quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Ψ Jung revela O Segredo da Flor de Ouro, o elixir da vida ...

Ψ  *O Segredo da Flor de Ouro - publicado em fins de 1929, por C. G. Jung e o Sinólogo Richard Wilhelm.

*O livro continua a tradução de um velho texto chinês: Tai Ging Hua Dsung Dschi, com comentários de Jung.

* A arte de prolongar a vida humana, sob o título: "Dschang Schang Schu".

*Jung Promete revelar o Segredo - (Texto Ges. Werke XV - 1971). 
*O Texto diz: "A Flor de Ouro é a Luz e a Luz do Céu é o TAO".

*Diz JUNG: "A Flor de Ouro é um símbolo mandálico que encontrei muitas vezes nos desenhos dos meus pacientes (...) ela é ordenada como uma flor crescendo da planta em um fundo obscuro".

*A Flor de Ouro é o Elixir da Vida. *O significado literal de Gin Dan é esfera de ouro, a pílula de ouro, ou o Elixir da Vida.

*A Flor de Ouro, que se obtém por intermédio das transformações da consciência espiritual que, por sua vez, dependem do coração.

*E, embora seja exata, tal magia é secreta, é fluida e exige extrema inteligência, lucidez e tranquilidade: “As pessoas desprovidas dessa extrema inteligência e compreensão não encontram o caminho da utilização, ao passo que as pessoas desprovidas do extremo aprofundamento e tranquilidade não conseguem estabilizá-lo”.

*Origem da palavra Alquimia - do grego: Khyméia - mistura de vários líquidos e do árabe: Kimyâ - pedra filosofal.

*A alquimia encontra-se no limiar da religião e da ciência e é a mãe da química. *A palavra curar na origem significava serviço a Deus. E a cura ocorria num espaço sagrado. Diz-se em muitos escritos antigos que não são os remédios que curam, mas o magnetismo que se estabelece entre o médico e o paciente.

*Alquimia – Um processo de transformação da Alma,  a psique conta com um princípio estruturador que unifica os conteúdos arquetípicos, o que Jung denominou de Self ou Si-Mesmo: “O Self é o centro ordenador e unificador da psique total (consciente e inconsciente), assim como o eu é o centro da personalidade consciente ou ego”.

*A esse processo ele designou de Individuação, que significa tornar-se uno”.

*Se for visto como um método ou caminho consciente que deve unir o que está separado, chega-se próximo ao conceito psicológico da linguagem chinesa e de se realizar o que propõe o Tao. 

*Segundo o texto Hui Ming Ging, “é necessário um aquecimento, ou seja, uma elevação da consciência, a fim de que a morada da essência espiritual seja iluminada. Assim, não é apenas a consciência, mas também a vida que deve ser elevada ou exaltada. A união de ambas produz a vida consciente".

*Segundo JUNG, a união dos opostos em um nível mais alto de consciência não é um processo racional, ou ainda uma questão de desejo ou vontade, e sim um processo de desenvolvimento psíquico que se exprime por intermédio dos símbolos. “Quando as fantasias tomam a forma de pensamentos, emergem formulações intuitivas de leis ou princípios obscuramente pressentidos, que longo tende a ser dramatizados ou personificados”.


 *Em sua prática clínica, Jung pôde comprovar que as fantasias desenhadas pelos seus pacientes podem aparecer em símbolos que pertencem ao tipo mandala. “Mandala significa circulo e praticamente circulo mágico. Os mandalas não se difundiram somente através do Oriente, mas também são encontrados entre nós. A Idade Média e em especial a baixa Idade Média é rica de mandalas cristãos”, escreve Jung.

*O processo clássico do trabalho dos alquimistas era criar uma substância transcendente e miraculosa conhecida como o *Elixir da Longa Vida, percorrer o caminho da busca da Pedra Filosofal.

*O procedimento, em primeiro lugar, era tentar descobrir qual o material adequado, a chamada Prima Matéria, depois submetê-la, em seguida, a uma série de
operações que a transformariam em pedra filosofal.

*Quando se refere aos estados mitológicos, que tratam da evolução da consciência, deve-se observar os  quatro elementos que são responsáveis pela operação alquímica:

*Calcinatio é a operação do fogo: A calcinação envolve intenso aquecimento de um sólido, destinado a retirar a água e todos os demais elementos passíveis de volatilização. Resta um fino pó seco, cinza branca. São simbolizados por intermédio de três níveis de Fogo na alquimia ocidental, Jung refere que o fogo simboliza a libido, o lobo representa o desejo e os instintos; o Leão é o impulso egocêntrico objetivo e o Rei é a consciência objetiva”.

