sexta-feira, 18 de abril de 2014

O Genial Gabriel García Márquez: 1927 - 2014

" (...) O General Moncada endireitou o corpo para limpar os grossos óculos: “mas o que me preocupa não é que você me fuzile, porque afinal para gente como nós esta é a morte natural.”  (...)  “O que me preocupa”, acrescentou, “é que de tanto odiar os militares, de tanto combatê-los, de tanto pensar neles, você acabou por ficar igual a eles. E não há ideal na vida que mereça tanta baixeza."
 
"Deixe que o tempo passe e já veremos o que traz."

"Ambos eram conscientes de serem tão diferentes, que nunca se sentiam tão sós do que quando estavam juntos."

 “Conversaram sem se preocupar com a hora, porque ambos estavam acostumados a compartilhar suas insônias...”

 "Debaixo do sol abrasador da rua comecei a sentir o peso dos meus noventa anos,
 e a contar minuto a minuto os minutos das noites que me faltavam para morrer."

 “Não se preocupe”, sorria ele. “Morrer é muito mais difícil do que se acredita.”

"Na hora, pensei que um dos encantos da velhice são as provocações que as amigas jovens se permitem, achando que a gente está fora do jogo." 

 “Como provar aos homens o quanto estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem, justamente, quando deixam de se apaixonar?!”

 "A idade não é a que a gente tem, mas a que a gente sente."

 (...)  "Rogou a Deus que lhe concedesse ao menos um instante para que ele não partisse sem saber quanto o amara... Mas teve que se render à intransigência da morte."

 “... nunca teve pretensões a amar e ser amada, embora sempre nutrisse a esperança de encontrar algo que fosse como o amor, mas sem os problemas do amor.”

 “O desejo de esquecê-lo era o mais forte estímulo para se lembrar dele.”

 “As pessoas que a gente ama deviam morrer com todas as suas coisas.”

  “Já tinha então a impressão de conhecê-lo como se tivesse vivido com ele toda a vida, e acreditava que ele era capaz de mandar o navio voltar ao porto se isso pudesse curar sua dor.”

 “Coisa bem diferente teria sido a vida para ambos se tivessem sabido a tempo que era mais fácil contornar as grandes catástrofes matrimoniais do que as misérias minúsculas de cada dia.”

  “... à medida que aumentavam as ânsias de estar com ela aumentava também o temor de perdê-la, de modo que os encontros foram ficando cada vez mais apressados e difíceis.”



 "Não tornara a sentir uma felicidade como a dessa noite: tão intensa que lhe causava medo."

"... Mas se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão a luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos."

 “O amor é uma peste”, trovejou. “Havendo tantas moças bonitas e direitas, a única coisa que lhe passa pela cabeça e casar com a filha do inimigo.”

" ...  durante muitos anos tinham ficado sem padre, arranjando os negócios da alma diretamente com Deus, e haviam perdido a malícia do pecado mortal. "
 " Pensou confusamente, enfim capturado numa armadilha da saudade, que talvez se tivesse se casado com ela teria sido um homem sem guerra e sem glória, um artesão sem nome, um animal feliz."

“Já então o pároco manifestava os primeiros sintomas do delírio senil que o levou a dizer, que provavelmente o diabo tinha ganho a rebelião contra Deus e que era aquele quem estava sentado no trono celeste sem revelar a sua verdadeira identidade para enganar os incautos.”

 
“Todos temos três vidas: A vida pública, a vida privada, e uma vida secreta.” 


“Desconcerta-me tanto pensar que Deus existe como que não existe.” 


 
(*O romance épico "Cem Anos de Solidão" (1967), vendeu mais de 50 milhões de cópias em mais de 25 idiomas. É um dos exemplos principais do chamado realismo fantástico e marcou um boom da literatura latino americana que durou duas décadas. A obra narra a saga de gerações da família Buendí e foi "o primeiro romance em que os latino-americanos se reconheceram, que os definiu, que celebrou sua paixão, sua intensidade, sua espiritualidade e superstição, sua grande propensão ao fracasso", refere o biógrafo Gerald Martin.
)

segunda-feira, 24 de março de 2014

Ψ Um Método Perigoso

Resenha do Filme: "Um método perigoso" - Direção - David Cronenberg.
 












*O filme se desenvolve no final do séc. XIX e início do séc. XX.

- Trata-se da relação de Carl Jung com Sigmund Freud. Inicialmente uma relação de admiração de Jung por Freud, que no decorrer da história vai se mostrando frágil e interrompida devido às diferenças na forma de pensar de ambos. 

 - FREUD, mais pragmático segue com a Psicanálise e JUNG, revolucionário rompe com o mestre  e estabelece também a sua teoria, tendo se tornado um dos maiores Psicoterapeutas da história.


- Um dos conflitos entre os dois refere-se à "libido", o embate acontece pois Jung não concorda com  a prevalência da sexualidade no desenvolvimento do ser humano e propõe pesquisar outros pressupostos para explicar a psique. 

