domingo, 7 de fevereiro de 2010

Edvard Munch



Edvard Munch (Noruega 1863-1944) marcou o expressionismo, particularmente na Alemanha (onde viveu), e também a pintura européia do século XX.
Em sua obra encontramos a mesma força de expressão e de isolamento.
Para Munch, a arte era algo muito mais do que simplesmente retratar algo belo, algo perfeito ou estilizado segundo os cânones de beleza e harmonia. A arte era utilizada como arma para lutar e denunciar situações anômalas e de descontentamento e que se verificam na sociedade. Grande parte de sua obra revela a pessoa aprisionada dentro de si mesmo e que o mundo nunca chegou verdadeiramente a conhecer.

Em uma espécie de manifesto ele escreveu:
"Queremos mais do que uma mera fotografia da natureza. Não queremos pintar quadros bonitos para serem pendurados nas paredes das salas de visitas. Queremos criar uma arte que dê algo à humanidade, ou ao menos assentar suas fundações. Uma arte que atraia a atenção e absorva. Uma arte criada no âmago do coração”.
Desse modo, o artista não deve pintar realisticamente, mas sim exprimir e recriar a expressão de maneira encarar, a desnudar e literalmente GRITAR seu universo subjetivo.

sábado, 30 de janeiro de 2010

trago flores prá você!









dança bailarina, dança...






















Dança, bailarina, dança...
Põe nos teus passos toda a harmonia
E toda a poesia nas pontas de teus pés
Em gestos nobres, faze surgir a fé!!!
Gira, bailarina, gira...
Vai girando e semeando amor,
Mais depressa que as voltas do mundo,
Pra que haja tempo de matar a dor!
Bailarina, baila...
Trazei contigo a primavera
Pra florir os campos, florescendo a Terra,
Numa explosão de cores que tua dança encerra.

Fazei de tua arte uma suave prece
Capaz de enternecer os corações de pedra
Fazei tua música soar tão alto
Calando assim os estopins da guerra!!!
Mostra ao homem que o teu bailado
Expressa a vida nesse simples ato...
Onde o amor é tudo, onde o amor é nato.
Que em teus saltos ponhas tua garra
Seguindo sempre a luz de teu clarão,
Quebrando muros para unir os povos
Num universo único, onde se dêem as mãos.
Abre tua alma, no esplendor da dança...
Não desistas nunca e verás, enfim,
Bailar no campo, doce e cálida esperança,
Em meio às flores de um lindo jardim...
(Carmen Lucia Carvalho)

domingo, 8 de novembro de 2009

"O sofrimento é reduzido quando compartilhado com alguém"

VIKTOR FRANKL - Psiquiatra Austríaco - 1905/ 1997
Na década de vinte (15 anos) inicia correspondência com Freud e em 1925 estudante de medicina encontra-se pessoalmente com o mestre, não prossegue com a Psicanálise criando a escola de LOGOTERAPIA.
De 1933 à 1936 dirige o pavilhão de mulheres suicidas do Hospital Psiquiátrico de Viena. Os nazistas tomam o poder na Áustria. Sabota ordens que recebera de proceder a eutanásia de doentes mentais sob seus cuidados.
1942 -Durante a segunda guerra mundial Frankl e família são deportados para diferentes campos de concentração. No final da guerra ao ser libertado toma conhecimento que sua mulher estava em Bergen-Belsen, onde teria morrido por esgotamento. Ele foi o prisioneiro número 119.104;
1948 - Obtém doutorado em Filosofia com o tema "O Deus Inconsciente".
1955 - Torna-se Professor de Neurologia, Universidade de Viena.
1984- "Em busca de sentido" escreve: "Quero que vocês escutem o que sua consciência diz que devem fazer e coloquem em prática da melhor forma possível, e então verão que o sucesso vai persegui-los precisamente quando esqueceram de pensar nele."
1970 - Em San Diego/Califórnia é fundado o primeiro Instituto de Logoterapia do mundo.
Foi nos Estados Unidos onde lecionou em Havard, Dallas e Pittsburgh que atingiu notoriedade mundial a despeito de contrariar as correntes psicanalíticas dominantes.
Como conferencista visitou vários países, passou pelo Brasil em 1984, (Porto Alegre, Rio de Janeiro e Brasília).
A obra de Frankl é lida em todas as partes do mundo, "O homem em busca de sentido" é um dos mais procurados. Para melhor compreensão da Logoterapia é indicado "Psicoterapia e humanismo" (1978).
Dr Frankl trouxe para a Psicologia uma proposta revolucionária de compreensão humana ao introduzir uma nova abordagem: o homem que é um ser espiritual, mas de espiritualidade reprimida, deve ser reconhecido como unidade biopsicossocial e espiritual. Supondo a Logoterapia uma dimensão espiritual no homem, a Psicologia toma novos rumos no que se refere à prática clínica, à forma de encarar o homem. Esta mudança de paradigma resulta na humanização da Psicoterapia que antes lidava com "sujeitos", "organismos", "comportamentos", "estímulos e respostas", perdendo de vista a criatura humana que sofre e procura um sentido para a sua vida ou até para o seu sofrimento.
A Logoterapia é a terceira escola Vienense de Psicoterapia o primeiro modelo Analítico - Existencial a propor estratégias clínicas efetivas para a Psicoterapia, sem perder de vista a humanidade do homem.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

eu sou a deusa menina!