*Solutio – a água: é a operação que transforma um sólido em estado líquido. O sólido desaparece no solvente, como se tivesse sido engolido. Solutio, significa o retorno da matéria diferenciada ao seu estado indiferenciado original, à Prima Matéria. Se a água lembra o útero, a solutio é uma espécie de retorno a ele, como um renascimento.
 (...) A solutio, tem duplo efeito: provoca o desaparecimento de uma forma e também o surgimento de uma nova regenerada. Psicologicamente, é o sentido de transformação da Alma.

*Coagulatio – a terra: Refere-se, à experiência no laboratório onde o resfriamento transforma um líquido em sólido,  a coagulatio é o processo que transforma as coisas em terra. “Terra”, é um dos sinônimos de coagulatio. “Pesada e permanente, tem forma e posição fixa. Não desaparece no ar por meio da volatilização, nem se adapta facilmente à forma de qualquer recipiente, ao contrário da água. Psicologicamente, tornar-se terra significa concretizar-se numa forma localizada particular. (...) sob o ponto de vista psicológico, a coagulatio significa que o Espírito fugidio de Mercúrio é o espírito autônomo da psique arquetípica. Significa ligar o ego com o Si-Mesmo, realizar a individuação.

*Sublimatio – o ar: O termo vem do latim sublimis, que significa “elevado”. Transforma os materiais por intermédio da elevação e volatilização. O sólido, ao ser aquecido, passa para o estado gasoso e sobe até a borda do vaso, onde volta a assumir o estado sólido na região superior, mais fria. A destilação é um processo em que o líquido se torna vapor ao ser aquecido e volta a condensar-se. A terra se transforma em ar; um corpo fixo se volatiliza; aquilo que é inferior torna-se algo superior.  Em termos psicológicos é a fase descrita como purificação. Quando são misturados num estado de contaminação inconsciente, a matéria e o espírito devem ser purificados pela separação. 

*É justamente o objetivo da Opus a criação de uma entidade miraculosa que recebe vários nomes como “Pedra Filosofal”, “Nosso Ouro”, “Água Penetrante”, ...  Sua produção resulta da união dos opostos purificados, e como combina os opostos, retifica toda unilateralidade.

*Descreve-se a Pedra Filosofal como uma pedra que tem o poder de amolecer todos os corpos duros e de endurecer todos os corpos moles, a pedra com Sapientia Dei que diz si mesma: “Eu sou a mediadora dos elementos, que faz um concordar com o outro; aquilo que é quente torno frio, e vice-versa, aquilo que é seco torno úmido, (...) Sou o final e o meu amado é o começo. Sou toda a obra, e toda a ciência oculta-se em mim”. Assim, o termo sugere algo como a eficácia prática e concreta da sabedoria ou da consciência.

*Diz Jung. “Esta simbólica refere-se a uma espécie de processo alquímico de purificação e de enobrecimento; a escuridão gera a luz e a partir do chumbo da região da água cresce o ouro nobre; o inconsciente torna-se consciente, mediante um processo de vida e crescimento. Desse modo se processa a unificação de consciência e vida”.


*Ainda sob o ponto de vista psicológico, podemos lembrar do movimento da roda do sol, que quando começa a girar se vivifica, e a partir daí inicia o seu caminho. “O Tao começa a atuar e assume a direção. A ação converte-se em não-ação; tudo o que é periférico é subordinado à ordem que provém do centro”, lembra Jung.


(...) É nesta hora que desaparece a 'participation mystique' (* termo utilizado por Lévy-Bruhl que designa o sinal característico da mentalidade primitiva),  responsável pelo entrelaçamento da consciência com o mundo. É quando a consciência deixa de ser dominada por intenções compulsivas e passa a contemplar, conforme exprime o texto chinês. 
                                                                                                                                                  
*Afinal, a 'participation mystique' aponta para o grande e indeterminado remanescente da indiferenciação entre sujeito e objeto, de tal monta entre os primitivos, que não pode deixar de espantar os homens de consciência europeia ou ocidental.

(...) “O homem civilizado considera-se naturalmente bem acima destas coisas. No entanto, passa a vida inteira identificado com os pais, com seus afetos e preconceitos, culpando impudicamente os outros pelas coisas que não se dispõe a reconhecer em si mesmo. E guarda também um remanescente da inconsciência primitiva da não-diferenciação entre sujeito e objeto. Por isso mesmo é influenciado magicamente por inúmeros seres humanos, coisas e circunstâncias, sente-se assediado de modo irresistível por forças perturbadoras, muito apreciadas com as dos primitivos; do mesmo modo que estes últimos necessita de encantamentos ou feitiços .... O homem ocidental não manipula mais com amuletos, bolsas medicinais e sacrifícios de animais, porém com soporíferos, neuroses, racionalismo, culto da vontade...”, refere Jung.

*Jung descreve o seguinte: “Eros é um kosmogonos, um criador e pai-mãe de toda consciência superior. 
Por vezes sinto que as palavras de Paulo –“ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, mas não tivesse amor” – podem muito bem ser a primeira condição de todo o conhecimento e a quintessência da divindade. Qualquer que seja a interpretação erudita da frase “Deus é amor”, as palavras afirmam o complexo oppositorum da cabeça de Deus. (...) Somos, no sentido mais profundo, as vítimas e os instrumentos do “amor” cosmogônico. (...) Sendo uma parte um homem não pode captar o todo. Ele se encontra a mercê do todo. Pode obedecer a ele ou rebelar-se contra ele; mas sempre é tomado por ele e contido dentro dele. Depende dele e é por ele sustentado. O amor é sua luz e sua treva, cujo final ele não pode ver. “O amor não termina” – que o homem fale com as “línguas dos anjos” ou persiga, com exatidão cientifica, a vida da célula em sua fonte última. (...)  Se possui um grão de sabedora, ele deporá as armas e nomeará o desconhecido pelo ainda mais desconhecido, ignotum per ignotius - isto é, como o nome de Deus. Essa é uma confissão de humildade, de imperfeição e de dependência; mas, ao mesmo tempo, um testemunho da liberdade do homem para escolher entre a verdade e o erro.” (Jung, Memories, Dreams, Reflections).

*Segundo o livro O Segredo da Flor de Ouro (Tai I Gin Hua Dsung Dschï), a prática da ioga permite a libertação dos grilhões do mundo exterior ilusório. No entanto, o mais alto grau desta atitude meditativa é tender ao nirvana budista “ou então prepara a possibilidade de continuação da vida depois da morte, não com a decomposição no decaído mundo das sombras, mas como espírito consciente".

*Wilhelm refere: "assim pode-se fortalecer o processo vital obtendo rejuvenescimento e normalização energética de modo a superar a morte. Esta passa ser um processo harmônico e natural da conclusão da vida. “O corpo terrestre será, então, abandonado pelo princípio espiritual (apto a prosseguir uma vida independente no corpo espiritual criado por seu sistema energético), tal como ocorre com a cigarra ao abandonar sua casca seca”.

*Lao Tsé:
“O melhor dos homens é como a água.
A água a todas as coisas beneficia.
E com elas não compete.
Ocupa os (humildes) locais vistos por todos com desdém.
Nos quais se assemelha ao Tao.
Em sua morada ama a terra.
Em seu coração, ama a profundidade.
Em suas relações com os outros, ama a paz;
No trabalho, ama a habilidade;
Em suas ações, ama a oportunidade.
Porquanto não reclama,
Vê-se livre de reparos”.

* A Tábua da Esmeralda de Hermes, Trimegistus, o três vezes grande:
 *1 – Verdadeiro, sem enganos, certo e digníssimo de crédito.
*2 – Aquilo que está embaixo é igual àquilo que está em cima, e aquilo que está em cima é igual àquilo que está embaixo, para realizar os milagres de uma só coisa.
*3 – E, assim como todas as coisas se originaram de uma só, pela mediação dessa coisa, assim também todas as coisas vieram dessa coisa, por meio da adaptação.
*4 – Seu pai é o sol; sua mãe, a lua; o vento a carregou em seu ventre, sua ama é a terra.
*5 – Eis o pai de tudo, a complementação de todo o mundo.
*6 – Sua força é completada se for voltada para dentro da terra.
*7 – Separa a terra do fogo, o sutil do denso, com delicadeza e com grande ingenuidade.
*8 – Ela ascende da terra para o céu, e desce outra vez para a terra, e recebe o poder do que está em cima e do que está embaixo. E, assim, terás a glória de todo o mundo. Desse modo, toda a treva fugirá de ti. *9 – Eis o forte poder da força absoluta; porque ela vence toda coisa sutil e penetra todo sólido.
*10 – E assim o mundo foi criado.
*11 – Daqui virão as prodigiosas adaptações. à feição das quais ela é.
*12 – E assim sou chamado Hermes, tendo as três partes da filosofia de todo o mundo.
*13 – Aquilo que eu disse acerca da operação do sol está terminado.            

Fonte: JUNG, Carl Gustav e WILHELM, Richard, O Segredo da Flor de Ouro (Tai I Gin Hua Dsung Dschï) Editora Vozes; 2ª. Edição, Petrópolis. 1984.
Ψ Fátima Brazão - Psicóloga clinica junguiana em seu trabalho acadêmico Alquimia – Um processo de transformação da Alma.
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

Um comentário:

Meditationseed disse...

Parabéns pelo trabalho, lindo estudo!
Abraços,