terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Por que temos pesadelos?

"Pesadelos são sonhos substancialmente, vitalmente importantes. Eles nos fazem acordar gritando; são eletrochoques que a natureza aplica em nós quando quer que despertemos. A palavra nightmare vem de maré (égua) e a ideia é que um espírito mau sob a forma de um cavalo negro o carrega pela noite adentro, de forma que você acorda com um grito, completamente exausto. 

O ponto do sonho em que despertamos é o choque através do qual o inconsciente diz: 'Agora, é isso, preste atenção nisso!'

O pesadelo é uma verdadeira terapia de choque. A intenção é nos sacudir e nos arrancar de uma sonolência inconsciente a respeito de alguma situação perigosa. 

A ocorrência de pesadelos indica que estamos correndo algum tipo de perigo psicológico e dormindo, sem perceber.

O pesadelo então nos desperta. Sua característica é uma certa urgência, como se o inconsciente dissesse: 'Olhe aqui, acorde! esse problema é urgente'!

Por exemplo, pode estar atuando 'íncubus', um elemento masculino oprimindo a mulher, ou 'succubus', um elemento feminino exaurindo a energia do homem. Sua presença indica uma urgência da problemática sexual, que deve ser cuidada e conscientizada. Não se pode colocá-la de lado e fingir que não existe." 

(Fonte: O Caminho dos Sonhos - Marie-Louise von Franz)

http://fatimavieira.psc.br/

(...)

“Freud dizia que o único objeto verdadeiramente insubstituível para a gente é o perdido. E não é que foi perdido porque caiu do bolso. Ele fala daquilo que nunca tivemos. Então, faz sentido que nossa relação com o desejo seja esta: imaginamos existir algo que nunca tivemos, mas que teria nos satisfeito totalmente. Só não sabemos o que é.” (Contardo Calligaris)

http://fatimavieira.psc.br/

por que os homens lutam por sua servidão tão obstinadamente como se fosse sua salvação?

"O tecnocrata é o amigo natural do ditador - computadores e ditadura; mas o revolucionário vive na brecha que separa o progresso técnico da totalidade social e inscreve aí seu sonho de revolução permanente. Este sonho, portanto, é em si mesmo ação, realidade e uma ameaça efetiva a toda ordem estabelecida; torna possível o que sonha".

(...) "O problema fundamental da filosofia política ainda é precisamente aquele que Spinoza viu tão claramente (e que Wilhelm Reich redescobriu): por que os homens lutam por sua servidão tão obstinadamente como se fosse sua salvação?" (Deleuze)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

(...)

 (...) quem quiser conhecer a psique humana infelizmente pouco receberá da psicologia experimental. O melhor a fazer seria [pendurar no cabide as ciências exatas], despir-se da beca professoral, despedir-se do gabinete de estudos e caminhar pelo mundo com um coração humano: no horror das prisões, nos asilos de alienados e hospitais, nas tabernas dos subúrbios, nos bordéis e casas de jogo, nos salões elegantes, na Bolsa de Valores, nos 'meetings' socialistas, nas igrejas, nas seitas predicantes e extáticas, no amor e no ódio, em todas as formas de paixão vividas no próprio corpo, enfim, em todas essas experiências, ele encontraria uma carga mais rica de saber do que nos grossos compêndios. (...) pois entre o que a ciência chama de 'psicologia' e o que a práxis da vida diária espera da 'psicologia' há um abismo profundo”. (Jung - Psicologia do Inconsciente)

                                        Friedrisch Von Keller (1878)

                                         José Mongrell (1917)

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

(...)

"É um engano acreditar que o inconsciente é inofensivo e pode ser utilizado como objeto de jogos sociais. Não é em toda e qualquer circunstância que o inconsciente se mostra perigoso, não resta dúvida, mas cada vez que se manifesta uma neurose, é sinal de que há no inconsciente um acúmulo especial de energia, uma espécie de carga, que pode explodir. Aí, todo cuidado é pouco... Para começar, não se sabe que tipo de reação provocamos, quando iniciamos uma análise dos sonhos. Algo de invisível, do interior, pode ser acionado; algo que mais tarde provavelmente teria vindo à tona, de uma forma ou de outra, mas que talvez também nunca se manifestaria. É como se, na perfuração de um poço artesiano, corrêssemos o risco de topar com um vulcão. Na presença de sintomas neuróticos, é preciso proceder com o máximo cuidado. Mas os casos de neurose, nem de longe, são os mais perigosos. Existem pessoas, aparentemente normais, que não apresentam sintomas neuróticos específicos, e que até se vangloriam de sua normalidade (muitas vezes trata-se dos próprios médicos e educadores, exemplos de boa educação), que têm opiniões e hábitos de vida extremamente normais, mas cuja normalidade é por vezes, uma compensação artificial de uma psicose latente / oculta." (Carl Gustav Jung - Psicologia do Inconsciente)

http://fatimavieira.psc.br/

"Eu sou um símbolo da minha alma." (Jung)

