terça-feira, 26 de julho de 2016

(...)

"Existem ainda, alguns segredos teus
Que nem eu posso contar.
Em sua luz
Eu aprendi a amar.
Em sua beleza 
Aprendi a fazer poemas..."
                                             (Rumi)
                                                                                                                     

(...)

"(...) flor estrangeira, quando te perguntei:
- Algum dia me esquecerás? 
Abanaste a cabeça, brincando. 
E senti no meu coração que me recordarias muitas e muitas vezes, quando eu te deixasse por uma outra terra.
A distância virá aproximar-nos em sonho e não me hás de esquecer nunca mais. (Tagore)                                                                                                                                
    

A Poesia é a Inquietação da Alma

"Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes...

e então saberás que eu me feri e também me curei."    (Tagore)      
                                                                                        

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A Escandalosa Falta de Ética no Brasil

A Escandalosa Falta de Ética no Brasil - Leonardo Boff 
17/07/2016 às 00h31 Jornal do Brasil

O país, sob qualquer ângulo que o considerarmos, é contaminado por uma espantosa falta de ética.

[...] o que predomina é a esperteza, o dar-se bem, o ser espertinho, o jeitinho e a lei de Gerson.

A falta de ética se revela nas mínimas coisas, desde as mentirinhas ditas em casa aos pais, a cola na escola ou nos concursos, o suborno de agentes da polícia rodoviária quando alguém é surpreendido numa infração de trânsito até em fazer pipi na rua.

(...) Essa falta generalizada de ética é uma consequência perversa da colonização. 

Ela impôs ao colonizado a submissão, a total dependência à vontade do outro e a renúncia a ter a sua própria vida. Estava entregue ao arbítrio do invasor.

Para escapar da punição, se obriga a mentir, a esconder intenções e a fingir. Isso leva a uma corrupção da mente. 

A ética da submissão e do medo leva fatalmente a uma ruptura com a ética, quer dizer, começa a faltar com a verdade, a nunca poder ser transparente e, quando pode, prejudica seu opressor.

O colonizado se obrigou, como forma de sobrevivência, a mentir e a encontrar um “jeitinho” de burlar a vontade do senhor. 

A Casa Grande e a Senzala  são um nicho, produtor de falta de ética: pela relação desigual de senhor e de escravo.

O ethos do senhor é profundamente antiético: ele pode dispor do outro como quiser, abusar sexualmente das escravas e vender filhos pequenos delas para que não tivessem apego a eles. Nada de mais cruel e antiético que isso.

Aí as pessoas eram ultraexploradas e feitas totalmente dependentes.

Os comportamentos não eram éticos, de respeito às pessoas e garantia de seus direitos mínimos. Eram carvão  para a produção.

As relações de produção capitalista que se introduziram no Brasil pelo processo de industrializção e modernização foram selvagens.

Nosso capitalismo nunca foi civilizado: guardou sua voracidade de acumulação como nas origens no século XVIII e XIX. 

A exploração  impiedosa da força de trabalho, os baixos salários são situações eticamente condenáveis. Como superar essa situação que nos envergonha?

Antes de fazer qualquer sugestão minima, importa fazer uma auto-crítica. 

Que educação deram as centenas de escolas católicas e cristãs (pontifícias ou não) a seus alunos?

Bastava terem ensinado o mínimo da mensagem de Jesus de amor aos pobres contra sua pobreza para superar os níveis de miséria atual. 

Elas se transformaram em chocadeiras dos opressores.

Criaram um cristianismo cultural de crença mas não de uma fé engajada pela justiça. 

Por isso seus alunos raramente possuem uma incidência social. São antes pela manutenção do status quo do que por mudanças.

Para superarmos a crise da ética não bastam apelos, mas uma transformação da sociedade. 

Antes de ser ética, a questão é política, pois esta é estruturada em relações profundamente anti-éticas.

Para ser brevíssimos: tudo deve começar na família. Criar caráter (um dos sentidos de ética) nos filhos, formá-los na busca do bem e da verdade e não se deixar seduzir pela lei de Gerson e evitar, sistematicamente, o 'jeitinho'.

Princípio básico: tratar sempre humanamente o outro. 

Tomar absolutamente sério a lei áurea:não faça ao outro o que não quer que te façam a ti”

Siga o princípio de Kant: que o princípio que te leva fazer o bem, seja válido também para os outros. 

Oriente-se pelos dez mandamentos que são universais. Traduzidos para hoje: o “não matar” significa, venere a vida, cultive uma cultura da não violência.

