
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Em tempo algum teve um tranquilo curso o verdadeiro amor... (Sonhos de uma noite de Verão)
imagem: mavliam

- William Shakespeare nasceu em Stratford-upon-Avon, 1564/ 1616. (As histórias sobre a morte de Shakespeare não são comprovadas. O registro de seu sepultamento data de 25 de abril de 1616, quando acabara de completar 52 anos).
- Seus pais chamavam-se John Shakespeare e Mary Arden. William era neto de fazendeiros, e seu pai era um próspero comerciante de couros. Foi o terceiro filho, as duas irmãs mais velhas morreram ainda crianças. Londres e as regiões próximas, à época, eram constantemente assoladas por epidemias de peste.
- Casou-se com Anne Hathaway, oito anos mais velha que ele. Anne estava grávida de três meses, e William, que estava com dezoito anos de idade, precisou de uma autorização especial para se casar, provavelmente na Temple Gafton Church.
- Antes de completar 21 anos William já era pai de três crianças, um casal de gêmeos.
- Em 1594 Shakespeare ingressou na companhia teatral de Lord Chamberlain, que mais tarde, no reinado de James I, receberia o nome de King’s Men (Homens do Rei). Shakespeare permaneceu nessa companhia teatral até o final de sua carreira em Londres. Presume-se que como ator, ele tenha representado o papel de personagens idosos, como o fantasma em Hamlet e o velho Adam em As You Like It (comédia de 1599).
- Em 1596 a família de Shakespeare recebeu um brasão de armas, e em 1597 a condição financeira de William lhe permitiu adquirir uma imponente residência em Stratford, onde ele viveria até o fim da vida.
- Em 1599 tornou-se um dos sócios-proprietários do Globe Theatre, e em 1608 também foi sócio do Blackfriars Theatre. Em 1613 Shakespeare se aposentou e retornou a Stratford, depois que ocorreu um incêndio no Globe durante uma apresentação.
- O trabalho inicial de Shakespeare para o teatro foi interrompido por uma epidemia de peste em Londres que levou as autoridades a fechar os teatros.
- Apoiado por Henry Wriothesley, prestigiado conde de Southampton, ele escreveu dois poemas narrativos eróticos: Vênus e Adônis, em 1593; O Rapto de Lucrécia, em 1594; além de 154 sonetos publicados em 1609.
- A obra dramática de Shakespeare junta uma visão poética e refinada com um forte caráter popular, no qual os assassinatos, as violações, os incestos e as traições são os ingredientes mais leves para o divertimento do público.
- Assim como nos conduz aos limites da eternidade. Shakespeare remete-nos para o comum da Humanidade. Ante o cadáver de Cordélia, o Rei Lear, atormentado pela dor, exclama: “Como é possível que um cão, um cavalo e um rato tenham vida, enquanto tu jazes inerte?”. No auge do seu desespero, diz: “Não voltarás mais”. E acrescenta: “Nunca mais, nunca mais, nunca mais, nunca mais, nunca mais!”. Em seguida, o dique que represava sua angústia cede com este pedido prosaico: “Por favor, desaperta-me este botão”.
__________
Bibliografia: Complete Works of William Shakespeare, Wordsworth Edition Limited, Hertfordshire, England, 1996. – Charles Boyce. Shakespeare A to Z: The Essential Reference to His Plays, His Poems, His Life and Times, and More. New York: Facts on File, 1990.
- William Shakespeare nasceu em Stratford-upon-Avon, 1564/ 1616. (As histórias sobre a morte de Shakespeare não são comprovadas. O registro de seu sepultamento data de 25 de abril de 1616, quando acabara de completar 52 anos).
- Seus pais chamavam-se John Shakespeare e Mary Arden. William era neto de fazendeiros, e seu pai era um próspero comerciante de couros. Foi o terceiro filho, as duas irmãs mais velhas morreram ainda crianças. Londres e as regiões próximas, à época, eram constantemente assoladas por epidemias de peste.
- Casou-se com Anne Hathaway, oito anos mais velha que ele. Anne estava grávida de três meses, e William, que estava com dezoito anos de idade, precisou de uma autorização especial para se casar, provavelmente na Temple Gafton Church.
- Antes de completar 21 anos William já era pai de três crianças, um casal de gêmeos.
