quinta-feira, 21 de maio de 2015

Ψ Quando Cupido Ataca Ou O Amor Que Não Se Basta

O que vem a ser o amor que não se basta
E a alma dolorida não aquieta
O que vem a ser o amor
que só o corpo exige
e não se basta?
O que será do amor que alucina
e fica à deriva de momentos
que passam como o vento
e não sopram como brisa,
mas, como furacão que só castiga,?.
Será que é amor ou posse
ou  o Ego que maquina
o quanto quer na forma de poder
a  que se inclina?
Verdade ou ilusão que se

traveste de verdade
ou apenas orgulho corrosivo...
Será amor, aquele que não ama

e espera receber como coroa

que engrandece o ser,
faz festa e alucina...

mas não se entrega
como dádiva Divina ? 

(Guaraciaba Perides)
consulte aqui
                                       *Ouça o poeta Rumi:
                                            O amor é tolo, não a razão.
                                                 Razão procura um lucro.

                                                          (...) Tendo morrido interesse pessoal,
                                                                          arrisca tudo e não pede nada.
                                                                                 Amor perdido apostando cada presente
                                                                                          concedido por Deus.


                               O Que a Psicanálise Tem a Dizer?


*(...)  Freud constatou no amor a fonte de valiosos vínculos entre os humanos, mas constatou também que a felicidade não é fácil

*Para Freud a eleição de objeto de amor é repetitiva, o que remete a uma determinação inconsciente.

*Argumentou que o desejo desestabilizava o nível mínimo de tensão necessário para se formalizar o princípio do prazer, pois, basta desejar para que tal harmonia se perca.

*O desejo comporta um excesso que ao ser reconhecido seria o desestabilizador.

*Então Lacan abordou como harmonia homeostática governadora do prazer, algo mais além do  princípio do prazer.

*E, se a felicidade é pensada em Kant, como “satisfação ininterrupta do sujeito com sua vida”,diz Lacan que desde Freud ela não é destinada aos desejantes. 

*Ou seja, (...) “É claro que ela se recusa a quem não renuncia à via do desejo”.

*Lacan refere um circuito inconsciente de desejo e gozo favorecendo a construção de uma fórmula secreta para a condição de amar, ou seja, para a escolha de objeto sexual que cada sujeito se impõe. 

*Lacan buscou na Filosofia clássica o “antigo termo paixão”, para expressar as paixões do ser e da alma.

*As paixões do ser, amor, ódio e ignorância, são decorrentes da relação com o Outro e supõem ação: amamos, odiamos, ignoramos ...

*nas palavras de Lacan: “Amor, ódio e ignorância são atos em relação ao ser, são afetos”.

*Lacan refere que o amor favorece a renúncia ao gozo e pode se inscrever com função de mediação, possibilitando a articulação entre o gozo do Um e o desejo do Outro

*Coisa estranha é o amor! Para além do amódio, sem equivaler-se a nenhum amor
místico, um “novo amor”, “um amor sem limites”
.


*Lacan, por sua vez, não simplifica a questão,... se propõe a pensá-lo em termos de funcionamento psicótico

*Para Lacan o discurso analítico revelou que todo amor se baseia em certa relação entre dois saberes inconscientes.


O afeto, nesse caso, já não se limita à série prazer-desprazer, marcadamente freudiana. 


*Seu sentido “foi ampliado como o efeito do saber no corpo”. (Miller)

*As paixões do ser surgem no momento em que o inconsciente é trabalhado como falta-a-ser, o Outro e o sujeito barrado são atores principais, e a dialética do desejo é o cenário das ações. 


*Lacan dá ênfase na demanda sempre insatisfeita, portanto, amor, ódio e ignorância constituindo formas de buscar, no Outro, o que acalma ou parece preencher a falta-a-ser. 

*(...)  “você é minha mulher”, com o amor apontando o ser, mas, quando tudo depende do Outro, escreve Lacan (1957), em As formações do inconsciente: a solução fundamental, buscada por todos os humanos, do início ao fim da existência, é ter um Outro todo seu. E isso “é o que se chama amor”. 

*Lacan afirma que a definição de amor é dar o que não se tem.

*Para amar é preciso colocar-se na posição do que não tem, ainda que se tenha, e no amor damos o que não temos.

*Ele fala em “eixo do amor”, situando-o “não no objeto, mas, naquilo que o objeto não tem”.

*Cita ele que “o amado no amor é o que está para além do sujeito, literalmente, o que ele não tem”.

*A questão do ato, inerente ao amor, continua e não se perderá em Lacan. 

*Agora é focalizado pela dialética do ser e do ter, girando em torno do drama fálico que o institui no campo do projeto, de uma promissória para o futuro: “A demanda incondicional de amor demanda o desejante no outro, aquilo que é desejado”.

