quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ψ O ANIQUILAMENTO DO FEMININO PELA MÍDIA



Apesar do grande avanço na luta travada pelas mulheres do mundo para conquistar espaços e oportunidades, há muito a ser feito para que se reverta toda uma história de opressão e desigualdade, construída através de séculos de desrespeito aos valores ligados ao feminino.

Em relação à violação dos direitos humanos, a violência contra a mulher é um ponto sensível que precisa ser tocado para que possa sanado nas diversas esferas em que ocorre. Seja no nível coletivo ou doméstico, a violência e o desrespeito aos direitos da mulher é um fato.


Entretanto, uma outra forma de violência contra a mulher acontece diariamente diante dos nossos olhos. Uma violência psicológica que tem sido perpetrada pelo Grande Deus Mercado, devidamente assessorado pela mídia.


A moderna cultura ocidental é dominada por uma filosofia narcisista, que “coisifica” o ser humano. 


Conseqüentemente pensamentos e comportamentos são influenciados por essa filosofia, gerando uma sociedade imagética que privilegia a imagem em detrimento de outros conteúdos.

Em relação à mulher, a imagem veiculada pela mídia é escancaradamente “coisificada”. Os valores ligados ao feminino são subvertidos e apresentados de maneira preconceituosa e distorcida, reforçando o conceito (ou preconceito) de que o valor da mulher está ligado a sua imagem e nunca a sua inteligência ou capacidade profissional.


A mulher é retratada apenas como um corpo que vende qualquer produto e não um sujeito real de carne e osso.


Mas o absurdo não para por aí. Colocada a serviço de um mercado que visa apenas o lucro, a mídia publicitária impõe um padrão de beleza que é inalcançável para a maioria das mulheres. Um modelo de beleza pasteurizado - a mulher branca, magra, de cabelos lisos e loiros.


Na tentativa de se adequarem a esse padrão, as mulheres, principalmente adolescentes, passam a subverter a própria aparência e a camuflar a sua identidade étnica. Muitas destas jovens acabam ficando tão obcecadas em atingir esse padrão de beleza que acabam negligenciando outros aspectos do seu desenvolvimento, desconsiderando inclusive suas capacidades intelectuais.


Drogas anorexísticas, regimes e dietas malucas, cirurgias estéticas, lipoaspiração, liposescultura e muito implante de silicone. Vale tudo para ficar parecida com a "top-model" famosa, a atriz da novela das oito ou com a BBB da última estação. A pressão sofrida para atingir esse ideal estético gera uma relação de conflito com o próprio corpo. Acabam surgindo em decorrência, patologias físicas na forma de distúrbios alimentares (anorexia, bulimia) e transtornos psicológicos (depressão, ansiedade, fobias). A frustração e o sentimento de inadequação acabam por dificultar as relações afetivas e sociais.


Mas a parte mais perversa desse fato é que a mesma frustração gerada e alimentada pela mídia torna a mulher uma presa fácil de todo tipo de anúncio publicitário. De cosméticos a aparelhos de ginástica, passando por dietas e fórmulas emagrecedoras que prometem "milagres", a baixa estima e a frustração feminina com sua própria imagem GERA LUCRO E MUITO LUCRO!

 
Para confirmar isso é só dar uma olhada na programação da televisão aberta. Salvo raríssimas exceções, o que se vê é pouca ou nenhuma informação que possa ser considerada útil. Muita fofoca televisiva, muita futilidade, música de péssima qualidade, receitas engordativas e muito, mais muito merchandising. Questões mais profundas não fazem parte da pauta dos programas destinados às mulheres.


Na mídia impressa a coisa não é diferente. As revistas femininas, que mais se assemelham a catálogos publicitários, reforçam nas entrelinhas de suas páginas a imagem de uma mulher narcisista que precisa preencher o vazio da sua existência com fofocas sobre gente famosa.


 Contraditórias em seus conteúdos trazem na mesma edição matérias que ensinam a cozinhar 'pratos maravilhosos' para conquistar o seu homem pelo estômago e dietas milagrosas que vão deixá-la magra, para poder caber nas roupas que os estilistas famosos criaram para modelos de passarela e não para mulheres reais.

Para fazer frente a essa realidade sómente com muita lucidez e discernimento. Não consumir produtos que utilizem a imagem da mulher de forma pejorativa pode ser um caminho. Uma forma de obrigar o mercado a rever as suas estratégias publicitárias.


