sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Setembro Amarelo 2026: valorização da vida e saúde mental

                 “Escutar é estar presente"









*E se você conhece alguém em sofrimento extremo, utilize o Centro de Valorização da Vida com atendimento 24 horas, pelo número 188Apoio Emocional Gratuito e Sigiloso.
*Chat Online do CVV: Acesse o Chat no site oficial para conversar por texto com um voluntário.
*E-mail: apoioemocional@cvv.org.br
*Canal Pode Falar (UNICEF): Plataforma de apoio voltada especificamente para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos.
*Atendimento de Emergência
Se houver risco imediato à vida 
*SAMU: Ligue 192.
*Bombeiros: Ligue 193.
*Pronto-Socorro/ UPA: Dirija-se imediatamente à Unidade de Pronto Atendimento ou hospital mais próximo.
*CAPS (Centros de Atenção Psicossocial): Unidades do SUS especializadas em saúde mental, que oferecem acolhimento e tratamento gratuito perto da sua casa.
*UBS (Unidades Básicas de Saúde)
Os postos de saúde e centros de saúde locais são a porta de entrada para encaminhamento médico e psicológico.
𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
http://www.fatimavieira.psc.br/

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O Psiquismo da Relação Amorosa

Você já se perguntou por que escolhemos exatamente 'aquela pessoa'? Como dizia Roland Barthes em Fragmentos de um Discurso Amoroso: "Eis um grande enigma do qual nunca terei solução. Por que desejo esse? É ele inteiro que desejo — uma silhueta, uma forma, uma aparência? Ou é apenas uma parte do seu corpo? E nesse caso, o que nesse corpo amado, tem tendência de fetiche em mim? Que porção, talvez incrivelmente pequena, que acidente?"

O início de uma história de amor costuma ser pavimentado pelo encanto. Vivemos uma época feliz, imediatamente subsequente à primeira sedução, onde tudo parece leve: o jantar, o luar, o riso, a promessa clara do prazer. "Fui envolvido pelo doce começo. De uma doçura tão docemente doce..." (Ronsard)
Ou como refere Barthes: "Vivo dias tão bem aventurados como aqueles que Deus reserva a seus eleitos; e venha o que vier, não poderei dizer que as alegrias, as mais puras alegrias da vida, não as terei experimentado." 
                                               Pierre Auguste Cot
Contudo, como lembrou Goethe,"somos nossos próprios demônios"
                                                 Edvard Munch 
A sequência do episódio amoroso comumente deixa um rastro de angústias, mágoas e ressentimentos. O sujeito se vê preso em um nó de razões inexplicáveis e exclama: "Quero entender o que está acontecendo comigo!"
Ao deslumbramento inicial e à projeção exultante de um futuro perfeito, sucede-se muitas vezes um longo túnel de paixão triste.
É nesse momento que o casal costuma recorrer à psicoterapia. Não para repetir o passado, mas para tentar enunciar sua dor em uma linguagem diferente. O desejo é olhar de frente para o que divide e machuca a relação.
Na prática clínica, porém, o que se observa no início desse processo é uma constante ciranda de queixas:
Ela: Reclama do isolamento dele, das noites no computador, do desinteresse e da sobrecarga com a casa e a criação do filho.
Ele: Justifica-se no refúgio digital por sentir que só ocupa "um terço da casa", queixa-se de não ser compreendido e expressa a dor silenciosa de fumar compulsoriamente, da insatisfação sexual e da ejaculação precoce.
Muitas vezes, a narrativa do casal baseia-se em um livro de contabilidade afetiva: "Eu lhe dou mais do que recebo". Essa exposição dos próprios sacrifícios opera, na verdade, como uma sutil estratégia de dominação, e a relação vai se transformando em um ruído repetitivo.
Seriam as queixas repetitivas uma forma de encobrir a verdade?
Um artifício inconsciente para manter cada um distante de si mesmo e do outro?
Às vezes, por trás de anos de mágoas acumuladas, de um casamento que talvez tenha começado sob o peso de uma obrigação ou de expectativas não ditas, o que surge na sessão é a necessidade urgente de romper o ciclo.
Como bem pontua Barthes, "O sentimento de um acúmulo de sofrimentos amorosos explode no grito: Isso não pode continuar"!
                                                  Edvard Munch 
No fundo, esse protesto não é o fim, mas um grito de amor. É a tentativa de dizer: Quero me entender, me fazer conhecer, me fazer abraçar, quero que alguém me leve consigo, e quero encontrar um lugar saudável no amor. Em suma, quero que respeite minha subjetividade.
A psicoterapia de casal caminha sob essa neblina inicial para que, aos poucos, o inconsciente se torne consciente. Trata-se de resgatar o casal da armadilha das acusações mútuas e abrir espaço para a construção de novos projetos, sonhos e possibilidades reais de convivência.

Fonte:
BARTHES, Roland - FRAGMENTOS DE UM DISCURSO AMOROSO
LAMANNO, Vera Lúcia - REPETIÇÃO E TRANSFORMAÇÃO NA VIDA CONJUGAL/ A PSICOTERAPIA DO CASAL (interagindo pressupostos de Freud, Bianca, Winnicott e Joyce Mc Dougall)
𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A luta pela adaptação é uma coisa penosa...

“O Momento em que aparece uma situação mitológica é sempre caracterizado por uma intensidade emocional peculiar; é como se as cordas fossem tocadas em nós que nunca antes ressoaram, ou como se forças poderosas fossem desencadeadas de cuja existência nunca desconfiávamos. A luta pela adaptação é uma coisa penosa, pois temos que nos confrontar constantemente com condições individuais, quer dizer, atipicas. Não é de admirar que, quando alcançarmos tal situação, sintamos de repente ou a libertação toda especial, como se estivéssemos sendo carregados, ou nos sintamos agarrados por uma força superior. Em tais momentos não somos mais indivíduos, mas uma espécie; pois a voz de toda humanidade ressoa em nós.

(…) Toda referência ao arquétipo, seja experimentada ou apenas dita, é “perturbadora”, isto é, ela atua, pois ela solta em nós uma voz muito mais poderosa do que a nossa.
Quem fala através de imagens primordiais, fala como se tivesse mil vozes; comove e subjuga, elevando simultaneamente aquilo que qualifica de único e efêmero na espera do continuo devir, eleva o destino pessoal ao destino da humanidade. e com isso solta em nós aquelas forças benéficas que desde sempre possibilitaram a humanidade salvar-se de todos os perigos e também sobreviver à mais longa noite.” (JUNG, C.G, O Espirito na Arte e na Ciência)
                       𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Estamos imersos no mundo das imagens

”Encontramo-nos sempre presos à nossa experiência psicológica. Estamos imersos no mundo das imagens.
Independentemente do que dizemos sobre o psíquico, falamos sempre a partir de um arquétipo. Quando Freud diz que a razão e o inicio de tudo é a sexualidade, trata-se igualmente de uma ideia arquetípica. É a ideia primitiva por excelência, assim como a ânsia de poder de Adler. Estas duas idéias estão presentes entres os filósofos antigos, na ideias gnósticas e alquímicas: a natureza se deleita com a natureza, a natureza domina a natureza. Essa realidade foi expressa pelo símbolo da cobra que morde a própria cauda, o Uroboros.

Quando então acreditamos estar pronunciando uma verdade definitiva, estamos enganados: expressamos somente um arquétipo. Em suma, isso indica que o arquétipo vive. Vive em Freud, vive em Adler e igualmente em mim.” (JUNG, C.G. Seminários sobre Sonhos de Crianças)
                           𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica



segunda-feira, 13 de julho de 2026

(...)

“E se eu descobrisse que o mais pobre
dos mendigos e o mais insolente dos ofensores estão todos dentro de mim;
e que eu preciso das esmolas da minha própria bondade, que eu próprio sou o inimigo que deve ser amado - e então?"
 (Carl Gustav Jung)

                                                            gettyimage

                                𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
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Total Eclipse of the Heart


                          𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A Persona

"O semblante falso deve ocultar o que o coração falso sabe."(Shakespeare/ Hamlet)

 Dario Puggioni
“Quem olha para o espelho da água verá primeiro seu próprio rosto. Quem vai para si mesmo arrisca um confronto consigo mesmo. O espelho não bajula, ele mostra fielmente tudo o que olha para ele; ou seja,
o rosto que nunca mostramos ao mundo porque o cobrimos com a persona, a máscara do ator. Mas o espelho está por trás da máscara e mostra o verdadeiro rosto.” (Carl Jung)

"A persona é um sistema complicado de relações entre a consciência individual e a sociedade, apropriadamente uma espécie de máscara, projetada por um lado para causar uma impressão definitiva nos outros e, por outro, para ocultar a verdadeira natureza do indivíduo.(Carl Jung)

A palavra 'persona' deriva do latim, onde originalmente se referia a uma máscara teatral. No período romano mudou para indicar um 'personagem' de uma apresentação teatral ou tribunal, quando se tornou evidente que diferentes indivíduos podiam assumir o mesmo papel, e atributos legais como direitos, poderes e deveres acompanhavam o papel.

Jung passa a usar Persona como a máscara social que usamos e que fica entre nosso ego e a sociedade.

O ego se refere ao nosso centro de consciência responsável pelo nosso senso contínuo de identidade ao longo da nossa vida e a persona é a máscara social que usamos.

A persona começa a se formar cedo na infância a partir de uma necessidade de se conformar aos desejos e expectativas dos pais, colegas e professores.

As crianças aprendem rapidamente que certas atitudes e comportamentos são aceitáveis ​​e podem ser recompensados ​​com aprovação, enquanto outros são inaceitáveis ​​e podem resultar em punição. A tendência  então, é de construir traços aceitáveis ​​na persona e manter os traços inaceitáveis ​ escondidos ou reprimidos.

Esses aspectos indesejáveis ​​eventualmente cobram seu preço à medida que amadurecemos, formando nossa sombra,  por quem podemos ser possuídos a qualquer momento, em explosões emocionais repentinas e outros comportamentos.

Talvez por exemplo, ser assertivo seja visto como rude e socialmente inaceitável e a pessoa se torne passiva e agradável, afetando seus relacionamentos e carreira.

SegundoJung, a persona se torna hostil apenas quando é ignorada ou mal compreendida.

A negociação com a persona/sombra, é um processo que dura a vida toda, como parte do nosso autoconhecimento. Aprendemos com isso a resgatar as boas qualidades e outras nem tanto, que estão adormecidas em nossa psique.

Ela nos mostra o quanto podemos ser honestos sobre quem somos e o bem que podemos fazer e de quais crimes somos capazes. 

Jung descreve dois estágios da persona:
1. identificação: A performance da persona
é muito boa, desde que se saiba que não se é idêntico à forma como se parece, só se torna perigoso se se estiver inconsciente disso ou se superidentificar com isso.

2. Desintegração: onde a persona é intencionalmente ou não despedaçada, criando um estado de caos e desorientação.

Jung refere que se alguém cai no poder das imagens primordiais, e sem uma âncora na realidade, pode enlouquecer.

Em casos muito raros, pode-se ter duas ou mais personalidades que têm opiniões próprias e podem se contradizer; isso é conhecido como transtorno dissociativo de identidade, uma condição de saúde mental.

Assim fala Jung: "O objetivo da individuação não é nada menos do que despojar o eu dos falsos invólucros da persona, por um lado, e do poder sugestivo das imagens primordiais, por outro.”
                   𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

quarta-feira, 17 de junho de 2026

(...)

"A ideia de Jung sobre o autoconhecimento, como sabem, não significa ruminar de maneira subjetiva acerca de nosso ego: ‘Eu sou assim e assim’. Isso pode até ser útil, mas não é o que entendemos por autoconhecimento, que significaria incorporar as informações que obtemos a partir dos sonhos.                                                                              G.Gwozdecki

[...] se alguém quer conhecer a si mesmo, tem de aceitar a imagem que o sonho fornece a respeito dele. Se você sonha que se comporta como um tolo, embora subjetivamente se sinta muito razoável, deve tomar isso na mais séria consideração, pois, de acordo com o inconsciente, ou de acordo com a luz que o arquétipo do Self derrama sobre o seu comportamento consciente, você está se comportando como um tolo. Este é um elemento de informação objetiva obtida a partir de um sonho, quer você goste ou não, e vocês sabem quão frequentemente não se gosta do que se sonha. Este é o tipo de informação que provém da psique objetiva dentro de nós, e que pensamos ser útil e aconselhável aceitar.” (Marie-Louise Von Franz, Alquimia e a Imaginação Ativa)
             𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

terça-feira, 16 de junho de 2026

A consciência humana é a conquista cósmica mais notável (Jung)

"Em última análise - refere Jung em Memórias, Sonhos e Reflexões, "só me parecem dignos de ser narrados acontecimentos de minha vida através
dos quais o *mundo eterno irrompeu no *mundo efêmero."

*Mundo Eterno: Representa o inconsciente coletivo, os arquétipos, as experiências espirituais e a realidade psíquica profunda.

*Mundo Efêmero: Refere-se à nossa realidade material, à vida cotidiana, aparências externas 
e ao ego passageiro.

*Escolha Narrativa: Jung sugere que fatos biográficos vulgares (como viagens ou sucessos mundanos) têm pouco valor. O que realmente importa são os momentos em que o mistério, o inconsciente e o sagrado rompem as barreiras do cotidiano, deixando uma marca transformadora. 
    
E
m conflito íntimo ou nos momentos de serenidade e meditação - especialmente nestes -, ele se punha a observar ao que chama 'jogo alternado das personalidades 1 e 2', que não se trata de dissociação da personalidade.
"O símbolo, assim como o sintoma, é o modo como
a psique se regula e se cura."
Para Jung, "a consciência humana é a conquista cósmica mais notável."
Sobre esta questão assim refere Anthony Stevens: 'Era como se o cosmos tivesse desejado tornar-se consciente de si mesmo e criado a consciência como um meio para atingir esse objetivo.'
                     𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica         http://www.fatimavieira.psc.br/

quarta-feira, 22 de abril de 2026

domingo, 11 de janeiro de 2026

Alquimia 𝚿 Psicoterapia

"Quem Sou Eu?" É necessário tornar-se consciente de nossa natureza espiritual para responder a essa questão. 
As Quatro Etapas Alquímicas (Magnum Opus) e o processo psicoterapêutico:

*Nigredo (escurecimento): fogo - aquele que não suportar o fogo, será consumido por ele; Envolve dissolução, decomposição e a redução da matéria à sua prima matéria.
*Na Psicoterapia: é vivenciada como a entrada no mundo inconsciente, obscuro e caótico. São João da Cruz se referiu a isso como "a noite escura da alma".
O encontro mais sombrio do nosso ser. As neuroses surgem porque o indivíduo não consegue suportar as próprias ambiguidades. O mal não é uma força externa à nós. Em condições favoráveis, o indivíduo tem potencial fascista, tirano ou fanático... O encontro com a sombra coletiva implica em reconhecer a própria sombra.

*Albedo (branqueamento): etapa lunar, purificação; surgimento da percepção, clareza reflexiva e integração dos sentimentos.
*Na Psicoterapia: O paciente começa a ser percebido como alguém que gradativamente vai se afastando do fluxo caótico da vida. Aqui o indivíduo pode ter 'insights' repentinos sobre si mesmo e começa a questionar o rumo de sua vida. Separa o joio do trigo, o que realmente importa e o que não serve mais. Se o paciente se dedicar de forma completa, profunda, autêntica e persistente este período levará a uma maior consciência espiritual. O confronto com o inconsciente, o material sombrio, os complexos pessoais e a quebra de padrões antigos e neuróticos; O paciente se reconhece e traz o conteúdo inconsciente para a consciência, rompendo as defesas.

*Citrinitas (amarelamento): O despertar da sabedoria espiritual, o aspecto "solar", uma transição em direção ao ouro. O intelecto Divino, quando esta luz se torna consciente em nós se revela o conhecimento verdadeiro.
*Na Psicoterapia: a morte psicológica que anuncia a ressurreição. O paciente pode sentir a perda do senso de individualidade e entrar em um mundo quase totalmente subjetivo. Há pouca ou nenhuma possibilidade de objetividade, de o paciente se distanciar da experiência. Desenvolvimento da sabedoria, intuição e uma missão de vida única; integração do "solar" (consciente) com o "lunar" (inconsciente).

*Rubedo(vermelhidão): O estágio final, a conquista da pedra filosofal
 a união dos opostos (conjunctio), que leva ao ouro. 
*Na Psicoterapia: É nesta etapa que o paciente se depara com a tarefa de implementar percepções da sua vida e transcender a natureza de seus problemas e dilemas. Conclusão, estabilização e reorientação de vida com propósito e criatividade renovados. (vale relembrar que o princípio 'solve e coagula', pode ser observado em cada etapa do processo alquímico, assim como na psicoterapia). 

Fonte: HAMILTON, Nigel - Processo Alquímico de Transformação
EDINGE, Edward F. Anatomia da Psique: Simbolismo Alquimico em Psicoterapia
Fontes de Jung: Interpretações psicológicas aparecem em ensaios de Psicologia e Alquimia Observação clínica; Análise de sonhos; Mitologia comparada e Simbolismo hermético.
 𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica