sexta-feira, 20 de junho de 2014

terça-feira, 3 de junho de 2014

Ψ A Viagem Arquetípica do Louco



Logo de início, o Louco encontra o Mago, que representa o lado positivo, o consciente, a energia ativa, o poder masculino do impulso criativo, vontade individual. O mago pode ser um guia, um professor. Na alquimia refere-se que Hermes  presidia toda a obra alquímica. 


A Sacerdotisa: Representa o inconsciente, que provê o solo fértil no qual os eventos criativos podem nascer, potencial aguardando por um princípio ativo que a impulsiona à expressão. Segredos podem ser revelados.
 A Imperatriz: Diante dos contrastes da vida, o Louco vai crescendo e se tornando consciente do meio. A Imperatriz representa a mãe que alimenta, que dá carinho.Quando é amado ele é capaz de dar  e receber amor bem como protege e respeita o meio ambiente/ a mãe terra.


O Imperador: O pai, a autoridade, ambição, ganhos, conquistas. A criança aprende a importância da lei, da ordem, das regras.

 O Papa: O Louco se aventura para fora de sua casa, em direção ao mundo. Ele está exposto às crenças e às tradições que formam seu entorno cultural, e começa a sua educação formal. A iniciação em uma ordem mística, orientação espiritual.

Enamorados: Ele aprende a se identificar com um grupo e descobre o que é o sentido de pertencimento. Ele experimenta o impulso poderoso da união sexual com outra pessoa, ele quer um relacionamento.

O Carro: O louco já se tornou um adulto, com um certo domínio sobre si mesmo. Através da disciplina e da força de vontade ele vem desenvolvendo um controle interno que lhe permite triunfar sobre seu ambiente. Ele está visivelmente no controle de si mesmo, esta sua confiança é típica da juventude.

A Justiça: Então, o Louco deve decidir o que este sucesso significa para ele em termos transpessoais. Ele olha para trás e medita sobre sua vida para traçar as relações de causa e efeito que o trouxeram a este ponto. Ele assume a responsabilidade por suas ações passadas, fazendo as pazes e assegurando um rumo mais honesto para o futuro. As exigências da carta da Justiça devem ser cumpridas.

O Eremita: Tendo atingido o ápice do poder, o Louco começa a fazer perguntas de ordem espiritual. Ele parte em busca de respostas, não movido pela simples curiosidade, mas por uma necessidade profunda de descobrir porque as pessoas vivem apenas para sofrer e morrer. Então o Louco começa a olhar para dentro, tentando entender seus sentimentos e suas motivações. O mundo sensorial exerce menor atração para ele, e tem início a busca por momentos de solidão, longe da atividade frenética da sociedade.
A Roda da Fortuna: Depois de muita busca pela alma, o Louco começa a enxergar como tudo se conecta. Ele tem uma visão global da realidade, de seus intrincados padrões e ciclos. É o símbolo do universo misterioso cujas partes trabalham em perfeita harmonia. Quando o Louco vislumbra a beleza e a ordem do mundo, ele encontra algumas das respostas que estava buscando. Às vezes, suas experiências parecem ser obra do destino. Um encontro casual ou um acontecimento milagroso.
A Força: Seu senso de propósito está restaurado. Mas, com o tempo, a vida apresenta ao Louco novos desafios, e alguns deles causam sofrimento e desilusão. As diversas circunstâncias o pressionam para que desenvolva a sua coragem e a sua determinação para continuar apesar dos contratempos. Agora o Louco pode seguir adiante. Ele está determinado a realizar sua visão, mas percebe que a vida não é tão facilmente domada. Cedo ou tarde, ele encontra a sua cruz pessoal, uma experiência que parece ser muito difícil de suportar. Este desafio esmagador o humilha, até que ele não tenha mais escolha senão desistir e deixar que as coisas sigam seu rumo.

O Enforcado: Num primeiro momento, o Louco se sente derrotado, de cabeça para baixo. Ele acredita que sacrificou tudo, mas não está realizado. Então ele percebe que quando abandona a sua luta pelo controle, tudo começa a funcionar como deveria. Ao tornar-se aberto e vulnerável, o Louco descobre um apoio milagroso de seu interior. Ele aprende a se render às suas experiências e isso lhe traz uma alegria surpreendente. Resignado, ele se integra ao fluxo da vida.
A Morte: Depois desta visão, o Louco começa a eliminar velhos hábitos, cortando as partes não essenciais, pois agora ele aprecia os fundamentos da vida. Ele passa pelo encerramento de muitos processos antigos, e pelo descarte dos infrutíferos. Neste processo ele sente que parece morrer, pois esta é a carta da Morte. Quem morre na verdade é a sua identidade obsoleta, de modo a permitir o crescimento de uma nova. Às vezes, essa mudança inexorável parece estar esmagando o Louco, mas ele acaba se levantando para descobrir que a morte não é um estado permanente, mas simplesmente uma transição para uma forma nova e mais gratificante da vida.