*Lacan menciona: Em Platão a miséria pode conceber o amor. Sócrates: “O amor não é coisa divina”. Aristóteles: a partir da sabedoria de Empédocles, orientou-lhe que “Deus era o mais ignorante de todos os seres, por não conhecer o ódio e isso é saber pouco sobre o amor, é saber menos que os mortais".

*A função do desejo no amor referia-se ao fato de que o desejo intervém no amor, é seu pivô essencial e, portanto, o desejo não diz respeito ao objeto amado.

*Afirmação forte, explicada no sentido de que o “amor é a sublimação do desejo”.

*Segundo Lacan, tudo o que Freud disse sobre o amor coloca em evidência, de um lado, “as pulsões parciais exigindo a ordem sexual” e, do outro, o amor. 

*Malgrado a ambivalência amor e ódio, estabelecida pelo criador da Psicanálise, segue Lacan, “se a pulsão genital existe”, ela não se articula do mesmo modo que as outras. 

*Ela está “submetida à circulação do complexo de Édipo, às estruturas elementares e outras de parentesco. É o que se designa como campo da cultura.” 

*Colocar-se na posição de desejante, conforme escreve em época de formalização do objeto a, é pôr-se na posição de falta do objeto a, o que abre a porta para o gozo do ser e da possibilidade de ser apreciado como “amável”

*Por esse motivo é que o “amor-sublimação permite ao gozo condescender ao desejo”.

*Aí está claramente esse algo a mais no cenário, o gozo, e no caminho de condescender ao desejo, a angústia.

*Mais, mais ainda, ainda mais, Miller (2008), recorda que o seminário A ética da Psicanálise serviu para que se formasse o conceito lacaniano de gozo, mas, nele, o gozo pode ser desenvolvido sem referência à relação sexual.
 
*(...)  que não há puro prazer em nível algum humano. 

*Até no princípio do prazer freudiano, em que Lacan reconhecia funcionamento na busca da homeostase, há regime de gozo, pois ali o desejo introduz um excesso, nele há intervenção da inscrição simbólica.

*Nesse sentido, pode-se dizer que há gozo do corpo e que este fica unido e até se confunde com o gozo do significante.

*Gozo do corpo e do significante são duas faces da mesma moeda, afirma Miller (2008), porque só há gozo do corpo pelo significante e há gozo do significante porque o ser da significação está enraizado no gozo do corpo.

*
Lacan (1972-1973/1982), escreve que o gozo do Outro, do “corpo do Outro que o simboliza”, não é signo de amor, pois o gozo não é signo de amor. 


*O amor, sim, faz signo, signo do sujeito, pois é recíproco. 

*A invenção do inconsciente é o modo de perceber que o desejo do homem é o desejo do Outro e que o amor, se comporta uma paixão, esta é a ignorância do desejo.
A devastação que pode propiciar o demonstra.

*É que amor demanda amor, mais, mais ainda, em sua essência narcísica, afirma Lacan.

*Assim, “embora recíproco, ele é impotente", já que ignora que é apenas desejo de ser Um, o que leva à impossibilidade de estabelecer a relação dos dois sexos.

*O princípio de que “nós dois somos um só”, é forma de dar significado à relação sexual, ignorando que, nas parcerias, há dois, cada qual um. 

*A não relação sexual é fato decorrente da existência do inconsciente e, daí, o gozo do Outro, tomado como corpo, é sempre inadequado.

*Ele é perverso pelo ângulo em que o Outro se reduz ao objeto a; ele é louco porque nele se crê como os psicóticos creem em suas alucinações; e enigmático, pois “sempre há signos pontuados enigmaticamente da maneira pela qual o ser é afetado enquanto sujeito do saber inconsciente”.

*Por sinal, a psicose mostra, em toda sua radicalidade, a loucura do amor, em sua articulação com o gozo, ponto no qual falo e castração não conseguem dar razão ao que está em jogo.

*O real em jogo no amor sinaliza algo de impossibilidade e, como disse Lacan, “poeticamente” chamava de coragem o que o parceiro precisa, no enfrentamento do destino fatal que lhe aguarda. 

*Destino do reconhecimento de que a relação de sujeito a sujeito, sujeito como apenas efeito do saber inconsciente, é contingencial, ela para de não se escrever. 

*A relação sexual, por sua vez, é da ordem da impossibilidade, ou seja, não para de não se escrever. 

*Na ordem da contingência, “Não há outra coisa senão encontro, o encontro, no parceiro, dos sintomas, dos afetos de tudo que, em cada um, marca o traço de seu exílio, como falante, da relação sexual”.

*Todo amor tende a passar da contingência à necessidade, ao não para de escrever-se, constituindo seu drama.

