domingo, 18 de janeiro de 2015

Ψ Psicossomática: "Tal como pensa o homem em seu coração, assim é." (Jesus Cristo)

"Diga onde dói e e eu lhe digo o que andas pensando." (Edgar Cayce - 1877/ 1945)

*Segundo Cayce a saúde é o equilíbrio entre físico, mental e espiritual, que é o princípio curativo holístico.


*Ele menciona quatro processos fundamentais para ter boa saúde:

*Circulação: Primordial na regeneração - exercícios físicos, massagens.
*Assimilação: Mecanismo pelo qual o corpo digere alimentos e distribui os nutrientes (20% ácidos e 80% alcalinos). Cereais e cítricos nunca na mesma refeição, e ingerir um litro e meio de água por dia.
*Relaxamento:
Sono suficiente e tempo livre para lazer.
*Eliminação: Indispensável que o corpo elimine toxinas e purifique seus órgãos internos (água, movimentos respiratórios, exercícios físicos, banhos de vapor), asseguram bons mecanismos de eliminação.


*O corpo tem seu próprio sistema de cura que regula os processos vitais e ajuda na sua manutenção e equilíbrio.

*A cura vem de dentro, o tratamento só pode ser eficaz se for de dentro para fora.


*Paracelsus (1493/ 1541) - Médico alquimista na teoria dos três princípios sustenta que cada substância ou matéria em crescimento é constituída de sal (alcalino, purificação), enxofre (dissolução ou consumação, azeite), e mercúrio (eliminação, um licor, a água).

*O sal limpa e purga o corpo pela vontade ou força vivificante inerente a cada órgão.

 Fala que determinados álcalis são naturais enquanto que outros ainda se acham coagulados e atuam por expulsão ou por transpiração.

*Sobre o enxofre corporal ele diz: "Cada doença resultante do supérfluo no corpo, tem seu antídoto na mistura elemental de determinadas plantas ou minerais."

*O mercúrio absorve o que o sal e o enxofre repelem. É o que ocorre com as doenças das artérias, ligamentos, articulações e juntas.


*Desta forma, vai ser ministrado a fórmula especial que melhor corresponde à forma da indisposição.

*O essencial da doença reclama o essencial que a natureza indica como remédio.

                                                                                                                              a alquimista/ Michael de Bono
                                 









                                                                                                                                   

*Para diagnosticar corretamente o médico precisa ser leal e caridoso, o egoísta muito pouco fará em favor dos seus enfermos.

*O médico alquimista assegura então que todas as doenças podem e devem ser curadas. Assim refere:"Nenhum médico poderá afirmar que uma doença é incurável sem tentar todos os recursos da natureza na cura, ... e se assim não agir estará renegando não só a natureza, como o Deus que a criou ... para cada doença por mais terrível que pareça tem a sua correspondente cura".                                                                                                 
                                                                                                                        

Cada planta é como uma estrela na terra, em suas folhas e pétalas encontra-se o segredo inscrito: No caroço de uma fruta a resistência predomina sobre a força, ao ser semeado o caroço se restabelece a vegetação esta se realiza porque a força luta com a resistência até estabelecer um equilíbrio com ele.

*O objetivo da planta consiste em transmitir-nos os detalhes da beleza, da cor e da perfeição que nascem nas regiões superiores e que tendem a introduzir-se em nossa região inferior.



"Cada grão de semente é um pequeno caos. Quando o fruto aparece é porque a força pode mais do que a resistência e conseguiu vencer todos os obstáculos."(Saint Martin)

*Para gerar faz-se um combate cujas fases e mostram pelo signo e que não existe um único ser que não manifeste por sua forma exterior a história do seu próprio nascimento.




 *PARACELSUS ou Theophrastus Bombastus von Phillippus Aureolus Hohenheim, (1493/ 1541) - Nasceu na Suíça. Ele era um alquimista, médico, botânico e astrólogo. Ele era um firme crente na capacidade do corpo para curar a si mesmo e a relação entre o corpo e a mente. Sendo um dos primeiros, a considerar a  doença mental como sendo a doença "real". Ele acreditava que muitas doenças tinham suas raízes em problemas psicológicos, e foi, além disso, a figura em primeiro lugar conhecido por fazer menção da palavra "inconsciente".
*EDGAR CAYCE - (1877 - 1945) - Nasceu nos Estados Unidos.Quando criança, Cayce conversava com pessoas que ninguém mais via, inclusive com seu falecido avô - que também possuía dons paranormais. Quase todas as faculdades psíquicas de Edgar Cayce se manifestavam sob o estado de transe, quando ele entrava como que em um sono hipnótico, fato que lhe rendeu o título de o profeta adormecido. Adulto, Edgar dedica-se à profissão de fotógrafo, mas resolve também prestar atendimento às pessoas doentes, em especial desenganados pela medicina, serviço este que ofereceu gratuitamente durante uns 40 anos, atendendo neste período uma média de seis mil pessoas. Precisava apenas saber nome e endereço da pessoa para poder medicá-la.
  Fonte: wikipedia.org/wiki

Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

sem mais ... Wolinski, Cabu, Charb, Tignous


 Desenho de Wolinski sobre o Rio, no formato de uma longa tira (Foto: BBC) 
O desenho, no formato de uma longa tira, foi dado ao guia de turismo carioca Marcelo Armstrong, que criou o "Favela Tour", um passeio que leva turistas a comunidades como a Rocinha, que fez parte do roteiro do cartunista. Ele era parte de um grupo de profissionais no País para a Bienal Internacional de Quadrinhos.

"A charge retratava impressões sobre sua estada no Rio de Janeiro, que tive o prazer de ajudá-lo a conhecer. Estava ali registrada sua critica à nossa persistente violência urbana. Ontem, a violência de um terrorismo covarde e insano, nunca imaginada naqueles (recentes) tempos de 1993, iria tirar-lhe a vida, na segura e civilizada Paris", disse Marcelo Armstrong.

No desenho, Wolinski fez observações sobre o poder do tráfico nos morros cariocas, referências a organizações criminosas e à cumplicidade da polícia no comércio da droga. "Ele se impressionou com nossas discrepâncias", acrescentou Armstrong.

 Wolinski chamou as praias do Rio de "paraíso californiano" com seus surfistas e adeptos da corrida. Ele elogiou a beleza e alegria dos cariocas e, com a ilustração de mulheres de biquini, comentou o que chamou de ‘indecência pudica’ e ‘inocência sem perversão’ vista nas areias.

