segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Sebastião Salgado - O Sal da Terra
Me Fale da Flor ... Eu Estou Tão Cansada!
E se em seu sonho você fosse ao paraíso e lá colhesse uma flor bela e estranha? E ao despertar, você tivesse a flor entre as mãos?" (Novalis)
*A Primavera é um presente dos deuses e traz o milagre do renascimento.
*Uma nova vida está escondida no útero da Terra, e é despertada mostrando seu esplendor.
*A Estação do despertar, quando descobrimos novas informações, trazendo clareza para o caos, indecisão ou confusão. *A partir de um novo ponto de vista recomeçamos rompendo velhos padrões, novas ideias surgem, renovamos nossas intenções e propósitos.
Hans Zatzka
"Primavera mostra o que Deus pode fazer com um mundo monótono e sujo." (Victor Kraft)
Hans Zatzka
sábado, 19 de setembro de 2015
(...)
Stanislaw Górski
"(...) Porque tem outra coisa: girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto."
(A morte dos girassóis – Caio Fernando Abreu)
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Ψ "A Luta Entre Eros e Tanatos se decide dentro de nós a cada instante." (Freud)
Sergey Ignatenko
*O que diz a mitologia: Na mitologia grega, Eros é o deus do amor. Thanatos a personificação da morte.
*Eros, o mais belo dos deuses, com seu arco e flecha do amor atinge homens, mulheres e deuses.
*Um belo dia Eros adormeceu numa caverna, embriagado por Hipno (deus do sono, irmão de Tânatos).
*Enquanto sonhava suas flechas se espalharam pela caverna, misturando-se às flechas da morte.
*Ao acordar, Eros sem querer levou algumas flechas que pertenciam a Tanatos. Desde então Eros passou a portar flechas de amor e morte.
*Freud se apropria do mito e cria o conceito de pulsão de vida: Eros e pulsão de morte: Tanatos, (abordados em "Mais além do princípio do prazer" e "Mal-estar na civilização").
*Eros teria a função de amalgamar partículas fragmentadas da substância viva e criar unidades cada vez mais complexas, buscando preservar o organismo vivo e a espécie.
*O instinto de vida garante a autopreservação das espécies, a sobrevivência e reprodução do indivíduo.
*Eros inclui tudo que visa o prazer (como o contato físico, alimentação, energia, movimento, alegria).
*A energia psíquica de Eros é referida como libido ou o impulso vital como um dos instintos primários principais que determinam o comportamento humano, ao lado da morte.
*No entanto, a pulsão de vida não atua de forma isolada. Por isso a existência no ser humano de uma ambivalência em tudo que ele pensa, faz e sente.
*Onde há amor deve haver ódio, toda sexualidade necessita de um grau de agressividade, em proporções variadas. Essas polaridades são os cernes dos conflitos psíquicos.
*A pulsão de morte também está presente e age de forma silenciosa.
*É o que Freud define como o mal-estar intrínseco a cultura: a destrutividade do ser humano, voltada para si mesmo ou para os outros - esse algo que existe e que foge a norma e a criação de sentidos.
*Dostoiévski refere que tememos o fato de que secretamente sabemos da existência de um demônio oculto, que habita todo homem.
*A Sombra é um dos conceitos mais importantes da teoria junguiana. O mal, na psicologia profunda, pode ser associado ao arquétipo da sombra que representa o lado escuro e desconhecido do Si Mesmo.
*A sombra é tudo aquilo que eu desconheço ou não aceito em mim.
*Nela está contida toda a potencialidade inconsciente, aspectos altamente construtivos ou destru0tivos.
*Reconhecê-la é o primeiro passo para a ampliação da consciência e para um melhor relacionamento com si mesmo e com o mundo.
*Pois toda sombra tende a ser projetada e, consequentemente, as projeções geram mau humor, intolerância e dificuldades para os diversos tipos e níveis de relacionamentos.
*Com isso podemos concluir que todas as doenças - físicas, psíquicas, sociais ... são projeções sombrias que precisam ser conscientizadas e integradas na consciência.
“Vergonha, culpa, orgulho, medo, ódio, inveja, carência e avidez são subprodutos inevitáveis da construção do ego. Eles estimulam a polaridade entre o sentimento de inferioridade e a vontade de poder. Eles são os aspectos da sombra da primeira emancipação do ego." (Edward C. Whitmont)
*A vida se mostra, faz barulho, é conflito.
*Já a morte é taciturna, quase invisível.
*Trabalhando para Eros, a pulsão de morte pode ser intensamente criativa.
Klimt
*Garcia-Roza (1995), refere que a partir do destruição causada pela pulsão de morte é que se pode ir em busca do diferente, do novo.
*A agressividade humana pode e deve ser canalizada em prol da vida.
*É preciso que conheçamos esse “demônio oculto” e que o coloquemos para trabalhar a nosso favor.
*Quando Freud (1920), constrói a hipótese da pulsão de morte ele amplia conceito de pulsão, que passa a ser compreendido como um impulso inerente à vida, algo anterior à sexualidade, anterior a representação psíquica, algo que não é visível, nem dizível.
*A pulsão de morte está para além do princípio do prazer, além do aparelho psíquico e só se mostra quando ligada à pulsão de vida.
*Tanatos entendido como pulsão de destruição é pura dispersão, potência dispersa.
*Por isso Freud irá afirmar que ela é uma pulsão por excelência.
*A pulsão de vida seria algo já capturado pelo psíquico, cujo objetivo também seria conduzir o organismo à morte, mas a própria morte, preservando a vida para que ela morra ao seu próprio modo. (Freud, 1920)
Fonte: JUNG, C. G. A Natureza da Psique, Petrópolis, Vozes, 1984.
JUNG, C. G. O Eu e o Inconsciente, Petrópolis, Vozes, 1984.
Rodrigues M., Samara - Psicóloga Mestranda Universidade Estadual de Maringá. Eros e Tanathus - Nossas Porções de Vida e Morte
Freud, S. (1920). Além do princípio de prazer. In: Escritos sobre Psicologia do Inconsciente, vol. II. (Luiz Alberto Hanns, trad). Rio de Janeiro: Imago, 2006.
Freud, S. (1923) O Eu e o Id. In: Escritos sobre Psicologia do Inconsciente, vol. III. (Luiz Alberto Hanns, trad). Rio de Janeiro: Imago, 2007.
Freud, S. (1930) O Mal estar na Cultura. (Renato Zwick, trad). Porto Alegre: 2011.
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
*O que diz a mitologia: Na mitologia grega, Eros é o deus do amor. Thanatos a personificação da morte.
*Eros, o mais belo dos deuses, com seu arco e flecha do amor atinge homens, mulheres e deuses.
*Um belo dia Eros adormeceu numa caverna, embriagado por Hipno (deus do sono, irmão de Tânatos).
*Enquanto sonhava suas flechas se espalharam pela caverna, misturando-se às flechas da morte.
*Ao acordar, Eros sem querer levou algumas flechas que pertenciam a Tanatos. Desde então Eros passou a portar flechas de amor e morte.
*Freud se apropria do mito e cria o conceito de pulsão de vida: Eros e pulsão de morte: Tanatos, (abordados em "Mais além do princípio do prazer" e "Mal-estar na civilização").
*Eros teria a função de amalgamar partículas fragmentadas da substância viva e criar unidades cada vez mais complexas, buscando preservar o organismo vivo e a espécie.
*O instinto de vida garante a autopreservação das espécies, a sobrevivência e reprodução do indivíduo.
*Eros inclui tudo que visa o prazer (como o contato físico, alimentação, energia, movimento, alegria).
*A energia psíquica de Eros é referida como libido ou o impulso vital como um dos instintos primários principais que determinam o comportamento humano, ao lado da morte.
*No entanto, a pulsão de vida não atua de forma isolada. Por isso a existência no ser humano de uma ambivalência em tudo que ele pensa, faz e sente.
*Onde há amor deve haver ódio, toda sexualidade necessita de um grau de agressividade, em proporções variadas. Essas polaridades são os cernes dos conflitos psíquicos.
*A pulsão de morte também está presente e age de forma silenciosa.