Eu sou a deusa menina
cheiro de flores

Eu sou a deusa menina
do amanhecer

Eu sou a deusa menina
eu sou uma bailarina

Que gira e gira no leste
para crescer

Eu sou a deusa menina
luz da semente

A primavera da vida
e o respirar

Eu estou voando no céu
eu estou brincando em teu eu

E tenho uma espada mágica
para te dar

Oh! deusa! deusa menina
brinca comigo

Dissolve o meu sofrimento
tira a minha dor

Libera minha tristeza
com teus poderes do vento

Revela-me teu mistério
a criação

(iniciação aos mistérios femininos/
as quatro fases da deusa)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

"...pois só quem ama tem ouvido capaz de ouvir e entender estrelas"

... Qualquer dia destes os homens vão encontrar Deus... Mas não serão os filósofos, serão os astronautas... Os astronautas, esses seres fantásticos, caminhando pelo espaço sideral, fora das cápsulas, como escafandros do céu, em levitação, serão os primeiros habitantes do romântico satélite. E entre eles, se houver mesmo algum poeta, leremos algum dia o primeiro poema lunático, que a terra há de inspirar... Mas a verdade é que, enquanto isto ainda não acontece, a lua continua a musa em atividade. Os poetas sempre foram tidos como homens que vivem " no mundo da lua ". E quando alguém tem um ar de abstração e de sonho, é um poeta.

... Quem não se lembra, por exemplo, daqueles versos que acordaram tantas namoradas, enquanto o violão lá fora , pela madrugada, era dedilhado ao luar? "Lua, manda a tua luz prateada despertar a minha amada quero matar meus desejos sufocá-la com meus beijos. . . "

E os grandes poetas não ficaram insensíveis à beleza da rainha da noite, ao seu mistério e aos seus encantos. Mesmo com os pés no chão, olham para o alto. E se a lua vai-lhes sendo roubada, restam-lhes as estrelas, aquelas mesmas que Bilac ouvia, recomendando:
"Amai, para entendê-las pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas."

Eu já a vi simbolizando a própria poesia: "Tudo é trova, a flor, a onda,a nuvem que passa ao léu e a lua, trova redonda, que a noite canta no céu..."

As mais curiosas e lindas imagens ocorreram aos românticos, parnasianos, simbolistas, modernos, líricos de todas as escolas.
Para Alberto de Oliveira, o hierático parnasiano, "o luar era um cortinado todo lírios na barra, e em cima estrelas".

Catulo, o nosso Catulo, que enriqueceu a poesia com imagens simples, num típico linguajar sertanejo, diz que: "o céu parecia uma tigela cumo o fundo azu imborcado todo ismartado de novo adonde a lua tão bela ia boiando, amarela cumu uma gema de ovo"

Até o nosso singularíssimo Augusto dos Anjos contribuiria com uma imagem, bem a seu jeito: "Do observatório em que estou situado a lua magra, quando a noite crescevista, através do vidro azul, parece um paralelepípedo quebrado."

Está claro que esta não seria a visão dos românticos ou dos simbolistas. Para Cruz e Souza, ela se transfiguraria: "Ó monja branca dos espaços parece que abre para mim os braços fria, de joelhos, trêmula, rezando."

E Alphonsus de Guimarães, das altas montanhas mineiras, como que completaria a estrofe: "... Parece que se ouve o leve passo da lua pobre morta que passeianos castelos hieráticos do espaço."

Castro Alves havia de associá-la a lembranças de amor.. E ei-lo declamando: "Entre rendas sutis, surge medrosa a lua plena, qual moreno seio."

Olegário Mariano, outro amoroso, teria impressões semelhantes: "Entre as árvores surge a lua como uma náiade nua mostrando em suaves coleioso torso, os braços os seios."

Seriam infinitas as citações. Antigos ou modernos, os poetas de todas as épocas se enfeitiçaram pela sua beleza. Não poucas vezes foi invocada como testemunha de amor.

Desde o idílio de Romeu e Julieta, no drama shakespeariano: "Linda! Por esta lua que tem zelos por ti, por este límpido luar, que é menos puro do que teus cabelos que brilha menos do que teu olhar..."
E a réplica, bem feminina de Julieta: "Não jures pela lua que é inconstante!"

Certa vez coloquei como epígrafe de meu livro "A Outra Face", este pensamento: "O poeta em mim, é como aquela face da lua que ninguém vê, voltada sempre para o infinito."

Não faz sentido mais. Hoje os astronautas e os foguetes teleguiados já fotografaram até a " outra face " da lua.
Nosso lindo satélite não posa mais de "odalisca", com veuzinho no rosto. Sinal dos tempos... Aviso de despejo. A lua pertence agora aos seus novos donos. Contentem-se os namorados com o luar, e os poetas, com a saudade.

"Se o cotidiano te parece pobre, não o acuse: acusa-te a ti próprio de não seres bastante poeta para conseguires te apropriar de suas riquezas."

Como quem diz: não desesperes. Colhe o mundo ao teu redor. Aí estão o homem e suas fronteiras. Aí está, portanto, a poesia.
Rejubila-te, enquanto os foguetes sobem. A poesia sobreviverá ao ano 2000 e a todos os tempos. E por isto justamente: porque está dentro de ti e em tudo que te cerca, é que ela é imortal. A lua dos verdadeiros poetas é a sua poesia, e esta é um satélite onde só eles podem chegar. Mas cujo luar pertence a todos nós...

( Crônicas de J.G de Araujo Jorge extraído do livro" No Mundo da Poesia/ 1969 )