- Freud não aceitava que Jung se enveredasse por um campo místico, analisando fenômenos parapsicológicos e outros.


- O filme enfatiza também as diferentes interpretações que Jung e Freud tinham da psicanálise.

- No Filme: SABINA SPIELREIN é uma paciente internada no sanatório de Zurich, com diagnóstico de histeria.

- Sabina é uma mulher perturbada e uma das primeiras pacientes curadas por Jung, e mais tarde torna-se psicanalista e psiquiatra. 

- O filme salienta ainda, a inconstância de Jung quanto a sua postura ética em relação à paciente Sabine, com a qual teve um caso  amoroso no decorrer do tratamento.

- O caso entre os dois é incentivado por Otto Gross, um psiquiatra psicótico, vivido por Vincent Cassel, em uma pequena participação na trama.

- A causa da histeria na abordagem psicanalítica está relacionada ao desenvolvimento psicossexual infantil causando problemas na sua vida futura.

- Na abordagem com Sabine também ficou claro outra premícia, a existência do ID, EGO e SUPEREGO.

- Ou seja, vê-se o SUPEREGO como uma força moral que regula o EGO e impede de viver somente sob o princípio do prazer do ID e também do SUPEREGO.

- Se não houver equilíbrio destas funções psíquicas, o paciente adoece. No caso de Sabine, ela reprime (mecanismo de defesa) aquilo que o inconsciente quer trazer à tona, seus instintos sexuais.

Ψ SOBRE A TRANSFERÊNCIA E A CONTRATRANSFERÊNCIA
“Lidar com a transferência é uma cruz.”
(carta de Freud para Oskar Pfister - 1910).
*FREUD - " (...) desejos do passado, reprimidos ou não satisfeitos, tendem a se transferir para um novo objeto, isto é, para o analista".  Inicialmente FREUD denominou como meras repetições neuróticas, porém, mais tarde percebeu a utilidade da transferência na cura, pois reativava os desejos e experiências reprimidas na infância e assim conduzia ao âmago da neurose.

*FERENCZI -  As tentativas em conquistar um absoluto estado de franqueza fizeram com que Ferenczi, por vezes, ‘trocasse’ de posição com seus pacientes, deixando-se analisar por eles e permitindo-lhes um contato físico mais aprofundado, incluindo beijos recíprocos.

- Tão logo travou conhecimento da técnica daanálise mútua’, Freud escreveu uma longa carta a Ferenczi, (1931)  - “Percebo que as divergências entre nós atingem seu ponto culminante a partir de um detalhe técnico que vale a pena ser examinado. Você não faz segredo do fato de que beija seus pacientes e permite que eles também o beijem. 
 (...) Até o momento sustentamos, dentro da nossa técnica, a conclusão de que os pacientes não devem ter satisfações eróticas”.

*JUNG - Considerava a visão de FREUD limitada e unilateral, preocupou-se não apenas com a causa, mas também pelo SIGNIFICADO da transferência, incluindo elementos arquetípicos do INCONSCIENTE COLETIVO. Para JUNG na PSICOLOGIA ANALÍTICA utiliza-se a "palavra transferência" como termo técnico para as projeções que ocorrem no relacionamento PACIENTE X ANALISTA. 


*ZIMERMAN (2004) - A CONTRATRANSFERÊNCIA caracteriza-se como uma resposta emocional do analista aos estímulos que provêm do paciente tais como medo, dúvidas, excitação, confusão, tédio...

-  Antes de ser Psicoterapeuta ele deve ter a honestidade de reconhecer esses sentimentos, para que não se transformem em uma contratransferência patológica, que ocorre quando ele transmite ao paciente sua "neurose particular", podendo ocorrer abusos e injustiças.

- LACAN  (1960) - Diante dos engodos relacionados ao ‘ser’, Lacan nos ensinou a prescindir da contratransferência, remetendo-nos às implicações do analista na transferência e deslocando o operador lógico do tratamento: do ser ao desejo.

-  Foram as discussões sobre o ser do analista que fizeram com que Lacan se ocupasse do desejo do analista na prática clínica.

“Sou possuído por um desejo mais forte”, diz Lacan ao discutir os sentimentos do analista diante do analisando e acrescenta: “Ele está autorizado a dizê-lo enquanto analista, enquanto produziu-se, para ele, uma mutação na economia de seu desejo". 

  Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

quarta-feira, 5 de março de 2014

Mulher



               8 de março - Dia Internacional da Mulher                   

demasiadamente humanas ...












"Boa noite mundo! boa noite e até amanhã, mas fique de olho!
 Tem muita gente irresponsável acordada, viu?”

flores exóticas: a terra é insultada e oferece suas flores como resposta. (Tagore)

 
 [...] Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha inércia,
Senti, como cruel ironia, 
O sol erguer-se contra mim;
E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza ...
Charles Baudelaire - in: as flores do mal