*É o que Freud define como o mal-estar intrínseco a cultura: a destrutividade do ser humano, voltada para si mesmo ou para os outros - esse algo que existe e que foge a norma e a criação de sentidos.
*Dostoiévski refere que tememos o fato de que secretamente sabemos da existência de um demônio oculto, que habita todo homem.
*A Sombra é um dos conceitos mais importantes da teoria junguiana. O mal, na psicologia profunda, pode ser associado ao arquétipo da sombra que representa o lado escuro e desconhecido do Si Mesmo.
*Nela está contida toda a potencialidade inconsciente, aspectos altamente construtivos ou destru0tivos.
*Reconhecê-la é o primeiro passo para a ampliação da consciência e para um melhor relacionamento com si mesmo e com o mundo.
*Pois toda sombra tende a ser projetada e, consequentemente, as projeções geram mau humor, intolerância e dificuldades para os diversos tipos e níveis de relacionamentos.
*Com isso podemos concluir que todas as doenças - físicas, psíquicas, sociais ... são projeções sombrias que precisam ser conscientizadas e integradas na consciência.
“Vergonha, culpa, orgulho, medo, ódio, inveja, carência e avidez são subprodutos inevitáveis da construção do ego. Eles estimulam a polaridade entre o sentimento de inferioridade e a vontade de poder. Eles são os aspectos da sombra da primeira emancipação do ego." (Edward C. Whitmont)
*A vida se mostra, faz barulho, é conflito.
*Já a morte é taciturna, quase invisível.
*Trabalhando para Eros, a pulsão de morte pode ser intensamente criativa.
Klimt
*Garcia-Roza (1995), refere que a partir do destruição causada pela pulsão de morte é que se pode ir em busca do diferente, do novo.
*A agressividade humana pode e deve ser canalizada em prol da vida.
*É preciso que conheçamos esse “demônio oculto” e que o coloquemos para trabalhar a nosso favor.
*Quando Freud (1920), constrói a hipótese da pulsão de morte ele amplia conceito de pulsão, que passa a ser compreendido como um impulso inerente à vida, algo anterior à sexualidade, anterior a representação psíquica, algo que não é visível, nem dizível.
*A pulsão de morte está para além do princípio do prazer, além do aparelho psíquico e só se mostra quando ligada à pulsão de vida.
*Tanatos entendido como pulsão de destruição é pura dispersão, potência dispersa.
*Por isso Freud irá afirmar que ela é uma pulsão por excelência.
*A pulsão de vida seria algo já capturado pelo psíquico, cujo objetivo também seria conduzir o organismo à morte, mas a própria morte, preservando a vida para que ela morra ao seu próprio modo. (Freud, 1920)
Fonte: JUNG, C. G. A Natureza da Psique, Petrópolis, Vozes, 1984.
JUNG, C. G. O Eu e o Inconsciente, Petrópolis, Vozes, 1984.
Rodrigues M., Samara - Psicóloga Mestranda Universidade Estadual de Maringá. Eros e Tanathus - Nossas Porções de Vida e Morte
Freud, S. (1920). Além do princípio de prazer. In: Escritos sobre Psicologia do Inconsciente, vol. II. (Luiz Alberto Hanns, trad). Rio de Janeiro: Imago, 2006.
Freud, S. (1923) O Eu e o Id. In: Escritos sobre Psicologia do Inconsciente, vol. III. (Luiz Alberto Hanns, trad). Rio de Janeiro: Imago, 2007.
Freud, S. (1930) O Mal estar na Cultura. (Renato Zwick, trad). Porto Alegre: 2011.
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
Ψ Outros Fragmentos Barthes
“Uma pequena minoria de pessoas acha-se capacitada, por sua constituição, a encontrar felicidade no caminho do amor”. (FREUD, 1914)
"Como se chama aquele sujeito que se obstina num 'erro', contra tudo e contra todos, como se tivesse diante de si a eternidade para se 'enganar'? - Relapso!"
(...) que seja de um amor a outro ou no interior do mesmo amor, não paro de 'recair' numa doutrina interior que ninguém partilha comigo.
