sábado, 3 de setembro de 2011

sou uma coisa onde o tempo deu defeito...


sol e sombra o binômio dos mortais




(...)

há coisas que não sei suportar sem um amigo...




mas a vida é uma coisa imensa...


(Miguel Torga, in "Diário" - 1945)

(...)



ele me olhou com ternura...


sábado, 27 de agosto de 2011

Ψ O Homem Que Confundiu Sua Mulher Com Um Chapéu...

     imagem: salvador perez bassols - Espanha/ 1948




 














Ψ Certo episódio esquizofrênico começou com o desespero de um paciente cujo chapéu novo não lhe assentava bem.

No decorrer da Análise ele refere que se sentia diferente quando o usava, acreditando que a forma da cabeça era alterada pelo chapéu.

Sua imagem corporal estava distorcida.

Tinha medo de que havia alguma coisa errada com sua cabeça.

 Isso se manifestava na preocupação exagerada com as roupas e reações exacerbadas com as sensações corporais.

Segundo OBERNDORF, existem casos em que a incerteza em relação aos sentimentos corporais resulta de incerteza em relação ao próprio sexo do paciente.

Nos estádios de estranhamento, reações defensivas contrabalançam o aumento da catexia narcísica do corpo.

 Na despersonalização se passa o mesmo pela intensificação das catexias narcísicas dos processos mentais.

Na responsabilização, há repressão de sentimentos ou conceitos sobrecarregados.

O paciente enquanto se observa percebe a ausência da plenitude dos seus sentimentos, tal qual uma pessoa que percebe a ausência de um nome esquecido tendo na ponta da língua.

 As experiências de estranhamento e despersonalização resultam de um tipo especial de defesa, uma contracatexia contra os sentimentos do próprio indivíduo, os quais haviam sido alterados e intensificados por acréscimo anterior do narcisismo.

Os resultados deste acréscimo são percebidos como desprazerosos pelo ego que por conseguinte, põe em prática medidas defensivas contra eles.

Medidas que às vezes, consistem em retirada ativa da libido, em geral é uma contracatexia que as edifica.

 O aumento da auto-observação e o sentimento de que as sensações ausentes ainda existem tal qual o nome esquecido, são a manifestação clínica desta contracatexia.

SCHILDER, enfatizou que ”aqueles que sofrem de despersonalização não são carentes de sentimentos; os pacientes apenas percebem, vindo de dentro, uma posição às suas próprias experiências.

A intensificação da auto-observação é que manifestamente exprime esta oposição de maneira que temos na despersonalização duas direções conflitantes a saber: A direção para os sentimentos de sensações corporais e a direção contra os mesmos.

O órgão que porta a catexia narcisística é aquele que mais sujeito está à despersonalização.

O acréscimo do narcisismo não é em todos os casos de despersonalização, necessariamente tão intenso quanto numa esquizofrenia incipiente.

Como sintomas de tentativas no sentido de rejeitar sentimentos e sensações censuráveis, as despersonalizações também ocorrem fora da esfera da esquizofrenia, podendo exprimir defesa contra sentimentos de excitação, em particular, contra uma curiosidade muito forte, ou contra um certo tipo de pensamento.

O que se disse dos sentimentos de estranhamento e despersonalização, isto é, que representam reação do ego à percepção do aumento da libido narcísica, também se pode dizer da perplexidade geral do esquizofrênico, do seu sentimento de que tudo mudou.

Todos estes sintomas iniciais resultam de uma percepção interna da regressão narcísica e dos deslocamentos libidinais que a acompanham.

Bibliografia: FENICHEL, Otto – Teoria Psicanalítica das Neuroses. Livraria Atheneu – R.J - S.P/ 1981


 SUGESTÃO de leitura: SACKS, Oliver – O Homem Que Confundiu Sua Mulher Com Um Chapéu.
 O livro, dividido em quatro partes, trata da perda de funções neurais, de procedimentos excessivos manifestados pelos enfermos, de doentes que se transportam para realidades imaginárias e, também, do mundo simples e concreto daqueles que são vítimas de distúrbios neurológicos. Relatos sobre a fragilidade humana, da felicidade da superação e da tristeza da perda irrecuperável... acompanhadas pelo médico neurologista Dr Sacks. Casos como da jovem que perdeu o controle do seu corpo, como se ela não tivesse músculos funcionais ou ossos. Um homem que retém memórias somente até 1945, e é incapaz de conter novos fatos. Um paciente incapaz de reconhecer um objeto por completo, apenas seus detalhes. E o homem que ao tentar pegar seu chapéu, pega a cabeça de sua esposa.
(Fatima Vieira- Psicóloga Clínica)

Ψ Reabilitação Neuropsicológica

Ψ EXAME e PROGRAMA de REABILITAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA
 O Exame NEUROPSICOLÓGICO é complemento importante para o EXAME NEUROLÓGICO, as principais Áreas Cognitivas avaliadas são: INTELIGÊNCIA GLOBAL; MEMÓRIA VERBAL e VISUAL (Aquisição, Retenção e Evocação); MEMÓRIA IMPLÍCITA, CAPACIDADE de APRENDIZADO NOVO; ATENÇÃO (Amplitude, Rastreamento, Seletividade, Alternância e Sustentação); LINGUAGEM EXPRESSIVA e RECEPTIVA; VOCABULÁRIO; FLUÊNCIA VERBAL FONÉTICA e SEMÂNTICA; CÁLCULO; ABSTRAÇÃO; PLANEJAMENTO; HABILIDADES VÍSUO-PERCEPTIVAS e VÍSUO-CONSTRUTIVAS, PRAXIA; AGNOSIA; DESTREZA VÍSUO-MOTORA; TATO; FORÇA MUSCULAR; NÍVEL de CONHECIMENTOS GERAIS; FLEXIBILIDADE COGNITIVA (Capacidade de formular hipóteses e modificá-las).
REABILITAR significa restituir ao estado anterior, restaurar a normalidade ou mais próximo desta, a forma e a formação do organismo após o trauma ou doença. Técnicamente, a REABILITAÇÃO pode ser definida como um processo de mudança ativa, com o objetivo de capacitar ideais de funcionamento FÍSICO, PSICOLÓGICO e SOCIAL.
A REABILITAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA, tem como objetivo ajudar pacientes e familiares a conviver ou superar as deficiências cognitivas e as limitações emocionais e sociais, proporcionando melhora na qualidade de vida. Com o avanço da NEUROCIÊNCIA, o diagnóstico de dano cerebral tornou-se cada vez mais preciso através da TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA, IMAGEM de RESSONÂNCIA MAGNÉTICA (IRM), ANGIOGRAFIA e outros procedimentos. O desenvolvimento a partir desses estudos, permite um desvio no foco da Avaliação NEUROPSICOLÓGICA do Diagnóstico de possível dano cerebral para um melhor entendimento das relações específicas cérebro-comportamento e das consequências psicossociais de dano e/ ou DISFUNÇÃO CEREBRAL.  
Bibliografia KRISTENSEN, C. H.; ALMEIDA, R. M.; GOMES, W. B. Desenvolvimento histórico e Fundamentos Metodológicos da N europsicologia Cognitiva. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2001.
CAMBIER, J.; MASSON, M.; DEHEN, H. Manual de Neurologia. São Paulo: MEDSI, 1999.
BARBIZET, J.; DUIZABO, P. Manual de Neuropsicologia. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.
MACHADO, A. Neuroanatomia Funcional. São Paulo: Atheneu, 1986. 

(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica) 

Ψ Terapia Cognitivo Comportamental

Ψ A ATIVIDADE COGNITIVA influencia o COMPORTAMENTO, ela pode ser monitorada e alterada. O comportamento desejado pode ser influenciado mediante a mudança cognitiva.
 Trata-se de uma Terapia Focal que segue modelo teórico que estipula e aponta cognições disfuncionais nos Transtornos Psicológicos. Focaliza-se no exame e na correção nos três níveis de cognição: PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS, PRESSUPOSTOS SUBJACENTES e CRENÇAS NUCLEARES (também chamadas de esquemas); É SOCIOEDUCATIVA; UTILIZA TÉCNICAS COGNITIVAS e COMPORTAMENTAIS para modificar PENSAMENTOS, HUMOR e COMPORTAMENTOS.
Um evento do cotidiano pode gerar diferentes formas de sentir e agir em diferentes pessoas, mas não é o evento em si que gera as emoções e os comportamentos, e sim o que nós pensamos sobre o evento. Nossas emoções e comportamentos estão influenciados pelo que pensamos. Nós sentimos o que pensamos, os quais geram, as emoções e os comportamentos. As distorções cognitivas podem levar os indivíduos a conclusões equivocadas. Mesmo quando sua percepção de situação está acurada. O objetivo da TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL é corrigir as distorções do pensamento. Há uma interação recíproca de Pensamentos, Sentimentos, Comportamentos, Fisiologia e Ambiente. O trabalho da TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL inicia com a Avaliação e Modificação dos Pensamentos, porque a Alteração destes pode gerar um impacto em os outros componentes.
Referência Bibliográfica: KINGSLEY, R.E. Manual de Neurociência. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2001.
KRISTENSEN, C. H.; ALMEIDA, R. M.; GOMES, W. B. Desenvolvimento histórico e Fundamentos Metodológicos da N europsicologia Cognitiva. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 14,n. 2, p. 259-274, 2001

MACHADO, A. Neuroanatomia Funcional. São Paulo: Atheneu, 1986.

(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)