domingo, 29 de junho de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
O quintal da casa: o arquétipo das travessuras inocentes...
O Lápis
É por demais de grande a natureza de Deus.
Eu queria fazer para mim uma naturezinha particular.
Tão pequena que coubesse na ponta do meu lápis.
Fosse ela, quem me dera, só do tamanho do meu quintal.
No quintal ia nascer um pé de tamarino apenas para uso dos passarinhos.
E que as manhãs elaborassem outras aves para compor o azul do céu.
E se não fosse pedir demais eu queria que no fundo corresse um rio.
Na verdade na verdade, a coisa mais importante que eu desejava era o rio.
No rio eu e a nossa turma, a gente iria todo dia jogar cangapé nas águas correntes.
Essa, eu penso, é que seria a minha naturezinha particular:
Até onde o meu pequeno lápis poderia alcançar. (Guimarães Rosa)
- A sensibilidade do poeta integra a ponta do lápis como parceira de seu percurso e seu trabalho exaustivo em criar, em labutar e esfregar as palavras até chegar ao bom verso que, então se torna imortal; mas, com o auxílio da ponta do lápis.
- Como seria a “naturezinha particular” do poeta? O poeta julgou a infância o lugar privilegiado para se ‘brincar de Deus', para inverter a ordem das coisas e tornar o mundo independente da lógica que a racionalidade lhe imprimiu. Lá não há espaços ociosos ... Lá no arquétipo do quintal tudo pode mudar e se transformar em sua natureza e nas relações; tudo depende da criatividade e da fantasia imaginante.
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
É por demais de grande a natureza de Deus.
Eu queria fazer para mim uma naturezinha particular.
Tão pequena que coubesse na ponta do meu lápis.
Fosse ela, quem me dera, só do tamanho do meu quintal.
No quintal ia nascer um pé de tamarino apenas para uso dos passarinhos.
E que as manhãs elaborassem outras aves para compor o azul do céu.
E se não fosse pedir demais eu queria que no fundo corresse um rio.
Na verdade na verdade, a coisa mais importante que eu desejava era o rio.
No rio eu e a nossa turma, a gente iria todo dia jogar cangapé nas águas correntes.
Essa, eu penso, é que seria a minha naturezinha particular:
Até onde o meu pequeno lápis poderia alcançar. (Guimarães Rosa)
- A sensibilidade do poeta integra a ponta do lápis como parceira de seu percurso e seu trabalho exaustivo em criar, em labutar e esfregar as palavras até chegar ao bom verso que, então se torna imortal; mas, com o auxílio da ponta do lápis.
- Como seria a “naturezinha particular” do poeta? O poeta julgou a infância o lugar privilegiado para se ‘brincar de Deus', para inverter a ordem das coisas e tornar o mundo independente da lógica que a racionalidade lhe imprimiu. Lá não há espaços ociosos ... Lá no arquétipo do quintal tudo pode mudar e se transformar em sua natureza e nas relações; tudo depende da criatividade e da fantasia imaginante.
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
sábado, 21 de junho de 2014
"O Anjo Mudo"
Em redor dela um halo de sombra onde a minha mão entra, vagarosamente, pedindo-te um Sinal.
Procuro o rosto com os dedos afiados pelo desejo.
(...) Ouvimos o mar, como se tivéssemos encostado a cabeça ao peito um do outro.
Mas não há repouso nesta paixão.
(...) Nada podemos fazer.
(...) A noite cerca-nos, devora-nos.
Estamos definitivamente sozinhos.
Começamos, então, a imitar a vida um do outro.
E, abraçados, amamo-nos como se fosse a ultima vez...
O tempo sempre esteve aqui, e eu passei por ele quase sempre sozinho.
No entanto, recordo: deixaste-me sobre a pele um rasgão que já não dói.
Mas quando a memória da noite consegue trazer-te intacto, fecho os olhos, o corpo e a alma latejam de dor.