Quando o corpo de WERTHER é levado à noite para um canto do cemitério, perto das duas tílias (a árvore do perfume simples, da lembrança e do adormecimento), "nem um só padre o acompanhava" (essa é a última frase do romance).
A religião não apenas condena, em Werther o suicida, mas também, talvez, o amante, o utópico, o desclassificado, aquele que não está 'religado' a nenhum outro ser além dele mesmo.
(...) após discutir o assunto, os cientistas concluíram: os animais não se suicidam... no máximo alguns como cavalos, cachorros - tem vontade de se mutilar.
É entretanto, referindo-se aos cavalos que Werther alude à nobreza que marca todo suicídio: Fala-se de uma nobre raça de cavalos que, quando se sentem terrivelmente acalorados, tem o instinto de eles próprios se abrirem uma veia, com uma dentada, para respirar mais livremente.
É o que acontece muitas vezes comigo: gostaria de me abrir uma veia, para me assegurar a liberdade eterna.
*Fragmentos de Um Discurso Amoroso - Roland Barthes
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
"Como se chama aquele sujeito que se obstina num 'erro', contra tudo e contra todos, como se tivesse diante de si a eternidade para se 'enganar'? - Relapso!"
(...) que seja de um amor a outro ou no interior do mesmo amor, não paro de 'recair' numa doutrina interior que ninguém partilha comigo.
Quando o corpo de WERTHER é levado à noite para um canto do cemitério, perto das duas tílias (a árvore do perfume simples, da lembrança e do adormecimento), "nem um só padre o acompanhava" (essa é a última frase do romance).
A religião não apenas condena, em Werther o suicida, mas também, talvez, o amante, o utópico, o desclassificado, aquele que não está 'religado' a nenhum outro ser além dele mesmo.
(...) após discutir o assunto, os cientistas concluíram: os animais não se suicidam... no máximo alguns como cavalos, cachorros - tem vontade de se mutilar.
É entretanto, referindo-se aos cavalos que Werther alude à nobreza que marca todo suicídio: Fala-se de uma nobre raça de cavalos que, quando se sentem terrivelmente acalorados, tem o instinto de eles próprios se abrirem uma veia, com uma dentada, para respirar mais livremente.
É o que acontece muitas vezes comigo: gostaria de me abrir uma veia, para me assegurar a liberdade eterna.
*Fragmentos de Um Discurso Amoroso - Roland Barthes
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
sábado, 5 de setembro de 2015
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Ψ “A realidade é aquilo sobre o que a gente repousa para continuar a sonhar.” Lacan
As Flores no Vaso
"(...) ela sabe que é necessário por flores no vaso constantemente: é preciso preencher o vazio com a beleza mais pura, mais gratuita, para que a vida tenha algum sentido e para aplacar a dor de existir."
*O filme 'As Horas' - Stephen Daldry - 2002, conta a história de três mulheres - Virginia Woolf, Laura Brown, Clarissa Vaughan - passada em três épocas diferentes, diante da vida e da morte.
*Três sujeitos diante da pulsão de morte e atravessados por três posições fantasísticas diversas: como as Horas da mitologia grega, Eunômia, Dicéa e Irene, elas podem representar o dia, o entardecer e a noite.
*Em 1923, cuidada por Leonard, um marido que a ama, Virginia Woolf é a noite: mulher melancólica, insone, inapetente, doente, tentando sobreviver, através de tratamento psiquiátrico, à ideação suicida e alucinações auditivas.
*Ela não se cuida, está absorta apenas em sua escrita, no seu romance, nas suas personagens.
*Sua relação com o marido, a irmã, os sobrinhos e as empregadas é distante, superficial, pois ela está tragada pela força de seu mundo interior.
*Tentou se matar duas vezes e na terceira consegue, afogando-se num rio com pedras no bolso do casaco.
*Virginia passou o último período da vida escrevendo Mrs. Dalloway e tentando dar um destino à personagem que não fosse a morte.
*Mas a morte é o grande interesse de Virginia, como na cena em que encontra-se deitada ao lado da ave morta, olhando-a após ter cercado o seu corpo com flores.