*Não é sem sentido, então, que a Psicanálise tenha se dedicado tanto ao trabalho de como se pode amar outro, para além de si mesmo.


*O amor é forma de deixar de lado o corpo e aferrar-se à palavra, o que as mulheres sabem bem fazer, conforme ensinou a Psicanálise lacaniana.

*Mas, ela também ensinou que, pelo gozo, chega-se ao objeto e ao gozo do próprio corpo.

*As novas formalizações sobre o gozo, apresentadas no seminário Mais, ainda, circunscreveram que a simbolização não anula o gozo e sim o mantém e até o produz, pois se goza do significante pela palavra e pela escrita.

*As categorias sujeito barrado e Outro, nessas formalizações, sofreram mudanças. 


*O termo sujeito, marcado pela falta-a-ser, mortificado pelo significante, ainda é usado, mas Miller (2008) alerta que já não se pode desconsiderar sua parcialidade.

*Ao final de seu ensino, Lacan prefere usar as expressões “falasser”, ser falante, porque elas expressam o sujeito completo pelo corpo de gozo, corpo sexuado.

*O mesmo sucedeu com o Outro, pensado, inicialmente, em sua dimensão de carne, de ser vivo e, depois, enfatizado em seu caráter simbólico, significante. Nesse lugar significante, trata-se de um Outro mortificado, um lugar abstrato, formal. Ao final, nele há corpo de gozo.

*Nesse contexto, entre o homem e a mulher, está o sintoma, meio de gozo e, “Se estou ligado ao Outro, é porque o Outro, para mim, é sintoma, ou seja, modo de gozo de meu corpo”. (MILLER, 2008). 


"Os não tolos erram", Lacan (1973), ou seja, diz que se o amor é metáfora de algo, ela o é do peixe que alguém tenta afogar, no encontro de um homem com uma mulher.
 
*Lacan vai além:  o casamento é um engano recíproco e, por isso, pensava que ele é amor, pois, o amor é aquilo a que os corpos tendem, ou seja, enlaçarem-se. 

*Mas não conseguem. A um corpo não lhe ocorre, nunca, enlaçar-se.

*Lacan refere que a sabedoria não serve para nada no amor.

*O amor é nada mais que um dizer que se dirige ao saber do inconsciente e não tem nada a ver com a verdade.

*Ele é o laço essencial entre real e simbólico e, sua finalidade é o puro fracasso, ou seja, deixa de se escrever, precisa de constante verificação.

*É a falta de conhecimento sobre as regras do jogo amoroso o que articula os nós do amor, mas a clínica ensina que o amor obstina em tudo que é contrário ao bem-estar do outro e, por isso, um dia o chamou “odioenamoramento.” (LACAN, 1975). 

*Em Os quatro conceitos fundamentais, Lacan escreve:" eu te amo, mas porque inexplicavelmente amo em ti algo mais que tu, o objeto a minúsculo, eu te mutilo."

*Esta trajetória escolhida para abordar o amor mostra a importância da determinação inconsciente na eleição dos parceiros. 


*Freud já referia e Lacan persiste sobre as formas fantasísticas e sintomáticas, condições fundamentais para investimento do desejo em um parceiro sexuado.

*Para Freud, a eleição é sempre determinada pelo inconsciente, ou seja, pela castração, e que o inconsciente incide na eleição de objeto da fantasia.

*Mais ao final do ensino lacaniano, com sua ênfase no gozo e não tanto no desejo, a diferença entre sintoma e fantasia se esvaece a ponto de Lacan usar uma grafia antiga, sinthoma, para nela incluir sintoma e fantasia (MILLER, 2001). 

*Ao parceiro fantasístico, parceiro do desejo, agrega-se o gozo, pois, nas últimas definições de sintoma, este sempre foi mencionado como forma de gozar.

*O principal parceiro de alguém é, assim, o inconsciente. 


*Ele se interpõe entre as parcerias humanas, e o sintoma é uma maneira de gozar não do parceiro eleito, mas do próprio inconsciente.

*É nesta perspectiva que Miller  afirma ser o amor o que diferencia o parceiro de um puro sintoma, ou seja, “ele é a função que projeta o sintoma no exterior”.

*E isso fortalece o conceito de que "não há relação sexual", e sim relações.

