segunda-feira, 20 de junho de 2016

Ψ "Psicanálise é, em essência, uma cura pelo amor.” ― Freud

*A frase 'o amor é dar o que não se tem (a alguém que não o quer)' é citada no Seminário VIII - "A Transferência" (1960-1961), e também no texto "A Direção da Cura" (1958). *Isso é Transferência Analítica, que Freud traduz como amorosa.


*Lacan cita a frase se apropriando do discurso de PlatãoO Banquete' que diz: "é impossível a qualquer pessoa dar aquilo que não tem, nem ensinar aquilo que não sabe". 

 *Amor: "sentimento de afeição de um ser por outro, às vezes profundo, violento mesmo." (...) onde a análise mostra que pode estar marcado pela ambivalência e que não exclui o narcisismo. (Dictionnaire de la Psychanalyse)

*Como Platão explica o mito da origem do Amor? 
 *O Amor é filho de Poros (a Riqueza) e de Penia (a Pobreza). 

*No nascimento de Afrodite (fruto dos órgãos castrados de Zeus, lançados ao mar), os deuses deram um banquete comemorativo, ao qual compareceu Poros (riqueza) e Penia (miséria).

*Penia sem presente a oferecer, sentou-se nas escadarias, para mendigar as sobras da mesa.

*Poros se embriagou, saiu para o jardim e adormeceu. Penia o seduziu e se fez engravidar por ele.

*E Nasceu Amor, de um masculino passivo, desejável, e um feminino ativo, desejante.

*Quem é o Amante? É aquele que, sentindo que algo lhe falta, mesmo sem saber o que seja, supõe em outro, o amado, algo que o completaria. O amado, por sua vez, sentindo-se escolhido, supõe que tem algo a dar, sem saber bem o quê. 

*Mas, como o amado é também um ser falante e faltante, algo também lhe falta, como ao amante.

*Assim, o que ambos têm a dar é um nada, um vazio. E aquilo que o amado supõe ter para dar, não é o que falta ao amante.

*O amante não sabe o que lhe falta, o amado não sabe o que tem, um não-saber que é do inconsciente.

*Quanto ao amor, nada mais discordante, como diz Lacan: "basta que se esteja nele, basta amar, para ser presa desta hiância, dessa discórdia". (*Se há um lugar no qual a humanidade cabe, onde cabe toda a nossa angústia de existir, esse lugar é essa fenda de que fala Lacan).

*E o analista

*Este se coloca, inicialmente, na posição de amante, de demandante. Já que decidiu ser analista, este desejo lhe indicou que algo lhe faltava.

*Faltava ser analista. Falta fundada no desejo de saber sobre o desejo do paciente, do amado.

*O analista pede, então, que o paciente lhe dê ou fale algo que ele, analista, não sabe o que é. 

*O paciente, por sua vez, supondo que tem algo a dar, a dizer, o seu não saber sobre os sintomas, inverte a situação, passando a amante, agora na posição da atividade associativa.

*O paciente sabe que tem algo não-sabido, o analista sabe que seu saber é só suposto. 

*Assim, cada um só tem a dar um nada. Isto é a transferência, dar o que não se tem o verdadeiro amor.

*Diz Lacan: "Para que o analista possa ter aquilo que falta ao outro, é preciso que ele tenha a nesciência. 

*É preciso que ele esteja sob o modo de ter, que ele não seja, ele também, sem tê-lo, que não falte nada para que ele seja tão nesciente quanto seu sujeito".

*Daí a importância de que o analista não compreenda e não confie na sua compreensão. É bom até duvidar dela. Ele não tem que procurar, mas convém achar, justo onde não compreende e não espera encontrar.

*Pois, "é somente na medida em que, decerto, ele sabe o que é o desejo, mas não sabe o que esse sujeito, com quem embarcou na aventura analítica, deseja, que ele está em posição de ter em si, deste desejo, o objeto". 

*E se o analista sabe o que é o desejo, sabe-o pela própria experiência de se ter defrontado com o "objeto a", causa do desejo, em sua própria análise.

*Foi um processo de depuração de um desejo mais forte, uma mutação na economia de seu próprio desejo, que o transformou em desejante, habilitado a ocupar o lugar de desejado, lugar de causa do desejo.

*Estão dadas assim as condições para que aconteça o verdadeiro amor, no dizer de Lacan: "A cela analítica, mesmo macia, não é nada menos que um leito de amor". 