O “não roubar”: aja com justiça e correção e lute por uma ordem econômica justa. 

O “não cometer adultério”: amem-se e respeitem-se, e obriguem-se a uma cultura da igualdade e parceria entre o homem e a mulher.

Isso é o mínimo que podemos fazer para arejar a atmosfera ética de nosso país. 

Repetindo o grande Aristóteles: ”não refletimos para saber o que seja a ética, mas para tornarmo-nos pessoas éticas”.

*Leonardo Boff (1938) doutorou-se em Teologia pela Universidade de Munique. Foi Professor de Teologia Sistemática e Ecumênica com os Franciscanos em Petrópolis e depois Professor de Ética, Filosofia da Religião e de Ecologia filosófica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Conta-se entre um dos iniciadores da Teologia da Libertação.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Ψ Arquétipo Das Deusas O Banquete do Amor


                                                              Edward B. Jones  
"Se você já sentiu o poder do amor, então você experimentou o poder profundo do arquétipo da Deusa. O amor é a sua mais alta expressão humana. Como você consegue essa força arquetípica magnética e poder interno dependerá da qualidade da sua relação com o seu self."

*Os arquétipos são os guias do inconsciente, que nos revelam qual a nossa Tarefa de Vida, a nossa Lenda Pessoal.

*Cada arquétipo representa um “rosto” ou “função” do divino que se manifesta em nós.

*Os arquétipos são uma fonte do poder emocional, físico e espiritual que podem nos aliviar do medo, da dor, da solidão, bem como promover curas

*Identifique e trabalhe com os arquétipos, aprenda a consolidar as diferentes facetas do seu espírito, trazendo seu poder para a vida cotidiana, conecte-se com seu corpo e emoções e tenha qualidade nas relações interpessoais. 
                                                          .    François  Boucher 
*Realizar o potencial mais elevado, significa agir sempre a partir da nossa verdade mais profunda. Isto envolve, trabalho, relacionamentos, saúde.
*Podemos ter certeza que nossos contratos sagrados são regidos por uma força muito maior que a nossa.

*E os contratos feitos antes do nosso nascimento conduzirão o espírito de volta para casa. É disso que trata a entrega à Vontade de Deus da Deusa.

*Quanto mais sabiamente você usar o seu poder no mundo, mais vai determinar a qualidade de sua vida.

*Você deve escolher se quer ou não reforçar o seu próprio interior para que o mundo exterior não o destrua.

*A maioria das pessoas mergulha em um ciclo interminável de impotência e autotraição por não ouvirem o seu coração. 

*Isto porque, em culturas patriarcais somos ensinados o poder da lógica, razão, causa e efeito no mundo visível.

*Nós não somos ensinados sobre o poder e possibilidades do mundo quântico invisível ou o mundo intuitivo.
                                                                                                                                                                                                                       Giaquinto Corrado
*Então, você não terá acesso ao  seu poder pessoal até que tenha autoestima suficiente para ouvir o seu próprio sistema de orientação interna intuitiva.

*A Deusa nos coloca em relação direta com o nosso próprio corpo e em comunicação saudável os outros seres humanos, com a natureza e com todos os seres vivos, em um formato intimista e administrável, nunca invasivo.  

"Eu Sou o Jorro abundante e eterno de fartura. Da Plenitude do meu Ser 
Ofereço os meus dons generosamente com sensualidade e liberdade. Sou Ilimitada e não posso ser contida. Estou em toda parte e nunca deixarei de Existir. Eu Sou Lakshmi."
"Eu trago a mensagem da primavera. Anuncio que é tempo de abrir-se as coisas boas da sua vida, tudo que facilita o seu crescimento e evolução. Eu Sou a Deusa Eostre."

"Eu escolho, descarto, corto, jogo fora aquilo que não contribui para nada. O que os outros pensam de mim é problema deles, diz sobre eles, não sobre mim... Na minha jornada me certifico se aquilo que carrego seja de minha cuidadosa escolha e me sirva bem. Eu Sou a Deusa Minerva."

"Eu apareço,  eu pulso e vibro, nunca fico quieta, sou a vibração eterna... com fogosa vitalidade. Se necessário crio erupções dramáticas para despertar e avisar: 'preste atenção'. Eu Sou Pele."


"Deixe-me delicia-lo com a minha beleza, com o meu perfume para que você  inspire prazer... Deixe-me tocar seu corpo com a música da cachoeira... Quando todos os seus sentidos tiverem despertados, quando seu espírito se unir de modo jubiloso com o seu corpo, então você conhecerá a sexualidade. Eu Sou a Deusa Oxum." 

"Quieta, Concentrada, Consciente, Atenta.
Inalando e Exalando sento-me no silêncio em concentrada percepção deixando sair a dança da criação, a dança do universo, a dança  da vida. Me chame em tempos difíceis. Eu Te Ouvirei. Eu Sou a Deusa Tara."
                                                                                                                                    
Fonte: Amy Sophia Marashinsky - O Oráculo da Deusa
Pamela wells. Caroline  Myss - Contratos Sagrados – Despertando o Nosso Potencial Divino 
Ψ Fátima Vieira – Psicóloga Clinica                                                                                               

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Ψ "Psicanálise é, em essência, uma cura pelo amor.” ― Freud

*A frase 'o amor é dar o que não se tem (a alguém que não o quer)' é citada no Seminário VIII - "A Transferência" (1960-1961), e também no texto "A Direção da Cura" (1958). *Isso é Transferência Analítica, que Freud traduz como amorosa.



*Lacan cita a frase se apropriando do discurso de PlatãoO Banquete' que diz: "é impossível a qualquer pessoa dar aquilo que não tem, nem ensinar aquilo que não sabe". 

 *Amor: "sentimento de afeição de um ser por outro, às vezes profundo, violento mesmo." (...) onde a análise mostra que pode estar marcado pela ambivalência e que não exclui o narcisismo. (Dictionnaire de la Psychanalyse)

*Como Platão explica o mito da origem do Amor? 
 *O Amor é filho de Poros (a Riqueza) e de Penia (a Pobreza). 

*No nascimento de Afrodite (fruto dos órgãos castrados de Zeus, lançados ao mar), os deuses deram um banquete comemorativo, ao qual compareceu Poros (riqueza) e Penia (miséria).

*Penia sem presente a oferecer, sentou-se nas escadarias, para mendigar as sobras da mesa.

*Poros se embriagou, saiu para o jardim e adormeceu. Penia o seduziu e se fez engravidar por ele.

*E Nasceu Amor, de um masculino passivo, desejável, e um feminino ativo, desejante.

*Quem é o Amante? É aquele que, sentindo que algo lhe falta, mesmo sem saber o que seja, supõe em outro, o amado, algo que o completaria. O amado, por sua vez, sentindo-se escolhido, supõe que tem algo a dar, sem saber bem o quê. 

*Mas, como o amado é também um ser falante e faltante, algo também lhe falta, como ao amante.

*Assim, o que ambos têm a dar é um nada, um vazio. E aquilo que o amado supõe ter para dar, não é o que falta ao amante.

*O amante não sabe o que lhe falta, o amado não sabe o que tem, um não-saber que é do inconsciente.

*Quanto ao amor, nada mais discordante, como diz Lacan: "basta que se esteja nele, basta amar, para ser presa desta hiância, dessa discórdia". (*Se há um lugar no qual a humanidade cabe, onde cabe toda a nossa angústia de existir, esse lugar é essa fenda de que fala Lacan).

*E o analista

*Este se coloca, inicialmente, na posição de amante, de demandante. Já que decidiu ser analista, este desejo lhe indicou que algo lhe faltava.

*Faltava ser analista. Falta fundada no desejo de saber sobre o desejo do paciente, do amado.

*O analista pede, então, que o paciente lhe dê ou fale algo que ele, analista, não sabe o que é. 

*O paciente, por sua vez, supondo que tem algo a dar, a dizer, o seu não saber sobre os sintomas, inverte a situação, passando a amante, agora na posição da atividade associativa.

*O paciente sabe que tem algo não-sabido, o analista sabe que seu saber é só suposto. 

*Assim, cada um só tem a dar um nada. Isto é a transferência, dar o que não se tem o verdadeiro amor.

*Diz Lacan: "Para que o analista possa ter aquilo que falta ao outro, é preciso que ele tenha a nesciência. 

*É preciso que ele esteja sob o modo de ter, que ele não seja, ele também, sem tê-lo, que não falte nada para que ele seja tão nesciente quanto seu sujeito".

*Daí a importância de que o analista não compreenda e não confie na sua compreensão. É bom até duvidar dela. Ele não tem que procurar, mas convém achar, justo onde não compreende e não espera encontrar.

*Pois, "é somente na medida em que, decerto, ele sabe o que é o desejo, mas não sabe o que esse sujeito, com quem embarcou na aventura analítica, deseja, que ele está em posição de ter em si, deste desejo, o objeto". 

*E se o analista sabe o que é o desejo, sabe-o pela própria experiência de se ter defrontado com o "objeto a", causa do desejo, em sua própria análise.

*Foi um processo de depuração de um desejo mais forte, uma mutação na economia de seu próprio desejo, que o transformou em desejante, habilitado a ocupar o lugar de desejado, lugar de causa do desejo.

*Estão dadas assim as condições para que aconteça o verdadeiro amor, no dizer de Lacan: "A cela analítica, mesmo macia, não é nada menos que um leito de amor". 

*Duas pessoas se encontram, com determinada frequência, num certo período de tempo, e numa salinha, onde passam horas a sós, falando do que há de mais íntimo, pessoal, secreto, sofrido, magoado, esperançoso, feliz, todas as fantasias à solta, nenhum risco de julgamento ou censura. 

*Sem falsas promessas, dizem-se coisas que a ninguém mais é dado ouvir, nem aos pais, irmãos, parentes, amigos, namorados, amantes, parceiros, colegas; coisas que, se não fossem ditas ali, nunca mais seriam proferidas pelo resto da vida, e isso, diante de alguém total e incondicionalmente disponível a escutar, sem limites. 

*Então, isto não é o grande e verdadeiro amor? Aquele que dá o que não tem?

*E Lacan fala que os discursos de amor em Platão se assemelham a relatos de sessões de psicoterapia.

*Uma citação Direção da Cura: "Se o amor é dar o que não se tem, é bem verdade que o sujeito pode esperar que se lhe dê, já que o psicanalista não tem nada mais a lhe dar. Mas, mesmo este nada, ele não lhe dá, e é melhor assim: é por isto que, este nada, paga-se a ele, e generosamente, de preferência, para mostrar que, se não fosse assim, isto não seria caro".
  
Fonte: Professor Geraldino Alves Ferreira Netto -  Escritor, Professor da PUC Psicólogo, Psicanalista.
FREUD, S. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, E.S.B., vol. VII, Imago.

FREUD, S. Sobre a tendência universal à depreciação na esfera do amor, E.S,B., vol. XI, Imago.
FREUD, S. Sobre o Narcisismo: uma introdução. E,S.B., vol. XIV, Imago.
FREUD, S. Além do Princípio de Prazer, E,S.B. vol. XVIII, Imago.
LACAN, J. Écrits, La direction de la cure. Ed. du Seuil. 
LACAN, J. Seminário VIII: A Transferência, Jorge Zahar 
PLATÃO, Diálogos, Edições de Outro e Ed. Tecnoprint.
(Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

sábado, 18 de junho de 2016

Ψ O Inconsciente é a Música do Corpo

 "Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma." (Alberto Caeiro)
*Fernando Pessoa refere que a fala tem duas partes: As palavras que são ditas (a letra) e a melodia que se faz ouvir nos intervalos da fala (a música).

*O poeta continua (...) a letra não tem importância, não é nela que se encontra aquilo que importa escutar. Pede até ao poeta que pare de falar porque a fala dele atrapalha ouvir a melodia.


*O que a Psicanálise denomina Inconsciente é a música do corpo.


*A letra é coisa do consciente, cerebral. A música é coisa do corpo, inconsciente.


*O discurso sem alma é mera informação. 


*A voz monótona dos serviços de alto-falantes dos aeroportos é uma expressão sensível desse ideal desumano. É possível imaginar um diálogo de amor com esta fala indiferente?


*Esse é o enigmático segredo da escuta: é preciso não escutar o que se diz para se poder ouvir o  não dito, a música.


*É na música que mora a verdade daquele que fala.


*A melodia é o desejo que exprime a falta, que o discurso tagarela tenta calar!


 "... e quando tentamos negligenciar a falta, vem o desejo implacável, e escreve no corpo, pela via do sintoma suas mais duras verdades..." (Barthes)

( Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

(...)

                                  Aqui nesta praia onde
                                  Não há nenhum vestígio de impureza,
                                  Aqui onde há somente
                                  Ondas tombando ininterruptamente,
                                  Puro espaço e lúcida unidade,
                                  Aqui o tempo apaixonadamente
                                  Encontra a própria liberdade.
                                                                       (Sophia de Mello B. Andresen)