- Em 1594 Shakespeare ingressou na companhia teatral de Lord Chamberlain, que mais tarde, no reinado de James I, receberia o nome de King’s Men (Homens do Rei). Shakespeare permaneceu nessa companhia teatral até o final de sua carreira em Londres. Presume-se que como ator, ele tenha representado o papel de personagens idosos, como o fantasma em Hamlet e o velho Adam em As You Like It (comédia de 1599).
- Em 1596 a família de Shakespeare recebeu um brasão de armas, e em 1597 a condição financeira de William lhe permitiu adquirir uma imponente residência em Stratford, onde ele viveria até o fim da vida.
- Em 1599 tornou-se um dos sócios-proprietários do Globe Theatre, e em 1608 também foi sócio do Blackfriars Theatre. Em 1613 Shakespeare se aposentou e retornou a Stratford, depois que ocorreu um incêndio no Globe durante uma apresentação.
- O trabalho inicial de Shakespeare para o teatro foi interrompido por uma epidemia de peste em Londres que levou as autoridades a fechar os teatros.
- Apoiado por Henry Wriothesley, prestigiado conde de Southampton, ele escreveu dois poemas narrativos eróticos: Vênus e Adônis, em 1593; O Rapto de Lucrécia, em 1594; além de 154 sonetos publicados em 1609.
- A obra dramática de Shakespeare junta uma visão poética e refinada com um forte caráter popular, no qual os assassinatos, as violações, os incestos e as traições são os ingredientes mais leves para o divertimento do público.
- Assim como nos conduz aos limites da eternidade. Shakespeare remete-nos para o comum da Humanidade. Ante o cadáver de Cordélia, o Rei Lear, atormentado pela dor, exclama: “Como é possível que um cão, um cavalo e um rato tenham vida, enquanto tu jazes inerte?”. No auge do seu desespero, diz: “Não voltarás mais”. E acrescenta: “Nunca mais, nunca mais, nunca mais, nunca mais, nunca mais!”. Em seguida, o dique que represava sua angústia cede com este pedido prosaico: “Por favor, desaperta-me este botão”.
__________
Bibliografia: Complete Works of William Shakespeare, Wordsworth Edition Limited, Hertfordshire, England, 1996. – Charles Boyce. Shakespeare A to Z: The Essential Reference to His Plays, His Poems, His Life and Times, and More. New York: Facts on File, 1990.
soneto18 - William Shakespeare
William Blake - sonho d
e uma noite de verão
Como hei de comparar-te a um dia de verão?
És muito mais amável e mais amena:
Os ventos sopram os doces botões de maio,
E o verão finda antes que possamos começá-lo:
Por vezes, o sol lança seus cálidos raios,
Ou esconde o rosto dourado sob a névoa;
E tudo que é belo um dia acaba,
Seja pelo acaso ou por sua natureza;
Mas teu eterno verão jamais se extingue,
Nem perde o frescor que só tu possuis;
Nem a Morte virá arrastar-te sob a sombra,
Quando os versos te elevarem à eternidade:
Enquanto a humanidade puder respirar e ver,
Viverá meu canto, e ele te fará viver.
e uma noite de verãoComo hei de comparar-te a um dia de verão?
És muito mais amável e mais amena:
Os ventos sopram os doces botões de maio,
E o verão finda antes que possamos começá-lo:
Por vezes, o sol lança seus cálidos raios,
Ou esconde o rosto dourado sob a névoa;
E tudo que é belo um dia acaba,
Seja pelo acaso ou por sua natureza;
Mas teu eterno verão jamais se extingue,
Nem perde o frescor que só tu possuis;
Nem a Morte virá arrastar-te sob a sombra,
Quando os versos te elevarem à eternidade:
Enquanto a humanidade puder respirar e ver,
Viverá meu canto, e ele te fará viver.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
soneto 22 - William shakespeare
... ah, então, meu amor, sê cuidadosa
Como eu, não por mim, mas por tua vontade;
Carregando teu coração, que guardarei comigo,
Como a ama que protege seu bebê querido.
Não penses em teu coração quando o meu fenecer;
Tu me deste o teu para nunca mais o devolver.
Como eu, não por mim, mas por tua vontade;
Carregando teu coração, que guardarei comigo,
Como a ama que protege seu bebê querido.
Não penses em teu coração quando o meu fenecer;
Tu me deste o teu para nunca mais o devolver.
(soneto 22 - shakespeare)
update: do Livro: "154 Sonetos", Ibis Libris, 2009. Tradução
Theresa Christina Rocque da Motta
update: do Livro: "154 Sonetos", Ibis Libris, 2009. Tradução
Theresa Christina Rocque da Motta
soneto 12 - William Shakespeare
Quando conto as horas que passam no relógio,E a noite medonha vem naufragar o dia;
Quando vejo a violeta esmaecida,
E minguar seu viço pelo tempo embranquecida;
Quando vejo a alta copa de folhagens despida,
Que protegiam o rebanho do calor com sua sombra,
E a relva do verão atada em feixes
Ser carregada em fardos em viagem;
Então, questiono tua beleza,
Que deve fenecer com o vagar dos anos,
Como a doçura e a beleza se abandonam,
E morrem tão rápido enquanto outras crescem; Nada detém a foice do Tempo. A não ser os filhos, para perpetuá-lo após tua partida.
(soneto 12 - Shakespeare)
soneto 53 - William Shakespeare
De que substância és feita,
Que milhões de estranhas sombras te envolvem?
Como todos têm, cada um, a sua sombra,
E tu, sozinha, podes emprestar a elas.
Descreve Adônis, cuja imitação
É parcamente feita à tua imagem;
E sobre o rosto de Helena toda arte da beleza se define,
E tu, em mosaicos gregos, de novo és pintada;
Fala da primavera, e do frescor do ano;
Aquela que exibe a sombra de tua formosura,
E o outro, como teu coração se assemelha,
E tu, em toda forma abençoada e conhecida.
Tomas parte de toda graça visível,
Mas, nem tu, nem ninguém mantém fiel o coração.
Que milhões de estranhas sombras te envolvem?
Como todos têm, cada um, a sua sombra,
E tu, sozinha, podes emprestar a elas.
Descreve Adônis, cuja imitação
É parcamente feita à tua imagem;
E sobre o rosto de Helena toda arte da beleza se define,
E tu, em mosaicos gregos, de novo és pintada;
Fala da primavera, e do frescor do ano;
Aquela que exibe a sombra de tua formosura,
E o outro, como teu coração se assemelha,
E tu, em toda forma abençoada e conhecida.
Tomas parte de toda graça visível,
Mas, nem tu, nem ninguém mantém fiel o coração.
(Trad.Thereza Christina Rocque da Motta - do Livro: "154 Sonetos", Ibis Libris, 2009)
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
mais fragmentos que valeram à pena...
São Pedro de Alcântara - Núcleo de colonização germânica mais antigo de Santa Catarina. População - 3.700 habitantes. Colonização - Alemã e luso-açoriana.
Localização - Grande Florianópolis, a 31km da capital. Área - 140,6km2.
Clima - Mesotérmico úmido, com temperatura média entre 15ºC e 25ºC.
Altitude - 300m acima do nível do mar.
Cidades próximas - Antônio Carlos, Angelina, Florianópolis, São José, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas.
(São Pedro de Alcântara, nome de batismo Juan de Garabito y Vilela de Sanabria (Alcântara, 1499 / 1562) Frade franciscano espanhol. Notável pregador e místico, amigo e confessor de Santa Teresa d‘Ávila a quem terá ajudado em 1559 na reforma da Ordem Carmelita. Escreveu o "Tratado da Oração e Meditação". Foi Padroeiro do Brasil durante o Brasil Império). Fatima Vieira/ Fotografia: Rosane Vieira
domingo, 18 de dezembro de 2011
Retirou delicadamente o vestido e pendurou no varal da eternidade...
Ela procurou um vestido... um vestido para aquele momento, e tinha que ter um corte e ajuste perfeito... segunda pele que abrigaria sua alma.
(...) cobrir a paisagem da "carne afetada pela escrita e convidada ao devaneio" (Barthes).
Cortar o tecido na trama, para fazer emergir o feminino e a possibilidade de novas linhas era se deparar com aquilo que estava escrito e com a escritura do porvir.
Era também aquilo que Blanchot dizia bem: '' ... fazemos poesia somente no puro lampejo do corte..." O corte era radical - era corte em si.
Enquanto procurava o vestido para ocasião tão especial ela lembrou Clarice assustada com essa coisa sobrenatural que é viver: "O que faço dessa felicidade ao meu redor que é eterna e que passará daqui a um instante, porque o corpo só nos ensina a ser morte?"