Antes, o olhar seduzia e matava outro olhar. Agora, odeio-te por não me pertenceres mais.
(...) Se fugias, perseguia-te.
E o pior é que o tato também esqueceu, rapidamente, a sensualidade da pele...
Não devo perder tempo com o ciúme.
A paixão desgastou-me.
E nunca houve mais nada na minha vida - paixão ou ódio..." (Al Berto)
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
O Diário do Poeta
*Nada funciona comigo e parece que a alma e o corpo estão em suspenso...
*Sinto falta de tudo, de afetos, de ternura... de amor, de paixão, de gestos que me indiquem que estou aqui, que estou vivo e, apesar de tudo, vale a pena ir celebrando a vida. Dentro do possível. Dentro do que me parece justo.
* Só espero que meia dúzia de doidos me leiam agora e isso os toque.
* A eternidade é uma permanência da força que está dentro de nós.
*... um dia, um desconhecido virá ao meu encontro na rua e dirá: conheço-te, sou a tua imagem perdida uma noite dentro do espelho.
*... ergue-se para o espelho que lhe devolve um sorriso do tamanho do medo.
*(...) amanheço dolorosamente, hoje vou correr à velocidade da minha solidão e do medo: vou destruir todas as imagens onde me reconheço e passar o resto da vida assobiando ao medo.
*... sozinho atravessei noites e noites de medo.
*... é no silêncio que que melhor ludibrio a morte.
*... já não me prendo a mais nada, ouço o rumor do vento: vai alma vai até onde quiseres ir.
*... dizem que a paixão o conheceu mas hoje vive escondido nuns óculos escuros.
*... passo o dia a observar os objetos e sinto o tempo a devorá-los impiedosamente.
*(...) o que sobrou do adolescente rosto conhece a solidão de quem permanece acordado quase sempre estendido ao lado do sono pressente o suave esvoaçar da idade.
*... dizem que à beira mar envelheceu vagarosamente sem que nenhuma ternura nenhuma alegria , nenhum ofício, o tenha convencido que é bom permanecer entre os vivos.
* ... Desde que te conheço invade-me uma grande calma quando penso em ti.
*Sinto-me bem, disposto para as mais difíceis tarefas, para os mais complicados e demorados trabalhos.
*As noites cansaram-me, ia acabando comigo de vez na desordem e na ânsia de viver.
*... claro que continuo a sair à noite e a amar esse espaço fantástico que é a cidade, esta cidade que amo, mas tu estás nela também.
*A cidade mudou desde o instante em que nela entraste.
*Já não percorro a noite numa angústia que se esquece e anula na bebedeira, ao nascer do dia.
*Deixei de beber, tenho levado uma vida bastante regrada.
*Deixei de andar por aí a ver se alguém me pega ou se eu pego em alguém. Acabou.
*Tenho-te e sinto uma felicidade estranha a dominar-me.
*(...) e trabalho calmamente, com vagar, e avanço sem ser aos tropeções.
*Leio e releio o que escrevo. tudo se torna, de texto em texto, mais preciso, mais próximo do que penso
*Escrevo somente (como de resto sempre fiz) o que me dá gozo e ao mesmo tempo me perturba.
*Por isso odeio tanto reler-me. Sinto-me perturbado. O que ficou escrito foge-me, parece já não me pertencer, no entanto, sei que estou ali, por trás de cada texto escrito.
*Sinto que são ainda parte integrante de mim - raramente me consigo desligar (friamente) do que escrevi, mesmo que o tempo tenha tentado apagar as motivações que me levaram, na altura, a escrever o que ficou escrito.
*... Sinto-me capaz de caminhar na língua aguçada deste silêncio, e na sua simplicidade, na sua clareza, no seu abismo.
* Sinto-me capaz de acabar com esse vácuo, e de acabar comigo mesmo. A dor de todas as ruas vazias.
“Ele adentra em nossa paisagem, testemunha incorruptível da comédia humana, fotógrafo atento de nossos gestos trêmulos, de nossa hesitação em viver com toda lucidez”. (Pascal Thuot)
(Al Berto Raposo P. Tavares - 1948/ 1997 - Escritor Português)
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
*Sinto falta de tudo, de afetos, de ternura... de amor, de paixão, de gestos que me indiquem que estou aqui, que estou vivo e, apesar de tudo, vale a pena ir celebrando a vida. Dentro do possível. Dentro do que me parece justo.
* Só espero que meia dúzia de doidos me leiam agora e isso os toque.
* A eternidade é uma permanência da força que está dentro de nós.
*... um dia, um desconhecido virá ao meu encontro na rua e dirá: conheço-te, sou a tua imagem perdida uma noite dentro do espelho.
*... ergue-se para o espelho que lhe devolve um sorriso do tamanho do medo.
*(...) amanheço dolorosamente, hoje vou correr à velocidade da minha solidão e do medo: vou destruir todas as imagens onde me reconheço e passar o resto da vida assobiando ao medo.
*... sozinho atravessei noites e noites de medo.
*... é no silêncio que que melhor ludibrio a morte.
*... já não me prendo a mais nada, ouço o rumor do vento: vai alma vai até onde quiseres ir.
*... dizem que a paixão o conheceu mas hoje vive escondido nuns óculos escuros.
*... passo o dia a observar os objetos e sinto o tempo a devorá-los impiedosamente.
*(...) o que sobrou do adolescente rosto conhece a solidão de quem permanece acordado quase sempre estendido ao lado do sono pressente o suave esvoaçar da idade.
*... dizem que à beira mar envelheceu vagarosamente sem que nenhuma ternura nenhuma alegria , nenhum ofício, o tenha convencido que é bom permanecer entre os vivos.
* ... Desde que te conheço invade-me uma grande calma quando penso em ti.
*Sinto-me bem, disposto para as mais difíceis tarefas, para os mais complicados e demorados trabalhos.
*As noites cansaram-me, ia acabando comigo de vez na desordem e na ânsia de viver.
*... claro que continuo a sair à noite e a amar esse espaço fantástico que é a cidade, esta cidade que amo, mas tu estás nela também.
*A cidade mudou desde o instante em que nela entraste.
*Já não percorro a noite numa angústia que se esquece e anula na bebedeira, ao nascer do dia.
*Deixei de beber, tenho levado uma vida bastante regrada.
*Deixei de andar por aí a ver se alguém me pega ou se eu pego em alguém. Acabou.
*Tenho-te e sinto uma felicidade estranha a dominar-me.
*(...) e trabalho calmamente, com vagar, e avanço sem ser aos tropeções.
*Leio e releio o que escrevo. tudo se torna, de texto em texto, mais preciso, mais próximo do que penso
*Escrevo somente (como de resto sempre fiz) o que me dá gozo e ao mesmo tempo me perturba.
*Por isso odeio tanto reler-me. Sinto-me perturbado. O que ficou escrito foge-me, parece já não me pertencer, no entanto, sei que estou ali, por trás de cada texto escrito.
*Sinto que são ainda parte integrante de mim - raramente me consigo desligar (friamente) do que escrevi, mesmo que o tempo tenha tentado apagar as motivações que me levaram, na altura, a escrever o que ficou escrito.
*... Sinto-me capaz de caminhar na língua aguçada deste silêncio, e na sua simplicidade, na sua clareza, no seu abismo.
* Sinto-me capaz de acabar com esse vácuo, e de acabar comigo mesmo. A dor de todas as ruas vazias.
“Ele adentra em nossa paisagem, testemunha incorruptível da comédia humana, fotógrafo atento de nossos gestos trêmulos, de nossa hesitação em viver com toda lucidez”. (Pascal Thuot)
(Al Berto Raposo P. Tavares - 1948/ 1997 - Escritor Português)
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
sexta-feira, 20 de junho de 2014
segunda-feira, 16 de junho de 2014
sábado, 7 de junho de 2014
terça-feira, 3 de junho de 2014
Ψ A Viagem Arquetípica do Louco


A Sacerdotisa: Representa o inconsciente, que provê o solo fértil no qual os eventos criativos podem nascer, potencial aguardando por um princípio ativo que a impulsiona à expressão. Segredos podem ser revelados.
A Imperatriz: Diante dos contrastes da vida, o Louco vai crescendo e se tornando consciente do meio. A Imperatriz representa a mãe que alimenta, que dá carinho.Quando é amado ele é capaz de dar e receber amor bem como protege e respeita o meio ambiente/ a mãe terra.

O Imperador: O pai, a autoridade, ambição, ganhos, conquistas. A criança aprende a importância da lei, da ordem, das regras.


O Carro: O louco já se tornou um adulto, com um certo domínio sobre si mesmo. Através da disciplina e da força de vontade ele vem desenvolvendo um controle interno que lhe permite triunfar sobre seu ambiente. Ele está visivelmente no controle de si mesmo, esta sua confiança é típica da juventude.

O Eremita: Tendo atingido o ápice do poder, o Louco começa a fazer perguntas de ordem espiritual. Ele parte em busca de respostas, não movido pela simples curiosidade, mas por uma necessidade profunda de descobrir porque as pessoas vivem apenas para sofrer e morrer. Então o Louco começa a olhar para dentro, tentando entender seus sentimentos e suas motivações. O mundo sensorial exerce menor atração para ele, e tem início a busca por momentos de solidão, longe da atividade frenética da sociedade.


O Enforcado: Num primeiro momento, o Louco se sente derrotado, de cabeça para baixo. Ele acredita que sacrificou tudo, mas não está realizado. Então ele percebe que quando abandona a sua luta pelo controle, tudo começa a funcionar como deveria. Ao tornar-se aberto e vulnerável, o Louco descobre um apoio milagroso de seu interior. Ele aprende a se render às suas experiências e isso lhe traz uma alegria surpreendente. Resignado, ele se integra ao fluxo da vida.









O Julgamento: Ele está fazendo seu próprio Julgamento, uma espécie de acerto de contas consciente com sua vida. Desde que ele é capaz de se enxergar verdadeiramente, o Louco é capaz de tomar as decisões necessárias sobre o seu futuro. Ele pode escolher sabiamente quais coisas deverá valorizar, e quais serão descartadas.

Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
Ψ Jung e o Tarot - Uma Jornada Arquetípica
- Cada uma das cartas do Tarô é uma mensagem da mente universal, cujo significado nem sempre é claro para o homem moderno, que jogou fora seus mitos ao querer interpretá-los literalmente.
- Os arquétipos não são literais, são mensagens do inconsciente. Mas, como nossa mente inconsciente está divorciada do consciente, essa mensagem se perde.
- Freud desenvolveu sua teoria psicanalítica em torno dessa premissa, usando a livre associação e análise de sonhos para localizar e trazer o material do inconsciente para lidar da melhor forma com a realidade.
- Jung ainda identificou o que chamou de "inconsciente pessoal", como diferente do que ele chamou de "inconsciente coletivo", esse expressa em uma linguagem simbólica universal.
... onde o sujeito conta uma história sobre as imagens.

- Na psicologia, a projeção é um mecanismo de defesa inconsciente pelo qual vemos nossas próprias características e tendências não em nós mesmos, mas sim nas pessoas e eventos em nosso ambiente.
- As imagens que se encontram na cartões do Tarot podem ser utilizadas de uma maneira semelhante.
- Sally Nicholls descreve as cartas de tarô como detentores de projeção, o que significa simplesmente que eles são ganchos para capturar a imaginação.
- Sugere que "ao ver as imagens que lançam sobre a realidade exterior, como reflexos de espelho da realidade interior, chegamos a conhecer a nós mesmos ... confrontando os arquétipos e libertar-se um pouco de sua compulsão, a pessoa se torna cada vez mais capaz de responder à vida de forma individual ... ou, em termos de Jung "processo de Individuação".
- De acordo com Jung, os seres humanos tendem a responder a outros em termos de imagens arquetípicas que emergem do inconsciente coletivo, e tem o efeito de definir nossas expectativas conscientes e das pessoas próximas a nós.
- Imagens do cartão de Tarot podem ser eficazes em provocar intuições conscientes de que as mudanças de efeito em nossas imagens interiores, que depois servem para facilitar mudanças no comportamento manifesto. Essas mudanças, em seguida, resultam em novas respostas de pessoas e situações ao nosso redor.
- O Tarot não tenta prever o futuro, mas permite que o indivíduo tenha um papel ativo na criação de um futuro novo e transformado - na transcendência do seu ego consciente com o propósito de alcançar a totalidade ou completa consciência de si, e, finalmente, em sua atualização do Eu Superior.
Fonte: NICHOLLS, Sally - Jung e o Tarot - Uma Jornada Arquetípica
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
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