domingo, 12 de setembro de 2010

Ψ ESQUIZÓIDE


- Caracteriza-se aquele indivíduo que sem ter PSICOSE verdadeira, apresenta traços singulares do tipo esquizofrênico. São os casos conhecidos como "ESQUIZOFRENIA BRANDA" ou AMBULATORIAL. Pertencem a este grupo os PSICOPATAS EXTRAVAGANTES, os PARANÓIDES ABORTIVOS, os muitos indivíduos "apáticos" que chamamos PERSONALIDADE HEBEFRENÓIDES. 
 
As emoções nos ESQUIZÓIDES, afiguram-se inadequadas. É frequente falharem absolutamente em situações nas quais seriam de esperar. Uma falta de emoção que não se deve a simples repressão, mas à perda real de contato com o mundo objetivo, dá a quem observa uma imprressão de "esquisitice".

É comum a falta de afetos romper-se com ataques emocionais súbitos e incompreensíveis. Noutros casos, as emoções parecem relativamente normais, desde que se realizem certas condições, por exemplo desde que o paciente consiga sentir que "as coisas não são inteiramente sérias".

Comportam "como se" tivessem relações sentimentais com os outros. Podem estar cercados de muita gente e ocuparem-se com muitas atividades, mas não tem amigos de verdade.

 - É frequente AS PERSONALIDADES ESQUIZÓIDES permanecerem relativamente normais enquanto se encontram em condições de segurança, colapsando, porém, assim que essas condições deixem de vigorar.

 As personalidades paranóides consistem em ter "seguidores", enquanto as pessoas acreditam neles e na sua missão, os pacientes ainda se apegam à realidade, quando os seguidores começam a dizer "o homem está maluco", colapsam.

- Os tipos esquizóides podem apresentar grande variedade de quadros clínicos: num extremo estão as "crianças prodígios", possuidoras de talentos (autísticos) unilaterais, cujo comportamento ocasionalmente estranho é perdoado porque sabem comunicar sua proximidade ao inconsciente, mostrando-se capazes de fascinar uma plateia, embora os próprios pacientes não tenham por ela interesse emocional algum; o outro extremo assinala-se por pessoas hebefrenóides, que dão a impressão, de obtusidade e que vivem, de forma vazia e obscura, uma existência realmente vegetativa, de todo pobre quanto à vivacidade emocional. - A característica essencial do Transtorno da Personalidade Esquizóide é um padrão invasivo de distanciamento de relacionamentos sociais e uma faixa restrita de expressão emocional em contextos interpessoais.
Este padrão começa no início da idade adulta e se apresenta em variados contextos. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Esquizóide parecem não possuir um desejo de intimidade, mostram-se indiferentes às oportunidades de desenvolver relacionamentos íntimos, e parecem não obter muita satisfação do fato de fazerem parte de uma família ou de outro grupo social.
- Eles preferem passar seu tempo sozinhos a estarem com outras pessoas, com frequência, parecem ser socialmente isolados ou "solitários", quase sempre escolhendo atividades ou passatempos que não envolvam a interação com outras pessoas.
- Eles preferem tarefas mecânicas ou abstratas, tais como jogos matemáticos ou de computador. Podem ter pouco interesse em experiências sexuais;
- Existe, geralmente, uma experiência reduzida de prazer em experiências sensoriais, corporais ou interpessoais, tais como caminhar na praia ao pôr-do-sol ou fazer sexo. Esses indivíduos não têm amigos íntimos ou confidentes, exceto, possivelmente, algum parente em primeiro grau.

- Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Esquizóide frequentemente se mostram indiferentes à aprovação ou crítica e parecem não se importar com o que os outros possam pensar deles. Eles podem ignorar as sutilezas normais da interação social e com frequência não respondem adequadamente aos indicadores sociais, de modo que parecem socialmente ineptos ou superficiais e absortos consigo mesmos.
 - Eles geralmente exibem um exterior "insosso", sem reatividade emocional visível, e raramente retribuem gestos ou expressões faciais, tais como sorrisos ou acenos.
Afirmam que raramente experimentam fortes emoções, tais como raiva e alegria, frequentemente exibem um afeto restrito e parecem frios e indiferentes.
Entretanto, em circunstâncias muito incomuns nas quais estes indivíduos, pelo menos temporariamente, sentem-se mais à vontade para se revelarem, podem reconhecer sentimentos dolorosos, particularmente relacionados a interações sociais.
- O Transtorno da Personalidade Esquizóide não deve ser diagnosticado se o padrão de comportamento ocorre exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia, Transtorno do Humor Com Aspectos Psicóticos, outro Transtorno Psicótico ou um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, ou se é decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma condição neurológica (ex., epilepsia do lobo temporal).
- Um padrão invasivo de distanciamento das relações sociais e uma faixa restrita de expressão emocional em contextos interpessoais, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, como indicado por pelo menos quatro dos seguintes critérios:

 - não deseja nem gosta de relacionamentos íntimos, incluindo fazer parte de uma família; quase sempre opta por atividades solitárias;
- tem prazer em poucas atividades, se alguma; - não tem amigos íntimos ou confidentes, outros que não parentes em primeiro grau; - mostra-se indiferente a elogios ou críticas de outros;
Demonstra frieza emocional, distanciamento ou afetividade embotada.

A QUESTÃO DO PROGNÓSTICO NA ESQUIZOFRENIA - O prognóstico é extremamente complicado pela dificuldade de entender com exatidão a economia das forças que são responsáveis pelo curso da psicose. Se o esquizofrênico consegue restabelecer relações, pode ainda acontecer que torne a colapsar, se ocorrerem novos acontecimentos precipitantes.
É fácil perceber que todos os fatores ambientais que sejam prazerosos e sedutores irão influenciar favoravelmente, no sentido da saúde e aqueles que sejam frustrados ou levem o paciente à tentação irão favorecer a doença.
 Daí ser importante para a avaliação prognóstica, estabelecer um diagnóstico dinâmico que diga respeito à profundidade da perda de objetos e à intensidade da predisposição orgânica para a doença.  A história do paciente dar-se-á a informação necessária.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br/,
Fenichel, Otto - Teoria Psicanalítica das Neuroses;
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

Ψ O HOMEM é esperto, mas LOUCURA é mais...

