é o meu tempo é o nosso tempo
para a primavera é o tempo do amore viva doce amor
próprios espíritos cantando
estão voando no florescimento)
(e. e. cummings)
é o meu tempo é o nosso tempo
para a primavera é o tempo do amorJung foi um antecipador de tudo aquilo que nos últimos anos buscávamos: uma visão integral, complexa e holística da realidade.
Esse fato transformou o pensamento de Jung. Entendeu que os europeus havia conquistado o mundo com a cabeça mas haviam perdido a capacidade de pensar com o coração e de viver através da alma (cf. Anthony Stevens, Jung, vida pensamento, Vozes, p. 269). Por isso dominaram o mundo e fizeram tantas guerras.
Fonte: *Leonardo Boff é ecoteólogo, filósofo e escritor. Autor, entre outros livros, de Habitar a Terra (Vozes)
(*txt do site A Terra é Redonda)
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
"O símbolo, assim como o sintoma, é o modo como a psique se regula e se cura". (Jung, 1970)
Como é a sua imaginação?
Pode parecer um tanto óbvio mas tudo o que existe (ou existiu) no Universo partiu de uma imaginação. Determinada pessoa visualizou/ imaginou o seu desejo e aquilo foi materializado (é claro que até chegar a esta materialização muito foi feito, perdido, trabalhado...) mas a questão é que este celular ou computador do qual você está lendo minha mensagem partiu de uma imaginação. Carl Gustav Jung, há 100 anos atrás, na Suiça, desenvolveu a técnica muito usada que é a Imaginação Ativa. Esta técnica é voltada para a introspecção psíquica em que você aprende a dialogar com seus sintomas.
O que é Imaginação Ativa?Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
"Cultivar a alma é permitir que a essência eterna penetre e experimente o mundo externo por todos os orifícios do corpo: vendo, sentindo o aroma e o sabor, ouvindo, tocando - de tal maneira que a alma cresça durante sua permanência na terra. Cultivar a alma é descobrir-se um ser eterno habitando um corpo temporal. É por isso que sofre e aprende pelo coração". (Marion Woodman)
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
"Na busca de sua alma e do sentido de sua vida, o homem descobriu novos caminhos que o levam para a sua interioridade: o seu próprio espaço interior torna-se um lugar novo de experiência. Os viajantes destes caminhos nos revelam que somente o amor é capaz de gerar a alma, mas também o amor precisa da alma. Assim, em lugar de buscar causas, explicações psicopatológicas às nossas feridas e aos nossos sofrimentos, precisamos, em primeiro lugar, amar a nossa alma assim como ela é. Deste modo é que poderemos reconhecer que estas feridas e estes sofrimentos nasceram de uma falta de amor. Por outro lado, revelam-nos que a alma se orienta para um centro pessoal e transpessoal, para a nossa unidade e para a realização de nossa totalidade. Assim a nossa própria vida carrega em si um sentido, o de restaurar a nossa unidade primeira. Finalmente, não é o espiritual que aparece primeiro, mas o psíquico, e depois o espiritual." (Léon Bonaventure)
“Eu estava numa casa desconhecida, de dois andares. Era a ‘minha’ casa. Estava no segundo andar onde havia uma espécie de sala de estar, com belos móveis de estilo rococó. As paredes eram ornadas de quadros valiosos. Surpreso de que essa casa fosse minha, pensava: ‘Nada mau!’ De repente, lembrei-me de que ainda não sabia qual era o aspecto do andar inferior. Desci a escada e cheguei ao andar térreo. Ali, tudo era mais antigo. Essa parte da casa datava do século XV ou XVI. A instalação era medieval e o ladrilho vermelho. Tudo estava mergulhado na penumbra. Eu passeava pelos quartos, dizendo: ‘Quero explorar a casa inteira!’ Cheguei diante de uma porta pesada e a abri. Deparei com uma escada de pedra que conduzia à adega. Descendo-a, cheguei a uma sala muito antiga, cujo teto era uma abóbada. Examinando as paredes descobri que entre as pedras comuns de que eram feitas, havia camadas de tijolos e pedaços de tijolo na argamassa. Reconheci que essas datavam da época romana. Meu interesse chegara ao máximo. Examinei também o piso recoberto de Lages. Numa delas, descobri uma argola. Puxei-a. A laje deslocou-se e sob ela vi outra escada de degraus estreitos de pedra, que desci, chegando enfim a uma gruta baixa e rochosa. Na poeira espessa que recobria o solo havia ossadas, restos de vasos e vestígios de uma civilização primitiva. Descobri dois crânios humanos, provavelmente muito velhos, já meio desintegrados. – Depois acordei.
Era claro que a casa representava uma espécie de imagem da psique, isto é, da minha situação consciente de então, com complementos ainda inconscientes. A consciência era caracterizada pela sala de estar e parecia habitável, apesar do estilo antiquado.
