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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Ψ Sonhos de Uma Vida - 'O Homem e Seus Símbolos' - Carl Gustav Jung

"A semente de um pinheiro da montanha contém em si a futura árvore em forma latente... mas cada semente a seu tempo num lugar próprio, sob fatores diversos, como a qualidade do solo, da exposição ao sol e ao vento...
A totalidade latente do Pinheiro na semente reage a essas circunstâncias desviando-se das pedras e inclinando-se para o sol, o que acaba moldando o crescimento da árvore. Assim um Pinheiro lentamente toma corpo, constituindo a realização de sua totalidade, sua manifestação no mundo real... na falta da árvore viva a imagem do pinheiro é apenas uma possibilidade, uma idéia abstrata... A realização dessa singularidade no indivíduo é o objetivo do processo de Individuação."
 (Jung - O Homem e Seus Símbolos)

*Existem milhares de árvores na floresta e todas não passam de árvores,  mas se olharmos bem de perto e com a devida atenção, cada uma tem as suas particularidades... não existem duas árvores idênticas,  a natureza realiza seus padrões através de seres únicos e individuais. Por isso o pensamento estatístico é tão pernicioso, tão nocivo. 

*A realidade consiste de um imenso número de seres únicos e os sonhos nos ajudam a descobrir padrões únicos da nossa vida. 

*Os sonhos apontam para cada ser o sentido único de sua vida também única... sendo este talvez o aspecto mais importante e fascinante da vida onírica.

*São os sonhos que indicam onde se encontra nossa energia e para onde ela quer ir. *Assim todo sonho traz uma mensagem útil que propicia um 'insight' sobre o sentido específico de uma situação também específica da nossa vida.

*Segundo Marie Louise Von Franz, noite após noite essas mensagens se repetem, chegando a mais de cem mil no decorrer de uma vida. Se estudarmos nossos sonhos por um determinado tempo, observaremos conexões significativas entre eles.                                                              
                                              Imagem: D. KILPATRICK III                                                              
*Uma situação ameaçadora aparece repetidamente nos sonhos, até que prestamos atenção, então o próprio sonho acaba nos trazendo a solução. 

*É como se a natureza lentamente 'chocasse' os problemas, acalantando e desenvolvendo-se devagar... esse desenvolvimento lento pode ser observado na interpretação de sonhos.

*Através da  Psicoterapia ocorre uma concentração consciente no processo natural de maturação com vistas a apressá-los... é  como por mais fogo, para que o processo ande mais depressa.

*Existem diferenças entre os sonhos dos jovens e idosos. *No meio da vida ocorre um estágio transitório, os sonhos jovens são mais adaptativos em direção à uma adaptação externa, ambição pessoal, ou realização amorosa.

 *Por volta dos 40 anos os sonhos visam uma adaptação à vida interior, descoberta do sentido da vida. 

*Von Franz refere ainda, que na sociedade moderna, os jovens também parecem preocupados com esta dimensão interna, resultado da massificação da nossa civilização...

*No aspecto profissional observa-se uma disputa perversa, onde o homem moderno no intuito de não ser descartado como mais uma mercadoria, acaba por tornar-se um megalomaníaco que quer estar por cima para conquistar sempre um melhor status ou se sente completamente esmagado e inútil resultando em depressão ou doenças psicossomáticas. 

Fonte: Marie Louise Von Franz 
Carl Gustav Jung 'O Homem e Seus Simbolos' 
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica 

domingo, 22 de maio de 2016

Ψ Imaginação Ativa e Autocura

Como consultar o Oráculo Interior usando a Imaginação Ativa para processar a Autocura

 John Collier
*No oráculo de Delfos, dedicado a Apolo, as sacerdotisas em transe, receptivas e espontaneamente faziam profecias e curas. O  seu papel era simplesmente ser porta-voz do deus Apolo.
"Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo."  *Inscrição no oráculo de Delfos, atribuída aos Sete Sábios (c. 650 a.C.-550 a.C.)
*Carl Jung desenvolveu uma técnica que chamou de Imaginação Ativa que permite que qualquer pessoa possa consultar o seu próprio oráculo interior.

* Imaginação Ativa é um processo de dialogar conscientemente com nosso inconsciente, assim refere Jung:
"para a produção desses conteúdos do inconsciente que se encontram, por assim dizer, imediatamente abaixo do limiar da consciência e, quando se intensificam, são os mais propensos a entrar em erupção de forma espontânea para a mente consciente". 

*Ou seja, temos que permitir que o inconsciente fale através de nós, alternando os conteúdos conscientes e inconscientes de forma totalmente receptiva e espontânea.

*A visualização persistente provoca mais energia e aumenta a probabilidade de concretizar o seu desejo e requer:
1. Disposição: a técnica deverá ser sistematicamente seguida e assimilada (duas a três vezes ao dia).
2. Especificidade e Intenção: O seu objetivo precisa ser explícito, a imagem não pode ser ambígua, simplifique, pode desenhar ou criar um código próprio.
3. Visualização: Se o coração estiver harmonizado com o  espírito muita coisa será revelada. Visualizar é ver Imagens na nossa mente. Concentrar, pensar e sentir. O pensamento é a matriz ou o projeto, os sentimentos fornecem a energia, a eletricidade.
4. Pratique o desapego após o quadro estar completo em sua mente libere... Sussurre uma palavra de fechamento: Amém, Assim Seja, Está feito!