*Duas pessoas se encontram, com determinada frequência, num certo período de tempo, e numa salinha, onde passam horas a sós, falando do que há de mais íntimo, pessoal, secreto, sofrido, magoado, esperançoso, feliz, todas as fantasias à solta, nenhum risco de julgamento ou censura. 

*Sem falsas promessas, dizem-se coisas que a ninguém mais é dado ouvir, nem aos pais, irmãos, parentes, amigos, namorados, amantes, parceiros, colegas; coisas que, se não fossem ditas ali, nunca mais seriam proferidas pelo resto da vida, e isso, diante de alguém total e incondicionalmente disponível a escutar, sem limites. 

*Então, isto não é o grande e verdadeiro amor? Aquele que dá o que não tem?

*E Lacan fala que os discursos de amor em Platão se assemelham a relatos de sessões de psicoterapia.

*Uma citação Direção da Cura: "Se o amor é dar o que não se tem, é bem verdade que o sujeito pode esperar que se lhe dê, já que o psicanalista não tem nada mais a lhe dar. Mas, mesmo este nada, ele não lhe dá, e é melhor assim: é por isto que, este nada, paga-se a ele, e generosamente, de preferência, para mostrar que, se não fosse assim, isto não seria caro".
  
Fonte: Professor Geraldino Alves Ferreira Netto -  Escritor, Professor da PUC Psicólogo, Psicanalista.
FREUD, S. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, E.S.B., vol. VII, Imago.

FREUD, S. Sobre a tendência universal à depreciação na esfera do amor, E.S,B., vol. XI, Imago.
FREUD, S. Sobre o Narcisismo: uma introdução. E,S.B., vol. XIV, Imago.
FREUD, S. Além do Princípio de Prazer, E,S.B. vol. XVIII, Imago.
LACAN, J. Écrits, La direction de la cure. Ed. du Seuil. 
LACAN, J. Seminário VIII: A Transferência, Jorge Zahar 
PLATÃO, Diálogos, Edições de Outro e Ed. Tecnoprint.
(Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

sábado, 18 de junho de 2016

Ψ O Inconsciente é a Música do Corpo

 "Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma." (Alberto Caeiro)
*Fernando Pessoa refere que a fala tem duas partes: As palavras que são ditas (a letra) e a melodia que se faz ouvir nos intervalos da fala (a música).

*O poeta continua (...) a letra não tem importância, não é nela que se encontra aquilo que importa escutar. Pede até ao poeta que pare de falar porque a fala dele atrapalha ouvir a melodia.


*O que a Psicanálise denomina Inconsciente é a música do corpo.


*A letra é coisa do consciente, cerebral. A música é coisa do corpo, inconsciente.


*O discurso sem alma é mera informação. 


*A voz monótona dos serviços de alto-falantes dos aeroportos é uma expressão sensível desse ideal desumano. É possível imaginar um diálogo de amor com esta fala indiferente?


*Esse é o enigmático segredo da escuta: é preciso não escutar o que se diz para se poder ouvir o  não dito, a música.


*É na música que mora a verdade daquele que fala.


*A melodia é o desejo que exprime a falta, que o discurso tagarela tenta calar!


 "... e quando tentamos negligenciar a falta, vem o desejo implacável, e escreve no corpo, pela via do sintoma suas mais duras verdades..." (Barthes)

( Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

(...)

                                  Aqui nesta praia onde
                                  Não há nenhum vestígio de impureza,
                                  Aqui onde há somente
                                  Ondas tombando ininterruptamente,
                                  Puro espaço e lúcida unidade,
                                  Aqui o tempo apaixonadamente
                                  Encontra a própria liberdade.
                                                                       (Sophia de Mello B. Andresen)


segunda-feira, 30 de maio de 2016

"O Mal Estar da Civilização" - Freud


(...)


(...)


(...)


(...)


(...)


Brasil Diz Não Ao Golpe!

                                  Tarsila do Amaral - 'Segunda Classe' - 1933

"Não junto a minha voz à dos que, falando em paz, pedem aos oprimidos, aos esfarrapados do mundo, a sua resignação. Minha voz tem outra semântica, tem outra música. Falo da resistência, da indignação, da "justa ira" dos traídos e dos enganados. Do seu direito e do seu dever de rebelar-se contra as transgressões éticas de que são vítimas cada vez mais sofridas." - ("Pedagogia da Autonomia" -  Paulo Freire 1921/ 1997)

domingo, 22 de maio de 2016

Ψ Imaginação Ativa e Autocura

Como consultar o Oráculo Interior usando a Imaginação Ativa para processar a Autocura

 John Collier

*No oráculo de Delfos, dedicado a Apolo, as sacerdotisas em transe, receptivas e espontaneamente faziam profecias e curas. O  seu papel era simplesmente ser porta-voz do deus Apolo.
"Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo."  *Inscrição no oráculo de Delfos, atribuída aos Sete Sábios (c. 650 a.C.-550 a.C.)
*Carl Jung desenvolveu uma técnica que chamou de Imaginação Ativa que permite que qualquer pessoa possa consultar o seu próprio oráculo interior.

* Imaginação Ativa é um processo de dialogar conscientemente com nosso inconsciente, assim refere Jung:
"para a produção desses conteúdos do inconsciente que se encontram, por assim dizer, imediatamente abaixo do limiar da consciência e, quando se intensificam, são os mais propensos a entrar em erupção de forma espontânea para a mente consciente". 

*Ou seja, temos que permitir que o inconsciente fale através de nós, alternando os conteúdos conscientes e inconscientes de forma totalmente receptiva e espontânea.

*A visualização persistente provoca mais energia e aumenta a probabilidade de concretizar o seu desejo e requer:
1. Disposição: a técnica deverá ser sistematicamente seguida e assimilada (duas a três vezes ao dia).
2. Especificidade e Intenção: O seu objetivo precisa ser explícito, a imagem não pode ser ambígua, simplifique, pode desenhar ou criar um código próprio.
3. Visualização: Se o coração estiver harmonizado com o  espírito muita coisa será revelada. Visualizar é ver Imagens na nossa mente. Concentrar, pensar e sentir. O pensamento é a matriz ou o projeto, os sentimentos fornecem a energia, a eletricidade.
4. Pratique o desapego após o quadro estar completo em sua mente libere... Sussurre uma palavra de fechamento: Amém, Assim Seja, Está feito!

*Inicie o processo com Reverência - Tal como acontece com todos os sistemas oraculares.

*Aquiete-se... encontre um tempo e um lugar onde você pode estar sozinho para acalmar sua mente.

*A parte central da autocura é compreender que lições você está aprendendo com a sua doença.

*Os acontecimentos em nossa vida não acontecem por acaso, eles acontecem por uma razão, e entender isso é o começo para tomarmos o controle de nossa vida transformando-a.
*Pense que não há ninguém julgando você, logo não se julgue!

*Acredite profundamente que você pode recuperar ou saber lidar melhor com a sua condição de saúde atual.

*Quando descobrimos o padrão mental que está por trás de cada doença, temos a oportunidade de modificá-lo e nos curar.

*O corpo fala. Ele é como um mestre que nos avisa quando insistimos num comportamento que nos faz mal.


*Então sente-se, ou deite-se feche os olhos e fantasie o que você realmente deseja saber sobre a sua autocura, sem qualquer reserva, dúvidas ou pré- julgamentos.

 *Uma vez que você se sinta relaxado, use uma das duas maneiras básicas para acessar o inconsciente - visual ou oral.

*Sonhos: A maneira mais fácil de obter a informação que "lições sua doença está tentando ensinar-lhe",  é perguntando em seus sonhos

*Pouco antes de ir dormir, pedir de todo o coração e com determinação que você precisa aprender com esta experiência (doença).

*Você poderá obter a resposta seja em um sonho, ou então ao acordar. Por vezes levará alguns dias para obter a resposta. Não desanime!

*Seja paciente e persistente e apenas mantenha a pergunta até que a informação venha até você.

*Escrita Automática: Esta técnica também costuma fornecer informações mais complexas e detalhadas.

*Escolha um momento em que você está relaxado, alerta, calmo, e não será interrompido.

*Deite-se ou sente-se, como você preferir, com uma caneta e caderno na mão.

*Escreva as suas perguntas e as respostas que eles vêm na forma de um diálogo, pergunte ao seu corpo falar com você.

*Por exemplo, você pode começar desta maneira: "Meu corpo, você poderia vir e conversar comigo? Estou realmente tentando estar receptivo agora, e eu quero ouvir o que você tem para me dizer. Eu estou tentando entender porque eu estou doente; pode por favor falar sobre isso?"