"Agiste conforme o desejo que te habita?" (Lacan)

Referências:

FERRARI, Franco Ilka  -  Acerca do amor e algumas de suas particularidades na psicose
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), Belo Horizonte, M.G, Brasil
FREUD, S. Um tipo especial de escolha de objeto deita pelos homens (Contribuições à psicologia do amor I). In: ______. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Tradução sob direção geral de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago.
FREUD, S. Sobre a tendência universal à depreciação na esfera do amor (Contribuições à psicologia do amor II). In: ______. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Tradução sob direção geral de Jayme Salomão. RJ.
FREUD, S. O tabu da virgindade (Contribuições à psicologia do amor III). In: ______. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Tradução sob direção geral de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1917 -1918/1970.
LACAN, J. O seminário, livro 3: as psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
________. O seminário, livro 4: a relação de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
________. El seminário, livro 5: las formaciones del inconsciente. Buenos Aires.
_______. De uma questão preliminar a todo tratamento possível.  
_______. O seminário, livro 6: o desejo e sua interpretação, 1959.
_______. O seminário, os não-tolos erram. 1973. 

Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ψ somos sujeitos condenados a lidar com as perdas necessárias - Judith Viorst

 "O ciclo inexorável da vida, o nascimento e a morte colocam para cada sujeito uma espécie de confronto consigo mesmo: o que se é e o que se foi, as marcas e as limitações que o tempo grava, o luto de si mesmo. A imagem cativante, forma de investimento narcísico de cada um, sofre o mesmo destino de todas as coisas". (Rochelle Gabbay) 

 "A estrada da vida é pavimentada de perdas e por mais inteligente que sejamos, temos que perder. Até nos sonhos que nos damos ao direito de sonhar e nos nossos relacionamentos mais importantes, precisamos nos defrontar com o que jamais teremos nem seremos, pois por mais que amemos, somos totalmente incapazes de oferecer qualquer abrigo contra as marcas do tempo, contra a velhice, contra a dor, contra as perdas necessárias". (Judith Viorst)

(...) somos sujeitos reprimidos pelo proibido e limitados pelo impossível, na luta por relacionamentos tentamos nos adequar...
(...) movemo-nos num mundo onde a vida não é justa, onde a vida raramente é o que deveria ser.
(...) os amigos próximos muitas vezes estão lá e contribuem para nosso crescimento pessoal, por vezes fazendo  a música soar mais doce, o sabor do vinho mais rico, o riso mais alto. 

 Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

segunda-feira, 18 de maio de 2015

(...)

(...) andar de acordo com o tempo, é viver de forma íntegra neste eterno presente. (...) a noção de tempo nada mais é do que uma lembrança, uma projeção mental sustentada na esperança e no medo.

(...) basta conhecer nosso próprio destino e viver em harmonia com ele e o medo não mais nos perturbará. (...) manter a mente em silêncio é fazer tudo o que precisa ser feito de forma consciente e silenciosa. Assim não desperdiçamos energia vital, e que nossos atos sejam realizados com compaixão, com ética e amor.

O sábio disse: "O homem não entende que o que ele veio aprender nesta vida é muito a mais a perder do que ganhar. As pessoas enlouquecem querendo ganhar, sem saber que perdem constantemente e, ao fim da vida, terão que definitivamente abandonar tudo."

(...)


sexta-feira, 8 de maio de 2015

domingo, 3 de maio de 2015

Ψ Sobre as Principais Abordagens Psicoterapêuticas


 *A Psicanálise de Freud foi a teoria psicodinâmica original, mas a abordagem psicodinâmica como um todo inclui todas as teorias que foram baseadas em suas ideias, como as teorias de Jung (1964), Adler (1927) e Erikson (1950) ...

*Psicoterapia Psicanalítica: A psicanálise é a mais antiga forma de
psicoterapia e foi desenvolvida por Sigmund Freud na primeira parte do século 20. Grande parte do foco está na compreensão de como os padrões do passado de relações se repetem no presente, a psicanálise faz uso da livre associação. Segundo Freud, a psicanálise é um procedimento para a investigação de processos mentais que são quase inacessíveis de outra maneira. É um método para o tratamento de distúrbios neuróticos que proporciona uma série de informações psicológicas, e que se tornou uma nova disciplina científica. É uma teoria que procura descrever a origem dos transtornos mentais, o desenvolvimento do homem e de sua personalidade. Com base neste corpo teórico, Freud desenvolveu a Psicanálise. O número de sessões semanais é variável e normalmente os processos terapêuticos levam anos. Geralmente o analista utiliza divã.

*Psicoterapia Analítica: Foi desenvolvida com base na experiência psiquiátrica de Jung, nos estudos de Freud e no amplo conhecimento que Jung tinha das tradições da alquimia, da mitologia e do estudo comparado da história das religiões. Psicologia analítica, também conhecida como psicologia complexa e se distingue da psicanálise de Freud, por uma noção mais alargada da libido e pela introdução dos conceitos de inconsciente coletivo, sincronicidade e individuação. Diferentemente de Freud, Jung via o inconsciente não apenas como um repositório das memórias e das pulsões reprimidas, mas também como um sistema passado de geração em geração, vivo em constante atividade, contendo todo o esquecido e também novas formações criativas organizadas segundo funções coletivas e herdadas. O inconsciente coletivo que propõe não é, apesar das incessantes incompreensões de seus críticos, composto por memórias herdadas, mas sim por pré-disposições funcionais de organização do psiquismo. Jung também diz que é a Freud que devemos a inestimável descoberta de que o analista também têm complexos, sendo estes um dos pontos cegos, que atuam como outros tantos preconceitos e complexos: aquilo que não está claro para o profissional, impede que se torne consciente para o paciente.