Cartunistas brasileiros expressaram a indignação em relação ao atentado ocorrido na França: Dois deles, Ziraldo e Chico Caruso, guardam dedicatórias de uma das vítimas - o mestre da sátira Wolinski.

 “É muito chocante porquê é uma coisa inimaginável você entrar pela redação e atirar a esmo, matar doze pessoas. Quer dizer, que civilização é essa? É uma coisa muito estranha. Eu fiquei chocado, todo mundo ficou muito chocado. O Wolinski teve no Brasil, aqui em casa. Me fez uma dedicatória que é fantástica”, conta o cartunista Ziraldo. “Ele era muito inteligente. Fez um retrato meu, uma caricatura que eu acho sensacional, que é feito com poucas linhas. Poucas e boas. O meu retrato..."

"É o imponderável travestido de guerra santa, mas é uma covardia religiosa isso. Covardia criminosa travestida de religiosa”, afirma o cartunista Chico Caruso.

“É inimaginável que eles tenham escolhido justamente um desenhista, um cartunista que fica com a sua canetinha, desenhando com seu nanquim e que tenham provocado uma reação tão monstruosamente deformada”, lamenta o cartunista Jaguar.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ψ Psicossomática - O Corpo Fala

"... Ninguém me bate 3 vezes.
- essa já é a terceira senhor!" 
 (do filme Um Golpe Perfeito)

*Tensão, medo, raiva, traição, falta de amor, solidão, preocupação, inveja, frustração, espaço violado ... 

*O sujeito costuma memorizar os acontecimentos, datando-os, e fazendo do número seu ponto de ancoragem na doença.

*É como se ele se expressasse através de cifras, impressas sobre o corpo, através de associações, fantasias ou a formulação de algo enigmático.


*Quando os ataques e insultos provenientes do ambiente são sucessivos, a raiva vai se acumulando. Emoções negativas que fermentam por um longo período um dia explodem.


*E a raiva expressa resulta em violação do espaço de vida de outras pessoas. 

*E quando introjetada viola o organismo.

 
*A Psicanálise, propõe considerar o corpo não com o um dado biológico, mas como o efeito da palavra sobre o dado biológico, sustenta o dizer freudiano de que “o eu é, antes de tudo, corporal.” (FREUD, 1923)

*O corpo é, em seus estatutos Imaginários, Simbólico e Real, assim Lacan pensou a experiência analítica: A lesão psicossomática é uma lesão corporal ligada a uma causa linguística, que desorganiza uma necessidade fundamental do corpo.

*Vem de uma sugestão forçada, testemunhando um sofrimento que não está subjetivado, ou seja, que não está podendo ser tomado para transitar na dialética do desejo.*A abordagem Psicossomática implica numa prática que opera através da palavra. 

*A palavra como limite ao gozo, levando o gozo para fora do corpo, ... por exemplo, um pouco de gozo na construção da fantasia, converter o que estava silencioso na pulsão em enigma, para que o sujeito possa se colocar em questão.

  *A lesão é “signo" é não interpretável por si mesma.

*Procura-se o médico quando a lesão se instala.



*Saúde e doença são reflexos de nossas crenças e pensamentos.


*Quando descobrimos o padrão mental que está por trás de cada doença, temos a oportunidade de modificá-lo e nos curar. 


*O corpo fala. Ele é como um mestre que nos avisa quando insistimos num comportamento que nos faz mal.

*Os pacientes muitas vezes necessitam de tratamento para a raiz psicológica subjacente.

 
*O sujeito quando em sofrimento fica ruminando a doença mantendo a energia criativa presa.

*No caso de padrões crônicos, é provável que a terapia seja necessária para substituir padrões saudáveis ​​existentes com os novos saudáveis ​​mecanismos de enfrentamento.

 
*Mas a resistência à psicoterapia por vezes é maior do que a dor.

*Embora muitas doenças respondem às drogas, analgésicos e outros tipos de ajuda médica, os sintomas tendem a retornar a menos que a causa subjacente seja tratada.

 
*Aprender a lidar com o estresse e substituir padrões de pensamento negativo por meio de mudanças comportamentais cognitivas podem proporcionar alívio e cura. 


*Vamos considerar a somatização na área do pescoço, garganta na abordagem psicossomática:

*A boca é que faz com que possamos sorrir e também nos exprimir. É a porta aberta entre o mundo exterior e o interior, pela qual recebemos os alimentos e, por extensão, as experiências da vida, que vêm a ser o nosso "alimento psicológico".

*Porém, ela também funciona do interior para o exterior. É então o orifício através do qual nós expressamos, até mesmo cuspimos ou vomitamos o que está no interior e que precisa sair. 

*Os males da boca são um sinal da nossa dificuldade para morder na vida, para aceitar ingerir o que ela nos propõe, a mastigar essa proposta para digeri-la melhor.

*Aftas, inflamações bucais, bruxismo (ranger os dentes), gagueira são muitos os sinais de que aquilo que nos é proposto ou que nos é dito não nos satisfaz.

*Sob o ponto de vista físico sabe-se que muitas dores de garganta são desencadeadas por fatores como alergias, viroses, as condições ambientais ... Porém, a tendência de desenvolver dor de garganta recorrente pode ter origem psicossomática.

*Bruxismo é um sintoma de repressão. Imagine que você está com raiva, mas não é apropriado ou você está com medo de expressá-la.Para controlar o seu sentimento, você tensiona as costas, braços e mandíbula.Isso manteria sua boca fechada e rígida. Para evitar o choro você aperta seu peito, queixo, mandíbula, e os olhos. 

*Quando você suprime emoções particulares ao longo de um período de tempo a repressão se torna habitual, crônica e inconsciente.

*Emoções ficam congeladas ou somatizados no corpo físico.

*Faringite, amigdalite:
Você está restringindo a sua auto expressão. Não está se dando credibilidade suficiente para o que você tem a dizer. Você precisa ter autoconfiança e coragem, a fim de ser fiel a si mesmo e se comunicar livremente, independentemente do que os outros possam pensar.

*Perda da voz, rouquidão: Retenção do que se quer dizer. Você se subestima e acha que o que fala não terá qualquer efeito sobre a sua vida ou das pessoas do seu convívio."Se você costuma omitir com frequência de verbalizar algo relevante, os seus ombros, pescoço e garganta podem ficar tensos". (...) "Isso diminui a circulação, tornando-o vulnerável aos germes que podem causar uma dor de garganta." (Loomis)

*A tireóide é o regulador de vários órgãos do corpo. Se há expressão limitada dos desejos da alma, o funcionamento geral do corpo torna-se comprometido. Você precisa honrar o que o seu coração está dizendo a você, tomando medidas para torná-lo uma realidade.

*Hipotireoidismo: Você está se sentindo restrito porque você se sente incapaz de fazer o que você quer fazer.

*Hipertireoidismo: Você se torna enfurecido, com medo de perder o controle de sua vida.

*Sobre a gagueira, o escritor John Updike em Fazendo Sair as Palavras (1999), fala sobre a sua própria condição:
“A deficiência surge, ao que parece da inibição entre o pensamento e a palavra, baixa uma sombra, uma separação ... Demonstra a dualidade de nossa existência, a capacidade de o corpo e a alma dizerem não um ao outro".


(...) e a partir de uma elaboração de sua vivência, o autor refere que com algumas pessoas ele gagueja e com outras tem o dom de conversar com total domínio da arte da locução verbal.


Fonte: Updike, J. Fazendo sair as palavras. Pulsional Revista de Psicanálise. Ano XII, nº 119, março de 1999. Psoríase. Disponível em: Wikipédia - Psicossomática.
ÁVILA, A. L. Doenças do corpo e doenças da alma, uma investigação psicossomática
psicanalítica. São Paulo: Escuta, 1996.

BIRMAN, J. Mal-estar na atualidade: a psicanálise e as novas formas de subjetivação.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

DEJOURS, C. O corpo entre a biologia e a psicanálise: Biologia, psicanálise e somatização.
DOR, J. Introdução à leitura de Lacan. Rio de Janeiro: Artes Médicas, 1999.

W. Reich. Análise do Caráter. New York: Farrar, Straus & Giroux, 1972.
Lowen. Bioenergética . New York: Coward, McCann & Geoghegan de 1975.

R. Kurtz e H. Prestera o corpo revela - o que seu corpo diz sobre você. San Francisco: Harper and Row, 1984.
Ψ  Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

sábado, 27 de dezembro de 2014

Ψ Feliz 2015!


http://vimeo.com/27920977

*Admire a flor e apaixone-se pela vida.

*A liberdade é a sua proteção e bênção.

*Perceba a importância absoluta do "agora" na ampla passagem do tempo.

*Um novo ano se inicia o que você pensa agora vai definir o seu destino.

*Que seja um período positivo e cheio de esperança em sua vida.


*Desejo que a maré esteja a seu favor.

*Se não foram bons os tempos até aqui, enterre-os no passado, no escuro dezembro e pense que você é um ano mais sábio.

*Só você sabe o que sofreu ... Lembre-se dos duros dias de inverno, do segredo traído e do cinismo, dor e alegria ... Nada se perde ... é isso que irá esculpir o seu novo personagem.  

*Seja generoso. Tenha total confiança de que tudo que você está dando tão generosamente para o mundo irá retornar multiplicado.

*Desejo que as flores encante seu coração e que a velha alma cansada volte a ser quente e jovem.

Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Ψ Retrospectiva 2014 - Prêmio Nobel


*Nenhuma desigualdade entre as pessoas faz parte da natureza humana.

*Infelizmente, entre homens e mulheres ainda é possível constatar profunda discrepância de direitos, mesmo com alguns avanços consideráveis nos últimos anos.

*Há uma parte importante de avanço que é o aumento do número de mulheres no mercado de trabalho. Isso é relevante do ponto de vista da autonomia econômica das mulheres.

*Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 2011, as mulheres são 45,4% da população ocupada e 46,1% da população economicamente ativa. 

*Por outro lado, persistem muitas desigualdades: as mulheres continuam ganhando menos, cerca de 70% do que os homens ganham, mesmo considerando que as mulheres hoje são mais escolarizadas do que os homens; 

*ainda são exceção em cargos importantes e de decisão, embora seja crescente o número de mulheres em algumas ocupações;

*e a mulher continua em setores considerados femininos que são mais desvalorizados.

*No Brasil, o emprego doméstico é o principal mercado de trabalho principalmente para as mulheres negras. Apenas 28% têm carteira assinada e, destas, 72% ganham menos que o salário mínimo.

*Temos visto também que, em relação às mulheres negras, persiste a desigualdade de menores salários e ocupações mais desvalorizadas em relação às mulheres brancas.

*Em relação à proteção da mulher, hoje já existem leis que a amparam, como é o caso da Lei Maria da Penha, na questão da violência.

*A respeito da Lei Maria da Penha, um avanço é o aumento das denúncias, mas o Brasil continua como um dos países considerados muito violentos, segundo o Mapa da Violência/2012.

*O Brasil, entre os 84 países do mundo pesquisados, consta como o sétimo em homicídios. 

*Inclusive está em curso uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da violência contra a mulher, que o Senado propôs para investigar o descaso em relação a este tipo de violência que ocorre no Brasil. 

*Segundo pesquisa nacional da Fundação Perseu Abramo, a cada dois minutos, cinco mulheres sofrem violência.

 *As mulheres estão ocupando cada vez mais o mercado de trabalho, mas a sociedade ainda funciona como se todas as mulheres fossem donas de casa simplesmente, com tempo integral em casa.

(...) Temos o grande desafio de romper essa divisão sexual do trabalho.

*Hoje mais de um terço das famílias são sustentadas pelas mulheres. Os homens não são os únicos provedores.

*O trabalho doméstico e de cuidado precisa ser assumido na sociedade através das políticas públicas e pelos homens.


*Nós vivemos a cultura patriarcal, da desigualdade, com a ideia de mercantilização do corpo da mulher. 

(...) A prostituição é entendida por alguns como um trabalho, mas para nós é uma extrema exploração do corpo das mulheres, a banalização do corpo e da vida.

*Por outro lado, o que define as desigualdades entre homens e mulheres não são somente os aspectos culturais, mas também a base material, que é a desigualdade econômica, a sobrecarga de trabalho sobre a mulher, falta de acesso a espaços de decisão.

*Ou seja, as mulheres continuam sendo minoria ocupando postos de decisão do ponto de vista da participação política, ainda que tenhamos uma mulher na presidência.

*As mulheres continuam bem abaixo da posição que deveriam ocupar na representação perante a sociedade.

