domingo, 12 de maio de 2013

... minha canção de amor para você é o meu corpo


 Eu canto uma canção de amor
a partir das pedras do meu corpo
dos picos mais altos das minhas montanhas
das areias quentes dos meus desertos

Eu acaricio com folhas verdes
plantas verdes
relvas verdes
Eu a banho em vegetais
alimento-a em meus seios
a Terra
Eu a acalmo com águas cintilantes


refresco-a em meus oceanos
Minha canção de amor para você
é o meu corpo
a Terra
para alimentá-la
vesti-la
acolhê-la 
(Pachamama - Amy Sophia Marashinsky)
(Fatima Vieira) 
 Imagem: Modelo Picture Window. Tecnologia do Blogger. http://cantinhodosdeuses.blogspot.com.br/2011_11_01_archive.html

domingo, 24 de março de 2013

Ψ Winnicott



Ψ outros fragmentos sobre o desejo...



 Ψ “Pessoas sofridas são perigosas porque elas sabem que podem sobreviver.” (filme Perdas e Danos sobre o desejo).
 *no filme: ... quando ele encontra Anna pela primeira vez acende-se nele o inebriamento da sua paixão que o desembaraça das suas inibições e do recalque.

 - Desejo:
 (...) a força que nos põe em movimento, e dá o significado à existência.

- Para Freud, o passado, o presente e o futuro são entrelaçados pelo fio do desejo que os une. 

- No início era apenas fome... saciados ou não, é esta a imagem que ficará registrada.

- Mais tarde isso não bastará, a homeostase é pouco, DESEJA-SE muito além do princípio do prazer... 

- A * 'jouissance' transgride este limiar de homeostase e "coloca-se" para além do princípio de prazer, o prazer que deixou de ser possível quantificar e ficou em excesso. (*Em francês tem ainda uma forte conotação sexual: deleite, gozo, fruição; que se perdeu em inglês, onde é normalmente traduzido por "enjoyment", significando literalmente 'orgasmo') 

 - Se a 'jouissance' ordinária se atinge por 'ejaculação', a jouissance é uma' jaculação', isto é, um arremesso para o infinito e, ao mesmo tempo, um arremesso interminável. 

 - Se o prazer é desejo que obedece a um princípio de constância, a essa tendência do homem para reduzir as suas tensões através da satisfação do desejo, a 'jouissance' é tudo o que não permanece e tudo o que não permanece pré-ocupa-nos de tal forma que o prazer se torna numa proibição para não irmos além de um certo limite de jouissance. 

- Isto conduz a um certa tensão que é aquele sentimento de impotência perante a morte que todos experimentamos e que ameaça tornar-se o centro da vida -  em tudo equivalente ao instinto de morte que Freud identificou como o instinto por excelência por ser o que tende a reduzir completamente todas as tensões por via da autodestruição.

 - Este é o caminho da'jouissance' original: a pulsão de Tanatos (a personificação mitológica da morte a que Freud recorre para ilustrar o instinto de morte, regula a actividade psíquica de todo o sujeito em conflito consigo mesmo).

 - O desejo que ferve dentro de nós, as nossas pulsões explosivas que buscam uma satisfação, uma descarga (a qualquer preço).

 - Inventamos a vida para caber dentro dela e darmos conta da demanda. 

- Nas entrelinhas das nossas experiências, pensamentos e devaneios há muito mais do que a (nossa) ética reconhece.  

 - A vida segue e vamos dando as respostas neste contrato, fazendo arranjos, dando um 'jeitinho' de acordo com os desejos que nos habitam. Quando não respeitamos nosso desejo genuíno, criamos SINTOMA.

 - Freud diz que somos feitos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro. 
  Bibliografia: Alberto Eiguer: Des perversions sexuelles aux perversions morales: La jouissance et la domination (2001);
Carlos Ceia: Sexualidade e Literatura (2002); Didier Moulinier: Dictionnaire de la jouissance (1999);
Jacqueline Rose: Feminine Sexuality: Jacques Lacan and the École Freudienne, ed. por Juliet Mitchell e Jacqueline Rose, (1982); Jacques Lacan: Seminário XX (Encore) (1972-3);
Jacques-Alain Miller: Percurso de Lacan - Uma Introdução (2ª ed., Rio de Janeiro, 1988);
Pierre Boudot: La Jouissance de Dieu: ou, Le Roman courtois de Thérèse d'Avila (1979). 

(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

domingo, 17 de março de 2013

Ψ ... nós raramente vemos as pessoas

Ψ "Se pudéssemos olhar dentro dos olhos das pessoas com a necessária profundidade, veríamos seus temores, sua dor, a sua tristeza e a sua raiva - todos os seus sentimentos.

Entretanto, esses são sentimentos que as pessoas não querem demonstrar. 

Nós procuramos esconder as nossas fraquezas tanto de nós mesmos quanto dos outros. 

Creio que agimos em conformidade com um acordo tácito: “Não olharei para dentro de sua alma se você não olhar para dentro da minha.” 

Nós consideramos uma questão de polidez não penetrar nas máscaras que as pessoas usam.

Conseqüentemente, nós raramente vemos as pessoas. 

Quando as pessoas se cumprimentam, elas raramente olham para dentro dos olhos umas das outras.

 Em resposta ao 'Como vai?', elas respondem de forma rotineira: 'Tudo bem.' ... 

O contato de olhar com olhar é não só uma forma de reconhecimento como também uma ligação energética com outra pessoa.

 Nós literalmente nos tocamos mutuamente com nossos olhos.

 Isto se deve ao fato de que os olhos, quando carregados, emitem um feixe energético. 

Pessoas sensíveis à aura que envolve o corpo humano podem efetivamente ver esse feixe, ao passo eu outras conseguem senti-lo fisicamente.

 Muitos indivíduos dizem poder sentir quando alguém está olhando para eles mesmo quando estão de costas.

 Se o feixe entre os olhos de duas pessoas for terno e afetuoso, poderá despertar um sentimento de amor dentro dos seus corações. Este é o fundamento da expressão “amor à primeira vista”... 

Todavia, os olhos não irradiam apenas amor, mas também raiva e ódio. Fala-se em 'mau-olhado', qualidade que se atribui a certas pessoas de causarem desgraça àqueles para quem olham...

Um olhar cheio de ódio pode ser suficientemente poderoso para congelar um indivíduo vulnerável.”

(O Olhar - Alexander Lowen)
Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

(...)

 
 "O sonho daqueles que sonham diz respeito àqueles que não sonham. 
Por que isso lhes diz respeito? Porque sempre que há o sonho do outro, há perigo.
 O sonho das pessoas é sempre um sonho devorador, que ameaça nos engolir. 
Que os outros sonhem é algo perigoso. O sonho é uma terrível vontade de potência.
Cada um de nós é mais ou menos vítima do sonho dos outros."
(Gilles Deleuze diz, em Qu'est-ce que l'acte de la création)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Eu tenho tanta alegria adiada, abafada, quem dera gritar...


Quem me vê sempre parado,
Distante, garante que eu não sei sambar...

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar,

Eu tô só vendo, sabendo, Sentindo, escutando e não posso falar...  
Há quanto tempo desejo seu beijo Molhado de maracujá...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando,
Pensando que eu vou aturar...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida,
Duvida que eu vá revidar...
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar...
                                                                  (Engenheiros do Hawaii)
*engenheiros do hawaii  banda brasileira de rock and roll, formada em 1984.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Irene Sheri

Irene Sheri nasceu em Belgorod-Dnestrovsky, Ucrânia, em 1968.
Graduada pela Academia de Arte de São Petersburgo, inspirou-se no trabalho de Boticelli, Chagall, Kandinsky, Picasso e Goya. Entretanto, Cézanne e Matisse produziram o maior impacto. Expoentes da Vanguarda Russa, como Falk, Konchalovsky, Mashkov e Lentulov, foram seguidores desses artistas franceses. O talento e o estilo de Sheri foi reconhecido em 2001, quando recebeu o maior  prêmio artístico da Rússia, a "Medalha Estatal por Extraordinária Realização na Arte".  (Fonte: http://www.terigalleries.com/sheri.shtml)
 
                                                                                                                                                                                            (Fatima Vieira)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

a insustentável leveza ...

Engenheiro elétrico turco radicado nos Estados Unidos ele fotografa várias formas de fumaça e, ao sobrepor as imagens, obtém as figuras desejadas.
Mehmet Ozgur adotou a fotografia como hobby e agora se dedica a registrar “esculturas” de fumaça. Ozgur conta que utiliza incensos e nitrogênio líquido para obter a fumaça. 
                                                                                                          (Fatima Vieira)