*Psicanálise Lacaniana: Jacques Lacan foi seguidor de Freud e para ele a psicanálise não é uma ciência, e sim, uma prática por meio da livre associação chegando ao núcleo do ser. Esta terapia constitui-se pela noção de sujeito e de que o inconsciente se estrutura como a linguagem. O tempo da sessão é variável e depende do tempo lógico, isto significa que existem momentos de corte que são muito precisos e em que o analista precisará intervir sem hesitação. Lacan foi, com efeito, o único dos grandes intérpretes da doutrina freudiana a efetuar sua leitura não para “ultrapassá-la” ou conservá-la, mas com o objetivo confesso de “retornar literalmente aos textos de Freud”. Por ter surgido desse retorno, o lacanismo é uma espécie de revolução às avessas, não um progresso em relação a um texto original, mas uma “substituição ortodoxa” deste texto. Se Freud utilizou conhecimentos da física e a biologia nos seus trabalhos,  Lacan utilizou a linguística, a lógica matemática e a topologia. Lacan mostrou que o inconsciente se estrutura como a linguagem. A verdade sempre teve a mesma estrutura de uma ficção, em que aquilo que aparece sob a forma de sonho ou devaneio é, por vezes, a verdade oculta sobre cuja repressão está a realidade social. Considerava que o desejo de um sonho, não é desculpar o sonhador, mas o grande “Outro” do sonhador. O desejo é o desejo do “Outro”, e a realidade é apenas para aqueles que não podem suportar o sonho.

*Psicoterapia Cognitivo Comportamental: É uma forma de terapia objetiva que surgiu entre 1960 e 1970 que pretende tratar o comportamento humano de maneira direta e eficaz com ênfase no presente. Atualmente esta modalidade de atendimento psicológico foi definida como a aplicação sistemática da teoria da aprendizagem para a análise e tratamento de distúrbios comportamentais.Terapias Comportamentais têm uma ampla gama de aplicações em transtornos fóbicos, adaptativos, déficit de atenção, comportamentos compulsivos (TOC), transtornos obsessivos compulsivos. Refere que vai além dos princípios de aprendizagem e condicionamento e que usa os resultados empíricos da psicologia social e experimental. A ênfase é colocada sobre os estados ou construções mentais observáveis ​​e não inferidos. Busca-se relacionar comportamentos problemáticos (sintomas) para outros eventos fisiológicos e ambientais observáveis. Isto envolve a análise comportamental do que está a ocorrer (e tenha ocorrido) e meios de alteração do comportamento.
*Psicoterapia Existencial: propõe a ajudar a elaborar a nossa história, facilitando uma noção mais clara da existência para que possamos nos interpretar e para que nossa história de vida seja menos absurda, desmascarando as ilusões, os enganos da consciência, transformando assim em realidade a nossa utopia pessoal ou nosso projeto de vida. Não há soluções absolutas para os problemas existenciais, no entanto, todos nós temos de chegar a um acordo com eles. Refere que o ser humano é um projeto inacabado, um VIR-A-SER, ou seja, renasce a cada dia e precisa assumir as rédeas do destino e construir a própria história. Ao tentar assumir a sua história o homem se depara com limites que interferem nas possibilidades de crescimento, são citados como o núcleo da luta existencial que é o foco principal nesta terapia e considerado para estar na raiz da maioria das dificuldades psicológicas: a morte, a liberdade vs responsabilidade, isolamento e falta de sentido. Os nomes associados com Psicoterapia Existencial são os Filósofos Sartre e Kierkegaard; Rollo May, James Bugental e Irvin Yalom.


*Gestalt Terapia: É pautada na doutrina holística, na fenomenologia e no existencialismo. Baseada no "aqui-e-agora", a Gestalt Terapia tem como foco levar as pessoas a restaurarem o contato consigo, com os outros e com o mundo. Por ser considerada uma abordagem humanista, acredita na capacidade do ser humano em se autorrealizar e de desenvolver seu potencial.