(...)  A gente continua acreditando que as mudanças vêm através da organização das mulheres. Porque a desigualdade entre homens e mulheres não é só um efeito desse modelo que vivenciamos.


*Ela é parte desse próprio modelo de sociedade que se nutre da opressão das mulheres.

*E acreditamos que nós, mulheres, temos um papel de nos mantermos organizadas, de nos mantermos na luta, exigindo mudanças, construindo consciência.

*Pois, apesar dos avanços, não podemos nos acomodar pensando que as coisas se resolvem por si mesmas.

 (...) As mulheres têm lutado e se organizado como sujeito político em todos os setores: no campo, na cidade, contribuindo para mudanças.

*E há pouco houve, uma conquista importante para as empregadas domésticas, que foi a aprovação da lei que torna iguais seus direitos aos direitos das outras classes trabalhadoras. Era uma luta de muito tempo e a vitória chegou: produto da luta das mulheres organizadas.

*(...) Precisamos introduzir essas questões das desigualdades, não só de gênero, mas também de raça e orientação sexual, nos currículos escolares. 

*Da mesma forma, deve ser feita a análise da violência, a construção das mulheres como seres inferiores e homens superiores reproduzida na sociedade através dos meios de comunicação na família, inclusive na escola, que é um importante espaço socializador.

*Infelizmente, às vezes, ela ainda reproduz a desigualdade entre meninos e meninas, entre brancos e negros, ou não tem uma visão crítica sobre a questão da violência, da orientação sexual.

*É possível observar manifestações machistas e racistas por parte não somente dos alunos, mas também por parte do corpo docente. 

*Os meninos são educados como se a violência fosse constitutiva da sua identidade masculina.

*Isso, muitas vezes, é tratado como se fosse natural, o que só reforça esse comportamento inadequado na sociedade.

*Nesse sentido, a educação é muito importante para fazer mudanças e educar pessoas livres de preconceitos.

*Para transformar a sociedade, precisamos transformar também a escola.

*(...) A questão da terra e dos grandes projetos é também reivindicação feminina por uma mudança de modelo.

*Que se pense um novo modelo a partir da reprodução da vida, que venha proporcionar qualidade de vida às pessoas.

*Buscamos combater um modelo de sociedade que explora, que deteriora o ambiente.

*Estamos na luta geral contra este modelo econômico, um modelo de desenvolvimento que pensa grandes obras sem priorizar estruturas voltadas à vida das pessoas. 

*A Marcha Mundial das Mulheres tem também um campo vasto de atuação.

*Atua na questão do trabalho, na autonomia econômica, na luta contra a violência, pela paz e pela desmilitarização.

*Se você pegar a região da Europa, a Marcha está muito focada contra as políticas de austeridade, contra o desemprego que afeta diretamente as mulheres.

*Na África, a Marcha está voltada para a questão da solidariedade com as mulheres e contra a violência.

*Fomos parte organizadora do Fórum Social Palestina Livre, para trabalhar a solidariedade com as mulheres da Palestina.

*Nesta região do mundo, o imperialismo se impõe através de Israel para destruir as pessoas e ocupar o território.

*A gente vê cada vez mais o uso de armas, o aumento dos orçamentos para segurança, para guerra, em detrimento a outras políticas, e isso também tem sido uma bandeira de luta internacional.

*A nossa visão do feminismo é que temos que fazer uma luta contra todo o sistema, porque todos os aspectos do modelo se articulam para a opressão das mulheres.

Fonte: Uma desigualdade marcante entre homens e mulheres por Sônia Coelho, integrante da Sempreviva Organização Feminista (SOF) e militante da Marcha Mundial das Mulheres, SP. (sonia@sof.org.br)
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Ψ Jung revela O Segredo da Flor de Ouro, o elixir da vida ...

Ψ  *O Segredo da Flor de Ouro - publicado em fins de 1929, por C. G. Jung e o Sinólogo Richard Wilhelm.

*O livro continua a tradução de um velho texto chinês: Tai Ging Hua Dsung Dschi, com comentários de Jung.

* A arte de prolongar a vida humana, sob o título: "Dschang Schang Schu".

*Jung Promete revelar o Segredo - (Texto Ges. Werke XV - 1971). 
*O Texto diz: "A Flor de Ouro é a Luz e a Luz do Céu é o TAO".

*Diz JUNG: "A Flor de Ouro é um símbolo mandálico que encontrei muitas vezes nos desenhos dos meus pacientes (...) ela é ordenada como uma flor crescendo da planta em um fundo obscuro".

*A Flor de Ouro é o Elixir da Vida. *O significado literal de Gin Dan é esfera de ouro, a pílula de ouro, ou o Elixir da Vida.

*A Flor de Ouro, que se obtém por intermédio das transformações da consciência espiritual que, por sua vez, dependem do coração.

*E, embora seja exata, tal magia é secreta, é fluida e exige extrema inteligência, lucidez e tranquilidade: “As pessoas desprovidas dessa extrema inteligência e compreensão não encontram o caminho da utilização, ao passo que as pessoas desprovidas do extremo aprofundamento e tranquilidade não conseguem estabilizá-lo”.

*Origem da palavra Alquimia - do grego: Khyméia - mistura de vários líquidos e do árabe: Kimyâ - pedra filosofal.

*A alquimia encontra-se no limiar da religião e da ciência e é a mãe da química. *A palavra curar na origem significava serviço a Deus. E a cura ocorria num espaço sagrado. Diz-se em muitos escritos antigos que não são os remédios que curam, mas o magnetismo que se estabelece entre o médico e o paciente.

*Alquimia – Um processo de transformação da Alma,  a psique conta com um princípio estruturador que unifica os conteúdos arquetípicos, o que Jung denominou de Self ou Si-Mesmo: “O Self é o centro ordenador e unificador da psique total (consciente e inconsciente), assim como o eu é o centro da personalidade consciente ou ego”.

*A esse processo ele designou de Individuação, que significa tornar-se uno”.

*Se for visto como um método ou caminho consciente que deve unir o que está separado, chega-se próximo ao conceito psicológico da linguagem chinesa e de se realizar o que propõe o Tao. 

*Segundo o texto Hui Ming Ging, “é necessário um aquecimento, ou seja, uma elevação da consciência, a fim de que a morada da essência espiritual seja iluminada. Assim, não é apenas a consciência, mas também a vida que deve ser elevada ou exaltada. A união de ambas produz a vida consciente".