BORDERLINE - São diferentes dos mecanismos NEURÓTICOS os mecanismos ESQUIZOFRÊNICOS.
- Há neuróticos, que sem desenvolver PSICOSE completa, possuem tendências psicóticas, ou usam esses mecanismos sempre que ocorrem frustrações.
- Pode-se falar que são pessoas esquizofrênicas em potencial, quer dizer que "ainda não romperam com a realidade", ainda que apresentam certos sinais de que estão iniciando esta ruptura e em condições desfavoráveis de vida podem evoluir para a PSICOSE.
- Pode-se falar ainda de pessoas que "canalizaram" a sua disposição esquizofrênica: Os excêntricos que são loucos em certa área mais ou menos circunscrita, e no geral conservam o contato com a realidade.
- Ideias de REFERÊNCIA ABORTIVA, quando começam a desenvolver-se, ou, em personalidades esquizóides, de maneira contínua, permanecem às vezes, sujeitas à crítica do paciente. "Sinto como se todo o mundo estivesse olhando para mim, como se todos soubessem o que eu estou pensando; claro que não é verdade. Tive uma ideia maluca de que alguém pode por um microfone na sala, a fim de descobrir o que estou pensando."
- Há NEURÓTICOS OBSESSIVOS que sofrem da ideia obsessiva de haver perpetrado um assassinato e são obrigados, apesar de lhe perceberem a extrema irrealidade, a provar a si mesmos a falsidade da obsessão, isso sendo muito diferente da idéia de ter matado um homem. 

- Há porém, "NEURÓTICOS COMPULSIVOS ESQUIZÓIDES" nos quais a fantasia se apresenta, às vezes, como o aspecto da obsessão; outras vezes, de delírio; em geral com o aspecto de obsessão; mas de delírio, quando existe certa tensão mental.
- Um paciente que estava mais próximo da ESQUIZOFRENIA que da NEUROSE OBSESSIVA, certa vez saiu de casa muito agitado, após brigar com a mãe. Pôs-se a cismar que a surrara até matá-la, o que era de suas frequentes idéias obsessivas. Desta vez, repentinamente sentiu que, de fato, praticara o ato. Foi à polícia e declarou que havia assassinado a mãe. Depois que os policiais que haviam sido mandados a sua casa retornaram e lhe disseram que não era verdade, o paciente "lembrou-se" de que, realmente, não cometera o assassinato declarado.

 - Carlos Paz realiza uma experiência psicanalítica no tratamento do transtorno borderline e encontra: 
- Transtornos na relação com a realidade, na qual ha alterações grosseiras ainda que transitórias, sem perda do juízo da realidade.
 - Transtornos do pensamento sob a forma de idéias de referência e paranóia; - Transtornos no controle dos impulsos com explosões de raiva, violência e agressão;
- Transtornos da sexualidade com fantasias sexuais sadomasoquistas, atividade masturbatórias com fantasias eróticas perversas, promiscuidade e, eventualmente, impotência.
- Presença de ansiedades confusionais;
- Vínculo com o terapeuta característico, com viscosidade, aderência e manipulação.
- Nos casos mais graves esses fenômenos de transferência problemática são bastante primitivos e intensos, chamados por alguns autores de “transferência delirante”, ou ainda de “transferência psicótica.
- Há pessoas, simpáticas e agradáveis aos outros, que se comportam de maneira totalmente diferente com as pessoas de sua intimidade. São explosivas, agressivas, intolerantes, irritáveis, com tendência a manipular pessoas.

- Outros conseguem ser desarmônicos dentro e fora do lar; podem ser os Sociopatas.
- A patologia borderline é, sem dúvida, uma problemática psicossocial importante, já que frequentemente se associam a quadros de drogadicção, alcoolismo e violência.
- Certos autores comparam ao paciente borderline atual com os histéricos do final do século XIX e princípios do século XX. Consideram as patologias equivalentes e não sem uma boa dose de razão, considerando a histeria dita de caráter.
- Segundo o Código Internacional de Doenças, os critérios diagnósticos para F60.31 - TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE, caracterizaria por um padrão invasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, auto-imagem e afetos e acentuada impulsividade, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginado.

- Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização;
- Relações interpessoais: não suportam a solidão e o abandono, necessitam do outro em tempo integral, a todo o momento, são francamente dependentes, masoquistas e manipuladores.
- Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da auto-imagem ou do sentimento de self; Afetividade: depressão, raiva, ansiedade e desespero;
Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (ex., gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivamente).
- Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante; Impulsos e ações: atitudes impulsivas, drogadição, álcool, auto-agressão, promiscuidade, bulimia; Instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor
(ex., episódios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade geralmente durando algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias).
- Sentimentos crônicos de vazio; Raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva (ex., demonstrações freqüentes de irritação, raiva constante, lutas corporais recorrentes), eventuais surtos psicóticos: normalmente breves, reativos e pouco severos.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: Ballone GJ- Personalidade Borderline- in. PsiqWeb, disponível em www.psiqweb.med.br/, revisto em 2005.
- Grinker RR Sr.- Diagnosis of borderlines: a discussion, Schizophr Bull. 1979;5(1):47-52

- Gunderson JG, Kolb JE, Austin V - The diagnostic interview for borderline patients, Am J Psychiatry 1981; 138:896-903 - Mahler MS - Significance of the separation and individuation process for the evaluation of borderline phenomena, Psyche (Stuttg). (Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

Ψ ESQUIZO = CISÃO FRENIA = MENTE = MENTE DIVIDIDA

*Mais do que em quaisquer outros tipos de transtornos mentais, a diversidade dos fenômenos esquizofrênicos dificultam uma orientação abrangente.

 *Já se tem duvidado de que esta seja sequer possível e de que os vários fenômenos esquizofrênicos tenham o que quer que seja em comum. 

*A tantas coisas diferentes aplica-se o rótulo "esquizofrenia" que este nem mesmo serve para fins de prognóstico.

*Há "Episódios Esquizofrênicos" passageiros em pessoas que na aparência estão bem quer antes quer depois dos mesmos, e há psicoses severas que terminam em demência permanente.


*Há que se diferenciar "Episódios Esquizofrênicos" e "Psicoses Processuais Malignas";

*O bebê parte de um estado de "narcisismo primário", aparelho psíquico ainda indiferenciado, ainda não existe objeto, com a descoberta destes coincide a diferenciação do ego.


*Um ego existe na medida em que está diferenciado dos objetos que não são ego.


*O ESQUIZOFRÊNICO regrediu ao narcisismo. Ele separou-se da realidade. O ego do ESQUIZOFRÊNICO colapsou, rompeu-se.


*A ESQUIZOFRENIA e a NEUROSE tem traços em comum mas a etiologia em absoluto diversa, seguem leis patológicas diferentes.


*A irracionalidade do comportamento esquizofrênico impossibilita às vezes a empatia com os pacientes. 


*E ainda que se provasse SER ESSENCIALMENTE SOMÁTICA a etiologia da esquizofrenia, ainda seria importante estudar os ASPECTOS PSICOLÓGICOS desta desintegração mental que por forma heterogênea se produz.

*SINTOMAS DE REGRESSÃO NA ESQUIZOFRENIA (fantasias de destruição do mundo): Segundo Freud, a percepção interna da perda de relações objetais produz nos estados iniciais da ESQUIZOFRENIA a fantasia de que o mundo está para acabar.


*Os pacientes que experimentaram sentimentos desta ordem estão corretos, o mundo objetivo de fato, rompeu. Há vezes em que só uma parte do mundo é sentida como tendo perdido a existência.