No andar térreo já começava o inconsciente. Quanto mais eu descia em profundidade, mais as coisas se tornavam estranhas e obscuras. Na gruta, descobri restos de uma civilização primitiva, isto é, o mundo do homem primitivo em mim; esse mundo não podia ser atingido ou iluminado pela consciência. A alma primitiva do homem confina com a vida da alma animal, da mesma forma que as grutas dos tempos primitivos foram frequentemente habitadas por animais, antes que os homens se apoderassem delas. Por causa desse sonho pensei, pela primeira vez, na existência de um a-priori coletivo da psique pessoal, a-priori que considerei primeiramente como sendo os vestígios funcionais anteriores. Só mais tarde, quando minhas experiências se multiplicaram e meu saber se consolidou, reconheci que esses modos funcionais eram formas do instinto: os arquétipos”.
(Compilação e Prefácio de Aniela Jaffé – Jung, Memórias-Sonhos-Reflexões)
A criança e a Casa da infância
"Se me pedissem para citar o principal benefício da casa, eu diria: "A casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa permite sonhar em paz." (Gaston Bachelard)
☆A casa como 'verticalidade' do universo; um universo dentro de um universo é o que faz as polaridades da casa tradicional.
☆Sótão e Porão: o sótão e o porão tais reflexos do céu e do inferno; um é racional o outro, irracional. Ambos são espaços nos quais a criança pode passar horas brincando, e cada um deve ser tão essencial quanto o outro, polaridades em perfeito equilíbrio. (...) mas o que sabemos é que o porão é invariavelmente um lugar a temer; um lugar de cheiro duvidoso e saídas entupidas. É um lugar que abriga monstros equivocados e feras do fundo do mar, um lugar onde a maioria não gostaria de ficar presa. O porão representa o subconsciente e nossa sombra à espreita lá. (...) O sótão, por outro lado, é alto; alcançando os céus como a torre de Babel. É a colina que escalamos para experimentar a vertigem do oxigênio puro, o mais longe que podemos chegar do mundano. O sótão não é a pura consciência, mas o lugar em que nos encontramos quando livres das influências do mundo. É liberdade, e podemos olhar por um vitral ou encontrar alguns travesseiros para deitar e olhar para as nuvens que passam e sonhar com coisas maiores do que nós mesmos. É no sótão que, não muito diferente do canto com sua falta de distração, podemos esbarrar em nosso verdadeiro eu, sem que nenhuma preocupação mundana o obscureça.
☆Vela na Janela: “O inverno acrescenta à poesia de uma casa.”
Damião Lechoszest
A vela ou lâmpada na janela parece ser a imagem final do devaneio. Quando a tempestade está furiosa ao nosso redor e o eremita procura uma cabana, a vela acesa na janela é um símbolo de esperança.☆Ninhos e conchas: A arquitetura da imaginação e seu papel no processo de iluminação podem ser lindamente resumidos pelo ninho e pela concha. Mais do que uma imagem da consciência humana, a imagem poética do ninho é muito parecida com a casa; nosso próprio cantinho do mundo e, portanto, uma expressão de conforto e abrigo, uma construção perfeita de simetria e força delicada.
☆Gavetas, cómodas e roupeiros: “Nosso passado está situado em outro lugar, e tanto o tempo quanto o lugar estão impregnados de uma sensação de irrealidade.” A imagem da gaveta e outros recipientes pesados de madeira; de caixas de lembrança e baús de tesouro onde o excesso de bagagem de pensamento; objetos sem propósito e chaves que abrem portas misteriosas para várias partes do subconsciente proporcionam à criança um playground de imagens poéticas.
Gleb Goloubetski
☆O guarda-roupa sem encosto e o baú sem fundo nos levam a outras terras, a gaveta contém tesouros que só a criança pode apreciar e usar em suas aventuras pelos emaranhados do desconhecido no fundo do jardim. O armazenamento de tempo e recipiente de artefatos, gavetas e baús representam a organização meticulosa e os entesouramentos de memórias que a mente deveria ter descartado há muito tempo: "Eles contêm os colecionáveis bizarros de nossos anciões excêntricos e murchos; camadas de intimidade e objetos esquecidos no passado, são os verdadeiros órgãos da vida psicológica secreta".☆Os cantos da casa: “Às vezes a casa do futuro é melhor construída, mais leve e maior que todas as casas do passado, de modo que a imagem da casa dos sonhos se opõe à da casa da infância.” (...) Os cantos podem ser os lugares em que nos encontramos, as paredes em branco e a falta de estímulos um gatilho para a reflexão interior. Assim como a criança travessa enviada para o canto para pensar sobre o que fez, (embora não deva ser associado a um lugar de punição), o canto também pode refletir o vazio interior e o potencial de manifestação. O canto é o lugar ideal para sonhar acordado e perceber a natureza de nossa existência: “A criança acaba de descobrir que ela é ela mesma em uma explosão para fora, que é uma reação, talvez, a certas concentrações em um canto de seu ser."
Fonte: "La Poétique de l'Espace (A Poética do Espaço)". Livro de Gaston Bachelard, 1964.