 *Psicodrama: Baseia-se na teoria da espontaneidade e na teoria dos papéis. A primeira está ligada à criatividade, e a segunda, a um conjunto de várias possibilidades de identificação do ser humano. Os papéis psicodramáticos expressam as distintas dimensões psicológicas do eu (self) e a versatilidade potencial de nossas representações mentais. A técnica utilizada é a dramatização de situações vivenciadas ou sentidas. O tempo de terapia é variável.
 *Terapia Centrada na Pessoa: Foi desenvolvido pelo psicólogo Carl Rogers. Destina-se a ajudar os clientes a aumentar a auto-aceitação e crescimento pessoal, proporcionando um ambiente emocional de suporte. Este tipo de terapia é Não Diretiva, ou seja, o terapeuta não dirige o curso e ritmo de terapia. O Terapeuta nesta abordagem acredita que os problemas das pessoas vêm de incongruência, ou uma disparidade entre o seu auto conceito e realidade. A incongruência surge porque as pessoas são muito dependentes e ansiosas por aprovação e aceitação dos outros. Em terapia centrada no cliente, as pessoas aprendem a adotar um auto-conceito mais realista ao aceitar quem são e assim tornando-se menos dependente da aceitação dos outros. Para fazer isso, o terapeuta precisa ser genuíno, empático e ter consideração positiva incondicional ou aceitação sem julgamento

(Sugiro: *SESSÃO DE TERAPIA - GNT - Trata-se de uma série brasileira dirigida e criada por Selton Mello. A série é baseada no seriado Be Tipul, criada por Hagai Levi (psicanalista israelense), e já faz um enorme sucesso entre os brasileiros. Relata a história de Theo Cecatto (Zé Carlos Machado), um psicoterapeuta de meia-idade, e sua relação com seus pacientes com suas fragilidades e algumas projeções; a relação de transferência e contra-transferência).

*Referências:
Adler, R. (1927). Compreender a natureza humana. New York: Greenburg.
Erikson, EH (1950). Infância e da sociedade. Nova Iorque: Norton.
Freud, A. (1936). Ego e os mecanismos de defesa.
Freud, S. (1896). A hereditariedade ea etiologia das neuroses. Na edição Standard
Freud, S. (1900). A interpretação dos sonhos. Na edição Standard
Freud, S. (1909). Notas sobre um caso de neurose obsessiva. Na edição Standard
Jung, C G, et ai. (1964) O Homem e seus Símbolos, New York, NY.: Anchor Books, Doubleday.
McLeod, SA (2007). Abordagem Psicodinâmica: http://www.simplypsychology.org/psychodynamic.html
Adler, R. (1927). Compreender a natureza humana. New York: Greenburg.
Erikson, EH (1950). Infância e da sociedade. Nova Iorque: Norton.
Freud, A. (1936). Ego e os mecanismos de defesa.
Freud, S.; Breuer. J. (1895). Estudos sobre a histeria.
Freud, S. (1896). A hereditariedade e a etiologia das neuroses, edição Standard
Freud, S. (1900). A interpretação dos sonhos. Na edição Standard
Freud, S. (1909). Notas sobre um caso de neurose obsessiva. Na edição Standard
Freud, S. (1909). Análise de uma fobia de um menino de cinco anos. 
Jung, C G, (1964). O Homem e seus Símbolos, New York, NY.: Anchor Books, Doubleday.
Henrik, R. (1980). O Manual Psicoterapia. O manual A Z mais de 250 psicoterapias como usado hoje.
Psychiatric Services:  http://www.ps.psychiatryonline.org/cgi/content/abstract/33/6/457
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

Ψ Nunca Lhe Prometi Um Jardim de Rosas

*A importância de conhecer as abordagens psicológicas que são reconhecidas cientificamente antes de iniciar ou encaminhar uma pessoa para tratamento psicoterapêutico.
 *Certifique-se de que o profissional esteja devidamente registrado no seu conselho profissional. 

                                                                
*Seja crítico o suficiente para desconfiar de qualquer profissional que prometa o paraíso em poucas sessões, a PSICOTERAPIA não se trata de um sistema mágico.

*A psicoterapia é um trabalho científico. Uma interação que é construída entre o terapeuta e o paciente que vai explorar aspectos profundos da psique e isso exige tempo e compromisso. O tratamento é prolongado pode levar meses ou anos.
*Há muitos tipos de psicoterapias, cada uma com sua própria metodologia. E nenhuma detém o saber absoluto.
"Nem todo mundo que se beneficia com a psicoterapia é diagnosticado como um doente mental. Quem se conhece vive melhor.
 *Quando a psicoterapia pode ser indicada?
- Para aliviar a ansiedade ou estresse devido ao trabalho ou outras situações;
- Lidar com as grandes mudanças na vida, como o divórcio, a morte de um ente querido ou a perda de um emprego;
- Aprender a lidar com reações insalubres, tais como a raiva, comportamento passivo-agressivo, tendências suicidas ...
- Se estiver em conflito com o seu parceiro ou outra pessoa em sua vida;
- Chegar a um acordo com um problema de saúde física permanente ou graves, como diabetes, câncer ou dor (crônica) ...
- Recuperar-se de abuso físico ou sexual;
- Dormir melhor, (insônia ou outros transtornos do sono).
- Os transtornos de ansiedade, como o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), Fobias, transtorno do pânico ou transtorno de estresse pós-traumático (TEPT);
- Os transtornos de humor, como depressão ou transtorno bipolar;
- Vícios, como alcoolismo, dependência de drogas ou jogo compulsivo;
- Os transtornos alimentares, como anorexia ou bulimia;
- Os transtornos de personalidade, tais como transtorno de personalidade borderline ou transtorno de personalidade dependente;
- A esquizofrenia ou outras doenças que causam afastamento da realidade (os quadros psicóticos).

*Uma combinação de psicoterapia e medicação é utilizada em transtornos mentais mais graves, como a  depressão recorrente, transtorno psicótico ou transtorno afetivo bipolar. Sempre qua a psicopatologia implique em uso de psicofármacos deve-se procurar um Médico Psiquiatra.

"Quando a dor de não estar vivendo for maior do que o medo da mudança, a pessoa muda” (Freud) 

 “A psicanálise é, em essência, uma cura pelo amor (Freud)  

"O melhor trabalho político, social e espiritual que podemos fazer é parar de projetar nossas sombras nos outros” (C. G. Jung) 

“Do mesmo modo que aquele que fere ao outro fere a si próprio, aquele que cura, cura a si mesmo” (C. G. Jung)

"Amar é dar o que não se tem a alguém que não o quer” ou, "Todo amor é recíproco, mesmo quando não é correspondido.” (Lacan).  

*Jacques Allain Miller refere: (...) meu amor diz alguma coisa de ti que talvez tu mesmo não conheças’. Isso não assegura, de forma alguma, que ao amor de um responderá o amor do outro: isso, quando isso se produz, é sempre da ordem do milagre, não é calculável por antecipação”.

“Um ambiente físico e cultural diferente fará um homem diferente e mais consciente.” (Skinner)


"Quando percebem que foram profundamente ouvidas, as pessoas quase sempre ficam com os olhos marejados ... Ou seja: “Graças a Deus, alguém me ouviu. Há alguém que sabe o que significa estar na minha própria pele” (Carl Rogers)
 



 Ψ  Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

domingo, 19 de abril de 2015

Ψ O Retrato de Dorian Gray

                                  Diga-me qual o seu segredo,
            - Mas se contar terei que matá-lo.

*O Duplo/ Sombra: A Psicanálise se apropria das artes, da literatura, da mitologia para desvendar os encantos e as estranhezas da psique humana. 

*Na literatura várias obras mencionam esse aspecto: O Duplo de Dostoievsky;  O Homem duplicado de Saramago; Fausto de Goethe: (aqui o personagem Mefisto inteligente e sedutor, se transforma em espelho para o lado obscuro de Fausto e o corrompe por meio do desejo e de poder).  O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: (que mostra a duplicidade do personagem Gray e denuncia sua imperfeição e farsa).

*Cientistas do comportamento humano concordam que as questões existenciais nos levam a lidar com o nosso narcisismo quando nos deparamos com a finitude e a precariedade da vida.


*Segundo Freud, fica bem guardado tudo que é estranho, os aspectos mais primitivos de nossa mente. 

*Freud, ao falar de narcisismo nos diz que a criança primeiro toma a si mesmo como objeto de amor e centro do mundo, antes de se dirigir aos objetos externos.

*O narcisismo é uma fase inicial do desenvolvimento, que depois pode levar ao ego ideal.

*Algumas pessoas ficam fixadas a esta fase do desenvolvimento, não conseguindo se ligar a outras, o que as impossibilita vivenciar um relacionamento amoroso.

*O duplo surge quando não conseguimos tolerar nossa realidade psíquica interna e dar conta de nós por inteiro, com nossas limitações, imperfeições e até aspectos que não aprovamos muito em nós.

*O “duplo”, que é fruto também de algo reprimido e deslocado para fora, fruto da onipotência para a realização de desejos e também à onipotência de pensamentos. 

***Sobre O Retrato de Dorian Gray: Dorian, herdeiro de uma casa do avô chega a Londres.
*Inicialmente, um rapaz jovem de rara beleza, ingênuo e frágil que se vê encantado com a cidade e o as possibilidades que ela oferece.

*Conhece o Pintor Basil, que se sente atraído pela beleza de Dorian, pinta o seu retrato e se apaixona pelo jovem. 

*O Retrato fica perfeito e deixa as pessoas encantadas.