*Ao se queixar de que o mundo parece "vazio", "sem sentido" ou "monótono", o ESQUIZOFRÊNICO refere de que sua libido se retirou dos objetos. 


*Ele sente como se as pessoas fossem imagens fluídas quando afirma que se sente perplexo e abandonado neste novo mundo.

*Expressa-se também de maneira mais localizada pela despersonalização e com mais intensidade no estupor catatônico.

*Muitas ESQUIZOFRENIAS começam com despersonalização e sensações corporais hipocondríacas, aumento do tônus libidinal do corpo.


*Os sintomas corporais na ESQUIZOFRENIA incipiente não tem necessariamente o caráter de sensações intensas.


*É frequente referirem sentimentos de falta de sensações. Certos órgãos, áreas corporais ou o corpo inteiro são percebidos como se não pertencessem à pessoa.

*Tanto o acréscimo quanto o decréscimo dos sentimentos corporais alteram necessariamente a imagem corporal do paciente e fazem-no sentir-se estranho.


*Na despersonalização, o paciente enquanto se observa percebe a ausência de plenitude dos seus sentimentos, tal qual uma criança que percebe a ausência de um nome esquecido tendo-o na "ponta da língua".


*PENSAMENTO ESQUIZOFRÊNICO: Conceitos e palavras obedecem uma lógica própria, não à nossa lógica "normal", a lógica ESQUIZOFRÊNICA é idêntica ao pensamento primitivo mágico, a mesma lógica do inconsciente neurótico, da criança pequena, do homem primitivo e das "pessoas normais" fadigadas. Trata-se do modo arcaico de pensar.

*O que se vê na neurose obsessiva em grau leve encontra-se marcadamente desenvolvido na ESQUIZOFRENIA. O pensamento do esquizofrênico retrocede do nível lógico ao pré-lógico.


*As interpretações dos símbolos que os NEURÓTICOS acham tão difícil aceitar na análise, os ESQUIZOFRÊNICOS fazem-na espontaneamente, como coisa natural.


*Para o ESQUIZOFRÊNICO o pensamento simbólico não é mero processo de distorção é de fato, o tipo arcaico de pensamento que lhes é próprio.

*Nos indivíduos não psicóticos, esta modalidade de pensamento ainda atua no inconsciente, daí a impressão de que, na esquizofrenia, o "inconsciente se tornou consciente".


*IDEIAS DE GRANDEZA: A crença que o indivíduo tem na sua própria onipotência não é mais do que um dos aspectos do mundo animístico-mágico que torna a predominar nas regressões narcísicas.

*O NARCISISTA acredita de fato, nos seus devaneios, que se transformam em delírios, sente-se presidente, Deus... isso resultando da perda do juízo da realidade. 


*O conteúdo dos delírios pode analisar-se tal qual se analisam os devaneios dos neuróticos e das pessoas normais.

*Os transtornos esquizofrênicos se caracterizam em geral por distorções fundamentais e características do pensamento e da percepção, e por afetos inapropriados ou embotados. 


*Usualmente mantém-se clara a consciência e a capacidade intelectual, embora certos déficits cognitivos possam evoluir no curso do tempo.

 *Os fenômenos psicopatológicos mais importantes incluem o eco do pensamento, a imposição ou o roubo do pensamento, a divulgação do pensamento, a percepção delirante, ideias delirantes de controle, de influência ou de passividade, vozes alucinatórias que comentam ou discutem com o paciente na terceira pessoa, transtornos do pensamento e sintomas negativos.

*A evolução dos transtornos esquizofrênicos pode ser contínua, episódica com ocorrência de um déficit progressivo ou estável, ou comportar um ou vários episódios seguidos de uma remissão completa ou incompleta.


*Segundo o Código Internacional de Doenças: 

 F20.6 - ESQUIZOFRENIA SIMPLES: Transtorno caracterizado pela ocorrência insidiosa e progressiva de excentricidade de comportamento, incapacidade de responder às exigências da sociedade, e um declínio global do desempenho.

*Transtorno caracterizado por um comportamento excêntrico e por anomalias do pensamento e do afeto que se assemelham àquelas da esquizofrenia, mas não há em nenhum momento da evolução qualquer anomalia esquizofrênica manifesta ou característica. 


*A sintomatologia pode comportar um afeto frio ou inapropriado, anedonia; um comportamento estranho ou excêntrico; uma tendência ao retraimento social; ideias paranóides ou bizarras sem que se apresentem ideias delirantes autênticas; ruminações obsessivas; transtornos do curso do pensamento e perturbações das percepções; períodos transitórios ocasionais quase psicóticos com ilusões intensas, alucinações auditivas ou outras e idéias pseudodelirantes, ocorrendo em geral sem fator desencadeante exterior. O início do transtorno é difícil de determinar, e sua evolução corresponde em geral àquela de um transtorno da personalidade.

F20.1 - ESQUIZOFRENIA HEBEFRÊNICA: Na HEBEFRENIA, a perda do mundo objetivo, ou de todo interesse nele é de observar-se sem quaisquer outras complicações. 

O EGO não realiza atividade alguma a fim de defender-se, mas dominado pelos conflitos "abandona-se". Se o presente é desagradável o EGO recai no passado, se falham novos tipos de adaptação o EGO refugia-se nos tipos infantis de receptividade passiva talvez até nos intra-uterinos.

*Campbell chamou a HEBEFRENIA de "RENDIÇÃO ESQUIZOFRÊNICA", no caso de ser por demais difícil um tipo mais diferenciado de vida, a esta se renuncia em troca de existência mais ou menos vegetativa.


*Forma de esquizofrenia caracterizada pela presença proeminente de uma perturbação dos afetos; as idéias delirantes e as alucinações são fugazes e fragmentárias, o comportamento é irresponsável e imprevisível; existem frequentemente maneirismos. O afeto é superficial e inapropriado. O pensamento é desorganizado e o discurso incoerente. Há uma tendência ao isolamento social. Geralmente o prognóstico é desfavorável devido ao rápido desenvolvimento de sintomas “negativos”, particularmente um embotamento do afeto e perda da volição. A hebefrenia deveria normalmente ser somente diagnosticada em adolescentes e em adultos jovens.


*F20.0 - ESQUIZOFRENIA PARANÓIDE
:
A esquizofrenia paranóide se caracteriza essencialmente pela presença de idéias delirantes relativamente estáveis, freqüentemente de perseguição, em geral acompanhadas de alucinações, particularmente auditivas e de perturbações das percepções. 


*As perturbações do afeto, da vontade, da linguagem e os sintomas catatônicos, estão ausentes, ou são relativamente discretos. Os DELÍRIOS, que são falsos juízos da realidade, baseados na projeção, tem a mesma estrutura da ALUCINAÇÕES limitam-se a sensações perceptuais, ao passo que os delírios se constróem com idéias mais complicadas e sistematizadas. 

*Os pacientes que tem ideias persecutórias são sensíveis à crítica e servem-se de percepções de críticas insignificantes reais, como base real do seu delírio que tendem a exagerar e distorcer para servir a este fim.

*Tal qual os "monstros" do sonho podem representar uma "ameaça" da vida cotidiana, assim o monstro do delírio paranóide pode ser um micróbio verdadeiro, falsamente apreendido. O indivíduo paranóico tem sensibilidade particular para perceber o inconsciente dos outros, sente claramente o inconsciente alheio, quando isso o capacita a deixar de ouvir o seu próprio inconsciente.

F20.2 - ESQUIZOFRENIA CATATÔNICA: A esquizofrenia catatônica é dominada por distúrbios psicomotores proeminentes que podem alternar entre extremos tais como hipercinesia e estupor, ou entre a obediência automática e o negativismo. Atitudes e posturas a que os pacientes foram compelidos a tomar podem ser mantidas por longos períodos. Um padrão marcante da afecção pode ser constituído por episódios de excitação violenta.


*Tausk mostrou que inúmeros sintomas esquizofrênicos revivem experiências do período em que o ego, no seu desdobramento, se descobriu a si mesmo e o seu ambiente.


 *O modo passivo pelo qual os pacientes experimentam os seus próprios atos, como se de forma alguma atuassem mas fossem obrigados a realizar certos movimentos ou a pensar certas ideias, que sentem "introduzidas" na sua mente, relacionam-se com um estádio primitivo do desenvolvimento do ego.

 *Há sintomas , por exemplo, as posturas e movimentos catatônicos que sugerem a possibilidade de ter havido até recorrência de impulsos, originados do período de vida intra-uterina.

*Os movimentos catatônicos estereotipados e certas atitudes esquisitas, ainda se reconhece a intenção proposital original, que falhando, se automatizou pela desintegração da personalidade e pela profunda regressão motora.


*Nos indivíduos 'normais' e nos neuróticos, a expressão facial é maneira decisiva de manifestar sentimentos relativos aos objetos. Que se percam, no entanto, as relações objetais, também a expressão facial perde a sua finalidade e o seu caráter pleno, tornando-se "vazia", enigmática, apenas representando tênue remanescente.


*Jung, em seu trabalho sobre ESQUIZOFRENIA, viu nas estereotipias e nos maneirismos, tentativas mórbidas de recuperar ou manter relações objetais que estão escapando. Muitas estereotipias, maneirismos, atos esquisitos são menos simples sintomas da perda das relações objetais que tentativas ativas de recuperá-las. O "riso desmotivado", caracteriza uma tentativa malograda de recuperar contato.


*F23 - TRANSTORNOS PSICÓTICOS AGUDOS E TRANSITÓRIOS
: Grupo heterogêneo de transtornos caracterizados pela ocorrência aguda de sintomas psicóticos tais como ideias delirantes, alucinações, perturbações das percepções e por uma desorganização maciça do comportamento normal.


*O termo “agudo” é aqui utilizado para caracterizar o desenvolvimento crescente de um quadro clínico manifestamente patológico em duas semanas no máximo. 

*Para estes transtornos não há evidência de uma etiologia orgânica. Em geral estes transtornos se curam completamente em menos de poucos meses, frequentemente em algumas semanas ou mesmo dias.

*Quando o transtorno persiste o diagnóstico deve ser modificado. O transtorno pode estar associado a um “stress” agudo (os acontecimentos geralmente geradores de “stress” precedem de uma a duas semanas o aparecimento do transtorno).

F25.0 - TRANSTORNO ESQUIZO AFETIVO DO TIPO MANÍACO
: Transtorno em que tanto sintomas esquizofrênicos quanto maníacos são proeminentes de tal modo que o episódio da doença não justifica um diagnóstico quer de esquizofrenia quer de episódio maníaco. Esta categoria deveria ser usada tanto para um único episódio, quer para classificar um transtorno recorrente no qual a maioria dos episódios são esquizo afetivos do tipo maníaco.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:  PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br/
Fenichel, Otto - Teoria Psicanalítica das Neuroses

Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

domingo, 15 de agosto de 2010

Ψ QUÍRON , o curador ferido

*Na mitologia QUÍRON é um centauro rejeitado e abandonado pela mãe, foi adotado por Apolo, que lhe ensinou música, poesia, ética, filosofia, artes divinatórias e terapias curativas.
*Conhecido por seus atributos tanto animal quanto divino, identificava-se mais com os humanos, era amigo deles e ensinava-lhes música, a arte da guerra e da caça e da cura.
*Entretanto, ainda não tinha consciência do quanto conheceria e compreenderia os humanos.  
*Amigo de Hércules, o centauro foi, inadvertidamente, atingido por uma flecha envenenada disparada por ele.
*O veneno mágico provocara uma ferida na sua metade animal que, embora não matasse, nunca curava.
*UMA FERIDA QUE, QUANDO TOCADA DOÍA MUITO. 
*QUÍRON aprendeu que precisava proteger aquele lugar.
*Proteger significava cuidar da melhor maneira, PRECISAVA CONHECER BEM AQUELE PONTO DE SENSIBILIDADE.
*Exatamente por isso, ele compreendeu profundamente quem eram os humanos.
*O Centauro ferido percebeu que todos possuem um lugar em seu ser de extrema sensibilidade, uma ferida que nunca fecha.
*Percebeu que isto não acontecia apenas no corpo, estava também na alma.
*Percebeu o medo da dor. E reconheceu que a dor era singular e constituía uma sensibilidade que identificava aquela pessoa.
*QUÍRON representa a ferida que precisa ser curada mas a qual paradoxalmente, não abrimos mão;
*Amaldiçoada e protegida acaba sendo a nossa perdição; 
*Sendo o ferido e o curador acaba por negligenciar a própria dor;
*Por ser curador pressupõe poderes absolutos sobre a vida e a morte;
*A surpresa: quando adoece o curador ferido percebe sua vulnerabilidade, a ferida narcísica fica exposta, ele precisará de ajuda ... 
*a mesma medida de sua humildade em contar e confiar no outro, é parte da cura. 
*Há que se quebrar resistências...
*Por outro lado, o mal curador poderá experimentar do próprio veneno, se menosprezava a dor alheia poderá receber na mesma proporção por caminhos que vá se saber... 
*Não minimize a dor alheia e tampouco menospreze a própria, o preço poderá ser alto;
*A ferida narcísica é peculiar a cada um, a dor que te sufoca pode ser a que me liberta; 
*Se a dor secreta ao ser compartilhada torna-se parte da cura, fica a questão: com quem compartilhar minha dor?
*Na alegria parece tudo mais fácil... E se eu não for compreendido? e se me julgarem?
*Serei exposto enfim... A ferida exposta sangra e sem os cuidados necessários degenera.
*Nesta alquimia, o processo é lento, às vezes solitário, não será fácil a um humano, como não foi a um semideus (que QUÍRON preferiu a morte à dor, lembra?)
*RESIGNAÇÃO/ RENDIÇÃO: Chamo à isso o processo de acatar a própria dor sem culpa, sem projeções (sem culpar outros), aceitação incondicional e então sair em busca de soluções.
 *Lembremos que quatro são os estágios alquímicos da alma: 
.CALCINATIO - fogo, queima as emoções egoicas/ domar o lado animal para que a vontade verdadeira se manifeste/ é o sacrifício voluntário de um desejo até que algo novo surja;
.SOLUTIO - água, purificação, morte e transformação, é uma experiência de rendição. O indivíduo experimenta a fluidez dos limites do ego e perde-se no inconsciente coletivo, une-se com o outro e mata o individualismo.
.COAGULATIO
- Processo de encarnação, materialização o que era potencialidade criativa se transforma em algo prático (envolve dinheiro, nutrição, prazeres);
.SUBLIMATIO - Ideia de alçar voo, envolve a transformação de uma experiência em sentido espiritual. A dor da frustração (calcinatio), dá lugar a um impulso artístico criativo. A poesia um processo artístico que tem a ver com sublimação, nasce das lágrimas e do riso do poeta. Internalizar um objeto exterior numa imagem interior é proprio do processo de sublimação. 


*E A FERIDA NARCÍSICA TERÁ FIM? 
*Não importa quão grave seja a doença, a iminência ou não da cura, pois a ferida mais secreta é o medo, o medo da morte, essa é a dor mais lastimável, é dela que fugimos e é com ela que nos defrontaremos enfim... 
*Perde-se o medo da morte após algumas experiências de confronto com a finitude da vida, ao sairmos ilesos ou levemente "chamuscados", uma nova dimensão se anuncia, já não perdemos tempo com trivialidades, cria-se habilidade para lidar com o essencial. 
*Faz-se algumas escolhas e sem o menor constrangimento, conseguimos dar um chega prá lá em situações e pessoas que vibram em padrões baixos que já não nos acrescentam mais nada.
*Então percebemos que a leveza é fundamental que a flor até existe! Se o caminho for o do silêncio é boa escolha, mas se for outro também está bem, desde que seu coração esteja em paz. 
*Nesta perspectiva, apesar das fatalidades, a liberdade é possível é ela que me permite escolhas (livre arbítrio). 
*Dentre as escolhas possíveis posso FORTALECER a VONTADE, fazer pequenas e sábias escolhas que me levarão a uma melhor qualidade de vida, bem como a sociedade a qual faço parte.
*Quíron revela uma área da vida em que fomos feridos em nosso senso de integridade.
*É uma região de extrema vulnerabilidade, a partir da qual desenvolvemos defesas equivocadas que nos impedem o confronto direto com nossa dor.
*Quíron traz em si a ferida e a cura, pois à medida que vivenciamos nosso sofrimento e desamparo, tornamo-nos mais inteiros e curados, porque mais sábios, mais humanos, quase divinos. 
*É por volta de 49/ 55 anos que algo em nosso íntimo se inquieta: estamos nos movendo para a morte ou nos movendo mais profundamente para a vida que é nossa espiritualidade e essência?
*Para aqueles que têm trabalhado na cura de suas feridas e estão abertos para sua espiritualidade pode ser um período verdadeiramente notável, genuíno e criativo em suas vidas que lhes permite encontrar enfim, seu lugar no mundo.
*Por outro lado, pode ser uma mortal experiência.

Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica - (elaborei o txt pensando em todos nós os "curadores", cuidadores, psicoterapeutas, assistentes sociais, médicos, sacerdotes, pastores, xamãs, guias espirituais, e terapeutas, que atuam em benefício do outro).

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ψ EPIGENÉTICA, os hábitos fazem o monge...


*Há mais coisas entre o seu código genético e o seu destino do que sonhavam os cientistas. Antes, eles achavam que um determinaria o outro em matéria de saúde. Mas um ramo recente da biologia, a EPIGENÉTICA, comprova em detalhes por que o vigor ou os problemas que o futuro lhe reserva não devem ser encarados apenas como mérito ou culpa do que está escrito em seu DNA. 

*Pesquisadores desvendam como a ALIMENTAÇÃO, o ESTRESSE, a PRÁTICA DE EXERCÍCIOS ou o TABAGISMO são capazes de influenciar o comportamento dos genes para o bem e para o mal.

*Para ilustrar essas descobertas, basta recorrer a um estudo recém-concluído na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.


 *Os médicos recrutaram 30 pacientes com câncer de próstata em estágio inicial e os submeteram por três meses a um programa que incluía dieta rica em vegetais e pobre em gorduras, exercícios moderados, técnicas de controle do estresse e participação em grupos de apoio.

 *Logo em seguida veio a constatação por meio de moderníssimos exames de DNA: essas medidas diminuíram a atividade de genes ligados ao surgimento de tumores e aumentaram a ação daqueles envolvidos na capacidade do organismo de enfrentá-los. O que ajudou (e muito) a brecar a evolução do problema.
 
*O que a EPIGENÉTICA faz, em resumo, é enxergar ao pé da letra o resultado dos nossos hábitos no interior de cada célula. Ali dentro esteja ela no cérebro ou no pé existe a receita completa de um indivíduo. Essa fórmula única é o seu material genético, o DNA.

*O que pode variar é a leitura dessa receita algumas células lêem os trechos que determinam como devem funcionar os neurônios e atuam como tal; outras decifram a parte necessária para executar as funções de uma célula de pele.  E assim por diante.

*Na receita também existem genes ligados a doenças e genes relacionados à capacidade de resistir aos males. Se são ou se não são lidos direito é o que determina quando as células de um órgão funcionarão bem ou serão um estorvo, dando origem a um câncer.

 *Agora os cientistas notam que existem fenômenos bioquímicos batizados de epigenéticos e intimamente associados aos hábitos.

 *Eles não chegam a alterar a seqüência do DNA, esclarece a biomédica Miriam Jasiulionis, da Universidade Federal de São Paulo. No entanto, o jeito como você vive pode, sim, destacar determinadas linhas, aumentando as chances de que se expressem. Ou fazer o contrário.

 *Os pesquisadores vasculham como a má alimentação ou o tabagismo metem o bedelho nos pedacinhos do DNA, reforçando a ameaça de doenças para as quais já temos tendência. 

*A boa notícia é que, em tese, dá para reparar os prejuízos de uma vida desregrada.

*Os mecanismos epigenéticos são reversíveis, conta a farmacêutica Cláudia Rainho, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu, no interior de São Paulo: Ou seja, se você adotar um estilo de vida mais saudável, será bem possível que alguns trechos nada agradáveis do seu DNA caiam no esquecimento.
 
*MUDANÇAS: Afinal, como uma mudança de hábito é capaz de se intrometer na atividade de um gene? A resposta é pura química. Diversas moléculas, resultantes do próprio trabalho do corpo e do que a gente come, por exemplo, são capazes de grudar em uma porção do código genético. 

*Entre essas figuras, destaca-se de longe o metil. Ele seria comparável a uma espécie de chave que consegue ligar ou desligar um gene, num fenômeno conhecido como metilação do DNA.

*Cerca de 60% dos nossos genes são passíveis de mecanismos assim, isto é, podem ser acionados ou inativados pelo metil, calcula Giseli Klassen, professora de patologia da Universidade Federal do Paraná.

*Para aplacar sua ansiedade: algumas peças-chave da célebre vida saudável, como o reles costume de comer brócolis ou cereais, incrementa a produção do bendito metil.


*A dúvida cruel é por que, se você come a porção de brócolis, por exemplo, as reações podem afetar positivamente um naco do DNA do seu fígado e, ao mesmo tempo, não se envolver com o mesmíssimo pedaço de DNA lá na cabeça.

*Assim como esses mecanismos podem se diferenciar de órgão para órgão, como se tivessem poder de decisão próprio, eles variam de pessoa para pessoa.


 *Até que ponto, então, o aparecimento de uma doença é resultado da receita que a gente carrega de berço ou de fenômenos bioquímicos disparados pelos hábitos? 

*Não sabemos ainda, responde Rafael Linden, professor do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas é certo que ambos entram no jogo. E que as refeições podem ser grandes ou péssimas fornecedoras de chaves para mexer com genes destrambelhados.

*COMO FUNCIONA: Algumas substâncias encontradas nos alimentos transferem os compostos metil para o DNA, controlando a expressão de um gene, afirma a bióloga Lusânia Antunes, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.


 *Ao se incorporar num gene que favoreça o surgimento de um tumor, é como se esse metil o rendesse e o mantivesse caladinho.

*Mas há perguntas no ar: será que, da mesma forma que ele silencia um gene do mal, poderia calar um gene benéfico, responsável por uma função interessante à célula?

*Em suma, será que o metil sempre escolhe o alvo certo? Apesar de questionamentos assim, já se presume que alguns nutrientes contribuam de maneira favorável.

*Pesquisadores suspeitam de que a PRÁTICA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS também ajude a deixar os genes em forma, por assim dizer.


 *É como se eles sentissem o resultado de aulas de musculação, corridas ou passeios de bicicleta frequentes.

* Na contramão, surgem provas de que os hábitos nocivos enlouquecem a maquinaria do DNA. 

*O cigarro e o excesso de álcool estão associados a alterações epigenéticas indesejáveis, conta Miriam Jasiulionis.

*Além disso, já se sabe que a fumaceira não só mexe com o comportamento dos genes mas também provoca mutações neles no caso, defeitos que ficam para sempre. Não é por acaso que os tabagistas têm mais câncer.

*A doença mais investigada pela epigenética, claro, é o câncer. As células normais e as tumorais apresentam um padrão de genes ativados e desativados diferente entre si, explica a bióloga Anamaria Camargo, do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer.


 *Os genes que controlam a proliferação celular geralmente ficam desativados nos exemplares doentes, conta a oncologista Mariângela Corrêa, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

 *E, enquanto estão impedidos de trabalhar, outros que fazem exatamente o oposto, ou seja, incentivam a desordem e deveriam ficar inertes os oncogenes estão ativados.


*Nas células saudáveis, vê-se o contrário: os genes supressores, que regulam a multiplicação, estão ativos, e os oncogenes, desligados.


*Para que todas as células continuem assim, firmes e fortes, a melhor estratégia é investir no estilo de vida é o que têm provado os primeiros estudos com seres humanos.

*HÁBITOS: E não pense que as medidas saudáveis, incluindo desde um cardápio balanceado até uma rotina com menos estresse, limitam-se ao seu exclusivo bem-estar. 


*Surgem indícios cada vez mais contundentes de que a maneira como você leva a vida seria transmitida para os genes dos seus filhos.

*Uma questão muito debatida é quanto se transmite dessa herança, conta Lygia Pereira, professora de genética humana da Universidade de São Paulo.

*Mas como isso aconteceria? Bem, nesse aspecto, mistérios ainda pairam. Até porque na fecundação, quando há a união do espermatozóide e do óvulo, uma cópia do DNA da mãe se acopla à do pai e, em meio a esse casamento, quase todo o material genético perde aquelas chaves, as metilações, que ligavam e desligavam os genes. Formam-se novas metilações durante o desenvolvimento do embrião, diz Cláudia Rainho.

*No entanto, uma pequena parcela dos genes herdados não sofre essa queima de arquivo e, assim, carrega totalmente a sua herança. 

*Deduz-se, assim, que quem viveu longe de cigarros e outras drogas, apostou na malhação e não se esqueceu de frutas e verduras no prato, entre outros ingredientes saudáveis, irá presentear seus filhos com uma bagagem genética de primeira, menos predisposta a doenças.

*Já quem não se cuidou pode transmitir não só as alterações epigenéticas indesejáveis como também mutações aqueles defeitos permanentes ao embrião. 


*E estas são indiscutivelmente mais herdadas, diz a biomédica brasileira Mariana Brait, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

*Ou seja, O MODO COMO VOCÊ VIVE HOJE FAZ TODA A DIFERENÇA PARA O FUTURO DO SEU CORPO E PROVAVELMENTE PARA O DE SEUS DESCENDENTES TAMBÉM.
Fonte: Revista Saúde é Vital Edição: Allisson Bacelar 23.09.08
Ψ  Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

sexta-feira, 25 de junho de 2010

com o tempo perdi o jeito de ser gente...

Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço.
Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança.

Mas eu, eu não me perdôo. Se eu tivesse feito o milagre de nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho! (Clarice Lispector)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ψ PSICONEUROIMUNOLOGIA 2


Ψ NA ATIVIDADE CEREBRAL - O Sistema Imunológico afeta o cérebro e a conduta, sobretudo devido aos efeitos imunes das citocinas no Sistema Nervoso Central (Ransohoff).
Ainda que as citocinas sejam moléculas relativamente grandes, particularmente a chamada Interleucina-1 (IL-1), elas podem cruzar a barreira hemato-encefálica.
 Essa IL-1 também é produzida no cérebro, não só pela microglia, que são os macrófagos residentes no Sistema Nervoso Central, senão também pelos astrócitos. A IL-1 periférica pode afetar o cérebro, incluindo a produção de citocinas através do estimulo de fibras aferentes de nervo vago.
 - Existem receptores de citocinas no cérebro, incluindo para a IL-1, IL-8 e Interferon, ambos nas células gliais e nos neurônios. As citocinas têm importante papel no desenvolvimento e regeneração dos oligodendrócitos na produção de mielina. As citocinas também são ligadas ao desenvolvimento da esclerose, dos gliomas, das demências associadas ao HIV, das lesões no cérebro e, provavelmente, da *doença de Alzheimer.
- As citocinas pró-inflamatórias, particularmente IL-1 e o Fator de Necrose Tumoral (FNT) são responsáveis pela ocorrência da febre, do sono, da anorexia e da fatiga na doença. Daí, talvez, a grande prostração que pacientes dessas doenças experimentam.
- O uso terapêutico de citocinas, particularmente do Interferon, pode produzir sintomas psiquiátricos, tais como psicopatias e estados alterados de ânimo, tipo afetivo ou ansioso. O estado de ânimo depressivo, com desesperança e desamparo é associado ao declive rápido de e Células T-CD4. As relações entre o cérebro e a conduta se ilustram bem pela investigação substancial da influência de fatores psicossociais no curso da *AIDS (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida).


NO ESTRESSE
- Os experimentos relacionando imunidade e estresse em animais foram, sem dúvida, a porta de entrada para a Psiconeuroimunologia. Eles datam da década de 1930 e foram iniciados pelo canadense Hans Selye. Esse tema de investigação científica dispõe, portanto, de uma muito extensa bibliografia.

- Tipo de estresse, duração e intensidade do estímulo aversivo, administração de antígenos, etc, são todos temas muito relevantes para a Psiconeuroimunologia.
- O fato de o apoio social ser um importantíssimo modificador dos efeitos deletérios do estresse em experiências com primatas pode sugerir a importância do apoio ambiental na saúde da pessoa estressada. Quando o tipo de resposta do indivíduo ao estresse se caracteriza por uma postura de derrota e pessimismo, o Sistema Imunológico corre sérios riscos.
- O estresse agudo em humanos, cuja fisiologia é semelhante às reações de luta que se vê no reino animal, geralmente aumenta o numero e a atividade das Células NK. Porém isso só ocorre numa primeira fase dessa atitude de defesa (Coe, 1987 e Nallibof, 1991).
- O estresse da vida cotidiana, principalmente nas situações mais exaustivas, tensas e crônicas, pode afetar uma série elementos imunológicos. Entre essas alterações estão as funções de Células T, a atividade de Células NK, a resposta de anticorpos, a função dos macrófagos, a reativação de vírus latentes (como o Herpes Simples), com severas implicações na saúde global da pessoa (Glaser). As relações entre o estresse e infecções são bastante antigas e, inúmeras vezes, constatados por trabalhos experimentais, alguns bastante rigorosos (Friedmam).
- Segundo Cohem (1991), existe uma grande variedade de vírus intranasais capazes de desenvolver alterações imunológicas, tanto através da produção de anticorpos, quanto de infecções, como uma forma de resposta aos aumentos no grau de tensão psicológica. Cada vez mais trabalhos científicos confirmam efeitos danosos do estresse sobre infecções virais e bacterianas.
- Também os hormônios respondem ao estresse, incluindo a adrenalina, os corticoesteróides e as catecolaminas. Esses hormônios têm variadíssimos efeitos na regulação da resposta imune (Buckingham). Em níveis anormais, altos ou baixos, os hormônios afetam a imunidade.
- A atividade intergrada entre o Hipotálamo, a Hipófise e as glândulas Suprarenais, conhecido por Eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarenal, é ativado por eventos psicológicos, regulando assim a secreção de hormônios produzidos na Hipófise e destinados às Suprarenais, como é o caso da corticotrofina (CRF) e do hormônio adrenocorticotrofico (ACTH). Esses, por sua vez, terão efeitos diretos na imunidade.
- O hormônio do crescimento, também estimulado por eventos psíquicos, pode aumentar as funções dos Linfócitos T e NK em animais de experiência. Os hormônios sexuais também afetam a imunidade. A atividade da Célula NK é mais alta na fase lútea de ciclo menstrual e é também estimulada pelos hormônios da tireóide.
- A Psiconeuroimunologia está, assim, se desenvolvendo a passos largos, colaborando fortemente para apagar o incômodo dualismo ainda presente na medicina, o qual separa hermeticamente a mente do corpo.
- A Psiconeuroimunologia contribui para que os pacientes possam compreender que seu corpo é uma somatória integrada e indissolúvel do mental com o orgânico, influenciado significativamente pela experiência de vida e por sua própria sensibilidade. Finalmente, a Psiconeuroimunologia não só deve contribuir solidamente para a compreensão da fisiopatologia médica como da visão holística da medicina.

 Fonte: Ballone GJ, Psiconeuroimunologia, in. PsiqWeb, Internet, 2001, disponível em http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomática/psiconeuroimunologia.html
George F. Solomon - Psiconeuroinmunología: sinopsis de su historia, evidencia y consecuencias - 2001, (Psychoneuroimmunology: synopsis of its history, classes of evidence and their implications), disponível em http://www.psiquiatria.com/interpsiquis2001/2713
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

Ψ PSICONEUROIMUNOLOGIA 1

                  
Ψ Psiconeuroimunologia é o estudo das interações entre o comportamento, o cérebro, o sistema endócrino e o sistema imunológico.
Atende a tendência da ciência atual, que preconiza a integração entre a Medicina e as Ciências Humanas. A interdisciplinariedade, na compreensão da etiologia e no tratamento de diversas doenças, veio fortificar a concepção holística do ser humano.
A doença já passa a ser entendida como resultado do colapso das defesas do indivíduo, diante do processo de stress agudo ou contínuo. Já não se fala mais, meramente, na doença, mas no homem que adoeceu. A enfermidade não é mais um acontecimento físico-químico, nem somente biológico, antes de tudo, torna-se um acontecimento pessoal. Fatores psicossociais estressantes, as expectativas sociais da vida urbana, tais como as demandas da vida: sentimento de perda, luto, a angústia o desmoronamento dos projetos de vida, influem na saúde do indivíduo.
A sabedoria antiga desde Aristóteles já tinha forte convicção da integração mente corpo, ou seja, "psique" (alma) e corpo reagem complementariamente um ao outro. Uma mudança no estado da psique produz uma mudança na estrutura de corpo, assim como uma mudança na estrutura de corpo produz uma mudança na estrutura da psique.  
- Solomom, Levine, e Kraft demonstraram que nos primeiros anos de vida da criança o estresse poderia afetar a futura resposta dos anticorpos na vida adulta.
- Nos anos de 1960, algumas observações psicossomáticas foram feitas em relação às alterações emocionais que surgiam no início e durante o curso das doenças autoimunes, principalmente em relação à Artrite Reumatóide, ao Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e ao mal de Graves, (que é um tipo tireoidite), entre outras patologias. Tentava-se, avaliar a força dos elementos emocionais no desenvolvimento de algumas doenças.

 - Uma das observações mais intrigantes, talvez tenha sido o fato dos parentes saudáveis de pacientes com *Artrite Reumatóide também apresentarem uma sorologia característica de anticorpo dessa doença (o fator reumatóide ou Anti-imunoglobulina G), mas, apesar disso e por possuírem capacidade superior de adaptação psicológica à vida, esses parentes não apresentavam a doença.
- Esse fato sugere que o bem-estar psicológico pode ter uma influência protetora, até mesmo contra uma predisposição genética (Solomon, 1964).
- Em 1985 sai o primeiro trabalho sobre o hipotálamo e a evidência direta da modulação neurológica da imunidade (Guillemim).
- Os neurônios do hipotálamo disparam de maneira seqüencial depois da administração de um antígeno (corpo estranho) ao organismo. E o eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarenal se ativa por esse antígeno e por toxinas elaboradas por células pró-inflamatórias (cito-toxinas), num estado semelhante ao estresse.

 - Também se sabe que órgãos imunes, como é o timo, o baço e a medula óssea, recebem inervação do Sistema Nervoso Autônomo, mais precisamente, de sua porção simpática, havendo sinapses nas uniões entre os terminais nervosos simpáticos e as células imunológicas. Portanto, a imunidade se regula cerebralmente, havendo maior influência do córtex cerebral esquerdo na maturação e na função de Linfócitos T, as células imunológicas por excelência.
- Algumas alterações emocionais podem surgir no início e durante o curso de muitas doenças autoimunes. Essas alterações podem incluir forte tensão, sentimentos de insegurança, retraimento social, dificuldade para expressar sentimentos e sensibilidade afetiva muito aumentada.

 - Psicologicamente, pode haver perda da adaptação ou, melhor dizendo, perda da habilidade para atitudes que antes eram eficazes na adaptação. Solomon (1981) estudou essas alterações particularmente na Artrite Reumatóide, uma doença autoimune. Essas alterações emocionais também já tinham sido observadas em relação a outras doenças auto-imunes, como no Lúpus Eritematoso Sistêmico, por exemplo (Fessel).
- Com respeito às alergias, alguns trabalhos da década de 1990 têm constatado que o estresse, a ansiedade e a depressão, retardam significativamente a atividade dos Linfócitos T, proporcionando hipersensibilidades, dermatites e asma (Paciant, Gil, Djuric).


 *QUANTO AO CÂNCER A psiconeuroimunologia do câncer tem sido uma área continuadamente estudada, sempre procurando esclarecer as relações entre as emoções e a vulnerabilidade à essa doença, bem como à ocorrência e agravamento das metástases.
- A agressividade e malignidade entre tipos diversos de câncer é variável, conseqüentemente, varia também a habilidade de Sistema Imunológico em resistir a determinados tipos específicos desses cânceres (Lewis).

 - A imunoterapia está ganhando atenção, particularmente para o tratamento de melanomas, linfomas e câncer da mama.
 - As "toxinas de Cooley" tinham pouca eficácia antes de advento da quimioterapia, agora já são conhecidas como poderosos estimulantes imunológicos.
- O Sistema Imunológico é o responsável pela vigilância do organismo contra a proliferação de células cancerígenas. Algumas células do Sistema Imunológico são destinadas a destruir essas células anômalas que poderiam transformar-se em câncer e que nosso organismo, em seu estado natural, está sujeito à produzir esporadicamente. Entre essas células vigilantes estão as Células NK (Natural Killer).

 - Muitos estudos experimentais e clínicos em humanos e em animais têm mostrado que as Células NK, importantíssimas na vigilância contra as células neoplásicas e na prevenção de metástases de câncer, podem ser sensíveis à influência de fatores estressores e psicossociais.
- Constata-se, cada vez mais, que o estresse pode aumentar substancialmente a extensão e a probabilidade de metástases em câncer de mama em ratas devido à supressão da função das Células NK (Ben-Eliyahu).

 - Um estudo de intervenção psicoterapêutica em pacientes com câncer de pele (melanoma) foi realizado por Fawsy (1993). Comparou-se um grupo pacientes com melanoma maligno e que participaram de um grupo de atenção psiquiátrica durante seis meses, com um grupo controle, composto de pacientes portadores da mesma doença mas sem acompanhamento psicoterápico.
- **Os pacientes com melanoma maligno e participantes do grupo psiquiátrico, mostraram menos dor e maior atividade das Células NK que o grupo controle, de pacientes com esse mesmo quadro mas não participantes do programa de atenção psicoterapêutica. Os pacientes do programa de atenção psicoterapêutica mostraram ainda menos recorrência e metástases, além de uma sobrevida maior que seis anos.


 * IMUNIDADE E DOENÇA MENTAL:  As diferenças individuais no comportamento, nos estilos pessoais de enfrentamento dos conflitos, nos traços de personalidade e psicológicos podem acompanhar diferentes características imunológicas. Amkraut, em 1972, percebeu que ratos dotados de maior comportamento de luta espontânea mostravam maior resistência imunológica à indução de vírus tumorais. Kamen-Siegel constatou em idosos que um estilo pessimista em relação à vida se correlacionava com baixa imunidade.
- De um modo geral, as anormalidades imunológicas que ocorrem junto com transtornos psicoemocionais devem ser dividido em dois grupos; aquelas associadas às desordens afetivas e aquelas associadas à esquizofrenia.

- No caso das desordens afetivas (depressão) a baixa imunidade apareceria como consequência e na Esquizofrenia como comorbidade. De qualquer forma, a constatação da contribuição de processos imunológicos em doenças mentais e vice-versa é muito problemática. Desde a década de 80 tem-se documentado muito bem alguns elementos importantes entre funções imunológicas e depressão (Miller).
Em casos de estados depressivos mais graves, a função dos Linfócitos T declina de uma forma idade-dependente. Isso significa que pessoas jovens e com testes psicológicos sugestivos de depressão não tiveram déficit no funcionamento de células T mas, pessoas mais velhas e com os mesmo resultados nesses testes para depressão, sofrem diminuição significativa da imunidade (idade-dependente).
- A reativação de vírus latentes também pode ocorrer na depressão. Essas experiências forma mais comumente constatadas com o vírus do Herpes Simples.

 - *A depressão não é associada apenas à diminuição ou supressão da imunidade, mas também com sinais de ativação alterada do Sistema Imunológico. Essas alterações são o que ocorre nas doenças chamadas Autoimunes.
- Também se constata que os tratamentos efetivos para a depressão costumam ser acompanhados, gradualmente, do retorno da normalidade imunológica.
Fonte: Ballone J. Psiconeuroimunologia, in. PsiqWeb, Internet, 2001, disponível em http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomática/psiconeuroimunologia.html
George F. Solomon - Psiconeuroinmunología: sinopsis de su historia, evidencia y consecuencias - 2001, (Psychoneuroimmunology: synopsis of its history, classes of evidence and their implications), disponível em http://www.psiquiatria.com/interpsiquis2001/

(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)