*Você deve perguntar ao seu corpo para falar com você usando suas próprias palavras e sentimentos.

*Continue escrevendo, continue persuadindo, até você sentir uma resposta se formando em sua mente, e, em seguida, registre-a.

*O truque  é concentrar sua atenção sobre o ato de escrever, como quando você está tomando notas em uma sala de aula, de modo quenão haja espaço para a dúvida, a hesitação, medo...  continuar escrevendo.

*Envolva-se inteiramente nesta tarefa e, eventualmente, você vai começar a receber uma resposta. É realmente tão simples e direta que você não vai acreditar.

*Note-se que quando uma pessoa faz a escrita automática, pela primeira vez, as respostas tendem a sair espécie de incipiente, siga... é assim mesmo...  escrita compulsória. Não se preocupe se faz sentido ou não.

*Normalmente em automático algumas palavras ou frases surgem em sua mente um pouco mais rápido do que você pode escrevê-las, às vezes você pode obter parágrafos inteiros de uma só vez.

*Você também pode ver imagens aparecerem na sua mente, ou chegar a 'flashes' de cenas oníricas. Anote-as, sem crítica sem julgamentos. Grave tudo isso porque é tudo relevante, mesmo que algo possa não fazer sentido no momento.

*Se nada vem à mente em resposta às suas súplicas, ou se tudo o que vem à mente é  jargão, é possível que você esteja bloqueando o fluxo de ideias.

*Sua mente consciente em seu esforço para boicotar o processo pode dizer: "Isso não está funcionando" ou  "Eu não estou fazendo a coisa certa"... Não caia na armadilha!

*Continue tentando, continue escrevendo, mesmo que tudo que você recebe é conversa fiada. Somente a confiança pode abrir-lhe o suficiente para escrever automaticamente, caso contrário você se verá emaranhado-se com a dúvida.

*Se você está bloqueando, tente trocar para a mão não dominante. Mantenha-se na escrita, e em algum momento sua mente consciente vai relaxar seu controle e você vai começar a escrever automaticamente.

*Em seguida, basta escrever o que seu corpo lhe diz, pedindo a todas as perguntas que quiser ao longo do caminho. Você pode se surpreender com as respostas!

*A maior surpresa será, provavelmente, que você mesmo chamou a sua doença até você e que ela não veio "por acaso"... e por que razão você fez isso a si mesmo... 
 "o que estou tentando aprender com esta experiência"???

*Você também pode pedir ao seu corpo para obter informações específicas a respeito de dieta, exercícios, para acelerar o seu processo de cura, manter-se cheio de vitalidade, peso ideal....

Fonte: Robin Robertson - Como consultar o oráculo Interior usando a imaginação ativa
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

domingo, 15 de maio de 2016

O Golpe No Brasil - No Fascismo, o Mito Substitui a Razão



*Fascismo forma de radicalismo político autoritário nacionalista, com destaque no início do século XX na Europa.
*Os fascistas procuravam unificar sua nação através de um Estado totalitário que promove a vigilância, um estado forte, a mobilização em massa da comunidade nacional, confiando em um partido de vanguarda para iniciar uma revolução e organizar a nação em princípios fascistas hostis a todas as vertentes do marxismo, desde o comunismo totalitário ao socialismo democrático.
*Os movimentos fascistas compartilham certas características comuns, incluindo a veneração ao Estado, a devoção a um líder forte e uma ênfase em ultranacionalismo, etnocentrismo e militarismo. *O fascismo vê a violência política, a guerra, e o imperialismo como meios para alcançar o rejuvenescimento nacional e afirma que as nações e raças consideradas superiores devem obter espaço deslocando ou eliminando aquelas consideradas fracas ou inferiores... 
*Defendeu uma economia mista, com o objetivo principal de conseguir autarquia para garantir a autossuficiência, e a independência nacional através de protecionismo e políticas econômicas que intercalam intervencionismo e privatização.

Barthes ...  e os Petralhas, Esquerdistas, Comunas
*As afirmações, quando não os berros, prescindem de raciocínio ou, até, de racionalidade.

*São mitômanos e o mito é “o produto de uma determinada classe social dominante que acaba por ser incorporado pelos membros da classe dominada, mesmo quando vai contra os seus próprios interesses.

*O tema de hoje é a vulgata que todos estamos habituados a ver nas ruas, nas redes sociais: "cuba”, “venezuela”, “bolivarismo”, “esquerdista”, “petralha”, “comuna” e por aí vai...  Quem profere expressões como essas julga ser portador de uma verdade inquestionável.

*Ou seja, as pessoas acreditam nos poderes mágicos de palavras que, uma vez emitidas, lançam um anátema inescapável sobre o interlocutor.

*O fato é que todas essas palavras são cifradas e fazem parte de uma formação que o pensador francês Roland Barthes denominou “mito”.

*Barthes mantém o conceito no seu significado tradicional filosófico, ou seja, o de um discurso alegórico ou narrativa lendária que pretende dar um fundamento de natureza para a construção dos valores básicos dos povos.

*O semiólogo transporta esse conceito para os tempos modernos, pois, em seu entender, o quotidiano das sociedades contemporâneas está repleto de mitos – os pequenos e os grandes – que devem ser decifrados e revelados.
*Uma tese que ganha corpo com a revolução digital.  Apesar de ter mais de meio século, a teoria do mito mantém o seu fulgor e é uma ferramenta teórica que permite descortinar, de maneira eficiente, as contradições que marcam a evolução da sociedade atual.

*O mito é o meio para um fim: a imposição de uma certa ideologia (entendida aqui no sentido marxista, como uma consciência deformada) para a legitimação de uma ordem estabelecida.


*O mito encontra-se espalhado por todo o tecido social, seja no direito, na moral, na educação, na família ou na política.


*Mas é nos veículos de comunicação de massa – os grandes vetores de produção simbólica dos nossos tempos – que ele se torna mais cintilante.
*O mito tem a função de naturalizar a história e engessar o mundo, de forma a impedir a transformação.

*Neste contexto, o pensador faz uma denúncia da ideologia burguesa e pequeno-burguesa (o pequeno-burguês é o indivíduo por quem ele nutre uma profunda antipatia), que cria uma espécie de falsa natureza.

*Mas o que se entende por naturalização da história? É fazer com que os indivíduos aceitem determinados fatos como naturais, negligenciando as suas implicações sociais e históricas.

*O mito é, portanto, o produto de uma determinada classe social dominante que acaba por ser incorporado pelos membros da classe dominada, mesmo quando vai contra os seus próprios interesses.

*Produzir essa aceitação – pela naturalização – é a sua função. 


*Enfim, mito e ideologia são parentes muito próximos: entrelaçam-se, confundem-se são categorias incontornáveis para desmascarar o processo de legitimação da sociedade burguesa.

*O mito tem que ser invisível e natural, porque a sua identificação apontaria sempre para uma tentativa de manipulação.

*Barthes diz que o mito não é nem uma mentira nem uma confissão: é uma distorção.

*A sua função, na passagem da história à natureza, é despolitizar os fatos, transformando-os em coisas simples, inocentes.

*Não interessa a interdição, mas a exposição. É por isso que todos os dias a vulgata citada no início deste texto é repetida ad nauseam...


*Barthes diz que o mito e a direita andam atrelados. E quando está no campo de atuação da direita, o mito toma posse de tudo, da justiça, da moral, da literatura, da estética ...

*E o mais importante: o mito precisa de uma certa fraseologia e os slogans têm um papel insubstituível neste contexto.

*A frase feita ajuda a apreender e a justificar o mundo de uma maneira muito mais simples, permitindo uma constatação imediata e sem maiores reflexões.

*Para usar um exemplo típico dos dias de hoje, quando se diz que estamos a caminhar para a ditadura comunista parece a constatação de uma realidade inequívoca.

*Feita a afirmação, referendada por um slogan repetido de forma incessante, não é preciso haver constatação e a historicidade é alijada.

*Mas na verdade estamos frente a um processo de dominação onde o dominado é quem repete essas expressões. 

Fonte: José António Baço - (O texto é de 2014 e o autor é português)
 http://www.tijolaco.com.br/blog/
Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Projeto Amanhecer - Pesquisa Práticas Integrativas Complementares e Assistência Psicológica

Projeto Amanhecer: Saúde, Educação, Pesquisa e Atendimento com Práticas Integrativas Complementares, Terapias Alternativas e Assistência Psicológica



Localização: Hospital Universitário (HU)
Campus Universitário
Trindade – Florianópolis/SC



  
http://www.hu.ufsc.br/setores/projeto-amanhecer/historico/