*Inicie o processo com Reverência - Tal como acontece com todos os sistemas oraculares.

*Aquiete-se... encontre um tempo e um lugar onde você pode estar sozinho para acalmar sua mente.

*A parte central da autocura é compreender que lições você está aprendendo com a sua doença.

*Os acontecimentos em nossa vida não acontecem por acaso, eles acontecem por uma razão, e entender isso é o começo para tomarmos o controle de nossa vida transformando-a.
*Pense que não há ninguém julgando você, logo não se julgue!

*Acredite profundamente que você pode recuperar ou saber lidar melhor com a sua condição de saúde atual.

*Quando descobrimos o padrão mental que está por trás de cada doença, temos a oportunidade de modificá-lo e nos curar.

*O corpo fala. Ele é como um mestre que nos avisa quando insistimos num comportamento que nos faz mal.


*Então sente-se, ou deite-se feche os olhos e fantasie o que você realmente deseja saber sobre a sua autocura, sem qualquer reserva, dúvidas ou pré- julgamentos.

 *Uma vez que você se sinta relaxado, use uma das duas maneiras básicas para acessar o inconsciente - visual ou oral.

*Sonhos: A maneira mais fácil de obter a informação que "lições sua doença está tentando ensinar-lhe",  é perguntando em seus sonhos. 

*Pouco antes de ir dormir, pedir de todo o coração e com determinação que você precisa aprender com esta experiência (doença).

*Você poderá obter a resposta seja em um sonho, ou então ao acordar. Por vezes levará alguns dias para obter a resposta. Não desanime!

*Seja paciente e persistente e apenas mantenha a pergunta até que a informação venha até você.

*Escrita Automática: Esta técnica também costuma fornecer informações mais complexas e detalhadas.

*Escolha um momento em que você está relaxado, alerta, calmo, e não será interrompido.

*Deite-se ou sente-se, como você preferir, com uma caneta e caderno na mão.

*Escreva as suas perguntas e as respostas que eles vêm na forma de um diálogo, pergunte ao seu corpo falar com você.

*Por exemplo, você pode começar desta maneira: "Meu corpo, você poderia vir e conversar comigo? Estou realmente tentando estar receptivo agora, e eu quero ouvir o que você tem para me dizer. Eu estou tentando entender porque eu estou doente; pode por favor falar sobre isso?"

*Você deve perguntar ao seu corpo para falar com você usando suas próprias palavras e sentimentos.

*Continue escrevendo, continue persuadindo, até você sentir uma resposta se formando em sua mente, e, em seguida, registre-a.

*O truque  é concentrar sua atenção sobre o ato de escrever, como quando você está tomando notas em uma sala de aula, de modo quenão haja espaço para a dúvida, a hesitação, medo...  continuar escrevendo.

*Envolva-se inteiramente nesta tarefa e, eventualmente, você vai começar a receber uma resposta. É realmente tão simples e direta que você não vai acreditar.

*Note-se que quando uma pessoa faz a escrita automática, pela primeira vez, as respostas tendem a sair espécie de incipiente, siga... é assim mesmo...  escrita compulsória. Não se preocupe se faz sentido ou não.

*Normalmente em automático algumas palavras ou frases surgem em sua mente um pouco mais rápido do que você pode escrevê-las, às vezes você pode obter parágrafos inteiros de uma só vez.

*Você também pode ver imagens aparecerem na sua mente, ou chegar a 'flashes' de cenas oníricas. Anote-as, sem crítica sem julgamentos. Grave tudo isso porque é tudo relevante, mesmo que algo possa não fazer sentido no momento.

*Se nada vem à mente em resposta às suas súplicas, ou se tudo o que vem à mente é  jargão, é possível que você esteja bloqueando o fluxo de ideias.

*Sua mente consciente em seu esforço para boicotar o processo pode dizer: "Isso não está funcionando" ou  "Eu não estou fazendo a coisa certa"... Não caia na armadilha!

*Continue tentando, continue escrevendo, mesmo que tudo que você recebe é conversa fiada. Somente a confiança pode abrir-lhe o suficiente para escrever automaticamente, caso contrário você se verá emaranhado-se com a dúvida.

*Se você está bloqueando, tente trocar para a mão não dominante. Mantenha-se na escrita, e em algum momento sua mente consciente vai relaxar seu controle e você vai começar a escrever automaticamente.

*Em seguida, basta escrever o que seu corpo lhe diz, pedindo a todas as perguntas que quiser ao longo do caminho. Você pode se surpreender com as respostas!

*A maior surpresa será, provavelmente, que você mesmo chamou a sua doença até você e que ela não veio "por acaso"... e por que razão você fez isso a si mesmo... 
 "o que estou tentando aprender com esta experiência"???

*Você também pode pedir ao seu corpo para obter informações específicas a respeito de dieta, exercícios, para acelerar o seu processo de cura, manter-se cheio de vitalidade, peso ideal....

Fonte: Robin Robertson - Como consultar o oráculo Interior usando a imaginação ativa
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Ψ sobre os sonhos lúcidos - a "viagem" de Jung

*Aconteceu em 1944, durante séria enfermidade que o levou à beira da morte:
"Parecia que me encontrava no espaço a uma altura considerável. Muito abaixo de mim eu via a Terra, e era como uma esfera envolta por maravilhosa luz azul. Bem ao longe, de baixo dos meus pés estavam o Ceilão e a Índia. Meu campo visual não abrangia a Terra toda, mas eu podia ver nitidamente sua forma esférica e a maravilhosa luz argênteo-azulada brilhando ao seu redor.
*Em seguida, ele passa a descrever como enxergava a Arábia e o Mar Vermelho e, por pouco, também o Mar Mediterrâneo: Vislumbrava o Himalaia coberto de neve, porém aquele trecho parecia nublado. Ele olhava para a direita.
*Eu sabia que estava a ponto de deixar a Terra, quando apareceu algo novo em meu campo visual.
*No espaço, ele via um enorme e escuro bloco de pedra, algo como um meteorito, que pairava sobre ele. Havia uma abertura naquele bloco, que parecia ser uma entrada. No lado direito, sobre um banco de pedra, havia um hindu silenciosamente sentado em posição de lótus.
*Ele estava todo de branco e eu sabia que esperava por mim, narra Jung: Dentro, do lado esquerdo, ficava a entrada para o templo. Enquanto me aproximava da abertura da rocha, aconteceu algo muito estranho. Tive a sensação de que estava sendo despojado de todos os meus desejos, pensamentos, ambições, de toda minha consciência terrena. Era um processo penoso, porém sobrava algo e era como se eu existisse independentemente de minha própria história.
*Sentia uma grande certeza: isto sou eu. Tinha também uma impressão de pobreza e ao mesmo tempo de satisfação.
*Nada mais havia que eu desejasse: eu estava lá, na minha forma objetiva tal como havia sido e vivido.
*No início ainda conservava a impressão de ter perdido algo, mas de repente tudo se tornou completamente sem importância.
*A única coisa que importava era agora a certeza de que poderia penetrar naquela rocha, naquela sala iluminada e encontrar aqueles a quem realmente eu pertencia. Lá eu encontraria o sentido de minha existência.
*Naquele instante algo chamou a sua atenção: Lá embaixo, bem distante, na direção da Europa, ele viu seu médico subindo para lhe trazer uma mensagem, dizendo que ele deveria retornar e que ainda não deveria deixar a Terra. Neste momento terminou a experiência.
*Essa aversão por retornar à existência manifesta-se de vez em quando. Jamais poderia imaginar que fosse possível esse tipo de experiência. Não era produto de minha fantasia. O que vi e partilhei foi absolutamente verdadeiro, nada foi subjetivo e tudo possuía a qualidade de absoluta objetividade." 

(da obra “MEMÓRIAS, SONHOS E REFLEXÕES”, de Carl Gustav Jung) 
                             SOBRE SONHOS LÚCIDOS
 *O sonho lúcido parece ser uma experiência de co-criação. (Robert Waggoner)

*Ter consciência do sonho que se sonha e ter o poder de controle, isso é definição de sonho lúcido. 

*Eu tenho a sorte de ter vivido muitos sonhos significativos que me orientam no meu estado de vigília.

*Quando percebo que estou tendo um sonho lúcido, retomo o sonho e dentro do próprio sonho me permito voltar à cena e resolvo um conflito.

*Por vezes me vejo interpretando ou usando a técnica da Imaginação Ativa concomitante ao sonho.

*Quando tenho esse tipo de experiência por sua particularidade, costumo dizer que o sonho sonhou a si mesmo.

*Você sabe que se trata de um sonho lúcido naquele momento fugaz,   quando, por apenas um momento você sente com toda a sua alma que o sonho é a realidade ...

*E você acorda com uma sensação nítida que persiste no decorrer do dia que algo significativo ocorreu.

 *Se o sonho é importante para a vida de vigília, pode-se alterar os acontecimentos. Como resultado de controlar a sua experiência de sonhar você pode resolver muitos problemas. 

*Exemplo: se você está tendo um sonho em que você está sendo perseguido ou vitimado, de alguma forma, você se torna consciente, em seguida, volte-se contra o seu atacante, enfrente o problema de frente e resolva-o sem medo. Você será capaz de encarar, virar o jogo sem correr assustado.

*Isto é como o sonho lúcido pode melhorar a nossa vigília equilíbrio emocional e imaginação criativa.

*Nós não somos apenas menos razoáveis e menos decentes em nossos sonhos ... nós também somos mais inteligentes, mais sábios e capazes de melhor juízo quando estamos dormindo do que quando estamos acordados. (Erich Fromm)


COMO LEMBRAR DOS SONHOS:
*Para ser capaz de reconhecer seus sonhos como sonhos enquanto eles estão acontecendo, você tem que estar familiarizado com a forma como  trabalha os próprios sonhos no dia a dia.


*Você deve ser capaz de lembrar pelo menos um sonho todas as noites. Assim poderá facilmente trabalhar com métodos mais complexos  de indução de sonho lúcido.

*Os períodos de sonho ficam mais longos enquanto a noite avança.

*O primeiro sonho da noite é o mais curto, talvez 10 minutos de duração, enquanto que depois de 8 horas de sono, os períodos de sonho podem ser de 45 minutos à uma hora de duração. 

*Todos nós sonhamos todas as noites, cerca de um período de sonho a cada 90 minutos.

*As pessoas que dizem que nunca sonham simplesmente esquecem dos seus sonhos por não darem a devida atenção. É útil manter um diário completo sonho. 

*Você pode ter mais do que um sonho durante um período REM (movimento rápido dos olhos), separados por despertares curtos que são mais frequentemente esquecidos.