 Educar nossas crianças com bases que contemplem mais os valores humanos e menos o consumo também é uma atitude que se faz urgente. Mais do que homens ou mulheres somos seres humanos. E seres humanos não são coisas e nem 'mercadoria' a ser consumida. 

Um masculino saudável e equilibrado só irá se reconhecer através de um feminino saudável e equilibrado e vice versa. Esse equilíbrio não pode ser alcançado em uma sociedade 'corpocêntrica' - que não incentiva o desenvolvimento integral do ser humano.  
(txt- Irene Carmo Pimenta)
Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ψ mulheres nas antigas civilizações






As mulheres de origem Celta eram criadas tão livremente como os homens. A elas era dado o direito de escolher os seus parceiros e nunca poderiam ser forçadas a uma relação que não queriam.
 Eram ensinadas a trabalhar para que pudessem garantir o seu sustento, bem como eram excelentes amantes, donas de casas e mães.

*A primeira lição: “Ama o teu homem e segue-o, mas somente se ambos representarem, um para o outro, o que a Deusa Mãe ensinou: Amor, companheirismo e amizade.
*Jamais permitas que algum homem te escravize: Tu nasceste livre para amar, e não para ser escrava.
*Jamais permitas que o teu coração sofra em nome do amor. Amar é um acto de felicidade, para quê sofrer?
*Jamais permitas que os teus olhos derramem lágrimas por alguém que nunca te fará sorrir!

*Jamais permitas que o uso do teu próprio corpo seja cerceado. Saibas que o corpo é a moradia do espírito. Para quê mantê-lo aprisionado?
*Jamais permitas ficar horas esperando por alguém que nunca virá, mesmo tendo prometido! *Jamais permitas que o teu nome seja pronunciado em vão por um homem cujo nome tu nem sequer sabes!
*Jamais permitas que o teu tempo seja desperdiçado com alguém que nunca terá tempo para ti! *Jamais permitas ouvir gritos nos teus ouvidos.
O Amor é o único que pode falar mais alto!
*Jamais permitas que paixões desenfreadas te levem de um mundo real para outro que nunca existiu! 

*Jamais permitas que outros sonhos se misturem aos teus, tornando-os um grande pesadelo! 
*Jamais acredites que alguém possa voltar quando nunca esteve presente!  *Jamais permitas que o teu útero gere um filho que nunca terá um pai!
*Jamais permitas viver na dependência de um homem como se tivesses nascido inválida! 

*Jamais te ponhas linda e maravilhosa, a fim de esperar por um homem que não tenha olhos para te admirar! 
*Jamais permitas que os teus pés caminhem na direcção a um homem que vive fugindo de ti!!
*Jamais permitas que a dor, a tristeza, a solidão, o ódio, o ressentimento, o ciúme, o remorso e tudo aquilo que possa tirar o brilho dos teus olhos, te dominem, fazendo arrefecer a força que existe dentro de ti!
E, sobretudo, jamais permitas perderes a dignidade de ser..."

(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica) 

Ψ PSICOTERAPIA EXISTENCIAL - o homem já nasce confuso


Ψ "... o homem é naturalmente desorientado e já nasce confuso." (Ortega y Gasset)

 Tal desorientação está relacionada com a solidão existencial, com a condenação à culpa, ao sofrimento e à morte. Ainda que confuso ele busca um sentido. 

O papel da Análise Existencial é o de ajudar a elaborar a nossa história, facilitando uma noção mais clara da existência para que possamos nos interpretar e para que nossa história de vida seja menos absurda, desmascarando as ilusões, os enganos da consciência, transformando assim em realidade a nossa utopia pessoal ou nosso projeto de vida.

 VIR-A-SER é dar luz a si próprio, renascer a cada dia e assumir as rédeas do destino e construir a própria história. Ao tentar assumir a sua história o homem se depara com limites que interferem nas possibilidades de crescimento.
Os principais limites são: a MORTE, a LIBERDADE, o ISOLAMENTO EXISTENCIAL, o SOFRIMENTO, a RESPONSABILIDADE e a BUSCA DE SENTIDO PARA A VIDA.

 *A PRIMEIRA PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL: Frente à morte nada mais podemos fazer senão ficarmos preocupados, não há escapatória possível. Conscientes dela, somos surpreendidos por uma sensação de absurdo, impotência e insegurança permanente. A trágica experiência da transitoriedade da vida ajuda o ser humano a empregar responsavelmente seu tempo. 