*Apenas a escrita de Virginia consegue dar um contorno fantasístico à sua vida, uma janela para o real.
*Mas eis que de dentro de sua própria fantasia de escritora, a morte lhe acena continuamente.
*Nem o intenso e dedicado amor de Leonard consegue deter esse fluxo inexorável de autodestruição.
*Leonard satisfazia todos os seus caprichos, tentando com isso dar-lhe todas as alegrias possíveis, mas seu desejo mais profundo era a morte.
*Em 1951, Laura Brown está lendo o romance Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf.
*Casada com um marido dedicado, tendo um filho adorável, morando num lindo bairro e numa casa perfeita, Laura está infeliz.
*Ela é uma mulher dividida e angustiada como o entardecer.
*Não quer aquela vida para ela, mas não sabe o que fazer senão matar-se para se ver livre daquela prisão de luxo.
*Aquela confortável prisão domiciliar não é a que lhe convém.
*O olhar de seu filho, Richard, parece compreendê-la todo o tempo - ele se tornará um importante poeta.
*Chega a ir até um hotel para ingerir frascos inteiros de remédios e desaparecer, mas é contida pelo apelo da vida apenas embrionária da filha
que está começando a gestar.
*Decide ir embora depois que a filha nascer: não aguentou, não teve escolha, era ir embora ou morrer.
*Escolheu finalmente a vida, abandonou aquela redoma que não a protegia de si mesma e inventou uma nova fantasia: foi ser bibliotecária no Canadá.
*Seu marido morreria jovem de câncer, assim como essa filha.
*Richard, seu filho poeta, se mataria com aids em estágio terminal, dizendo que não queria mais enfrentar as horas.
*Quando jovem, ele fora amante de Clarissa Vaughan e agora era o seu melhor amigo.
*Clarissa vive em Nova York em 2001, é editora, tem uma filha adulta e uma namorada com quem partilha uma casa.
*Sempre ocupada com seus afazeres domésticos, ela organiza com detalhes a festa na qual Richard, já na fase mais adiantada da doença, seria homenageado com um prêmio pelo conjunto de sua obra, marcando os lugares das mesas e cozinhando.
*Sua fantasia está preservada e é sempre renovada, pelo trabalho, pela amizade, pelo amor.
*O olhar de Clarissa está sempre iluminado, brilhando, refletindo a luz do dia.
*Nem mesmo a morte de Richard abalaria a felicidade que conquistava em cada momento de seus dias.
*Clarissa se apega a seus objetos amorosos, constrói sua fantasia incessantemente e não abre mão dela.
*Antes de ir para a cama à noite, seu olhar acaricia amorosamente a sua casa, um verdadeiro lar.
*Ele está sempre repleto de vasos com flores: apesar da morte, da perda do amigo, da dor do encontro com Laura Brown que veio para o enterro do filho, do desencontro contínuo imposto pela vida, ela consegue fantasiar e sonhar.
*Ela sabe que é necessário pôr flores no vaso constantemente: é preciso preencher o vazio com a beleza mais pura, mais gratuita, para que a vida tenha algum sentido e para aplacar a dor de existir. E as flores bem simbolizam aquilo que na natureza expressa a transitoriedade inerente à felicidade.
*Das três Horas, apenas a ela se aplica a formulação de Lacan: “A realidade é aquilo sobre o que a gente repousa para continuar a sonhar.”
Fonte: A Clínica do Amor - Jorge Sesarino - PsicoDom, v.2, n.2, jun. 2008
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
"(...) ela sabe que é necessário por flores no vaso constantemente: é preciso preencher o vazio com a beleza mais pura, mais gratuita, para que a vida tenha algum sentido e para aplacar a dor de existir."
*O filme 'As Horas' - Stephen Daldry - 2002, conta a história de três mulheres - Virginia Woolf, Laura Brown, Clarissa Vaughan - passada em três épocas diferentes, diante da vida e da morte.

*Em 1923, cuidada por Leonard, um marido que a ama, Virginia Woolf é a noite: mulher melancólica, insone, inapetente, doente, tentando sobreviver, através de tratamento psiquiátrico, à ideação suicida e alucinações auditivas.
*Ela não se cuida, está absorta apenas em sua escrita, no seu romance, nas suas personagens.
*Sua relação com o marido, a irmã, os sobrinhos e as empregadas é distante, superficial, pois ela está tragada pela força de seu mundo interior.
*Tentou se matar duas vezes e na terceira consegue, afogando-se num rio com pedras no bolso do casaco.
*Virginia passou o último período da vida escrevendo Mrs. Dalloway e tentando dar um destino à personagem que não fosse a morte.
*Mas a morte é o grande interesse de Virginia, como na cena em que encontra-se deitada ao lado da ave morta, olhando-a após ter cercado o seu corpo com flores.
*Apenas a escrita de Virginia consegue dar um contorno fantasístico à sua vida, uma janela para o real.
*Mas eis que de dentro de sua própria fantasia de escritora, a morte lhe acena continuamente.
*Nem o intenso e dedicado amor de Leonard consegue deter esse fluxo inexorável de autodestruição.
*Leonard satisfazia todos os seus caprichos, tentando com isso dar-lhe todas as alegrias possíveis, mas seu desejo mais profundo era a morte.
*Em 1951, Laura Brown está lendo o romance Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf.
*Casada com um marido dedicado, tendo um filho adorável, morando num lindo bairro e numa casa perfeita, Laura está infeliz.
*Ela é uma mulher dividida e angustiada como o entardecer.
*Não quer aquela vida para ela, mas não sabe o que fazer senão matar-se para se ver livre daquela prisão de luxo.
*Aquela confortável prisão domiciliar não é a que lhe convém.
*O olhar de seu filho, Richard, parece compreendê-la todo o tempo - ele se tornará um importante poeta.
*Chega a ir até um hotel para ingerir frascos inteiros de remédios e desaparecer, mas é contida pelo apelo da vida apenas embrionária da filha
que está começando a gestar.
*Decide ir embora depois que a filha nascer: não aguentou, não teve escolha, era ir embora ou morrer.
*Escolheu finalmente a vida, abandonou aquela redoma que não a protegia de si mesma e inventou uma nova fantasia: foi ser bibliotecária no Canadá.
*Seu marido morreria jovem de câncer, assim como essa filha.
*Richard, seu filho poeta, se mataria com aids em estágio terminal, dizendo que não queria mais enfrentar as horas.
*Quando jovem, ele fora amante de Clarissa Vaughan e agora era o seu melhor amigo.
*Clarissa vive em Nova York em 2001, é editora, tem uma filha adulta e uma namorada com quem partilha uma casa.
*Sempre ocupada com seus afazeres domésticos, ela organiza com detalhes a festa na qual Richard, já na fase mais adiantada da doença, seria homenageado com um prêmio pelo conjunto de sua obra, marcando os lugares das mesas e cozinhando.
*Sua fantasia está preservada e é sempre renovada, pelo trabalho, pela amizade, pelo amor.
*O olhar de Clarissa está sempre iluminado, brilhando, refletindo a luz do dia.
*Nem mesmo a morte de Richard abalaria a felicidade que conquistava em cada momento de seus dias.
*Clarissa se apega a seus objetos amorosos, constrói sua fantasia incessantemente e não abre mão dela.
*Antes de ir para a cama à noite, seu olhar acaricia amorosamente a sua casa, um verdadeiro lar.
*Ele está sempre repleto de vasos com flores: apesar da morte, da perda do amigo, da dor do encontro com Laura Brown que veio para o enterro do filho, do desencontro contínuo imposto pela vida, ela consegue fantasiar e sonhar.
*Ela sabe que é necessário pôr flores no vaso constantemente: é preciso preencher o vazio com a beleza mais pura, mais gratuita, para que a vida tenha algum sentido e para aplacar a dor de existir. E as flores bem simbolizam aquilo que na natureza expressa a transitoriedade inerente à felicidade.
*Das três Horas, apenas a ela se aplica a formulação de Lacan: “A realidade é aquilo sobre o que a gente repousa para continuar a sonhar.”
Fonte: A Clínica do Amor - Jorge Sesarino - PsicoDom, v.2, n.2, jun. 2008
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica
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