*Segundo JUNG, a união dos opostos em um nível mais alto de consciência não é um processo racional, ou ainda uma questão de desejo ou vontade, e sim um processo de desenvolvimento psíquico que se exprime por intermédio dos símbolos. “Quando as fantasias tomam a forma de pensamentos, emergem formulações intuitivas de leis ou princípios obscuramente pressentidos, que longo tende a ser dramatizados ou personificados”.


 *Em sua prática clínica, Jung pôde comprovar que as fantasias desenhadas pelos seus pacientes podem aparecer em símbolos que pertencem ao tipo mandala. “Mandala significa circulo e praticamente circulo mágico. Os mandalas não se difundiram somente através do Oriente, mas também são encontrados entre nós. A Idade Média e em especial a baixa Idade Média é rica de mandalas cristãos”, escreve Jung.

*O processo clássico do trabalho dos alquimistas era criar uma substância transcendente e miraculosa conhecida como o *Elixir da Longa Vida, percorrer o caminho da busca da Pedra Filosofal.

*O procedimento, em primeiro lugar, era tentar descobrir qual o material adequado, a chamada Prima Matéria, depois submetê-la, em seguida, a uma série de
operações que a transformariam em pedra filosofal.

*Quando se refere aos estados mitológicos, que tratam da evolução da consciência, deve-se observar os  quatro elementos que são responsáveis pela operação alquímica:

*Calcinatio é a operação do fogo: A calcinação envolve intenso aquecimento de um sólido, destinado a retirar a água e todos os demais elementos passíveis de volatilização. Resta um fino pó seco, cinza branca. São simbolizados por intermédio de três níveis de Fogo na alquimia ocidental, Jung refere que o fogo simboliza a libido, o lobo representa o desejo e os instintos; o Leão é o impulso egocêntrico objetivo e o Rei é a consciência objetiva”.

*Solutio – a água: é a operação que transforma um sólido em estado líquido. O sólido desaparece no solvente, como se tivesse sido engolido. Solutio, significa o retorno da matéria diferenciada ao seu estado indiferenciado original, à Prima Matéria. Se a água lembra o útero, a solutio é uma espécie de retorno a ele, como um renascimento.
 (...) A solutio, tem duplo efeito: provoca o desaparecimento de uma forma e também o surgimento de uma nova regenerada. Psicologicamente, é o sentido de transformação da Alma.

*Coagulatio – a terra: Refere-se, à experiência no laboratório onde o resfriamento transforma um líquido em sólido,  a coagulatio é o processo que transforma as coisas em terra. “Terra”, é um dos sinônimos de coagulatio. “Pesada e permanente, tem forma e posição fixa. Não desaparece no ar por meio da volatilização, nem se adapta facilmente à forma de qualquer recipiente, ao contrário da água. Psicologicamente, tornar-se terra significa concretizar-se numa forma localizada particular. (...) sob o ponto de vista psicológico, a coagulatio significa que o Espírito fugidio de Mercúrio é o espírito autônomo da psique arquetípica. Significa ligar o ego com o Si-Mesmo, realizar a individuação.

*Sublimatio – o ar: O termo vem do latim sublimis, que significa “elevado”. Transforma os materiais por intermédio da elevação e volatilização. O sólido, ao ser aquecido, passa para o estado gasoso e sobe até a borda do vaso, onde volta a assumir o estado sólido na região superior, mais fria. A destilação é um processo em que o líquido se torna vapor ao ser aquecido e volta a condensar-se. A terra se transforma em ar; um corpo fixo se volatiliza; aquilo que é inferior torna-se algo superior.  Em termos psicológicos é a fase descrita como purificação. Quando são misturados num estado de contaminação inconsciente, a matéria e o espírito devem ser purificados pela separação. 

*É justamente o objetivo da Opus a criação de uma entidade miraculosa que recebe vários nomes como “Pedra Filosofal”, “Nosso Ouro”, “Água Penetrante”, ...  Sua produção resulta da união dos opostos purificados, e como combina os opostos, retifica toda unilateralidade.

*Descreve-se a Pedra Filosofal como uma pedra que tem o poder de amolecer todos os corpos duros e de endurecer todos os corpos moles, a pedra com Sapientia Dei que diz si mesma: “Eu sou a mediadora dos elementos, que faz um concordar com o outro; aquilo que é quente torno frio, e vice-versa, aquilo que é seco torno úmido, (...) Sou o final e o meu amado é o começo. Sou toda a obra, e toda a ciência oculta-se em mim”. Assim, o termo sugere algo como a eficácia prática e concreta da sabedoria ou da consciência.

*Diz Jung. “Esta simbólica refere-se a uma espécie de processo alquímico de purificação e de enobrecimento; a escuridão gera a luz e a partir do chumbo da região da água cresce o ouro nobre; o inconsciente torna-se consciente, mediante um processo de vida e crescimento. Desse modo se processa a unificação de consciência e vida”.


*Ainda sob o ponto de vista psicológico, podemos lembrar do movimento da roda do sol, que quando começa a girar se vivifica, e a partir daí inicia o seu caminho. “O Tao começa a atuar e assume a direção. A ação converte-se em não-ação; tudo o que é periférico é subordinado à ordem que provém do centro”, lembra Jung.


(...) É nesta hora que desaparece a 'participation mystique' (* termo utilizado por Lévy-Bruhl que designa o sinal característico da mentalidade primitiva),  responsável pelo entrelaçamento da consciência com o mundo. É quando a consciência deixa de ser dominada por intenções compulsivas e passa a contemplar, conforme exprime o texto chinês. 
                                                                                                                                                  
*Afinal, a 'participation mystique' aponta para o grande e indeterminado remanescente da indiferenciação entre sujeito e objeto, de tal monta entre os primitivos, que não pode deixar de espantar os homens de consciência europeia ou ocidental.

(...) “O homem civilizado considera-se naturalmente bem acima destas coisas. No entanto, passa a vida inteira identificado com os pais, com seus afetos e preconceitos, culpando impudicamente os outros pelas coisas que não se dispõe a reconhecer em si mesmo. E guarda também um remanescente da inconsciência primitiva da não-diferenciação entre sujeito e objeto. Por isso mesmo é influenciado magicamente por inúmeros seres humanos, coisas e circunstâncias, sente-se assediado de modo irresistível por forças perturbadoras, muito apreciadas com as dos primitivos; do mesmo modo que estes últimos necessita de encantamentos ou feitiços .... O homem ocidental não manipula mais com amuletos, bolsas medicinais e sacrifícios de animais, porém com soporíferos, neuroses, racionalismo, culto da vontade...”, refere Jung.