*É aceito entre os pesquisadores do sono que os sonhos não são lembrados a não ser que o dorminhoco acorde diretamente do sonho, em vez de depois de ir para outras fases do sono.

*Possivelmente, tudo o que você precisa fazer para aumentar a sua recordação do sonho é respirar tranquilamente antes de dormir, uma mente relaxada é simultânea a um coração leve. E se programar que ao despertar você vai recordar dos sonhos plenamente.

*Este trabalha de maneira semelhante para se lembrar de despertar em um determinado período de tempo na parte da manhã. 

*Uma das principais causas de sonho esquecimento é a interferência de outros pensamentos competindo por sua atenção. 

*Portanto, não mude de posição ao acordar e deixe que o seu primeiro pensamento seja: "O que eu estava sonhando?"  

*Fique atento nas sensações: humores, sentimentos, estado de espírito, fragmentos de imagens, e tente reconstruir uma história a partir disso.

*Quando você chama uma cena, tente lembrar o que aconteceu antes, e antes disso, revivendo o sonho em sentido inverso. 

*Mesmo que você não pode recordar qualquer coisa na cama, eventos ou cenas do dia pode lembrá-lo de algo que você sonhou na noite anterior.
 
*Carlos Castenada,
(1925-1998), ensinou uma técnica de sonho lúcido: Ele disse que se você pudesse se lembrar de ver suas mãos claramente em seu sono que seria sua sugestão para acordar dentro do sonho.

*Esta é uma técnica favorita de algumas pessoas, seja qual for o símbolo que você escolher, diga apenas ao cair no sono que você vai ver este símbolo em seu sonho. 


*O símbolo sugestão é a senha de que você está consciente do que está realmente sonhando, e assim você vai controlar o sonho de qualquer maneira que você quer.

O *estado hipnagógico (*Estado que precede o sono verdadeiro experiências alucinatórias e pseudo-alucinatórias. Ao acordar pode-se ainda relembrar os sonhos vividamente, mas sem estar plenamente desperto) que antecede o processo onírico é idêntico à hipnose. Ou seja, se você deixar cair deliberadamente para este estado de transição de consciência será o conteúdo do seu estado de sonho.

*Temos muitas ideias racionais durante todo o dia para solucionarmos um problema, mas o essencial as vezes nos escapa. E justamente quando baixamos a guarda e relaxamos é que surgem as melhores soluções.

*O fato é que o discurso racional tem falhado e muito, pois estamos quase sempre insatisfeitos. Uma mente relaxada é simultânea a um coração leve.
 *O pensamento analógico puro não depende de tempo ou espaço, por isso sussurra a resposta à nossa mente consciente quase que instantaneamente.

*E quando insistimos em não darmos atenção devida aos sussurros dos sonhos, das preces, das sincronicidades, sofremos. E o grito vem na forma de pesadelo ou
o corpo denuncia com sintomas e doenças psicossomáticas.

Referência: http://www.lucidity.com/ 
LaBerge, S., Levitan, L., and Dement, W.C. (1986).
Lucid dreaming: Physiological correlates of consciousness during REM sleep.
Journal of Mind and Behavior.
LaBerge. S. (1986). Lucid dreaming. New York: Ballantine.
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Ψ O Sonho de Jung



"Tive um sonho que me assustou e me animou ao mesmo tempo.
 Era de noite, e encontrava-me num lugar desconhecido.
Avançava com dificuldade contra um vento forte.
Uma densa bruma cobria tudo.
Nas minhas mãos em forma de taça, tinha uma débil luz que ameaçava extinguir-se a todo o momento. 
A minha vida dependia dessa débil luz, que eu protegia preciosamente, derrepente, tive a impressão de que algo me seguia. Olhei para trás e apercebi-me da forma gigantesca de um ser que me seguia e avançava atrás de mim. Mas ao mesmo tempo estava consciente de que, apesar do meu terror, devia proteger a minha luz através das trevas e contra o vento.
Ao acordar dei-me conta que a forma monstruosa era a minha sombra, formada pela pequena chama que tinha acendido no meio da tempestade. Sabia também que aquela frágil luz era a minha consciência. A única que possuía, confrontada com o poder das trevas, era uma luz, a minha única luz." (Recuerdos, Sueños e Pensamientos – Carl Jung)

De acordo com Jung, a Sombra é a parte da personalidade que a pessoa não reconhece em si mesma.

Ainda que  repudiada, ela é parte integrante de nossa natureza, não podendo ser simplesmente eliminada.


A Sombra pode ser  também  um campo fértil, fonte de espontaneidade, vitalidade e principalmente de criatividade.


O encontro com a própria Sombra é parte importante do que Jung chamava de Processo de Individuação.


A sombra sempre está aí atrás de mim e me observa.


Se fixo somente a luz… não vejo a sombra.


Se mergulho na escuridão…  não vejo a luz.


Percebo-a pela projecção. Aumento-a pelo significado.


Só no equilíbrio encontro a totalidade e portanto, sou livre.


A luta é sempre interna. E sem máscara me reconheço.

 
Me liberto dos medos e me curo.

Sei que é neste movimento entre a luz e a sombra que me transmuto.


Então me permito sonhar  e deixar cada um seguir o seu sonho.


 O filme "Cisne Negro" ilustra o lado sombrio. Uma Análise Psicológica do filme 

No filme Natalie Portman representa Nina, uma bailarina perfeccionista que queria dançar o cisne negro no balé de Tchaikovsky 'O Lago dos Cisnes'.

Nina é uma jovem aspirante ao sucesso, dominada pela figura materna e emocionalmente insegura.


 Vivendo uma vida excessivamente controlada, busca sempre pela perfeição.


 Representar o Cisne Branco não lhe oferece dificuldades, devido a sua característica de doçura e delicadeza.

 Mas para dançar o Cisne Negro é necessário que ela penetre no lado sombrio de si mesma e para isso lhe faltava sensualidade, energia e agressividade.

Os cisnes simbolizam dois arquétipos importantes: PERSONA e SOMBRA.

 

Nina encontra seu psiquismo dividido entre sua personalidade de menina frágil e sua sombra de uma  mulher sedutora e espontânea, características castradas por uma figura materna ambivalente.

A mãe de Nina: Uma bailarina frustrada que projeta seu fracasso na filha, pois ao engravidar tinha deixado de dançar.


Carregada de ódio e frustração, se utilizando do mecanismo de defesa de Formação Reativa, superprotegia Nina, mutilando seu psiquismo, não permitindo que esta crescesse livre e independente. 

Formava com ela uma díade doentia, onde sua filha não podia pensar, nem ter um corpo próprio.

 Sendo assim, Nina não pôde se constituir enquanto sujeito separado da mãe, construindo um falso self.
 
Segundo Joyce McDougall, as díades 'uma mente para dois' e  'um corpo para dois', produzem psicose e transtornos psicossomáticos respectivamente.

Nina tinha que ser infantil, seu quarto era cheio de bichinhos de pelúcia, dependia da mãe até para cortar as unhas. 


A mãe precisava sentir-se necessária na vida da filha.

 Não permitia que esta pensasse seus próprios pensamentos nem que sentisse os pedidos de seu corpo.


Pensava e sentia por ela e esta, para responder ao desejo da mãe e ter assim seu amor que era condicional, reprimia seus desejos, a mulher sensual e agressiva que havia nela. Projetava em outras mulheres sua sombra, invejando-as, querendo ter o que depositava nelas.


Seu inconsciente trabalhava querendo equilibrá-la, buscando torná-la um verdadeiro self, mas a cisão estava presente, constituindo um quadro paranóico, incrementado por sintomas de transtorno alimentar.


Não podia ter um corpo de mulher adulta, sendo assim provocava o vômito, não engordando, não deixando aparecer suas curvas femininas.


Roubou o baton e os brincos de Bete, a bailarina que até então dançava o cisne negro. Quando a bailarina perdeu seu lugar no balé, Nina deslocou sua inveja a outra bailarina que se mostrava mais solta, livre, sem muita técnica, mas encantando com sua sensualidade.


A projeção de sua sombra em Lily (nome da primeira mulher expulsa do paraíso por Deus por não ser submissa ao Adão) vai se tornando cada vez mais perigosa, pois começa a delirar e alucinar misturando-se com ela na sua fantasia.

 
Nina começa a mesclar suas roupas, ora branco, ora  preto, buscando inconscientemente a interação de opostos, atuando,  não refletindo sobre o que ocorria com ela, mostrando seu desequilíbrio cada vez mais evidente.


Mutilava-se nas costas, coçando até ferir. Desejo de ser acariciada? É sempre do lado esquerdo, lado do coração, da emoção.


As costas representavam seu inconsciente, algo que  não podia ver, mas que gostaria de ter acesso.


Mais à frente no filme, em  suas alucinações, vê asas do cisne negro nascendo em suas costas. Seu desejo realizando-se em seu delírio.  


Nina, garota virginal, pura, presa num corpo de cisne branco, como nos contos de fada precisa de um príncipe para libertá-la. Só  um amor pode quebrar o feitiço feito pela bruxa mãe.

O príncipe, animus, representado pelo diretor da peça de balé, faz a ponte para a integração entre persona (pura, virginal, cisne branco) e sombra (sensual, agressiva, cisne negro).

Em seu processo de integração da sombra, seus núcleos homossexuais vem à tona, pela não incorporação da sensualidade nela, seu desejo de liberdade, de viver sua sexualidade ainda não constituída devido à relação  simbiótica com a mãe e delira concretizando em alucinação, uma relação homossexual com Lily, seu objeto de inveja e depositária de suas projeções.

Reivindica o lugar de cisne negro ao diretor que escarna dela.


Ela, usando o baton vermelho roubado da antiga bailarina o beija e morde-o mostrando em um lapso a sensualidade e agressividade reprimidas e perdidas em seu inconsciente que precisavam vir à tona.

O diretor dá a ela o lugar pedido. Agora, na busca de perfeição, quer trazer à tona a  mulher sensual represada nela.


Machuca o pé, representante de falo, pois é ambivalente, tem medo de realizar o desejo de independência, se tornando uma mulher adulta.

Após sua aproximação do diretor da peça através da sedução, surgem espinhas em seu rosto.


Quer ficar feia, indesejável para se defender de seu desejo sexual que está à flor da pele.

Resiste à mudanças, ao novo.


Ela dança solta, sensualidade e agressividade emergem compondo sua sexualidade.


Vive intensamente a ambivalência entre o desejo de ser mulher e o medo que a mantém infantil, dependente, pura.


Sabe que o mundo dos adultos é fascinante, mas também perigoso.

 Entregar-se a um homem, apaixonar-se envolve ganhos e perdas.


Segue ambivalente com relação ao diretor da peça e esta ambivalência aumenta quando  fica sabendo do atropelamento de Bete, a antiga bailarina que dançava o cisne negro.

Esta foi mutilada por um atropelamento que sofreu e pela vida quando perdeu  seu lugar na peça e no coração do diretor desta.


Nina vai visitá-la assustando-se ao  vê-la. Devolve os objetos roubados pois não há mais o que invejar.

Tem medo e desejo frente ao lugar que pretende ocupar. Entra em conflito com a mãe que não está suportando seu crescimento e tenta bloqueá-lo.


Nina está lutando, buscando seu espaço  tentando romper a simbiose com a mãe, procurando sua identidade, mas sua fragilidade egóica é grande.


Mistura-se cada vez mais com Lily, sentindo-se perseguida por esta, acreditando que perderá seu lugar para ela.


No dia da estréia, dança o cisne branco, caindo, quebrando com isto o encanto da perfeição.

 A moça pura cai das mãos de seu companheiro de dança, representando sua dificuldade em confiar nos homens.


Confia só em si mesma. Vai para o camarim e alucina que Lily tomará seu lugar dançando o cisne negro.


Entra em luta corporal com esta, matando-a em sua alucinação para assumir o lugar.


Não consegue integrar a sombra tornando-se mulher, para isto precisa exterminar com uma parte sua.

Volta ao palco dançando maravilhosamente o cisne negro alucinando ser o próprio.
Após a volta ao camarim descobre que não matou Lilye sim que se feriu gravemente com o espelho que quebrou.


Tirando de sua barriga o vidro com que se feriu, começou a sangrar.


Voltando ao palco realizando a dança de sua vida, com a perfeição que exigia, não resiste ao ferimento, terminando o espetáculo com sua morte, sendo ovacionada num primeiro momento pela sua representação, deixando todos consternados depois quando viram o que havia ocorrido.


Sua mãe estava no palco assistindo. Em sua fragilidade emocional, não conseguiu tornar-se uma mulher integrando seus aspectos sombrios à persona, permitindo-se amar um homem, representante de seu animus, completando-se, deixando seu vínculo simbiótico com a mãe para trás.


Tentou com todas as suas forças, mas rompeu com a realidade. Seu inconsciente se mobilizou produzindo sintomas.


Segundo Jung, quando algo não vai bem o arquétipo self fica ativado produzindo sintomas, levando a pessoa a um novo ponto de equilíbrio.


Desta experiência poderia surgir renovada, mais completa ou estilhaçar-se totalmente.  Infelizmente o fim foi trágico, como na maioria das grandes estórias de amor.


Fonte: Profa. Dra. Denise Hernandes Tinoco, Doutora em Psicologia Clínica PUC/SP.
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

sábado, 5 de janeiro de 2013

Ψ JUNG e os sonhos premonitórios

                           imagem: Igor Zharkov

Os sonhos são um aspecto ainda pouco conhecido pela ciência.

O conhecimento de sonhos premonitórios ou significativos a poucas horas da morte é comum serem relatados em muitas religiões e culturas, da China e Índia à Grécia Antiga.

O último sonho que o psicólogo suíço Carl Gustav Jung comunicou a seus seguidores, alguns dias antes de morrer, foi o de uma grande pedra sobre a qual estava escrito: "Para você, este é o sinal de integridade e unidade". 

Na interpretação de Jung, isso apontava que o trabalho de sua vida tinha chegado ao fim.

 Sócrates e Confúcio também se referiram a sonhos significativos ocorridos pouco antes de suas respectivas mortes.
   Culturas indígenas e outras referem que os sonhos permitem contatos com as divindades. É uma viagem da alma e podem preconizar o futuro.

 Há relatos de que os índios já utilizavam-se dos sonhos para saberem onde estava a presa na hora da caça.

Entretanto, essas culturas salientam que somente indivíduos que governam suas vidas com retidão, purificação e sabedoria terão acesso ao privilegiado mundo dos sonhos premonitórios.

Para os índios, nos sonhos estamos no puro estado de espírito, que tudo vê por todos os ângulos.

Numa perspectiva mística, o espírito é o princípio inteligente, sede do saber e dos processos psicológicos conscientes e inconscientes. O ego onírico é o próprio espírito consciente de sua individualidade.

Podemos desenvolver nossa espiritualidade pelos sonhos. Os sonhos espirituais vão refletir a cultura religiosa do sonhador.

O Psicanalista suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), desenvolveu um método alternativo para compreender a natureza da mente humana e dos sonhos. No fim da sua longa vida, já tinha recolhido e estudado mais de 80.000 sonhos.

Ao contrário de Freud, Jung dizia que os sonhos procuram se comunicar, não ocultar o que está no inconsciente.

Segundo Jung, o que não estaria claro para nós é a linguagem dos sonhos, mas afirmava que deveríamos aprender esse idioma para tirar dele os benefícios e as mensagens que os sonhos trazem. 

Os sonhos podem ser classificados em grandes ou pequenos. Sonhos grandes são sonhos mais arquetípicos, míticos, muitas vezes indecifráveis do ponto de vista individual, porém carregados de uma energia capaz de "sacudir" a psique e modificar o curso da vida do indivíduo.

Os pequenos sonhos dizem respeito à vida cotidiana do sonhador.

Os sonhos premonitórios ocorrem quando há uma grande carga de emoção, esse tipo de sonho acontece mais na terceira parte da noite quando estamos mais descansados e com menos lembranças da véspera.

Muitas vezes são simbólicos, para que a pessoa que recebe a mensagem não sofra um impacto emocional muito grande.

O sonho é uma manifestação dinâmica do inconsciente, em que ele faz energicamente algo por sua própria vontade, movimenta-se e cria por sua própria conta, e foi isso o que Jung definiu como espírito. 

O inconsciente sabe coisas; conhece o passado e o futuro, sabe coisas a respeito de outras pessoas. De tempos em tempos, todos nós temos sonhos que nos informam sobre algo que acontece a uma outra pessoa. 

Psicólogos sabem que os sonhos premonitórios e telepáticos ocorrem com muita freqüência a praticamente todas as pessoas. Jung refere a esse conhecimento inconsciente, como "o conhecimento absoluto". 

Jung citava muito o Talmude, escritos sagrados dos judeus, que diz que o sonho é sua própria interpretação. 

Jung dizia que se desse a uma pessoa ocidental uma página para ler, que continham apenas palavras do idioma chinês, a pessoa iria devolver a folha e dizer que ali não havia nada escrito, portanto ao havia nenhum significado. 

Poderia até mesmo chegar ao absurdo de dizer que o idioma chinês não serve para nada, e teria de descartar um idioma que mais de um bilhão utilizam todos os dias para se comunicar. 

Para Jung os sonhos possuem a mesma intensidade de um idioma desconhecido. Requer treino e conhecimento para conseguir decifrá-los, mas empenhar esforço nessa prática será altamente recompensadora.

O sonho é uma porta aberta para os mais recônditos e secretos recessos da alma, sendo um auto-retrato espontâneo, em forma simbólica, da situação presente no inconsciente.

O sonho, portanto, contribui com o material que estava faltando para a melhora e eventual cura do paciente, daí sua especial importância na terapia. 

Então, para Jung os sonhos possuíam essencialmente a função de equilibrar e compensar, afim de manter a harmonia e equilíbrio interior do homem. 

Jung estava consciente de que os sonhos podem ser criados por influências do ambiente, por indisposições físicas, e sonhos que são meras repetições de nossas ansiedades cotidianas

Porém, fazia uma distinção entre cérebro e mente, para ele as imagens contidas nos sonhos não podiam ser reduzidas somente às condições físicas do homem, mas essencialmente envolvem a espiritualidade humana. 

No inconsciente coletivo existe algo que chamamos de memória ancestral, que habita o indivíduo, e essa memória opera através do inconsciente coletivo. 

O inconsciente coletivo é um nível do ser que pertence ao próprio indivíduo. Entretanto, esse nível da mente contém as experiências ancestrais, universais que são fornecidos pelas mitologias dos povos.

Sonhos arquétipos são aqueles sonhos que possuem conteúdo importante e empregam símbolos arquétipicos em suas comunicações.

Existem símbolos universais do inconsciente coletivo que podem aparecer em um sonho e estar carregado de significado como: nascimento, morte, mar, escada, construções em ruínas, serpentes, aranhas, o velho sábio, frutas, nudez ...

Esses sonhos narram sobre vida e morte, valores morais, sobre a beleza, a justiça, a bondade, o amor e o destino. Transcendem ao que é pessoal, bem como a mente consciente, e vão às profundezas do inconsciente coletivo. 

*Benefícios constatados entre funções psíquicas dos sonhos e funções na vida cotidiana:
 1. Aprofundar o relacionamento consigo mesmo: ao entrar em contato com os sonhos, o sonhador percebe muitas de suas características psíquicas e emocionais, criando maiores vínculos com sua intuição, modificando atitudes e comportamentos.
 2. Entender melhor os universos externo e interno: ao sonhar, percebemos que existem dois mundos, um que observamos, vivenciamos empiricamente, onde passamos a maior parte de nosso tempo acordados. O outro onde e existimos de uma maneira diferente, pois o inconsciente não está atrelado às questões morais e éticas. Sua lógica de funcionamento é própria, mas ainda assim capaz de nos mostrar o que não vemos acordados.
 3. Relatar o processo de individuação: quando acompanhamos os sonhos, vamos traçando uma história conectada com nosso propósito de vida, amadurecemos e tecemos um caminho que é só nosso, que nos pertence.
 4. Oferecer recursos para uma boa terapia: a aplicação clínica da análise dos sonhos é uma ferramenta importante que dá ao terapeuta a localização do sonhador dentro do processo, seu progresso ou as modificações psíquicas que estão ocorrendo.
 5. Compensar e equilibrar a psique: a principal função ressaltada por Jung é a função compensadora do sonho, por exemplo um evento que gerou muita raiva no sonhador sem que ele pudesse demonstrá-la, gera um desequilíbrio psíquico que pode ser vivido no sonho, como uma situação de briga em que o sonhador diz e age de forma bastante agressiva. Dessa forma, o sonho "alivia" a tensão psíquica gerada pela discordância entre o externo e o interno, ainda que temporariamente. 
 6. Demonstrar o que fazer: muitas vezes o sonho trata de resumir tarefas para o preenchimento de uma condição, etapas pelas quais o sonhador deverá passar para angariar um nível mais elevado de consciência.
 7. Desgastar acontecimentos traumáticos: sonhos reativos são os sonhos que se repetem, evocando situações traumáticas vivenciadas, como traumas de guerra, acidentes graves, catástrofes. Eles ocorrem com o intuito de desgastar a energia que se acumulou em torno do trauma, até que se esgote ou que esta situação possa ser ressignificada pela via consciente. 
 8 . Comunicar-se: sonhos telepáticos caracterizam-se por pessoas que sonham o mesmo sonho ou que conversam no sonho em tempos muito próximos, sem que um necessariamente saiba do outro. Em geral, pode ocorrer entre pessoas distantes ou mesmo entre pessoas próximas que vivenciam o mesmo sonho, na mesma noite e que, conversando, podem descobrir que se comunicaram via inconsciente. São mais raros e muitas vezes podem passar despercebidos, caso falar sobre sonhos não seja um hábito. 
9. Prever acontecimentos: sonhos prospectivos ou premonitórios são sonhos difíceis de identificar, já que somente podem ser percebidos depois que o evento ocorre, de fato.
Até mesmo para aqueles que acompanham seus sonhos e seu mundo interno de perto, os sonhos premonitórios são difíceis de serem identificados.
Podem tratar de grandes eventos, como morte, gravidez ou acidente, mas também podem falar de prospecções ligadas a fatos cotidianos.
São também raros, porém possíveis. De qualquer maneira, mais do que entendê-los como profecias, eles devem ser entendidos como um rascunho, uma possibilidade preliminar. O sonho premonitório simula para depois vivermos a realidade 
10. Aguçar e promover 'insights' criativos: quantos inventores, cientistas, operadores de bolsa, teóricos e escritores já tiveram suas obras ou trabalhos criados e desenvolvidos a partir de 'insights' obtidos em sonhos? 

O Sonho Profético existe e é considerado de origem paranormal, quer devido ao fenômeno de telepatia ou como vidência ou precognição, mas considerado muito raro. "Os sonhos algumas vezes podem revelar certas situações muito antes de elas realmente acontecerem". (C.G. Jung, Entrevistas e Encontros).

 "Os sonhos fornecem informações extremamente interessantes a quem se empenhar em compreender o seu simbolismo. O resultado, pouco tem a ver com preocupações mundanas como comprar e vender. Mas o sentido da vida não é explicado pelos negócios que se fez, assim como os desejos profundos do coração não são satisfeitos por uma conta bancária." ( C. G. Jung; citado em "O caminho dos sonhos", Marie-Louise von Franz)

Para os que menosprezam o valor dos sonhos, a prática está cheia de exemplos de pessoas que foram salvas de desastres (sonhos premonitórios), que ganharam algum prêmio, foram curadas de doenças ou presentiram a morte de alguém. 

 Sonhos Premonitórios e Telepáticos Diferente do pressentimento, o evento premonitório é mais específico, podendo se dar em estado de vigília ou durante o sono, por sonhos, como o que vem a seguir: 
"Alguns meses antes da morte de minha mãe, em setembro de 1922, tive um sonho que me anunciava isso. Este sonho dizia respeito a meu pai e me causou grande impressão: desde sua morte (1896),  jamais sonhara com ele e eis que me aparece num sonho, como se tivesse voltado de uma longa viagem. Parecia rejuvenescido e não manifestava qualquer autoridade paterna. Estava ao meu lado, em minha biblioteca e eu me alegrava por saber que ele chegara. Sentia-me particularmente feliz por lhe apresentar minha esposa, meus filhos e contar-lhe tudo o que tinha feito, mostrando-lhe o homem que me tornara. 
Queria também falar de meu livro 'Os Tipos Psicológicos', recentemente publicado, mas imediatamente notei que esses assuntos o importunavam porque parecia preocupado. Tinha o ar de quem esperava qualquer coisa. Eu percebi e por isso me mantive reservado. Disse-me então que por ser eu psicólogo gostaria de consultar-me sobre a psicologia do casamento. Dispunha-me a dissertar longamente a respeito das complicações da união conjugal, mas nesse momento acordei. Não pude compreender o sonho como deveria, pois não tive a idéia de que era preciso ligá-lo a morte da minha mãe. Só o compreendi quando ela morreu subitamente em janeiro de 1923." (Jung)
 Referências bibliográficas:
JUNG, C. G. Memórias, sonhos, reflexões. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro.
JUNG, C. G. O homem e seus símbolos.. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro
 PERROT, Etienne O caminho da transformação segundo Jung e a alquimia. Editora Paulus. São Paulo 1998
 KAPLAN-WILLIAMS, Strefon Elementos da sonhoterapia. Ediouro. Rio de Janeiro, 1998. 
TANNER, Wilda - O mundo místico, mágico e maravilhoso dos sonhos. Editora Pensamento. São Paulo 97/00. 
Jung e a Mediunidade - Djalma Argollo 1ª Edição - Copyright 2004 - Palestra proferida na Escola de Filosofia à Maneira Clássica Nova Acrópole que fica no bairro de Manaíra, na cidade de João Pessoa, capital do estado da Paraíba, Brasil.
CHAMPLIN; Darrel. O portal dos sonhos. Editora: Publisher Brasil. São Paulo. 2002 
FADIMAN; James. Teorias da Personalidade. Editora: Harbra. São Paulo. 2003
Italo Jorge Furletti - Psicólogo clínico
Fatima Vieira - Psicóloga Clínica