*Dorian também se apaixona pela sua imagem no retrato, ficando preso à própria imagem.

*Basil o apresenta a Henry, que se torna um grande amigo e “conselheiro” de Dorian.

*Henry apresenta o mundo a Dorian pela ótica do prazer e da intensidade das paixões (...)  “A vida é só um momento. Você perde a vida por bom senso”, ou, “O homem quer ser feliz, mas a sociedade quer que ele seja bom”, e ainda:“Você quer ser bom?” (...) “consciência ou covardia”, “Procure sempre novas sensações”.

(...) E Dorian fica totalmente manipulado por Henry, seguindo os prazeres imediatos e superficialidade dos contatos.

*Henry questiona com Dorian se ele não faria um pacto para não envelhecer, e ele o faz. 

*(...) Enfim, observamos que Dorian vivia a onipotência da imortalidade, que nada poderia abalar sua vida.

*Ele não envelheceria, não sofreria, e para que isso acontecesse, tudo de ruim estaria no quadro. 

*E Dorian conseguiu viver este duplo com o pacto demoníaco.

*Após o pacto a ingenuidade vai desaparecendo dando lugar a arrogância e onipotência.

*Dorian assassina o amigo Basil e esconde o corpo.

*Dorian conhece Sybil: A mulher pela qual se apaixona, ainda assim a trata com cinismo e ela grávida e abandonada se mata.

*(...) Dorian vivencia várias orgias mostrando uma liberação total de prazer em uma Inglaterra aristocrática e hedonista do século XIX.

*No final da história quando Dorian retorna da viagem que fez, após ter cometido o assassinato de Basil, todos os personagens envelhecem, menos ele, e parece que ele não se abala com isso.

*Todos ficam hipnotizados pela sua imagem, e isso parece não perturbá-lo. Aqui fica claro o seu sentimento de superioridade em relação aos demais.

*Já Henry, que de inicio se divertia, no final parece perceber e se assustar com o que criou, aqui a criatura ficou pior do que o que o seu criador.

*Henry fica preocupado quando vê que sua filha se apaixona por Dorian.

*É neste momento que tudo se rompe. O amor quebra o pacto. Dorian teve dois amores, mas no primeiro, ele mostrou que era mais apaixonado por ele e pela sua vida, do que pela mulher amada. 

*Seu narcisismo, sua arrogância e onipotência foram aparecendo a ponto de não o deixar se ligar verdadeiramente à mulher amada.

*Dorian parece estar envolvido amorosamente, mas sofre por não poder ter uma intimidade total, porque uma parte sua estava no quadro e ele não queria que ela descobrisse; ela por sua vez sabia que tinha algo diferente.

*Podemos pensar que com o seu narcisismo, Dorian Gray não acessa suas dores, sua condição humana; ou que seu duplo passa a viver o que ele deixou de viver.

*Ele não envelheceria, não sofreria, e para que isso acontecesse, tudo de ruim estaria no quadro. 

*Para concluir, Dorian conseguiu viver este duplo com o pacto demoníaco.

*Com tudo isso que Dorian vive, é o retrato que sofre as dores e mudanças, começando com os bichos saindo do quadro, dos olhos, penso o que de tão podre ele não podia ver, e terminando com o quadro envelhecendo, ficando horroroso monstruoso.

*Ele esconde o quadro, sugerindo que ele não poderia lidar com estas situações e elas ficariam no retrato.

*Pode-se pensar também que o quadro é um duplo, que vive as questões que Dorian não pode assumir que sente.

*As partes sombrias de Dorian eram colocadas no retrato. Ele olha para dentro do quadro e o quadro para ele. O retrato parece que tem vida própria e o observa.

*Os seus sofrimentos e marcas da vida ficam no quadro, no seu duplo.

*Mas, podemos observar que este lado narcísico, obscuro e sombrio que nós não gostamos de olhar, se encontram em diversos graus em nós mesmos, ou em outras pessoas.

*Como nos percebermos e aceitarmos a nós como somos por inteiro? Para isso, precisamos encontrar uma condição mental que possa nos ajudar a pensarmos pensamentos antes impensáveis e lidarmos com emoções que nos pareçam insuportáveis, mas que fazem parte da nossa condição humana. 

*Fonte: www.sbprp.org.br/cinema/dorian_gray.pdf
www.interseccaopsicanalitica.com.br 
(*Sugiro o filme dirigido por Oliver Parker, (2009), com roteiro de Toby Finlay e estrelando Ben Barnes e Colin Firth. Baseado na obra The Picture of Dorian Gray, do escritor irlandês Oscar Wilde, o filme contra a trajetória do personagem principal, Dorian Gray, um atraente aristocrata inglês cujo retrato envelhece em seu lugar). 
 Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica