sociais do governo brasileiro da época, que retiraram da pobreza mais de 20 milhões de cidadãos, o fizeram decidir-se a reunir as tendências positivas num livro.

*O economista mostra que, desde 1990, o número de subnutridos no mundo caiu em 216 milhões. No Sudeste da Ásia, eles passaram de 30,6% da população total para 9,6%. Na África Ocidental, a redução foi de 24,2% para 9%; e na América Latina e Caribe, de 14,7% para 5,5%.

*Em sua coluna Früher war alles schlechter (Antes, tudo era pior), na revista alemã Der Spiegel, o jornalista Guido Mingels também afirma que "o trabalho das últimas décadas está rendendo" ... "Embora haja cada vez mais seres humanos no planeta, ao mesmo tempo há cada vez mais alimento per capita." O livro de Mingels é best-seller na Alemanha.

*Ainda muito trabalho a fazer - As boas notícias, no entanto, não ocultam o fato de que ainda há muito a fazer em prol de um mundo mais justo. Segundo o Programa Alimentar Mundial da ONU, 795 milhões de pessoas ainda são pobres demais para se alimentar devidamente.

*Na África, 154 milhões não têm formação escolar, e na Ásia, chega a 472 milhões. Também a malária, doença frequentemente fatal, não está erradicada, e em 2015 matou 400 mil no continente africano.

*Para organizações humanitárias como a Deutsche Welthungerhilfe, esse sofrimento está em primeiro plano e, como comenta em seu relatório anual sobre a fome no mundo, "não há motivo para suspender o alarme".

*Embora a fome nos países em desenvolvimento tenha retrocedido 29%, desde o ano 2000, "as melhorias precisam ser aceleradas urgentemente, a fim de alcançar até 2030 a meta de 'fome zero', salienta a ONG alemã.

*Nem desesperar, nem minimizar - Apesar da dinâmica positiva registrada por certos autores, as manchetes negativas dominam. "Considero um escândalo ético e político a comunidade mundial até hoje não ser capaz de empreender um esforço para dar fim à pior miséria no mundo", escreve o filósofo alemão Julian Nida-Rümelin num artigo para o portal Heute.de. A seu ver, não faltam recursos para tal.

*Por sua vez, Roser e Mingels tentam afastar o medo do apocalipse e encorajar o engajamento. "Quem só quiser se fixar no número dos 795 milhões de famintos, pode e vai se desesperar", admite Mingels.

*O fato de que hoje menos seres humanos passam fome do que há 20 anos também não autoriza a minimizar os problemas existentes, diz o colunista. "Só significa que muita coisa está ficando melhor."
Fonte: DW

quinta-feira, 5 de abril de 2012

como fazer com que "os lunáticos não tomem conta do hospício." (Mike Myatt)

imagem: minjae-lee
"Consultor dá dicas para lidar com "loucos corporativos"
Autor de livros best-sellers sobre administração e liderança, o consultor Mike Myatt ensina, no site da revista Forbes, como fazer com que "os lunáticos não tomem conta do hospício."
Alguma vez, em seu local de trabalho, você
sentiu que estava tentando lidar com pessoas totalmente irracionais? Você já falou com alguém que não dava a menor atenção para o que você dizia?
Você argumentava, argumentava e nada? Pois segundo Mike Myatt, muitas vezes pessoas tidas como experientes e hábeis precisam entender de vez que com loucos não se argumenta.
Todos nos conhecemos o ditado "escolha suas batalhas" e, como diz Myatt, uma das batalhas inúteis que existem é tentar mudar o pensamento de uma pessoa que vive em um estado alterado.
- O consultor começa o artigo definindo a palavra "louco". De acordo com ele, apesar de a maioria nós não encontrarmos pessoas clinicamente loucas no local de trabalho, acabamos nos deparando com outros tipos frustrantes como: o irracional, o ignorante, o mente-fechada, o mentiroso patológico, o excessivamente político, o egoísta, o fanático, o megalomaníaco, o com sede de poder, e vários outros tipos de "loucos corporativos".
- Segundo Myatt, tentar discutir lógicas de negócio com quem simplesmente não reconhece a lógica não é nada vantajoso. "Se há um pingo de sabedoria que você pode tirar desse texto é que você não pode convencer alguém que sempre pensa que está certo de que, está, na verdade, errado", diz. O consultor explica que, não importa quão lógica ou detalhada seja sua abordagem, esse tipo de pessoa não vai mudar sua opinião em razão daquilo que você está dizendo.
- Mas o que fazer quando a lógica e a razão não conseguem prevalecer?
1) Defina qual é o "comportamento aceitável": Se você é o chefe e o comportamento de algum funcionário está incomodando você, então é muito provável que o comportamento dessa pessoa esteja tendo um impacto negativo nos outros de uma forma ainda mais intensa. Para conter "os loucos" é preciso definir o que constitui um comportamento aceitável. Defina o que é cada cargo para que as pessoas saibam o que se espera delas. Encorajar trabalhos em equipe, desenvolver lideranças, administrar talentos e fazer a comunicação fluir também ajudam a destacar aqueles que não se enquadram.
2) Enfrente o conflito diretamente: Apesar de nem sempre ser possível prevenir conflitos, Mike Myatt diz que, por experiência própria, o segredo para resolver conflitos é os prevenir sempre que possível. Ao buscar áreas com potencial de conflito e ao intervir proativamente de modo justo e decisivo, conseguimos que certos conflitos surjam. E, caso um conflito apareça, será possível minimizar a gravidade dele ao lidar com o assunto rapidamente.
3) Entenda as motivações dos outros: Myatt diz que é essencial entender a motivação do outro antes de pesar os prós e os contras e tomar uma decisão. Além da solução óbvia para lidar com pessoas difíceis (que é simplesmente não lidar com elas), a melhor forma de sair de uma tempestade contínua é ajudar as pessoas em questão a conquistarem seus objetivos. Se relações problemáticas forem abordadas da perspectiva de agir de forma a ajudar os outros a atingirem seus objetivos, o número de problemas diminuirá.
4) O fator importância: Se uma questão é importante a ponto de criar um conflito, então certamente ela é importante a ponto de ser resolvida. Se a circunstância ou situação for importante o suficiente e se algo relevante estiver em jogo, as pessoas farão o que for necessário para deixar as linhas de comunicação fluírem e chegar a um consenso.
5) Veja conflitos como oportunidades: Escondido em cada conflito está o potencial para uma grande oportunidade de aprendizado e desenvolvimento. Onde há desentendimento há um potencial inerente de crescimento. Segundo Myatt, se você é chefe e não usa o conflito em favor da construção de um time e do desenvolvimento de lideranças, você está perdendo uma grande oportunidade.
- Ainda há esperança contra os "loucos", garante Mike Myatt. "Eu acredito sinceramente que relações de trabalho produtivas podem ser criadas até entre as pessoas mais difíceis, caso exista um desejo ou necessidade sinceros em se fazer isso", afirma ele. "Dar a outra face, comprometer-se, perdoar, ter compaixão e empatia, encontrar um senso comum, ser um ouvinte ativo, ser útil a alguém, e uma série de outras abordagens sempre terão sucesso na construção de entendimento se o desejo por trás disso for forte o suficiente", completa.
- E se tudo isso falhar e você for o chefe, diz Mike Myatt, pense que você sempre pode deixar os "loucos" irem embora.

(Fatima Vieira)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ψ O ANIQUILAMENTO DO FEMININO PELA MÍDIA



Apesar do grande avanço na luta travada pelas mulheres do mundo para conquistar espaços e oportunidades, há muito a ser feito para que se reverta toda uma história de opressão e desigualdade, construída através de séculos de desrespeito aos valores ligados ao feminino.

Em relação à violação dos direitos humanos, a violência contra a mulher é um ponto sensível que precisa ser tocado para que possa sanado nas diversas esferas em que ocorre. Seja no nível coletivo ou doméstico, a violência e o desrespeito aos direitos da mulher é um fato.


Entretanto, uma outra forma de violência contra a mulher acontece diariamente diante dos nossos olhos. Uma violência psicológica que tem sido perpetrada pelo Grande Deus Mercado, devidamente assessorado pela mídia.


A moderna cultura ocidental é dominada por uma filosofia narcisista, que “coisifica” o ser humano. 


Conseqüentemente pensamentos e comportamentos são influenciados por essa filosofia, gerando uma sociedade imagética que privilegia a imagem em detrimento de outros conteúdos.

Em relação à mulher, a imagem veiculada pela mídia é escancaradamente “coisificada”. Os valores ligados ao feminino são subvertidos e apresentados de maneira preconceituosa e distorcida, reforçando o conceito (ou preconceito) de que o valor da mulher está ligado a sua imagem e nunca a sua inteligência ou capacidade profissional.


A mulher é retratada apenas como um corpo que vende qualquer produto e não um sujeito real de carne e osso.


Mas o absurdo não para por aí. Colocada a serviço de um mercado que visa apenas o lucro, a mídia publicitária impõe um padrão de beleza que é inalcançável para a maioria das mulheres. Um modelo de beleza pasteurizado - a mulher branca, magra, de cabelos lisos e loiros.


Na tentativa de se adequarem a esse padrão, as mulheres, principalmente adolescentes, passam a subverter a própria aparência e a camuflar a sua identidade étnica. Muitas destas jovens acabam ficando tão obcecadas em atingir esse padrão de beleza que acabam negligenciando outros aspectos do seu desenvolvimento, desconsiderando inclusive suas capacidades intelectuais.


Drogas anorexísticas, regimes e dietas malucas, cirurgias estéticas, lipoaspiração, liposescultura e muito implante de silicone. Vale tudo para ficar parecida com a "top-model" famosa, a atriz da novela das oito ou com a BBB da última estação. A pressão sofrida para atingir esse ideal estético gera uma relação de conflito com o próprio corpo. Acabam surgindo em decorrência, patologias físicas na forma de distúrbios alimentares (anorexia, bulimia) e transtornos psicológicos (depressão, ansiedade, fobias). A frustração e o sentimento de inadequação acabam por dificultar as relações afetivas e sociais.


Mas a parte mais perversa desse fato é que a mesma frustração gerada e alimentada pela mídia torna a mulher uma presa fácil de todo tipo de anúncio publicitário. De cosméticos a aparelhos de ginástica, passando por dietas e fórmulas emagrecedoras que prometem "milagres", a baixa estima e a frustração feminina com sua própria imagem GERA LUCRO E MUITO LUCRO!

 
Para confirmar isso é só dar uma olhada na programação da televisão aberta. Salvo raríssimas exceções, o que se vê é pouca ou nenhuma informação que possa ser considerada útil. Muita fofoca televisiva, muita futilidade, música de péssima qualidade, receitas engordativas e muito, mais muito merchandising. Questões mais profundas não fazem parte da pauta dos programas destinados às mulheres.


Na mídia impressa a coisa não é diferente. As revistas femininas, que mais se assemelham a catálogos publicitários, reforçam nas entrelinhas de suas páginas a imagem de uma mulher narcisista que precisa preencher o vazio da sua existência com fofocas sobre gente famosa.


 Contraditórias em seus conteúdos trazem na mesma edição matérias que ensinam a cozinhar 'pratos maravilhosos' para conquistar o seu homem pelo estômago e dietas milagrosas que vão deixá-la magra, para poder caber nas roupas que os estilistas famosos criaram para modelos de passarela e não para mulheres reais.

Para fazer frente a essa realidade sómente com muita lucidez e discernimento. Não consumir produtos que utilizem a imagem da mulher de forma pejorativa pode ser um caminho. Uma forma de obrigar o mercado a rever as suas estratégias publicitárias.


 Educar nossas crianças com bases que contemplem mais os valores humanos e menos o consumo também é uma atitude que se faz urgente. Mais do que homens ou mulheres somos seres humanos. E seres humanos não são coisas e nem 'mercadoria' a ser consumida. 

Um masculino saudável e equilibrado só irá se reconhecer através de um feminino saudável e equilibrado e vice versa. Esse equilíbrio não pode ser alcançado em uma sociedade 'corpocêntrica' - que não incentiva o desenvolvimento integral do ser humano.  
(txt- Irene Carmo Pimenta)
Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Ψ AFINAL, O QUE QUEREM AS MULHERES?

FREUD fez uma famosa indagação, que até hoje está lhe custando caro.

Disse que depois de ter estudado tudo que podia sobre a mente humana, havia uma pergunta que não conseguia responder: - "AFINAL O QUE QUEREM AS MULHERES"? 
 
Não só as feministas, mas até os homens sensatos acharam que o companheiro estava exagerando. E recentemente duas variantes de resposta a Freud surgiram. Uma foi o livro da americana Erica Jong “O que querem as mulheres” (editora record) e agora mais recentemente esse filme com o Mel Gibson “O que as mulheres pensam”. 


Mas existe uma outra resposta que me parece a melhor para a questão plantada por Freud. Trata-se de uma lenda que, a rigor, antecede ao lendário Freud, e fico pensando que se Freud a conhecesse talvez se poupasse de se expor daquela maneira.


Diz a estória, que o Artur - aquele da Távola Redonda - quando era jovem, certo dia cometeu uma infração: foi caçar na floresta de outro rei e acabou sendo preso e levado à presença do outro monarca para ser punido. Deveria ser condenado à morte. No entanto, o rei que o deteve resolveu dar-lhe uma chance. Pouparia sua vida se conseguisse, dentro de um ano responder a pergunta pré pós freudiana: - “O QUE QUEREM AS MULHERES”. 

 
Agradecido pela deferência, Artur saiu a cata da resposta. Perguntava daqui, perguntava dali, mas nem os religiosos, nem os médicos, nem os inveterados conquistadores de corações femininos conseguiam lhe responder com clareza. Estava já o prazo se exaurindo, quando lhe informaram que havia uma bruxa que sabia a resposta. Foi procurá-la. Era uma bruxa como têm que ser as bruxas nas lendas: velha, falando impropérios. Artur, no entanto, fez-lhe a pergunta. Ela lhe disse que lhe daria a resposta caso ela pudesse se casar com o cavaleiro Gawain, que era o mais belo e valoroso dos companheiros de Artur. Este, perplexo, foi ao amigo e lhe expôs a patética situação. Amigo que é amigo, sobretudo nas lendas, não vacila. Faria tudo para salvar o companheiro de peripécias, até mesmo casar com uma bruxa.
Acertada a condição, então, a bruxa respondeu à pergunta fatal, dizendo: - "SABE O QUE QUER REALMENTE A MULHER? ELA QUER SER SENHORA DA SUA PRÓPRIA VIDA".

Artur e os demais, inclusive o rei que o havia condenado, ficaram todos atônitos, se dizendo, como é que nós não pensamos nisto antes, a resposta é simples e genial. Artur foi então perdoado. 

(...) mas a estória continua, o casamento tinha que se realizar, pois Gawain não era de deixar nem mesmo uma bruxa na mão. No dia das bodas, foi um vexame. A bruxa emporcalhava a mesa, ria com seus dentes faltosos, enfim, um espavento. Mas a festa foi continuando, foi-se aproximando a hora da chamada união carnal no branco leito nupcial. Mas aí, aconteceu algo surpreendente. Estava Gawain já preparado para o cadafalso erótico, quando surgiu-lhe uma deslumbrante e virginal donzela à sua frente. E antes que sua perpelexidade continuasse a donzela disse que ela era a bruxa, ou melhor, uma das faces da bruxa. Estava mostrando a sua outra face, porque ele a tinha aceito como era; que de dia era a bruxa façonhenta, de noite aquela ninfa loira.


 Mas antes que consumassem a chamada união carnal, Gawain poderia decidir com qual das duas queria viver o resto da vida. Ou a feia que comprometeria sua imagem pública ou a perfeita, que ele, só ele, conhecia à noite. Gawain então disse que deixava à escolha dela, o que ela queria realmente ser e parecer. 

A noiva neste momento metamorfoseou-se para sempre na bela mulher do cavaleiro que o acompanharia noite e dia, pois ele havia respeitado nela o que ela realmente era. Esta estória me foi dada como estando no livro “Feminilidade perdida e reconquistada”,  (Robert A. Johnson), livro que não encontrei. Perguntei a Antônio Furtado, que é o maior especialista brasileiro em Rei Artur, e ele disse que conhecia essa lenda. Não tem importância. É a melhor resposta que encontrei à inquietação de Freud.

 Mas agora gostaria de cutucar a onça com vara curta e indagar pelo outro lado da questão: - Afinal, O QUE QUEREM OS HOMENS?

(Afonso Romano de Sant'Anna)

sábado, 8 de novembro de 2008

Estados Unidos e o novo Presidente

"... Esse é nosso momento de devolver as pessoas ao trabalho e abrir portas de oportunidade para nossas crianças; de restaurar a prosperidade e promover a paz; de retomar o sonho americano e reafirmar a verdade fundamental de que, entre tantos, nós somos um; que, enquanto respirarmos, nós temos esperança. E onde estamos vai de encontro ao cinismo, às dúvidas e àqueles que dizem que não podemos. Nós responderemos com o brado atemporal que resume o espírito de um povo: Sim, nós podemos.
Obrigado. Deus os abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América."
A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, analisa a eleição do candidato do Partido Democrata, Barack Obama, como presidente dos Estados Unidos.
Socorro destaca a "esmagadora vitória de Obama" como positiva, "na medida em que representa a derrota" da política belicista da administração Bush "e mexe com a subjetividade de todos os que a ela se opuseram".
"Pode-se dizer o mesmo relativamente à eleição de um negro pela primeira vez na história dos EUA, algo muito significativo no quadro da sociedade estadunidense", afirma.

Leia abaixo a íntegra da nota:

"Minha primeira reação ao resultado das eleições nos Estados Unidos é de alívio pelo fim da "era Bush". O povo brasileiro, apesar da sua proverbial cordialidade, sentencia – "Já vai tarde" – quando pessoas indesejáveis vão embora. Creio que é este o sentimento que percorre a humanidade neste momento.
Os oito anos durante os quais George W. Bush ocupou a Casa Branca foram uma espécie de noite dos tempos que déixaram em todos os amantes da paz a impressão de estarem vivendo um horror infinito.
Não alimento a mínima ilusão de que o novo presidente irá promover mudanças estruturais no sistema de poder dos Estados Unidos. Trata-se de um sistema sedimentado e mesmo petrificado.
O poder nacional nos Estados Unidos é o poder do capital financeiro, das transnacionais e da indústria militar cujas políticas econômicas acarretaram nefastas e devastadoras conseqüências para os trabalhadores e os povos de todo o mundo.
O novo presidente estadunidense terá uma muito pequena margem de manobra para modificar os aspectos essenciais da política externa. Objetivamente a crise da hegemonia norte-americana acentua as tendências agressivas desse imperialismo.
A política dos Republicanos é muito conhecida e a eleição de McCain seria um sinal muito claro da continuidade de uma política militarista e belicista.
A esmagadora vitória de Obama é em si mesma algo de positivo na medida em que representa a derrota dessa política belicista e mexe com a subjetividade de todos os que a ela se opuseram.
Pode-se dizer o mesmo relativamente à eleição de um negro pela primeira vez na história dos EUA, algo muito significativo no quadro da sociedade estadunidense.
Por outro lado, Obama prometeu o multilateralismo e o diálogo.Ele vai tentar redesenhar o exercício do poder do mesmo sistema imperialista com métodos distintos dos que foram empregados por Bush. Mas Obama não assumiu um claro compromisso pela Paz. Seu multilateralismo poderá ser meramente retórico".

Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz.