segunda-feira, 13 de julho de 2026

(...)

“E se eu descobrisse que o mais pobre
dos mendigos e o mais insolente dos ofensores estão todos dentro de mim;
e que eu preciso das esmolas da minha própria bondade, que eu próprio sou o inimigo que deve ser amado - e então?"
 (Carl Gustav Jung)

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                                𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
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Total Eclipse of the Heart


                          𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A Persona

"O semblante falso deve ocultar o que o coração falso sabe."(Shakespeare/ Hamlet)

 Dario Puggioni
“Quem olha para o espelho da água verá primeiro seu próprio rosto. Quem vai para si mesmo arrisca um confronto consigo mesmo. O espelho não bajula, ele mostra fielmente tudo o que olha para ele; ou seja,
o rosto que nunca mostramos ao mundo porque o cobrimos com a persona, a máscara do ator. Mas o espelho está por trás da máscara e mostra o verdadeiro rosto.” (Carl Jung)

"A persona é um sistema complicado de relações entre a consciência individual e a sociedade, apropriadamente uma espécie de máscara, projetada por um lado para causar uma impressão definitiva nos outros e, por outro, para ocultar a verdadeira natureza do indivíduo.(Carl Jung)

A palavra 'persona' deriva do latim, onde originalmente se referia a uma máscara teatral. No período romano mudou para indicar um 'personagem' de uma apresentação teatral ou tribunal, quando se tornou evidente que diferentes indivíduos podiam assumir o mesmo papel, e atributos legais como direitos, poderes e deveres acompanhavam o papel.

Jung passa a usar Persona como a máscara social que usamos e que fica entre nosso ego e a sociedade.

O ego se refere ao nosso centro de consciência responsável pelo nosso senso contínuo de identidade ao longo da nossa vida e a persona é a máscara social que usamos.

A persona começa a se formar cedo na infância a partir de uma necessidade de se conformar aos desejos e expectativas dos pais, colegas e professores.

As crianças aprendem rapidamente que certas atitudes e comportamentos são aceitáveis ​​e podem ser recompensados ​​com aprovação, enquanto outros são inaceitáveis ​​e podem resultar em punição. A tendência  então, é de construir traços aceitáveis ​​na persona e manter os traços inaceitáveis ​ escondidos ou reprimidos.

Esses aspectos indesejáveis ​​eventualmente cobram seu preço à medida que amadurecemos, formando nossa sombra,  por quem podemos ser possuídos a qualquer momento, em explosões emocionais repentinas e outros comportamentos.

Talvez por exemplo, ser assertivo seja visto como rude e socialmente inaceitável e a pessoa se torne passiva e agradável, afetando seus relacionamentos e carreira.

SegundoJung, a persona se torna hostil apenas quando é ignorada ou mal compreendida.

A negociação com a persona/sombra, é um processo que dura a vida toda, como parte do nosso autoconhecimento. Aprendemos com isso a resgatar as boas qualidades e outras nem tanto, que estão adormecidas em nossa psique.

Ela nos mostra o quanto podemos ser honestos sobre quem somos e o bem que podemos fazer e de quais crimes somos capazes. 

Jung descreve dois estágios da persona:
1. identificação: A performance da persona
é muito boa, desde que se saiba que não se é idêntico à forma como se parece, só se torna perigoso se se estiver inconsciente disso ou se superidentificar com isso.

2. Desintegração: onde a persona é intencionalmente ou não despedaçada, criando um estado de caos e desorientação.

Jung refere que se alguém cai no poder das imagens primordiais, e sem uma âncora na realidade, pode enlouquecer.

Em casos muito raros, pode-se ter duas ou mais personalidades que têm opiniões próprias e podem se contradizer; isso é conhecido como transtorno dissociativo de identidade, uma condição de saúde mental.

Assim fala Jung: "O objetivo da individuação não é nada menos do que despojar o eu dos falsos invólucros da persona, por um lado, e do poder sugestivo das imagens primordiais, por outro.”
                   𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

quarta-feira, 17 de junho de 2026

(...)

"A ideia de Jung sobre o autoconhecimento, como sabem, não significa ruminar de maneira subjetiva acerca de nosso ego: ‘Eu sou assim e assim’. Isso pode até ser útil, mas não é o que entendemos por autoconhecimento, que significaria incorporar as informações que obtemos a partir dos sonhos.                                                                              G.Gwozdecki

[...] se alguém quer conhecer a si mesmo, tem de aceitar a imagem que o sonho fornece a respeito dele. Se você sonha que se comporta como um tolo, embora subjetivamente se sinta muito razoável, deve tomar isso na mais séria consideração, pois, de acordo com o inconsciente, ou de acordo com a luz que o arquétipo do Self derrama sobre o seu comportamento consciente, você está se comportando como um tolo. Este é um elemento de informação objetiva obtida a partir de um sonho, quer você goste ou não, e vocês sabem quão frequentemente não se gosta do que se sonha. Este é o tipo de informação que provém da psique objetiva dentro de nós, e que pensamos ser útil e aconselhável aceitar.” (Marie-Louise Von Franz, Alquimia e a Imaginação Ativa)
             𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

terça-feira, 16 de junho de 2026

A consciência humana é a conquista cósmica mais notável (Jung)

"Em última análise - refere Jung em Memórias, Sonhos e Reflexões, "só me parecem dignos de ser narrados acontecimentos de minha vida através
dos quais o *mundo eterno irrompeu no *mundo efêmero."

*Mundo Eterno: Representa o inconsciente coletivo, os arquétipos, as experiências espirituais e a realidade psíquica profunda.

*Mundo Efêmero: Refere-se à nossa realidade material, à vida cotidiana, aparências externas 
e ao ego passageiro.

*Escolha Narrativa: Jung sugere que fatos biográficos vulgares (como viagens ou sucessos mundanos) têm pouco valor. O que realmente importa são os momentos em que o mistério, o inconsciente e o sagrado rompem as barreiras do cotidiano, deixando uma marca transformadora. 
    
E
m conflito íntimo ou nos momentos de serenidade e meditação - especialmente nestes -, ele se punha a observar ao que chama 'jogo alternado das personalidades 1 e 2', que não se trata de dissociação da personalidade.
"O símbolo, assim como o sintoma, é o modo como
a psique se regula e se cura."
Para Jung, "a consciência humana é a conquista cósmica mais notável."
Sobre esta questão assim refere Anthony Stevens: 'Era como se o cosmos tivesse desejado tornar-se consciente de si mesmo e criado a consciência como um meio para atingir esse objetivo.'
                     𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica         http://www.fatimavieira.psc.br/

quarta-feira, 22 de abril de 2026

domingo, 11 de janeiro de 2026

Alquimia 𝚿 Psicoterapia

"Quem Sou Eu?" É necessário tornar-se consciente de nossa natureza espiritual para responder a essa questão. 
As Quatro Etapas Alquímicas (Magnum Opus) e o processo psicoterapêutico:

*Nigredo (escurecimento): fogo - aquele que não suportar o fogo, será consumido por ele; Envolve dissolução, decomposição e a redução da matéria à sua prima matéria.
*Na Psicoterapia: é vivenciada como a entrada no mundo inconsciente, obscuro e caótico. São João da Cruz se referiu a isso como "a noite escura da alma".
O encontro mais sombrio do nosso ser. As neuroses surgem porque o indivíduo não consegue suportar as próprias ambiguidades. O mal não é uma força externa à nós. Em condições favoráveis, o indivíduo tem potencial fascista, tirano ou fanático... O encontro com a sombra coletiva implica em reconhecer a própria sombra.

*Albedo (branqueamento): etapa lunar, purificação; surgimento da percepção, clareza reflexiva e integração dos sentimentos.
*Na Psicoterapia: O paciente começa a ser percebido como alguém que gradativamente vai se afastando do fluxo caótico da vida. Aqui o indivíduo pode ter 'insights' repentinos sobre si mesmo e começa a questionar o rumo de sua vida. Separa o joio do trigo, o que realmente importa e o que não serve mais. Se o paciente se dedicar de forma completa, profunda, autêntica e persistente este período levará a uma maior consciência espiritual. O confronto com o inconsciente, o material sombrio, os complexos pessoais e a quebra de padrões antigos e neuróticos; O paciente se reconhece e traz o conteúdo inconsciente para a consciência, rompendo as defesas.

*Citrinitas (amarelamento): O despertar da sabedoria espiritual, o aspecto "solar", uma transição em direção ao ouro. O intelecto Divino, quando esta luz se torna consciente em nós se revela o conhecimento verdadeiro.
*Na Psicoterapia: a morte psicológica que anuncia a ressurreição. O paciente pode sentir a perda do senso de individualidade e entrar em um mundo quase totalmente subjetivo. Há pouca ou nenhuma possibilidade de objetividade, de o paciente se distanciar da experiência. Desenvolvimento da sabedoria, intuição e uma missão de vida única; integração do "solar" (consciente) com o "lunar" (inconsciente).

*Rubedo(vermelhidão): O estágio final, a conquista da pedra filosofal
 a união dos opostos (conjunctio), que leva ao ouro. 
*Na Psicoterapia: É nesta etapa que o paciente se depara com a tarefa de implementar percepções da sua vida e transcender a natureza de seus problemas e dilemas. Conclusão, estabilização e reorientação de vida com propósito e criatividade renovados. (vale relembrar que o princípio 'solve e coagula', pode ser observado em cada etapa do processo alquímico, assim como na psicoterapia). 

Fonte: HAMILTON, Nigel - Processo Alquímico de Transformação
EDINGE, Edward F. Anatomia da Psique: Simbolismo Alquimico em Psicoterapia
Fontes de Jung: Interpretações psicológicas aparecem em ensaios de Psicologia e Alquimia Observação clínica; Análise de sonhos; Mitologia comparada e Simbolismo hermético.
 𝚿 Fatima Vieira - Psicóloga Clínica