(Flor de Bela Alma/ Fatima Vieira)
domingo, 4 de dezembro de 2011
Ψ E todos nós somos meio dementes! (Gilles Deleuze)
"O verdadeiro charme das pessoas reside em quando elas perdem as estribeiras, quando não sabem muito bem em que ponto estão. Não são pessoas que desmoronam, pelo contrário, nunca desmoronam. Mas se não captar a pequena marca de loucura de alguém, não pode gostar desse alguém. É exatamente este lado que interessa. E todos nós somos meio dementes. Se não captar o ponto de demência da pessoa, eu temo que... aliás, fico feliz em constatar que o ponto de demência de alguém seja a fonte do seu charme. Portanto, vamos ao G! "(*G significa gauche, esquerda em francês).“"Jamais interprete, experimente…”
"São organismos que morrem, não a vida."
"A arte é o que resiste: ela resiste à morte, à servidão, à infâmia, à vergonha... A arte é o destino inconsciente do artista."
"Os pontos fracos de um livro são com frequência a contrapartida de intenções vazias que não se soube realizar."
“Nossa vida moderna é tal que, quando nos encontramos diante das repetições mais mecânicas, mais estereotipadas, fora de nós e em nós, não cessamos de extrair delas pequenas diferenças, variantes e modificações.”
“O eterno retorno diz: o que quiseres, queira-o de tal maneira que também queiras seu eterno retorno.”
“Os conceitos com compreensão finita são os conceitos nominais: os conceitos com compreensão indefinida, mas sem memória, são os conceitos da Natureza.”
“[...] repete-se tanto mais o passado quanto menos ele é recordado..."
“Nada aprendemos com aquele que nos diz: faça como eu. Nossos únicos mestres são aqueles que nos dizem “faça comigo” e que, em vez de nos propor gestos a serem reproduzidos, sabem emitir signos a serem desenvolvidos no heterogêneo.”
“A roda do eterno retorno é, ao mesmo tempo, produção da repetição a partir da diferença e seleção da diferença a partir da repetição.”
“[...] Deus não criou Adão pecador, mas, primeiramente, o mundo em que Adão pecou.”
“O paradoxo da repetição não estará no fato de que não se pode falar em repetição a não ser pela diferença ou mudança que ela introduz no espírito que a contempla?”
“Sob o eu que age há pequenos eus que contemplam e que tornam possíveis a ação e o sujeito ativo.”
“Só o presente existe.”
“O fundamento do tempo é a Memória.”
“O passado não é o antigo presente, mas o elemento no qual este é visado.”
“Cada um escolhe sua altura ou seu tom, talvez suas palavras, mas a melodia é a mesma e há um mesmo trá-lá-lá sob todas as palavras, em todos os tons possíveis e em todas as alturas.”
“Eis que o presente e o passado, nesta última síntese do tempo, são apenas dimensões do futuro: o passado, como condição, e o presente como agente.”
“[...] atrás das máscaras há ainda máscaras, e o mais oculto é ainda um esconderijo e assim indefinidamente. Desmascarar alguma coisa ou alguém é uma ilusão.”
“[...] o inconsciente deseja e só faz desejar.”
“Não é o que eles dizem ou o que eles pensam, mas sua vida é que é exemplar e os ultrapassa.”
“Nenhuma decisão é final, todas se ramificam.”
“O catecismo, tão inspirado nos Padres platônicos, nos familiarizou com a ideia de uma imagem sem semelhança: o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, mas, pelo pecado, perdemos a semelhança, guardando a imagem…”
“[...] há alguém, mesmo que seja apenas um, com a modéstia necessária, que não chega a saber o que todo mundo sabe e que nega modestamente o que presume que todo mundo reconhece.”
“[...] o pensamento conceitual filosófico tem como pressuposto implícito uma Imagem do pensamento, pré-filosófica e natural, tirada do elemento puro do senso comum.”
“Não contemos com o pensamento para fundar a necessidade relativa do que ele pensa; contemos, ao contrário, com a contingência de um encontro com aquilo que força a pensar, a fim de erguer e estabelecer a necessidade absoluta de um ato de pensar, de uma paixão de pensar. As condições de uma verdadeira crítica e de uma verdadeira criação são as mesmas: destruição da imagem de um pensamento que pressupõe a si próprio, gênese do ato de pensar no próprio pensamento.”
“Alguém nunca é superior ou exterior àquilo de que ele se aproveita: o tirano institucionaliza a besteira, mas é o primeiro serviçal de seu sistema, e o primeiro instituído é sempre um escravo que comanda escravos.”
“[...] o sentido só funda a verdade tornando o erro possível. Uma proposição falsa, portanto, não deixa de continuar sendo uma proposição dotada de sentido. Quanto ao não-sentido, ele seria o caráter daquilo que não pode ser nem verdadeiro nem digital.”
“Aprender é tão-somente o intermediário entre não-saber e saber, a passagem viva de um ao outro. Pode-se dizer que aprender, afinal de contas, é uma tarefa infinita ..."
“Rigorosamente, não há problemas sociais que não sejam econômicos, se bem que suas soluções sejam jurídicas, políticas, ideológicas, e que os problemas se exprimam também nesses campos de resolubilidade.”
“O problema do pensamento não está ligado à essência, mas à avaliação do que tem importância e do que não tem ..."
“[...] a revolução é a potência social da diferença, o paradoxo de uma sociedade, a cólera da própria Ideia social.”
“O mundo é um ovo, mas ovo é, ele próprio, um teatro: teatro de encenação, onde os papéis levam vantagem sobre os atores, os espaços sobre os papéis, as Ideias sobre os espaços.”
“[...] um conceito é totalmente incapaz de especificar-se ou dividir-se; o que age sob ele, como arte oculta, como agente de diferenciação, são os dinamismos espaço-temporais.”
“[...] não somos fixados a um estado ou a um momento, mas sempre fixados por uma Ideia como pelo brilho de um olhar..."
“[...] é verdade que Deus faz o mundo calculando, mas seus cálculos nunca estão corretos, e é mesmo esta injustiça no resultado, esta irredutível desigualdade, que forma a condição do mundo.”“Não há amor que não comece pela revelação de um mundo possível como tal, enrolado em outrem que o exprime.”
“A teoria do pensamento é como a pintura: tem necessidade dessa revolução que faz com ela passe da representação à arte abstrata; é este o objeto de uma teoria do pensamento sem imagem.”
“É provável que as noções de singular e de regular, de notável e de ordinário tenham, para a própria filosofia, uma importância ontológica e epistemológica muito maior que as de verdadeiro e de falso, relativas à representação, pois o que se chama sentido depende da distinção e da distribuição desses pontos brilhantes na estrutura da Ideia.”
“Isso porque não há outro problema estético a não ser o da inserção da arte na vida cotidiana. Quanto mais nossa vida cotidiana aparece estandardizada, estereotipada, submetida a uma reprodução acelerada de objetos de consumo, mais deve a arte ligar-se a ela e dela arrancar esta pequena diferença que, por outro lado e simultaneamente, atua entre outros níveis de repetição, como também fazer os dois extremos das séries habituais de consumo ressoarem com as séries dos instintos de destruição e de morte; juntando, assim, o quadro da crueldade ao da besteira, descobrindo sob o consumo um crispar de maxilares hebefrênico e, sob as mais ignóbeis destruições da guerra, ainda processos de consumo, reproduzir esteticamente as ilusões e mistificações que constituem a essência real desta civilização, para que, finalmente, a Diferença se expresse com uma força repetitiva de cólera, capaz de introduzir a mais estranha seleção, mesmo que seja uma contração aqui e ali, isto é, liberdade para um fim de mundo. Cada arte tem suas técnicas de repetições imbricadas, cujo poder crítico e revolucionário pode atingir o mais elevado ponto para nos conduzir das mornas repetições do hábito às profundas repetições da memória e, depois, às repetições últimas da morte, onde se decide nossa liberdade.”
Gilles Deleuze (1925-1995), filósofo francês que participou ativamente
do movimento de 68 na França.É considerado um dos maiores nomes do movimento que ficou conhecido na filosofia e ciências sociais como pós-estruturalismo, ao lado de pensadores como Michel Foucault, Jaques Derrida, Felix Guattari, entre outros.
O livro “Conversações” é uma compilação de várias entrevistas que Deleuze deu ao longo de sua vida.
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
... é possível ser sábio sem arrogância e sem provocar hostilidades!

Lucius Aneu Sêneca
* Córdoba, Espanha c. 4 a.C
+ Roma, Itália – 65 d.C - (Séneca, in 'Cartas a Lucílio')"O Perigo nas Relações Humanas"
Nas relações humanas o perigo é coisa de todos os dias. Deves precaver-te bem contra este perigo, deves estar sempre de olhos bem abertos: não há nenhum outro tão frequente, tão constante, tão enganador! A tempestade ameaça antes de rebentar, os edifícios estalam antes de cair por terra, o fumo anuncia o incêndio próximo: o mal causado pelo homem é súbito e disfarça-se com tanto mais cuidado quanto mais próximo está. Fazes mal em confiar na aparência das pessoas que se te dirigem: têm rosto humano, mas instintos de feras. Só que nestas apenas o ataque directo é perigoso; se nos passam adiante não voltam atrás à nossa procura. Aliás, somente a necessidade as instiga a fazer mal; a fome ou o medo é que as forçam a lutar. O homem, esse, destrói o seu semelhante por prazer. Tu, contudo, pensando embora nos perigos que te podem vir do homem, pensa também nos teus deveres enquanto homem. Evita, por um lado, que te façam mal, evita, por outro, que faças tu mal a alguém. Alegra-te com a satisfação dos outros, comove-te com os seus dissabores, nunca te esqueças dos serviços que deves prestar, nem dos perigos a evitar. Que ganharás tu vivendo segundo esta norma? Se não evitas que te façam mal, pelo menos consegues que te não tomem por tolo. Acima de tudo, porém, refugia-te na filosofia: ela te protegerá no seu seio, neste templo sagrado viverás seguro ou, pelo menos, mais seguro. Não dão encontrões uns nos outros senão os que caminham pela mesma estrada. Não deverás, todavia, fazer alarde da tua filosofia; muitos dos seus adeptos viram-se em situações perigosas por a praticarem com excessiva altivez e obstinação. Usa-a tu para te livrares dos teus vícios, não para exprobares os dos outros. Que ela te não leve a viver ao invés de todos os demais, nem a parecer condenar tudo aquilo que não praticas. É possível ser sábio sem arrogância e sem provocar hostilidades.
* Córdoba, Espanha c. 4 a.C
+ Roma, Itália – 65 d.C - (Séneca, in 'Cartas a Lucílio')"O Perigo nas Relações Humanas"
Nas relações humanas o perigo é coisa de todos os dias. Deves precaver-te bem contra este perigo, deves estar sempre de olhos bem abertos: não há nenhum outro tão frequente, tão constante, tão enganador! A tempestade ameaça antes de rebentar, os edifícios estalam antes de cair por terra, o fumo anuncia o incêndio próximo: o mal causado pelo homem é súbito e disfarça-se com tanto mais cuidado quanto mais próximo está. Fazes mal em confiar na aparência das pessoas que se te dirigem: têm rosto humano, mas instintos de feras. Só que nestas apenas o ataque directo é perigoso; se nos passam adiante não voltam atrás à nossa procura. Aliás, somente a necessidade as instiga a fazer mal; a fome ou o medo é que as forçam a lutar. O homem, esse, destrói o seu semelhante por prazer. Tu, contudo, pensando embora nos perigos que te podem vir do homem, pensa também nos teus deveres enquanto homem. Evita, por um lado, que te façam mal, evita, por outro, que faças tu mal a alguém. Alegra-te com a satisfação dos outros, comove-te com os seus dissabores, nunca te esqueças dos serviços que deves prestar, nem dos perigos a evitar. Que ganharás tu vivendo segundo esta norma? Se não evitas que te façam mal, pelo menos consegues que te não tomem por tolo. Acima de tudo, porém, refugia-te na filosofia: ela te protegerá no seu seio, neste templo sagrado viverás seguro ou, pelo menos, mais seguro. Não dão encontrões uns nos outros senão os que caminham pela mesma estrada. Não deverás, todavia, fazer alarde da tua filosofia; muitos dos seus adeptos viram-se em situações perigosas por a praticarem com excessiva altivez e obstinação. Usa-a tu para te livrares dos teus vícios, não para exprobares os dos outros. Que ela te não leve a viver ao invés de todos os demais, nem a parecer condenar tudo aquilo que não praticas. É possível ser sábio sem arrogância e sem provocar hostilidades.
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