“Mas, se você não tem absolutamente nada para criar, então crie a si mesmo." (Jung)

"O que me impressiona é o fato de que em nossa sociedade a arte se tornou algo que está relacionado apenas aos objetos e não aos indivíduos, ou à vida. Essa arte é algo especializado ou feito por especialistas que são artistas. Mas a vida de todos não poderia se tornar uma obra de arte? Por que a lâmpada ou a casa deveriam ser objetos de arte, mas não a nossa vida?" (Michel Foucault)

Operários, Costureiras e Segunda Classe de Tarsila Amaral

                      http://fatimavieira.psc.br/

domingo, 17 de outubro de 2021

(...)

 “A arte é uma espécie de impulso inato que apreende um ser humano e faz dele seu instrumento. O artista não é uma pessoa dotada de livre arbítrio que busca seus próprios fins, mas alguém que permite que a arte realize seu propósito através dele. Como ser humano, ele pode ter humor, vontade e objetivos pessoais, mas como artista, ele é 'homem' em um sentido mais elevado - ele é 'homem coletivo' - aquele que carrega e molda as formas psíquicas inconscientes da humanidade". (Carl Gustav Jung)

                                             imagens: Daniel Gerhartz

                                  http://fatimavieira.psc.br/



(...)

"Descubra o que a pessoa mais teme, é a partir daí que ela se desenvolverá."


“(...) estamos tão cheios de apreensões, medos, que não sabemos exatamente para o que isso aponta ... uma grande mudança de nossa atitude psicológica é iminente, isso é certo ... precisamos de mais compreensão da natureza do ser humano... porque o único perigo real que existe é o próprio homem ... e não sabemos nada sobre o homem - sua psique deve ser estudada porque somos a origem de todos os males vindouros ... ” (Carl  Gustav Jung)

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

12 de outubro Dia Da Criança

A família de que se fala e a família de que se sofre

'A Grande Mãe e a Criança Divina - E tudo que fazemos contra Elas'
É preciso rever a fundo os dois mitos correlatos: a Grande Mãe e a Eterna Criança. Ambos ligam‑se ao Velho Patriarca (autoritarismo) do modo mais íntimo que se possa imaginar. O Mito – como todos os Mitos – é maravilhoso; tanto mais maravilhoso quanto mais obscura e importante a situação representada por ele, mas, sobretudo e principalmente, tanto maior quanto mais 
descurada na realidade a função que ele representa. O mundo ocidental diz ser cristão. Caridade: amor pessoal de cada um por todos os outros. Mas é fácil ver que esse amor na prática é violentamente negado pela aprovação tácita de todos a favor de uma competição sem quartel, de uma admiração altamente patogênica pelos poderosos - cuja glória  é  proporcional, invariavelmente, ao volume de sangue humano que o Glorioso fez correr e os livros de história consagram como
modelos (e apresentam assim às crianças...). A realidade – a 'moralidade' – do homem ocidental (receio que do oriental também) é: 'Conquiste poder de qualquer modo'. No início há certo risco de ser apanhado, mas depois do sucesso nada mais de mal pode acontecer ao bem‑sucedido. Só podemos odiar ou temer ao amor, pois nada compromete mais as pirâmides de poder. O mundo ocidental é odioso e medroso: não é nada amoroso. Por isso falamos tanto em Cristianismo e amor ao próximoComo sempre, se esse amor existisse mesmo, não seria preciso fazer tanta demagogia a respeito de sua existência ou de seu valor". 
Fonte - José  Ângelo Gaiarsa: A família de que se fala e a família de que se sofre: O livro negro da família, do amor e do sexo)

terça-feira, 5 de outubro de 2021

(...)

“Entretanto, nada é possível sem amor, nem mesmo os processos de alquimia, pois o amor coloca-nos em um estado de ânimo para arriscar tudo e não reter elementos importantes.” 
(...) “Era uma vez, havia em algum lugar uma Flor, uma Pedra, um Cristal, uma Rainha, um Rei, um Palácio, um Amante e a Amada, e isso foi há muito tempo, em uma ilha em algum ponto do oceano... Tal é o amor, a flor mística da Alma... esse é o centro, o eu... Ninguém entende o que eu quero dizer, só um poeta poderia começar a entender.”  ❤ 
(Do livro de Miguel Serrano “Entrevistas e Encontros” em queo autor entrevistou Jung em 1959, deste encontro resultou esses dois parágrafos que mostram a essência de Jung. Serrano também é autor de livro que fala da relação de amizade e terapêutica, de Jung com Herman Hesse autor de “Lobo da estepe”, “Sidarta”, "Demian".)

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Primavera Chegando


"Só viver não é suficiente ... é preciso ter sol, liberdade e um pouco de flor." (H. Christian Andersen)
"Ela usava flores no cabelo e carregava segredos mágicos nos olhos." (Arundhati Roy)

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

(...)

“Se a exigência de autoconhecimento for desejada pelo destino e for recusada, essa atitude negativa pode terminar em morte real. A demanda não teria chegado a essa pessoa se ela ainda tivesse sido capaz de seguir por algum caminho promissor.

 (...) mas ele está preso em um beco sem saída do qual apenas o autoconhecimento pode livrá-lo. Se ele recusar, então nenhum outro caminho ficará aberto para ele. Normalmente, ele também não está consciente de sua situação, e quanto mais inconsciente ele está, mais ele está à mercê de perigos imprevistos: ele não consegue sair do caminho de um carro com rapidez suficiente, ao escalar uma montanha ele perde seu ponto de apoio em algum lugar, esquiando, ele pensa que pode passar por uma ladeira complicada e, doente, perde a vontade de viver.  O inconsciente tem mil maneiras de extinguir uma existência sem sentido com uma rapidez surpreendente.” (Jung)

http://fatimavieira.psc.br/





segunda-feira, 23 de agosto de 2021

(...)

 “Tudo o que estava por vir já estava em imagens: para encontrar sua alma, os homens primitivos foram para o deserto. Esta é uma imagem. Os antigos viviam seus símbolos, já que o mundo ainda não havia se tornado real para eles.
Lá eles encontraram a abundância de visões, os frutos do deserto, as flores maravilhosas da alma. Assim, eles entraram na solidão do deserto para nos ensinar que o lugar da alma é um deserto solitário. Pense diligentemente nas imagens que os antigos deixaram para trás. Eles mostram o caminho do que está por vir. Olhe para trás, para o colapso dos impérios, crescimento e morte, do deserto e dos mosteiros, são as imagens do que está por vir. Tudo foi predito. Mas quem sabe interpretá-lo? Observe o que os antigos disseram em imagens: as palavras são um ato criativo. Os antigos diziam:
no princípio era a Palavra. Considere isso e pense sobre isso. As palavras que oscilam entre absurdo e significado supremo são as mais antigas e verdadeiras.”  
(CG Jung, O Livro Vermelho: Liber Novus)

http://fatimavieira.psc.br/



segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Hitler e o Rebanho

O crítico de arte judeu-húngaro Eugen Kolb perguntou a Jung, em 1945, como poderia a psiquiatria classificar o “paciente” Hitler. 


A resposta de Jung:
"Hitler era um histérico. Mais precisamente, sofria de pseudologia fantástica, também conhecida como mitomania. Hitler era um mentiroso patológico, apaixonado por suas próprias ideias. 
'Acreditava' que suas ações eram benéficas para a humanidade, ou ao menos para a sua nação e partido. Jamais consideraria seus objetivos como fruto do egoísmo.
Não é fácil, para a maioria das pessoas, reconhecer esse tipo de psicopatia. Hitler parecia absolutamente convicto, contagiando muitos dos seus contemporâneos. Pelo contágio psíquico muitos foram enganados. Verificou-se uma epidemia psíquica que atuou como uma avalanche na Alemanha e em outros países.
Vale ressaltar que esse contágio psíquico funcionou porque existia em muitas pessoas um desejo secreto a realizar. Hitler de algum modo captou o complexo de inferioridade e os sonhos secretos (compensatórios) de poder daqueles que influenciava. Reuniu, assim, um exército de desajustados sociais, ressentidos, psicopatas e criminosos. Exército do qual ele também fazia parte.
Conseguiu engajar igualmente um grande número de pessoas normais, mas profundamente ingênuas. Pessoas que sempre se consideram inocentes, mas na verdade são inconscientes e muito influenciáveis.
Ocorreu um fenômeno de rebanho, envolvendo imensas parcelas da população. 
Como poderíamos prevenir ou tratar essa patologia? A solução é educar para uma consciência mais plena, evitando a formação de rebanho e a consequente manipulação desse rebanho".
(Jung, C. G. The Collected Works of C. G. Jung. London: Routledge and Kegan Paul, 1968)