*A SEGUNDA PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL É COM A LIBERDADE: Diante da transitoriedade da vida e com a possibilidade da morte o homem dá valor à liberdade e luta por ela, sente urgência em ser livre. O cerceamento da liberdade pode instigar revoluções ou mesmo engessar indivíduos em atitudes reacinárias, recusando-se à ação livre. A liberdade desafia a criatividade e a vontade autêntica de cada um ser ele mesmo apesaar das provocações quotidianas massificadas. 

*A TERCEIRA PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL É COM O ISOLAMENTO EXISTENCIAL: O homem segue solitário pela vida afora. Desde o nascimento luta em sua trajetória na esperança de compartilhar sua solidão com alguém, mas na maior parte do tempo está absolutamente só. Nunca se está tão só como ao nascer e ao morrer. Ao nascer a experiência é intransferível e ao morrer é partida solitária. 

*A QUARTA PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL É COM O SOFRIMENTO: O sofrimento é inevitável como disse FRANKL, há uma certa dose de sofrimento que está ligada à própria condição humana. A experiência do prazer e da dor são intransferíveis, como se a natureza quisesse dizer-nos que o mais importante nesse mundo é que todos possam experimentar diretamente a vida. Porque somos capazes de sentir dor e sofrer, somos cautelosos e responsáveis diante da vida, (o que contribuiu para a humanização do homem, desenvolvendo sentimentos de compaixão, amor e zelo pelos outros seres). Foi a vulnerabilidade humana que construiu a civilização, o convívio em comunidade garantindo a preservação da espécie. 

*A QUINTA PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL É COM O SENTIMENTO DE CULPA: A culpa ajuda-nos a rever o caminho e a cuidar dos outros. Fugimos da culpa, evitando prejudicar nossos companheiros de jornada e agravar ainda mais nosso isolamento existencial.A culpa tem origem na sensação de atingir o outro fazendo-o sofrer. Segundo Melanie Klein este sentimento faz-se acompanhar do desejo de reparação ou de expiação para compensar o prejuízo causado à pessoa.
Por ser provido de consciência pressupõe-se que o homem deva assumir a culpa e responsabilidade pelo que faz, responder por suas condutas, comportamentos e atitudes. 

*A SEXTA PREOCUPAÇÃO ESTÁ RELACIONADA COM A RESPONSABILIDADE: Ser homem é basicamente ser capaz de assumir RESPONSABILIDADES, sem assumir compromissos a vida fica desprovida de qualquer sentido.

 *A SÉTIMA PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL HUMANA TRATA-SE DA BUSCA DE SENTIDO PARA A VIDA: Esta é questão fundamental para a humanidade desde o princípio da história: de LAO-TSÉ a VIKTOR FRANKL, dos ASTECAS aos ÍNDIOS DA AMAZÔNIA, de ZENÃO de ELÉIA a HEIDEGGER... 
O sentido volta-se para o futuro, para o depois, para o que ainda estar por vir, e que só existe no reino da ESPERANÇA.  Subsistem, lado a lado, as preocupações fundamentais do homem com a morte, o sofrimento, a culpa, a liberdade, o isolamento existencial, a responsabilidade, que contribuem para a realização da meta primordial do homem - o ENCONTRO DE UM SENTIDO para sua vida.

 A LOGOTERAPIA visa facilitar a compreensão deste sentido vital que pode estar escondido como as raízes da árvore, mas que tem força de sustentação porque, como disse o poeta, O QUE A ÁRVORE TEM DE FLORIDO VIVE DO QUE ESTÁ SEPULTADO. 

Fonte: GOMES, José Carlos - A Prática da Psicoterapia Existencial - LOGOTERAPIA - vozes - Petrópolis 1988. (txt elaborado por Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

sábado, 13 de março de 2010

"canto para a minha morte"

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar
Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,
mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...
Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,
mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
(Composição: Paulo Coelho/ Raul Seixas)

Tan tan tan batem na porta, não precisa ver quem é...




Dona desses traiçoeiros
Sonhos sempre verdadeiros
Oh! Dona desses animais
Dona dos seus ideais
Oh! Dona desses animais
Dona dos seus ideais
Pelas ruas onde andas
Onde mandas todos nós
Somos sempre mensageiros
Esperando tua voz
Teus desejos, uma ordem
Nada é nunca, nunca é não
Porque tens essa certeza
Dentro do teu coração

Tan, tan, tan, batem na porta
Não precisa ver quem é
Pra sentir a impaciência
Do teu pulso de mulher
Um olhar me atira à cama
Um beijo me faz amar
Não levanto, não me escondo
Porque sei que és minha
Dona!!!
Dona desses traiçoeiros
Sonhos sempre verdadeiros
Oh! Dona desses animais
Dona dos seus ideais
Não há pedra em teu caminho
Não há ondas no teu mar
Não há vento ou tempestade
Que te impeçam de voar
Entre a cobra e o passarinho
Entre a pomba e o gavião
Ou teu ódio ou teu carinho
Nos carregam pela mão
É a moça da Cantiga
A mulher da Criação
Umas vezes nossa amiga
Outras nossa perdição
O poder que nos levanta
A força, que nos faz cair
Qual de nós ainda não sabe
Que isso tudo te faz
Dona! Dona!Dona!
(Roupa Nova - Composição: Sá & Guarabyra)

domingo, 7 de março de 2010

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ψ DEPRESSÃO - estava sofrendo de uma grave doença

 
(...) estava sofrendo de uma grave doença depressiva e todos os esforços para me livrar dela eram vãos.
- Uma das manifestações terríveis é a falta completa da autoestima. Quanto mais ela progredia mais mais meu valor diminuia assustadoramente ante meus olhos.
- É um desalento mórbido.
- A depressão é um distúrbio do espírito, tão misteriosa e imprevisivelmente percebida pela pessoa (mente mediadora), que é quase indescritível.
- Permanece incompreensível para os que não experimentam sua forma extrema.
- É assustador verificar que o leigo, vítima de depressão grave, encontra muita coisa sobre a sintomatologia da doença mas quase nenhuma sugestão de possibilidade de cura relativamente rápida.
- Aqueles que prometem uma solução fácil são insensatos e charlatões.
- Existe a combinação farmacológica e psicoterápica, que na depressão mais grave é inócua.
- A depressão como doença, é ainda um grande mistério.
- Seus segredos tem sido revelados à ciência com relutância muito maior do que os segredos das outra doenças que nos afligem.
- Outra característica é a relutância em aceitar a realidade de que a mente encontra-se em estado de dissolução e não se procura o especialista o que contribui para a intensificação dos sintomas.
- Mas cada vez mais o confronto não pode ser adiado.
- Não dá para manter as aparências por tempo indefinido ainda que que a literatura acessível sobre depressão seja levianamente otimista fazendo crer que basta encontrar o psicofármaco certo com promessa de rápida recuperação é mais um engodo.
- Em estágio mais avançado os sintomas são sinistros: a mente acaba sendo dominada por uma anarquia desconexa. Uma bifurcação do estado de espírito,
uma lucidez relativanas primeiras horas do dia, que vai ficando cada vez mais obscura durante a tarde e à noite.
- William James, que lutou contra a depressão desistiu de encontrar uma descrição adequada, sugerindo ser essa uma tarefa quase impossível, no livro 'The varieties of Religious Experience', refere: "É uma angústia positiva e ativa, uma espécie de neuralgia psíquica completamente desconhecida na vida normal." O tempo da depressão não sofre variações, sua luz é sempre marrom escura.
- Falta de apetite, o fracasso no riso forçado e finalmente, o fracasso total da capacidade de falar... a dor feroz produz um intenso alheamento, o discurso se resume num murmúrio confuso.

 Sem expressão, monossilábico, reticente...
- Durante o cerco implacável da doença os pensamentos de morte são comuns invadindo a mente como rajadas de vento gelado... "a dor da depressão não pode ser imaginada por quem não a experimentou e ela mata, porque a angústia torna-se insuportável.

- A prevenção de muitos suicídios continuará a ser falha enquanto não se tomar consciência dessa dor. Por meio do processo de cura chamado tempo, por meio da intervenção médica, psicoterápica e em muitos casos da hospitalização.
- A maioria das pessoas sobrevive à depressão e talvez essa seja sua única bênção. Mas quanto à trágica legião dos que são levados à autodestruição nenhuma censura lhes deve ser feita, da mesma forma que não censuramos a vítima de um câncer terminal."
- Fui vencido pela doença. A tempestade que me levou ao hospital incluia o álcool do qual vinha abusando há quarenta anos. Eu o usei muitas vezes combinando com a música para permitir que a minha mente criasse visões as quais o cérebro sóbrio e inalterado não tinha acesso.

- O álcool era meu sócio mais velho e valioso cuja ajuda eu procurava diariamente, procurava-o para acalmar a ansiedade e o medo incipiente, há tanto tempo escondidos num canto do meu cérebro.
(...) "O problema é que eu fui traído por um ataque repentino, eu não podia mais beber.

- Muitas pessoas que bebem apresentam essa intolerância quando mais velhos.
- O fato é que até um gole de vinho provocava-me náuseas. 
- O amigo tinha me abandonado, não gradual como deve fazer o verdadeiro amigo, mas num tiro, me deixando indefeso, desprotegido a seco. 
- Esta foi a peça perversa, ainda que o álcool seja um forte depressivo, jamais me deprimiu durante toda a minha carreira de bebedor, o contrário aliviava a ansiedade, ele era o grande aliado que mantinha longe meus demônios, agora nada poderia impedir que esses demônios invadissem meu inconsciente. 
- A depressão pairava sobre mim há anos, esperando para dar o salto mortal. Agora eu estava no primeiro estágio da tempestade negra da depressão".
- Sinto uma espécie de anestesia, uma apatia, uma estranha fragilidade... corpo fraco, hipersensível, desajeitado, sem a coordenação normal, sentia espasmos e dores, com presságios de todo tipo de doenças terríveis.

- Uma inquietação que me mantinha sempre em movimento.
- As vítimas da depressão tornam-se perigosas para elas mesmas. É uma tempestade de sombras. - As respostas são retardadas, a quase paralisia, a energia mental quase a zero. Finalmente o corpo é afetado e sente-se esvaziado, roubado de toda a força. O desaparecimento quase total da voz o som é fraco, a libido faz uma retirada precoce como acontece em quase todas as doenças graves.

-  É a necessidade supérflua de um corpo sob o assédio de uma emegência. Perda do apetite. Sono sem sonhos. Exaustão combinada com a falta de sono.
- A depressão tem o hábito da recaída. Mas a maioria sobrevive também a essa recorrência, geralmente suportando melhor porque a experiência passada as prepara psicologicamente para enfrentar para lutar contra o monstro.
- Vale ressaltar que é um insulto dizer "aguente firme", "tenha força de vontade", "reaja", etc
- Mas foi comprovado que se o encorajamento for sincero e compassivo, enfatizando sempre o tratamento especializado, seria parte da cura com menos riscos de suicídios. 


"Perto das Trevas" - William Styron/ tradução: Aulyde Soares Rodrigues / rocco - Rio de janeiro - 1991 (Livro resultado de uma palestra/1989, Baltimore, simpósio sobre distúrbios afetivos - Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina Universidade Johns Hopkins)
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Edvard Munch - Expressionismo

EDVARD MUNCH (Noruega 1863-1944) - Marcou o EXPRESSIONISMO, particularmente na Alemanha e também a pintura européia do século XX. Em sua obra encontramos a mesma força de expressão e de isolamento. Para Munch, a arte era algo muito mais do que simplesmente retratar algo belo, algo perfeito ou estilizado segundo os cânones de beleza e harmonia. A arte era utilizada como arma para lutar e denunciar situações anômalas e de descontentamento e que se verificam na sociedade.
 Grande parte de sua obra revela a pessoa aprisionada dentro de si mesmo e que o mundo nunca chegou verdadeiramente a conhecer. Em uma espécie de manifesto ele escreveu: "Queremos mais do que uma mera fotografia da natureza. Não queremos pintar quadros bonitos para serem pendurados nas paredes das salas de visitas. Queremos criar uma arte que dê algo à humanidade, ou ao menos assentar suas fundações. Uma arte que atraia a atenção e absorva. Uma arte criada no âmago do coração”.  Ou seja,  o artista não deve pintar realisticamente, mas sim exprimir e recriar a expressão de maneira encarar, a desnudar e literalmente GRITAR seu universo subjetivo.

sábado, 30 de janeiro de 2010

trago flores prá você!

dança bailarina, dança...







Dança, bailarina, dança...
Põe nos teus passos toda a harmonia
E toda a poesia nas pontas de teus pés
Em gestos nobres, faze surgir a fé!!!
Gira, bailarina, gira...
Vai girando e semeando amor,
Mais depressa que as voltas do mundo,
Pra que haja tempo de matar a dor!
Bailarina, baila...
Trazei contigo a primavera
Pra florir os campos, florescendo a Terra,
Numa explosão de cores que tua dança encerra.
Fazei de tua arte uma suave prece
Capaz de enternecer os corações de pedra
Fazei tua música soar tão alto
Calando assim os estopins da guerra!!!
Mostra ao homem que o teu bailado
Expressa a vida nesse simples ato...
Onde o amor é tudo, onde o amor é nato.
Que em teus saltos ponhas tua garra
Seguindo sempre a luz de teu clarão,
quebrando muros para unir os povos
Num universo único, onde se dêem as mãos.
Abre tua alma, no esplendor da dança...
Não desistas nunca e verás, enfim,
Bailar no campo, doce e cálida esperança,
Em meio às flores de um lindo jardim...
(Carmen Lucia Carvalho)

domingo, 8 de novembro de 2009

Ψ "O sofrimento é reduzido quando compartilhado com alguém"

Ψ  VIKTOR FRANKL - Psiquiatra Austríaco - 1905/ 1997
Na década de vinte inicia correspondência com Freud e em 1925 estudante de medicina encontra-se pessoalmente com o mestre, não prossegue com a Psicanálise criando a escola de LOGOTERAPIA.


De 1933 à 1936 -  dirige o pavilhão de mulheres suicidas do Hospital Psiquiátrico de Viena. Os nazistas tomam o poder na Áustria. Sabota ordens que recebera de proceder a eutanásia de doentes mentais sob seus cuidados.


1942 - Durante a segunda guerra mundial Frankl e família são deportados para diferentes campos de concentração. No final da guerra ao ser libertado toma conhecimento que sua mulher estava em Bergen-Belsen, onde teria morrido por esgotamento. Ele foi o prisioneiro número 119.104;


1948 - Obtém doutorado em Filosofia com o tema "O Deus Inconsciente".


1955 - Torna-se Professor de Neurologia, Universidade de Viena.


1984 - "Em busca de sentido" escreve: "Quero que vocês escutem o que sua consciência diz que devem fazer e coloquem em prática da melhor forma possível, e então verão que o sucesso vai persegui-los precisamente quando esqueceram de pensar nele."


1970 - Em San Diego/ Califórnia é fundado o primeiro Instituto de Logoterapia do mundo.


Foi nos Estados Unidos onde lecionou em Havard, Dallas e Pittsburgh que atingiu notoriedade mundial a despeito de contrariar as correntes psicanalíticas dominantes.


Como conferencista visitou vários países, passou pelo Brasil em 1984, (Porto Alegre, Rio de Janeiro e Brasília).


A obra de Frankl é lida em todas as partes do mundo, "O homem em busca de sentido" é um dos mais procurados. Para melhor compreensão da Logoterapia é indicado "Psicoterapia e humanismo" (1978).


Dr Frankl trouxe para a Psicologia uma proposta revolucionária de compreensão humana ao introduzir uma nova abordagem: o homem que é um ser espiritual, mas de espiritualidade reprimida, deve ser reconhecido como unidade biopsicossocial e espiritual. Supondo a Logoterapia uma dimensão espiritual no homem, a Psicologia toma novos rumos no que se refere à prática clínica, à forma de encarar o homem. Esta mudança de paradigma resulta na humanização da Psicoterapia que antes lidava com "sujeitos", "organismos", "comportamentos", "estímulos e respostas", perdendo de vista a criatura humana que sofre e procura um sentido para a sua vida ou até para o seu sofrimento.


A Logoterapia é a terceira escola Vienense de Psicoterapia o primeiro modelo Analítico - Existencial a propor estratégias clínicas efetivas para a Psicoterapia, sem perder de vista a humanidade do homem.
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

eu sou a deusa menina!

Eu sou a deusa menina
cheiro de flores

Eu sou a deusa menina
do amanhecer

Eu sou a deusa menina
eu sou uma bailarina

Que gira e gira no leste
para crescer

Eu sou a deusa menina
luz da semente




A primavera da vida
e o respirar

Eu estou voando no céu
eu estou brincando em teu eu

E tenho uma espada mágica
para te dar

Oh! deusa! deusa menina
brinca comigo

Dissolve o meu sofrimento
tira a minha dor

Libera minha tristeza
com teus poderes do vento

Revela-me teu mistério
a criação

(iniciação aos mistérios femininos/
as quatro fases da deusa)