A Temperança: Agora, ele percebe a estabilidade equilibrante da Temperança. Ele descobre o verdadeiro equilíbrio, pois ao experimentar os extremos, ele foi capaz de apreciar a moderação. Neste trajeto, o Louco combinou todos os aspectos de sua alma em um todo centrado que expressa a saúde e o bem-estar. Os anjos presentes na carta da Temperança são graciosos e suaves quando comparados ao poderoso mas rígido comandante presente na lâmina da Carruagem. Temperança: Este é um momento muito importante de decisão para o Louco. É quando ele está fazendo escolhas cruciais. Ele se dá conta que o comando de sua Carruagem deve ser temperada pela bondade e pelo poder suave de uma intervenção amorosa e cuidar com as paixões impulsivas.

O Diabo: Até aqui, o Louco conquistou a sua saúde, a sua paz de espírito. Aparentemente, ele não precisa de mais nada. No entanto, o Louco é corajoso o suficiente para continuar a perseguir os níveis mais profundos do seu ser. E esta atitude o leva a estar cara a cara com o próprio Diabo que não se trata de uma figura malévola e sinistra que reside fora de nós. Ele é a própria ignorância e a desesperança que em algum momento se manifesta em nós. As atrações sedutoras do mundo material nos ligam tão fortemente aos objetos e às pessoas, que muitas vezes nem percebemos que nos tornamos seus escravos. Nossa vida é um espectro muito limitado de experiências, e permanecemos por muito tempo ignorando o mundo glorioso que é a nossa verdadeira herança. Na carta do Diabo, há um casal acorrentado, porém resignado e contente com esta situação. Eles jamais alcançarão a liberdade se não reconhecerem a sua própria escravidão. Eles se parecem com os Amantes, mas não sabem que seu amor está limitado ao aspecto material.

A Torre: Para se libertar do Diabo, o Louco precisa de uma mudança súbita, a qual é representada pela Torre. Esta é a carta da fortaleza do ego que cada um de nós tem construído em torno de sua alma. Esta fortaleza é cinza, dura e fria, e apesar de parecer servir como proteção, ela é na realidade uma prisão. Estruturas rígidas precisam ser destruídas ou percebemos isso e mudamos ou o "destino" fará, às vezes da forma mais fatalista.

A Estrela: Às vezes, apenas uma crise de proporções monumentais pode gerar energia suficiente para quebrar as paredes da Torre. Nesta carta vemos o raio do discernimento colidindo com um edifício. Ele expulsa os ocupantes que parecem estar caindo para a morte. A coroa indica que eles já foram governantes orgulhosos, mas agora são humilhados por uma força muito maior do que eles mesmos. Depois deste processo de destruição, o Louco é preenchido com a serenidade. As belas imagens que aparecem na carta da Estrela  atestam essa tranquilidade. A mulher ali retratada está nua, pois sua alma não está mais escondida atrás de um disfarce qualquer. As estrelas radiantes brilham no céu sem nuvens, que serve como um farol de esperança e inspiração. Neste momento o Louco é abençoado com uma confiança que substitui completamente as energias negativas do Diabo. Sua fé em si mesmo e no futuro é completamente restaurada. Ele está repleto de alegria e seu desejo é compartilhar seu sentimento de maneira generosa com o resto do mundo. Seu coração está aberto e derrama livremente seu amor. Esta paz que vem depois da tempestade é um momento mágico para o Louco.

A Lua: Essa calma perfeita só é atrapalhada pela sua vulnerabilidade às ilusões da lua. A alegria do Louco é um estado sentimental, e suas emoções, sejam elas negativas ou positivas, ainda não estão sujeitas à clareza mental. Em sua condição de sonhador, o Louco é suscetível à fantasia, à distorção e à uma falsa imagem da verdade. Mais ainda, a Lua é uma grande estimuladora da imaginação criativa. Ela abre o caminho para pensamentos que podem não estar de todo em acordo com a realidade, mesmo que sejam muito belos e e encantadores. Contudo, das profundezas do inconsciente ainda podem surgir medos muito profundos e ansiedades. Essas experiências podem fazer o Louco se sentir perdido e confuso.

O Sol: Somente a clareza lúcida do Sol é que pode direcionar a imaginação do Louco, pois a luz que emana do astro rei é capaz de brilhar em todos os lugares escondidos. Ela é que dissipa as nuvens de confusão e do medo. O Sol ilumina e permite ao Louco sentir e compreender a bondade do mundo. Agora, ele desfruta de uma energia vibrante e entusiástica. Na carta do Sol, o Louco é a criança nua que se dirige alegremente para enfrentar um novo dia. Nenhum desafio é demasiado assustador perante a vitalidade radiante do Louco. Ele se envolve em grandes empreitadas e atrai para si tudo o que precisa. Ele é capaz de perceber sua própria grandeza. Seu falso ego tem sido enfraquecido, permitindo que sua consciência radiante pudesse se manifestar. E assim ele descobre que a alegria, e não o medo, está no centro da sua vida. Ele perdoa a si mesmo e aos outros, sabendo que sua verdadeira essência é pura e boa. Ele pode se arrepender erros do passado, e não esquece que eles foram causados pela sua ignorância de sua verdadeira natureza.

O Julgamento: Ele está fazendo seu próprio Julgamento, uma espécie de acerto de contas consciente com sua vida. Desde que ele é capaz de se enxergar verdadeiramente, o Louco é capaz de tomar as decisões necessárias sobre o seu futuro. Ele pode escolher sabiamente quais coisas deverá valorizar, e quais serão descartadas.

O Mundo: Após esta nova introspecção, o Louco retorna ao Mundo, mas desta vez com uma compreensão muito mais ampla e completa, pois integrou todas as diferentes partes de si mesmo e alcançou a plenitude. Ele atingiu um novo nível de felicidade e realização. Sua vida agora é plena e significativa, e seu futuro está cheio de possibilidades infinitas. Em consonância com sua vocação pessoal, ele se torna ativamente envolvido no mundo, partilhando seus dons e talentos e descobrindo que é capaz de prosperar em tudo. Enfim, a Jornada do Louco chega ao fim. Através da perseverança e da honestidade, ele restabeleceu a coragem espontânea que trazia consigo no início de sua caminhada, mas agora ele se encontra plenamente consciente do seu lugar no mundo. Foi um longo ciclo, mas logo o Louco estará pronto para começar uma nova jornada que o levará a níveis cada vez maiores de compreensão.

Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

Ψ Jung e o Tarot - Uma Jornada Arquetípica

- O Tarô é um dos espelhos do pensamento inconsciente. 

- Cada uma das cartas do Tarô é uma mensagem da mente universal, cujo significado nem sempre é claro para o homem moderno, que jogou fora seus mitos ao querer interpretá-los literalmente. 

- Os arquétipos não são literais, são mensagens do inconsciente. Mas, como nossa mente inconsciente está divorciada do consciente, essa mensagem se perde. 

- Freud desenvolveu sua teoria psicanalítica em torno dessa premissa, usando a livre associação e análise de sonhos para localizar e trazer o material do inconsciente para lidar da melhor forma com a realidade.

- Jung ainda identificou o que chamou de "inconsciente pessoal", como diferente do que ele chamou de "inconsciente coletivo", esse expressa em uma linguagem simbólica universal. 

- Em Psicologia nós utilizamos testes psicológicos - técnicas projetivas, como o *Rorschach, *HTP ( casa, árvore e pessoa), *TAT  (teste de apercepção temática).
  ...  onde o sujeito conta uma  história sobre as imagens.

 - Considera-se que muitos conteúdos do inconsciente não estão diretamente acessíveis à consciência devido às restrições do ego e seus mecanismos de defesa.  
- Na psicologia, a projeção é um mecanismo de defesa inconsciente pelo qual vemos nossas próprias características e tendências não em nós mesmos, mas sim nas pessoas e eventos em nosso ambiente.

 - As imagens que se encontram na cartões do Tarot podem ser utilizadas de uma maneira semelhante. 

- Sally Nicholls descreve as cartas de tarô como detentores de projeção, o que significa simplesmente que eles são ganchos para capturar a imaginação.

- Sugere que "ao ver as imagens que lançam sobre a realidade exterior, como reflexos de espelho da realidade interior, chegamos a conhecer a nós mesmos ... confrontando os arquétipos e libertar-se um pouco de sua compulsão, a pessoa se torna cada vez mais capaz de responder à vida de forma individual ... ou, em termos de Jung "processo de Individuação".

- De acordo com Jung, os seres humanos tendem a responder a outros em termos de imagens arquetípicas que emergem do inconsciente coletivo, e tem o efeito de definir nossas expectativas conscientes e das pessoas próximas a nós.

- Imagens do cartão de Tarot podem ser eficazes em provocar intuições conscientes de que as mudanças de efeito em nossas imagens interiores, que depois servem para facilitar mudanças no comportamento manifesto. Essas mudanças, em seguida, resultam em novas respostas de pessoas e situações ao nosso redor. 

- O Tarot não tenta prever o futuro, mas permite que o indivíduo tenha um papel ativo na criação de um futuro novo e transformado - na transcendência do seu ego consciente com o propósito de alcançar a totalidade ou completa consciência de si, e, finalmente, em sua atualização do Eu Superior.

Fonte: NICHOLLS, Sally - Jung e o Tarot - Uma Jornada Arquetípica
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O Genial Gabriel García Márquez: 1927 - 2014

" (...) O General Moncada endireitou o corpo para limpar os grossos óculos: “mas o que me preocupa não é que você me fuzile, porque afinal para gente como nós esta é a morte natural.”  (...)  “O que me preocupa”, acrescentou, “é que de tanto odiar os militares, de tanto combatê-los, de tanto pensar neles, você acabou por ficar igual a eles. E não há ideal na vida que mereça tanta baixeza."
 
"Deixe que o tempo passe e já veremos o que traz."

"Ambos eram conscientes de serem tão diferentes, que nunca se sentiam tão sós do que quando estavam juntos."

 “Conversaram sem se preocupar com a hora, porque ambos estavam acostumados a compartilhar suas insônias...”

 "Debaixo do sol abrasador da rua comecei a sentir o peso dos meus noventa anos,
 e a contar minuto a minuto os minutos das noites que me faltavam para morrer."

 “Não se preocupe”, sorria ele. “Morrer é muito mais difícil do que se acredita.”

"Na hora, pensei que um dos encantos da velhice são as provocações que as amigas jovens se permitem, achando que a gente está fora do jogo." 

 “Como provar aos homens o quanto estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem, justamente, quando deixam de se apaixonar?!”

 "A idade não é a que a gente tem, mas a que a gente sente."

 (...)  "Rogou a Deus que lhe concedesse ao menos um instante para que ele não partisse sem saber quanto o amara... Mas teve que se render à intransigência da morte."

 “... nunca teve pretensões a amar e ser amada, embora sempre nutrisse a esperança de encontrar algo que fosse como o amor, mas sem os problemas do amor.”

 “O desejo de esquecê-lo era o mais forte estímulo para se lembrar dele.”

 “As pessoas que a gente ama deviam morrer com todas as suas coisas.”

  “Já tinha então a impressão de conhecê-lo como se tivesse vivido com ele toda a vida, e acreditava que ele era capaz de mandar o navio voltar ao porto se isso pudesse curar sua dor.”

 “Coisa bem diferente teria sido a vida para ambos se tivessem sabido a tempo que era mais fácil contornar as grandes catástrofes matrimoniais do que as misérias minúsculas de cada dia.”

  “... à medida que aumentavam as ânsias de estar com ela aumentava também o temor de perdê-la, de modo que os encontros foram ficando cada vez mais apressados e difíceis.”



 "Não tornara a sentir uma felicidade como a dessa noite: tão intensa que lhe causava medo."

"... Mas se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão a luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos."

 “O amor é uma peste”, trovejou. “Havendo tantas moças bonitas e direitas, a única coisa que lhe passa pela cabeça e casar com a filha do inimigo.”

" ...  durante muitos anos tinham ficado sem padre, arranjando os negócios da alma diretamente com Deus, e haviam perdido a malícia do pecado mortal. "
 " Pensou confusamente, enfim capturado numa armadilha da saudade, que talvez se tivesse se casado com ela teria sido um homem sem guerra e sem glória, um artesão sem nome, um animal feliz."

“Já então o pároco manifestava os primeiros sintomas do delírio senil que o levou a dizer, que provavelmente o diabo tinha ganho a rebelião contra Deus e que era aquele quem estava sentado no trono celeste sem revelar a sua verdadeira identidade para enganar os incautos.”

 
“Todos temos três vidas: A vida pública, a vida privada, e uma vida secreta.” 


“Desconcerta-me tanto pensar que Deus existe como que não existe.” 


 
(*O romance épico "Cem Anos de Solidão" (1967), vendeu mais de 50 milhões de cópias em mais de 25 idiomas. É um dos exemplos principais do chamado realismo fantástico e marcou um boom da literatura latino americana que durou duas décadas. A obra narra a saga de gerações da família Buendí e foi "o primeiro romance em que os latino-americanos se reconheceram, que os definiu, que celebrou sua paixão, sua intensidade, sua espiritualidade e superstição, sua grande propensão ao fracasso", refere o biógrafo Gerald Martin.
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