*Jung descreve o seguinte: “Eros é um kosmogonos, um criador e pai-mãe de toda consciência superior. 
Por vezes sinto que as palavras de Paulo –“ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, mas não tivesse amor” – podem muito bem ser a primeira condição de todo o conhecimento e a quintessência da divindade. Qualquer que seja a interpretação erudita da frase “Deus é amor”, as palavras afirmam o complexo oppositorum da cabeça de Deus. (...) Somos, no sentido mais profundo, as vítimas e os instrumentos do “amor” cosmogônico. (...) Sendo uma parte um homem não pode captar o todo. Ele se encontra a mercê do todo. Pode obedecer a ele ou rebelar-se contra ele; mas sempre é tomado por ele e contido dentro dele. Depende dele e é por ele sustentado. O amor é sua luz e sua treva, cujo final ele não pode ver. “O amor não termina” – que o homem fale com as “línguas dos anjos” ou persiga, com exatidão cientifica, a vida da célula em sua fonte última. (...)  Se possui um grão de sabedora, ele deporá as armas e nomeará o desconhecido pelo ainda mais desconhecido, ignotum per ignotius - isto é, como o nome de Deus. Essa é uma confissão de humildade, de imperfeição e de dependência; mas, ao mesmo tempo, um testemunho da liberdade do homem para escolher entre a verdade e o erro.” (Jung, Memories, Dreams, Reflections).

*Segundo o livro O Segredo da Flor de Ouro (Tai I Gin Hua Dsung Dschï), a prática da ioga permite a libertação dos grilhões do mundo exterior ilusório. No entanto, o mais alto grau desta atitude meditativa é tender ao nirvana budista “ou então prepara a possibilidade de continuação da vida depois da morte, não com a decomposição no decaído mundo das sombras, mas como espírito consciente".

*Wilhelm refere: "assim pode-se fortalecer o processo vital obtendo rejuvenescimento e normalização energética de modo a superar a morte. Esta passa ser um processo harmônico e natural da conclusão da vida. “O corpo terrestre será, então, abandonado pelo princípio espiritual (apto a prosseguir uma vida independente no corpo espiritual criado por seu sistema energético), tal como ocorre com a cigarra ao abandonar sua casca seca”.

*Lao Tsé:
“O melhor dos homens é como a água.
A água a todas as coisas beneficia.
E com elas não compete.
Ocupa os (humildes) locais vistos por todos com desdém.
Nos quais se assemelha ao Tao.
Em sua morada ama a terra.
Em seu coração, ama a profundidade.
Em suas relações com os outros, ama a paz;
No trabalho, ama a habilidade;
Em suas ações, ama a oportunidade.
Porquanto não reclama,
Vê-se livre de reparos”.

* A Tábua da Esmeralda de Hermes, Trimegistus, o três vezes grande:
 *1 – Verdadeiro, sem enganos, certo e digníssimo de crédito.
*2 – Aquilo que está embaixo é igual àquilo que está em cima, e aquilo que está em cima é igual àquilo que está embaixo, para realizar os milagres de uma só coisa.
*3 – E, assim como todas as coisas se originaram de uma só, pela mediação dessa coisa, assim também todas as coisas vieram dessa coisa, por meio da adaptação.
*4 – Seu pai é o sol; sua mãe, a lua; o vento a carregou em seu ventre, sua ama é a terra.
*5 – Eis o pai de tudo, a complementação de todo o mundo.
*6 – Sua força é completada se for voltada para dentro da terra.
*7 – Separa a terra do fogo, o sutil do denso, com delicadeza e com grande ingenuidade.
*8 – Ela ascende da terra para o céu, e desce outra vez para a terra, e recebe o poder do que está em cima e do que está embaixo. E, assim, terás a glória de todo o mundo. Desse modo, toda a treva fugirá de ti. *9 – Eis o forte poder da força absoluta; porque ela vence toda coisa sutil e penetra todo sólido.
*10 – E assim o mundo foi criado.
*11 – Daqui virão as prodigiosas adaptações. à feição das quais ela é.
*12 – E assim sou chamado Hermes, tendo as três partes da filosofia de todo o mundo.
*13 – Aquilo que eu disse acerca da operação do sol está terminado.            

Fonte: JUNG, Carl Gustav e WILHELM, Richard, O Segredo da Flor de Ouro (Tai I Gin Hua Dsung Dschï) Editora Vozes; 2ª. Edição, Petrópolis. 1984.
Ψ Fátima Brazão - Psicóloga clinica junguiana em seu trabalho acadêmico Alquimia – Um processo de transformação da Alma.
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Ψ os deuses pintam borboletas

"Antônio,
os deuses pintam borboletas,
mas nós sabemos como
homens sonham e sangram.
(...) Existe a solidão ... A dor existe.

Perdoa-me a tristeza,
como se fosses meu pai,
e não meu filho.


(...) Como um parceiro ... num segredo,
assim o corpo se vai vestindo de amor.
Assim o corpo se deita na tristeza.
Assim o tempo recolhe as flores, às braçadas."
(Alberto da Costa e Silva - A Um Filho que fez Dezoito Anos)

 
Pois a vida nos impulsiona a seguir, apesar de tudo. Ela concede a cada dia um novo conflito, pede um desvio da rota, uma escolha, um outro olhar ...
Jung refere: "Por detrás do cruel destino humano se esconde algo semelhante a um propósito secreto." [...] 

Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

sábado, 22 de novembro de 2014

Poeta Manoel de Barros

"O tempo só anda de ida.
A gente nasce, cresce, envelhece e morre.
Para não morrer eis a ciência da poesia: Amarrar o Tempo no Poste! E respondo mais: dia que estiver com tédio de viver é só desamarrar o Tempo do Poste!" 
(Manoel de Barros -  19/12/1916 -13/11/2014)


Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Ψ A Difícil Realidade da Criança Autista


*Define-se o autismo como uma síndrome (sinais e sintomas), provenientes de diversas causas, caracterizado principalmente pelo isolamento social, rituais e movimentos estereotipados, bem como dificuldades na linguagem e comunicação, acomete mais os meninos.
*A criança vive num universo próprio, manipula os objetos sem nenhuma intenção construtiva real e nem tem valor social significativo para ela.

*Nos relacionamentos pessoais não estabelece uma comunicação de interesse, evitando o contato visual. São relações fragmentárias, ela até escolhe um companheiro, mas não espera dele nem participação e nem trocas.

*Possuem aptidões em  certos campos, facilidade em testes de acoplamento, ordenação de objetos ou de  formas em grandeza decrescente. Possuem uma certa percepção acurada, ainda que, algumas vezes demasiado focalizada. Uma certa planificação num campo restrito, que perturba o todo, por conta da sua necessidade constante de imitar e reproduzir gestos repetitivos.

*O autismo é uma síndrome bem difícil de ser diagnosticada por ter variações, níveis, gravidade e manifestações diferenciadas, possível   de  ser   confundida   com   outras   psicoses.

*É um   transtorno  que   expõe   uma   fragilidade psíquica e orgânica capaz de confundir  o olhar clínico mais experiente. Os sintomas autísticos se confundem e se misturam com distúrbios neurológicos, sensoriais e deficiências intelectuais, sendo alguns de origem genética.

*Os esquizofrênicos mais gravemente atingidos, os que não têm mais contato com o mundo externo, vivem num mundo que lhes é próprio. Qualquer mudança é uma ameaça.


*Fecham-se com seus desejos e aspirações, ou se preocupam apenas com os avatares e suas ideias de perseguição; afastam-se o mais possível de todo contato com o mundo externo. Preferem lidar com objetos e evitam contato com pessoas.

*A essa evasão da realidade, acompanhada ao mesmo tempo pela predominância absoluta ou relativa da vida interior, chamamos de autismo. (Bleuler e Kaufmann, 1966).
 


*Bleuler (1911), introduziu o termo “autismo”, na tentativa de abarcar a perda de contato com a realidade juntamente com a permanência em um modo de viver voltado para si mesmo, que neles identificava.

*Freud (1923), referia autoerotismo como uma perturbação na vida erótica destes pacientes.


 *Kanner (1943), já utiliza um quadro específico de adoecimento infantil, e não mais do sintoma de esquizofrenia adulta.

*Ajuriaguerra (1991), refere que essa  descrição do autismo por Kanner marcou o início da história atual das psicoses infantis, já que as primeiras tentativas de diagnosticá-las apenas faziam o translado do quadro semiológico do adulto.

 
*Os esquizofrênicos mais gravemente atingidos, os que não têm mais contato com o mundo externo, vivem num mundo que lhes é próprio.
A essa evasão da realidade, acompanhada ao mesmo tempo pela predominância absoluta ou relativa da vida interior, chamamos de autismo. (Bleuler apud Kaufmann, 1966).

 
*Segundo José Raimundo Facion (2007) o autismo é  um  subtipo  dos  Transtornos Invasivos  do  Desenvolvimento (TID),  “que  apresentam  em  comum  prejuízo  severos   e  invasivos   nas    diversas   áreas   do  desenvolvimento (dificuldades relativas    ás  habilidades    de   interação    social  recíproca    e  de   comunicação ou  presença  de comportamentos estereotipados e movimentos repetitivos)”. 


*O autismo sofreu várias modificações em sua definição, nas classificações de doenças mentais seguindo critérios das DSMs (classificações das doenças mentais da Associação Psiquiátrica Americana)  e as CIDs (Código Internacional de Doenças, OMS).

*Em 1968, a DSM II incluía o autismo no termo “esquizofrenia de início na infância”; e na década de 1970, passou a avaliá-lo como deficiência cognitiva (Cavalcanti e Rocha, 2001).


*Em 1980, a DSM III mudou mais uma vez; distinguiu-o da esquizofrenia infantil.

*Em 1995, a DSM IV passou a descrevê-lo como uma síndrome comportamental com várias etiologias.
*CID 10 (1993), já não julgava que o autismo fosse uma psicose, identificando-o como um “distúrbio global do desenvolvimento”.

 
*Constata-se que além do fato de haver várias abordagens dentro de um mesmo saber, existem quadros muito variados, com múltiplos fatores convergindo para a determinação de cada um deles, como indica a própria característica sindrômica. 

 
*Assim, um único ponto de vista não consegue abarcar o tema, e tomar em consideração um lado da questão não elimina os outros.  Considerar, por exemplo, fatores relativos à interação humana não exclui uma falha na condição física.


*Em 1997, devido à impossibilidade consensual, o National Center for Clinical Infant Program (NCCIP) propôs novas categorias.
Essa categorização destaca transtornos que apresentam as mesmas dificuldades descritas nos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, manifestos em bebês e crianças pequenas, mas que evidenciam uma certa capacidade de manter relações afetuosas e interativas com seus cuidadores, lado a lado com um progresso razoável em seu desenvolvimento cognitivo. São então denominados “Transtornos Multissistêmicos do Desenvolvimento”.

*O NCCIP alerta que “quando identificadas e tratadas apropriadamente, muitas crianças com ‘aspectos autísticos’ desenvolvem relacionamentos de afeto e intimidade” (1997).


*Winnicott refere o autismo  como uma questão de imaturidade emocional, que pode acontecer quando o amadurecimento da criança é interrompido  pela inadequação ou insuficiência do ambiente perante suas necessidades.

*Essa compreensão pode evitar que o autismo seja tomado como uma doença (nos termos da psiquiatria), uma entidade nosológica, que muitas vezes reduz a importância da relação ambiente indivíduo.

 
* Segundo Winnicott,
“Qualquer um dos muitos elementos descritivos pode ser examinado separadamente e pode ser encontrado em crianças que não são autistas, e mesmo em crianças que são chamadas de normais e sadias”.
* E ainda, “para cada caso de autismo que encontrei na minha prática, encontrei centenas de casos em que havia uma tendência que foi compensada, mas que poderia ter produzido o quadro autista” (1966).

 *Referia Winnicott (1950),  que não se pode deixar de reconhecer o “acaso”, dentre outros fatores, “há as crianças cujos pais não foram bem sucedidos e precisamos lembrar que o fracasso pode não ser absolutamente por falha deles". Pode ser por um erro médico, ou por uma fatalidade (...) e os pais podem carecer de recursos para lidar com o imprevisto, e o suporte do ambiente próximo será fundamental.

*Segundo Winnicott, no autismo a criança produziria uma organização defensiva, no sentido de adquirir uma invulnerabilidade diante da ameaça de voltar a ser tomada por uma agonia anteriormente sentida, devido a uma “invasão” ou falha do ambiente para com ela, na fase de extrema dependência do início de sua vida.



*Sem a defesa, a criança ver-se-ia diante “de uma quebra da organização mental da ordem da desintegração, despersonalização, desorientação, queda para sempre e perda do sentido do real e da capacidade de se relacionar com os objetos”, que para Winnicott caracterizavam as agonias impensáveis (...)  a criança terá somente seu recurso mais primitivo para alcançar a invulnerabilidade: o isolamento. 
 
*As atividades da criança autista têm uma especialização monótona, sem a presença de fantasias.


*O apego a certos objetos, a fixação, o balanceio, os comportamentos repetitivos, a evitação de qualquer contato, podem ser utilizados pela criança muito precocemente para defender-se da agonia engendrada pela falha na relação primitiva de identificação primária.

*Uma agonia que acontece não propriamente por uma questão de intensidade da falha, mas pelo momento de seu acontecimento. 

 
*Para Winnicott, (1962) “quaisquer que sejam os fatores externos, é a visão que o indivíduo tem do fator externo o que conta”.


*É importante salientar que em uma fase bem precoce, o que se chama de “visão” de um “fator externo”, é na realidade do bebê um sentimento subjetivo de estranheza, de algo que não deveria estar acontecendo, visto que o bebê ainda não compreende razões e tampouco percebe objetivamente o que é interno e externo.

 
*Com esse modo de pensar o autismo, Winnicott acreditava que não se poderia avançar muito na compreensão de sua etiologia, e consequentemente na prevenção, se não houvesse coragem de tocar em questões extremamente difíceis e delicadas.


*Uma dessas questões refere-se ao ódio inconsciente da mãe em relação à criança, oculto por formações reativas tornando-se, mais difícil de ser enfrentado pela criança.
(Mecanismo de Defesa descrito por Freud, através da Formação Reativa, alguns pais são incapazes de admitir um certo ressentimento em relação aos filhos, acabam interferindo exageradamente em suas vidas, sob o pretexto de estarem preocupados com seu bem-estar e segurança).

* Winnicott (1967), em seu texto A etiologia da esquizofrenia da criança em termos do fracasso adaptativo, aponta o fator do ódio inconsciente materno, essenciais para o estudo do autismo. 


*O autor fala ainda da organização de defesa sofisticadíssima do autismo, promovendo a invulnerabilidade da criança, que deixa de sofrer, ficando o sofrimento com os pais;

*A ênfase no afeto inconsciente materno como fator etiológico já era citada por Winnicott no texto The only child (1928), ele dizia: “a influência mais importante sobre a vida de uma criança é a soma das ações e reações impensadas da mãe, e de outras relações e amigos; não são as ações refletidas que têm os principais efeitos”.


*A mãe que odeia e ao mesmo tempo demonstra uma ternura especial: "O desejo de morte reprimido em relação ao bebê”, ódio inconsciente, oculto por formações reativas, que fica “além da capacidade de manejo do bebê”.

*Ou seja, as crianças parecem ser capazes de lidar com o fato de serem odiadas e isto é simplesmente uma maneira de dizer que podem enfrentar e fazer uso da ambivalência que a mãe sente e demonstra. 


*O que elas não podem jamais usar satisfatoriamente em seu desenvolvimento emocional é o ódio reprimido e inconsciente da mãe, que apenas encontram em suas experiências de vida, sob a forma reativa. 

*Winnicott confessa que gostaria muito de dizer a todo mundo que a atitude dos pais não tem qualquer influência no surgimento do autismo, ou da delinquência, ou de outros distúrbios do desenvolvimento.



*Mas ele dizia que não podia, e se pudesse, seria o mesmo que dizer “que os pais não desempenham nenhum papel quando as coisas vão bem”. 

*Segundo ele, “temos de procurar todas as causas de qualquer transtorno, e também da saúde, e não podemos esconder coisas por medo de magoar alguém. Entretanto, “ isso é muito diferente de dizer para uma mãe ou um pai: ‘Isso é culpa sua’. 

*Uma coisa é culpa e outra é responsabilidade. É preciso analisar a etiologia, pois muitas vezes, “o dano foi feito sem querer e sem maldade. Simplesmente aconteceu”. 

*Por reconhecer a importância da adequação do ambiente para que o amadurecimento da criança se dê de forma satisfatória, Winnicott apontava os cuidados que o próprio ambiente, em particular a mãe, demandam. 

*Para ele, mãe e bebê inicialmente precisam que seu ambiente próximo promova recursos que levem a mãe a desenvolver confiança em si própria.

*Concordo particularmente com as abordagens psicodinâmicas que enfatizam aspectos qualitativos do desenvolvimento humano, respeitando as diferenças, a capacidade e o ritmo de cada criança. 

*(Dedico esta postagem a minha paciente K.B.P, 'Síndrome de Asperger', que foi avaliada na Perícia Médica em 2013, Exame Pré Admissional, passou em dois concursos públicos mas não foi considerada apta, tenha minha admiração e carinho).

Bibliografia: Psychê - Ano VIII - nº 13 - São Paulo -  jan - jun/2004 - p. 43-60:  Conceição A. Serralha de Araújo.
AJURIAGUERRA, J.; MARCELLI, D. Manual de psicopatologia infantil . Porto Alegre: Artes Médicas, 1991.
WINNICOTT, C.; SHEPHERD, R.; DAVIS, M. Explorações psicanalíticas : D. W. Winnicott. Porto Alegre: Artes  Médicas, 1994.
WINNICOTT, D.W. (1945). Desenvolvimento emocional primitivo. In: ___.Textos selecionados: da pediatria à psicanálise. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1993.  ________. (1950). Crescimento e desenvolvimento na fase imatura. In: ___. A família e o desenvolvimento do indivíduo. Belo Horizonte: Interlivros, 1980.

 ________. (1952). Psicose e cuidados maternos. In: ___ .A família e o desenvolvimento do indivíduo . Belo Horizonte: Interlivros, 1980. ________. (1962). A integração do ego no desenvolvimento da criança. In: ___. O ambiente e os processos de maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1983.
 ________. (1966). Autismo. In: SHEPHERD, Ray; JOHNS, Jennifer e ROBINSON, Helen T. 
D. W. Winnicott : pensando sobre crianças. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica