segunda-feira, 30 de março de 2009

ELES ESTÃO JOGANDO O JOGO DELES...


"Eles estão jogando o jogo deles.

Eles estão jogando de não jogar um jogo.

Se eu lhes mostrar que os vejo tal qual eles estão,

quebrarei as regras do seu jogo

e receberei a sua punição.

O que eu devo, pois,

é jogar o jogo deles,

o jogo de não ver o jogo que eles jogam.
Eles não estão se divertindo.

E se eles não se divertem eu também não me divirto.

Somente se eu puder levá-los a se divertir

poderei divertir-me juntamente com eles.

Mas não é nada divertido levá-los a divertir-se;

pelo contrário, é trabalho muito árduo.

Quem sabe, eu talvez me divertisse

se descobrisse por que não se divertem.

Mas não fica nada bem que me divirta procurando

saber o porquê não se divertem.

Ainda assim é um pouco divertido o ato de fingir

que não encontro diversão em descobrir

o motivo por que não se divertem.
Vamos nos divertir?

- convida a garotinha

que surge de repente não sei donde.

E contudo divertir-me é perder tempo,

já que me divertir

não contribui para mostrar

o motivo porque não se divertem.
Como podes tu te divertir

se Jesus na cruz morreu por ti?

Achas acaso que na cruz

Jesus se divertia?"




"Lúcio sofre

por achar

que Lúcia acha que ele a faz sofrer

porque (ele) sofre

por achar

que ela acha que ele a faz sofrer

por fazê-la achar que é culpa

dela fazê-lo sofrer

porque (ela) acha

que ele a faz sofrer

porque (ele) sofre

por achar que ela acha que ele a faz sofrer

pelo fato de que...

da capo sine fine."

NOTA BIOGRÁFICA: Ronald David Laing, renomado e controvertido psiquiatra, conferencista e autor de vários livros, rebelou-se contra a psiquiatria ortodoxa e buscou um novo método de tratamento da loucura. Nasceu em Glasgow, Escócia, em 7 de outubro de 1927, e faleceu em 1989. Teve uma infância de sofrimento, por apanhar surras de seu pai, tormentos que superava refugiando-se em "um ponto no espaço sem qualquer dimensão"; então leu intensamente desde a Bíblia até os filósofos e cientistas de renome.

Após formar-se em medicina na Universidade de Glasgow em 1951, Laing serviu um período no exército e na sua prática convenceu-se de que um comportamento "maluco" pode ter um efeito salutar se for permitido o seu curso sem supressão por meio de drogas e choque elétrico, o que caracterizaria a linha existencialista trazida à psiquiatria.
Após um período como psiquiatra no exército britânico, Laing trabalhou no Royal Medical Hospital de Glasgow e lecionou no Deparatmento de Psicologia Médica da Universidade até 1956, quando submeteu-se a treinamento de psicanálise no Tavistock Institute of Human Relations, em Londres.
Seu primeiro livro, The Divided Self ("O Eu dividido") foi completado em Tavistock em 1957 e publicado em 1960; o livro despertou as respostas contraditórias com que todos os seus livros foram depois recebidos nos meios científicos.
De 1962 a 1965 Laing empreendeu inúmeras experiências com uma nova abordagem da doença mental: a do EXISTENCIALISMO.

Em Reason & Violence: A Decade of Sartre's Philosophy (1950-1960) ("Razão e violência, uma década da filosofia de Sartre"), de 1964, Laing analisa aspectos da filosofia de Jean-Paul Sarte contidos em Critique de la Raison Dialectique (1960) daquele filósofo. Nestes anos dirigiu a Langham Clinic, em Londres e começou também experimentos com drogas estimulantes do pensamento como meio de acelerar viagens transcendentais ao Eu interior. Ele e outros fundaram uma comunidade terapêutica em Kingsley Hall em Londres em 1965; a utópica clínica faliu cinco anos depois, mas centros semelhantes apareceram em vários pontos dentro e fora de Londres. No início da década de 70 estudou com mestres budistas e hindus em Ceilão, Índia e Japão, e fez conferências nos Estados Unidos.

Principais obras: The divided self, 1960; The politics of experience and the bird of paradise, 1967; Self and others, 1969; Knots, 1970; The Politics of Family, 1971; Reason & Violence: A Decade of Sartre's Philosophy (with D.G.Cooper), 1964; Do You Love Me?: An Entertainment in Conversation and Verse, 1976; Intervista sul folle e il saggio, 1979; The Voice of Experience, 1982; Wisdom, Madness and Folly: The Making of a Psychiatrist, 1985.

domingo, 22 de março de 2009

Queria Dizer-te!

imagem: Irene Sheri
  



Queria dizer-te  aquilo que
Não conseguia dizer nunca
Tenho mantido fechado em mim
Há muito tempo já
Mas tem uma amor que não sei
Mais esconder porque
Agora ele precisa também de ti
Queria dizer-te que
És sempre tu a minha alegria
Que quando falas junto a ele
Nasce um louco ciúmes...
Isto eu queria dizer a ti
De quando tu não estás
Eu me perco sempre um pouco
E depois compreendo que não sei
mais divertir-me sem ti
Ao contrário quando estás comigo
A cor cinza ao nosso redor
Se pinta da vida que dás
Como é difícil
Dizer tudo isto a ti
Que de amor nunca falas...
mas tem um amor que não sabes
mais esconder porque
agora ele precisa também de ti.
(LETTERA - Renato Russo/ Valsiglio/ Salvatori)

sexta-feira, 20 de março de 2009

As Quatro Fases da Alquimia

- A alquimia representa a projeção de um drama ao mesmo tempo cósmico e espiritual em termos de laboratório.
- A "opus magnum" tinha duas finalidades: o resgate da alma e a salvação do cosmos...
- Esse trabalho é difícil e repleto de obstáculos; a opus alquímica é perigosa. Logo no começo, encontramos o "dragão", o espírito ctônico, o "diabo" ou, na linguagem dos alquimistas: o "negrume", a "NIGREDO", e esse encontro produz sofrimento... a matéria sofre até a nigredo desaparecer, quando a aurora será anunciada pela "cauda pavonis" e um novo dia nascerá, "ALBEDO".
 - Mas neste estado de "brancura", não se vive, seria uma espécie de estado ideal, abstrato. Para insuflar-lhe vida, deve ter "sangue", deve possuir aquilo a que os alquimistas denominam a "RUBEDO".
- Só a experiência total da vida pode transformar esse estado ideal de albedo num modo de existência plenamente humano. Só o sangue pode reanimar o glorioso estado de consciência em que o derradeiro vestígio de negrume é dissolvido, em que o diabo deixa de ter existência autônoma e se junta à profunda unidade da psique.
- Então, a "opus magnum" está concluída: a alma humana está completamente integrada. (JUNG resume a 'Opus Alquímica'.)
Há vinte anos atrás ainda estudante de FILOSOFIA, me encantei com a OBRA de JUNG, MITOLOGIA, ALQUIMIA, SONHOS... As quatro fases da ALQUIMIA CLÁSSICA me guiaram na ALQUIMIA INTERNA, para só então me sentir apta como PSICOTERAPEUTA.
1. NIGREDO - Cor negra, chumbo, saturno, denso, sofrimento intenso; sombra, depressão, enfrentamento da raiva, ódio, cobiça, inveja. Nesta fase os conteúdos do INCONSCIENTE aparecem em forma de sonhos. Na alquimia clássica essa emersão no INCONSCIENTE era causada por gases tóxicos (chumbo), onde os alquimistas chegavam à loucura. Nenhum trabalho TERAPÊUTICO acontece sem este processo de isolamento e enfrentamento. Um bom ANJO se faz necessário, se não for o TERAPEUTA, um amigo, um MESTRE... A fase sombra, nos torna mais humanos, com ela podemos chegar à ILUMINAÇÃO.
2. ALBEDO, ÁGUA, PURIFICAÇÃO, PRATA - É a fase mais RACIONAL, há uma cisão entre o problema e os sentimentos ("SEPARATIO"). Na ALQUIMIA CLÁSSICA, é a LIMPEZA, DESTILAÇÃO, ORDEM. Tudo flui com mais facilidade e a dor é menor. O INDIVIDUALISMO, que precisa se esgotar para a próxima fase.3. CITRININAS - FASE CURTA, na alquimia POUCO SE FALA, mas em PSICOTERAPIA significa que o amarelo envelheceu. Na ALQUIMIA algo cheira mal, ENXOFRE a alma quer ir além de si mesma, se volta para as questões do mundo, experimenta a COMPAIXÃO, COMPARTILHA, DIVIDE. Então o AMARELO torna-se DOURADO, RADIANTE, ILUMINADO. Dando início à próxima etapa4. RUBEDO, VERMELHO, MERCÚRIO, OURO - Síntese interna, a união do MASCULINO e FEMININO da ALMA. Na ALQUIMIA é o casamento do SOL com a LUA, do CÉU com a TERRA ("CONJUNCTIO"). É o nascimento do NOVO, a RESSURREIÇÃO. Para JUNG é como estar no alto da montanha e ver a TEMPESTADE passar, não é o fim dos problemas porque a VIDA é DIALÉTICA, mas algo em nós já é capaz de dizer: Esse caminho é meu meu velho conhecido, "NESTA ARMADILHA NÃO CAIO MAIS." (Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Soneto do Amor Total - Vinicius de Moraes



Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Ψ AFINAL, O QUE QUEREM AS MULHERES - 2

Não, não falo das mulheres leves feito plumas, com pele de veludo dos comerciais, do cinema, das novelas e das passarelas.
A mulher que falo é a que fez a revolução que se jogou na luta com coragem, nem se sabe de onde, uma vez que por milhares de anos foi considerada tão frágil, tão incapaz, tão...
Falo da Mulher operária, mal remunerada que se ajeita como pode para enfrentar a vida tão concorrida e sofrida 
A Mulher que falo varre e faz comida, educa e deseduca engorda de tristeza, e frustração por ser tão incompreendida por seus companheiros que a querem glamurosas, sedutoras...
 A sociedade quer o impossível da Mulher
 É o preço da Liberdade? 
 (Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)
 "Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. 
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! 
E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. 
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
 Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra. A mulher moderna anda muito antiga.
 Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
 Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela. Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
 Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.
 "Mulheres Possíveis" -  Revista do Jornal O Globo - Martha Medeiros - Jornalista e escritora

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Ψ AFINAL, O QUE QUEREM AS MULHERES?

FREUD fez uma famosa indagação, que até hoje está lhe custando caro.

Disse que depois de ter estudado tudo que podia sobre a mente humana, havia uma pergunta que não conseguia responder: - "AFINAL O QUE QUEREM AS MULHERES"? 
 
Não só as feministas, mas até os homens sensatos acharam que o companheiro estava exagerando. E recentemente duas variantes de resposta a Freud surgiram. Uma foi o livro da americana Erica Jong “O que querem as mulheres” (editora record) e agora mais recentemente esse filme com o Mel Gibson “O que as mulheres pensam”. 


Mas existe uma outra resposta que me parece a melhor para a questão plantada por Freud. Trata-se de uma lenda que, a rigor, antecede ao lendário Freud, e fico pensando que se Freud a conhecesse talvez se poupasse de se expor daquela maneira.


Diz a estória, que o Artur - aquele da Távola Redonda - quando era jovem, certo dia cometeu uma infração: foi caçar na floresta de outro rei e acabou sendo preso e levado à presença do outro monarca para ser punido. Deveria ser condenado à morte. No entanto, o rei que o deteve resolveu dar-lhe uma chance. Pouparia sua vida se conseguisse, dentro de um ano responder a pergunta pré pós freudiana: - “O QUE QUEREM AS MULHERES”. 

 
Agradecido pela deferência, Artur saiu a cata da resposta. Perguntava daqui, perguntava dali, mas nem os religiosos, nem os médicos, nem os inveterados conquistadores de corações femininos conseguiam lhe responder com clareza. Estava já o prazo se exaurindo, quando lhe informaram que havia uma bruxa que sabia a resposta. Foi procurá-la. Era uma bruxa como têm que ser as bruxas nas lendas: velha, falando impropérios. Artur, no entanto, fez-lhe a pergunta. Ela lhe disse que lhe daria a resposta caso ela pudesse se casar com o cavaleiro Gawain, que era o mais belo e valoroso dos companheiros de Artur. Este, perplexo, foi ao amigo e lhe expôs a patética situação. Amigo que é amigo, sobretudo nas lendas, não vacila. Faria tudo para salvar o companheiro de peripécias, até mesmo casar com uma bruxa.
Acertada a condição, então, a bruxa respondeu à pergunta fatal, dizendo: - "SABE O QUE QUER REALMENTE A MULHER? ELA QUER SER SENHORA DA SUA PRÓPRIA VIDA".

Artur e os demais, inclusive o rei que o havia condenado, ficaram todos atônitos, se dizendo, como é que nós não pensamos nisto antes, a resposta é simples e genial. Artur foi então perdoado. 

(...) mas a estória continua, o casamento tinha que se realizar, pois Gawain não era de deixar nem mesmo uma bruxa na mão. No dia das bodas, foi um vexame. A bruxa emporcalhava a mesa, ria com seus dentes faltosos, enfim, um espavento. Mas a festa foi continuando, foi-se aproximando a hora da chamada união carnal no branco leito nupcial. Mas aí, aconteceu algo surpreendente. Estava Gawain já preparado para o cadafalso erótico, quando surgiu-lhe uma deslumbrante e virginal donzela à sua frente. E antes que sua perpelexidade continuasse a donzela disse que ela era a bruxa, ou melhor, uma das faces da bruxa. Estava mostrando a sua outra face, porque ele a tinha aceito como era; que de dia era a bruxa façonhenta, de noite aquela ninfa loira.


 Mas antes que consumassem a chamada união carnal, Gawain poderia decidir com qual das duas queria viver o resto da vida. Ou a feia que comprometeria sua imagem pública ou a perfeita, que ele, só ele, conhecia à noite. Gawain então disse que deixava à escolha dela, o que ela queria realmente ser e parecer. 

A noiva neste momento metamorfoseou-se para sempre na bela mulher do cavaleiro que o acompanharia noite e dia, pois ele havia respeitado nela o que ela realmente era. Esta estória me foi dada como estando no livro “Feminilidade perdida e reconquistada”,  (Robert A. Johnson), livro que não encontrei. Perguntei a Antônio Furtado, que é o maior especialista brasileiro em Rei Artur, e ele disse que conhecia essa lenda. Não tem importância. É a melhor resposta que encontrei à inquietação de Freud.

 Mas agora gostaria de cutucar a onça com vara curta e indagar pelo outro lado da questão: - Afinal, O QUE QUEREM OS HOMENS?

(Afonso Romano de Sant'Anna)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Colham rosas enquanto podem...

Colham botões de rosas enquanto podem
O velho Tempo continua voando:
E essa mesma flor que hoje lhes sorri,
Amanhã estará expirando.
O glorioso sol, lume do céu,
Quanto mais alto eleva-se a brilhar,
Mais cedo encerrará sua jornada,
E mais perto estará de se apagar.
Melhor idade não há que a primeira,
Quando a juventude e o sangue pulsam quentes;
Mas quando passa, piores são os tempos
Que se sucedem e se arrastam inclementes.
Por isso, sem recato, usem o tempo,
E enquanto podem, vivam a festejar,
Pois depois de haver perdido os áureos anos,
Terão o tempo inteiro para repousar.
(Robert Herrick)

sábado, 3 de janeiro de 2009

flores

"O mundo não se fez para pensarmos nele... mas para estarmos de acordo." (Fernando Pessoa)
fotos: Sérgio Surkamp















sobre a imortalidade da alma - Jung

Em 1956, respondendo a um senhor H. J. Barret, dos Estados Unidos, escreve Jung sobre sua crença na imortalidade da alma: Ainda que meu tempo seja escasso e minha idade avançada um fato real, tenho gosto em responder às suas perguntas. Não são fáceis como, por exemplo, a primeira: Se eu acredito numa sobrevivência pessoal após a morte. Não poderia dizer que acredito nela, pois não tenho o dom da fé. Só posso dizer se sei alguma coisa ou não.
1. Sei que a psique possui certas qualidades que transcendemos limites do tempo e do espaço. Em outras palavras, a psique pode tornar elásticas essas categorias, ou seja, 100 milhas podem ser reduzidas a uma jarda, e um ano a poucos segundos.
Isto é um fato do qual temos todas as provas necessárias.
Além disso, há certos fenômenos 'post-mortem' que eu não consigo reduzir a ilusões subjetivas. Por isso, sei que a psique pode funcionar sem o empecilho das categorias de espaço e tempo. Isto não significa que eu tenha qualquer tipo de certeza quanto à natureza transcendental da psique. A psique pode ser qualquer coisa.
2. Não há razão alguma para supor que todos os chamados fenômenos psíquicos sejam efeitos ilusórios de nossos processos mentais.
3. Não acho que todos os relatos dos chamados fenômenos miraculosos (como precognição, telepatia, conhecimento supranormal, etc.) sejam duvidosos. Sei de muitos casos emque não paira a mínima dúvida sobre sua veracidade.
4. Não acho que as chamadas mensagens pessoais dosmortos devam ser rechaçadas in globo como ilusões.
Kant disse certa vez que duvidava de toda história individual sobre fantasmas, etc., mas, se tomadas em conjunto, havia algo nelas...
Eu examino minuciosamente o meu material empírico e devo dizer que, entre muitíssimas suposições arbitrárias, há casos que me fazem titubear. Tomei como regra aplicar a sábia frase de Multatuli: Não existe nada que seja totalmente verdadeiro, nem mesmo esta frase (Jung, 2003,pp. 53-54).
Essa carta não deixa dúvida que Jung estava propenso a ter a imortalidade pessoal como um fato com fortes evidênciasde realidade.
Autor de uma vasta e erudita obra, ele revolucionou os estudos psicológicos, superando o reducionismo que ainda teima a imperar nesse campo de estudo. Mentalidade científica aplicou o método experimental com rigor em suas pesquisas, embora permanecesse sempre aberto ao novo, ao inesperado, ao incomum, sem temer avaliá-lo e aceitá-lo.
(Jung citado por Djalma Motta Argollo)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

as várias maneiras de amar...

O jardineiro conversava com as flores e elas se habituaram ao diálogo.
 Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio.
 O GIRASSOL não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os GIRASSÓIS são orgulhosos de natureza.
 Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o GIRASSOL chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria.
Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de GIRASSOL e de renovar-lhe a terra, na devida ocasião.
 O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma.
 E mandou-o embora. Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o GIRASSOL a mudar de atitude.
A mais triste de todas era o GIRASSOL, que não se conformava com a ausência do homem. "VOCÊ O TRATAVA MAL, AGORA ESTÁ ARREPENDIDO?"
- "NÃO, RESPONDEU, ESTOU TRISTE PORQUE AGORA NÃO POSSO TRATÁ-LO MAL. É A MINHA MANEIRA DE AMAR, ELE SABIA DISSO, E GOSTAVA".
                                                                  (Carlos Drummond Andrade)

"Sutilmente Meu Corpo Toca a Alma"

"Viver gera experiências.
Experiências geram marcas.
Marcas ficam registradas, sejam elas boas ou ruins. 
Os registros destas marcas quando negativas e destrutivas ficam marcadas nas memórias conscientes e subconscientes gerando couraças e respostas somáticas que se cristalizam com o tempo em forma de sintomas e doenças".
- Dança provém do sânscrito "TAN" que significa anseio, tensão, representando a celebração pela vida...
- Esta que antecede a todas as formas de comunicação (estando atrás somente do som), surgiu para o homem pré-histórico pela necessidade de relacionar-se com a natureza e animais.
- Trata-se de uma dança do Período Matriarcal, cujos movimentos revelam sensualidade, em sua forma primitiva era considerada um ritual sagrado. Relacionado aos cultos da Deusa-Mãe, provavelmente por esse motivo os homens eram excluídos de seu cerimonial (Portinari, 1989).
- O termo DANÇA do VENTRE é a tradução do inglês americano ‘Bellydance’, e do árabe ‘Raqs Sharqi’ (literalmente Dança do Leste).
- Sua origem registra-se há mais de sete mil anos. Há correntes que defendem que a Dança do Ventre teria nascido na Índia, de onde foi difundida com a ajuda de povos ciganos do Oriente.
- Tribos primitivas a utilizavam como forma de reverenciar seus deuses e ancestrais.

- Também sempre esteve presente na natureza em ritos de aproximação e acasalamento entre os animais. Refere-se ainda, que através de ritos religiosos, preparava as mulheres para se tornarem mães (Penna, 1977).
- Os ornamentos, principalmente o véu fazem parte do ritual. É comum nas regiões do Oriente as mulheres cobrirem a cabeça com véus, tendo para isso diferentes motivos e estilos de uso. Na Índia elas se cobrem em sinal de castidade, os cabelos em trança enfeitados com pérolas e flores.
- No Mundo Árabe os véus são parte da rotina de qualquer pessoa, seja para proteger a cabeça do calor, seja por motivo religioso, ou como adorno; sobre o véu na altura da testa, é usada uma tiara com moedas de ouro e prata presas a correntes que caem nas têmporas e tilitam com o caminhar.

- A maioria das religiões do Oriente impõe o uso do véu, em países  conservadores de um islamismo extremado, como Arábia Saudita e demais países do Golfo, devem usar um manto negro que lhes oculta completamente o rosto e corpo desde a adolescência, não sendo jamais permitido tirá-los em público.

A DANÇA DO VENTRE E OS BENEFÍCIOS PARA A SAÚDE DA MULHER:
- As potencialidades sensoriais, sensitivas, perceptivas, cinestésicas, motoras, criativas e comunicativas são ampliadas. O reconhecimento da identidade, a sensação de acolhimento que a Dança do Ventre trabalha, diminui sintomas psicossomáticos.

 - A dança pode estimular e equilibrar os hormônios femininos, auxiliar na cura da insuficiência ovariana, bem como combater a prisão de ventre, uma vez que trabalha o tônus da parede abdominal contribuindo para o peristaltismo vonluntário.
 - Isso acontece através das ondulações abdominais, combinados à respiração.
- Fatores como uma boa circulação sanguínea, também contribuem para a manutenção da juventude.
- O cérebro precisa ser irrigado para que as glândulas pineal e pituitária responsáveis pelo desenvolvimento sexual do indivíduo funcionem adequadamente.
- Os tecidos precisam de nutrientes para seu funcionamento, toxinas e resíduos precisam ser eliminados pois quando se acumulam nas articulações, prejudicam os movimentos;

- Uma má circulação pode prejudicar o bom funcionamento dos órgãos.
- A Dança do Ventre pode ativar a circulação sanguínea, principalmente na região genito-urinária, como também sob a força extática de movimentos como os tremidos, a circulação sanguínea é ativada e percorre todo o organismo, chegando inclusive ao cérebro, onde se localizam os neurotransmissores responsáveis pelo equilíbrio do humor.
- Com o passar dos anos, a musculatura, também por força da gravidade, tende a pesar. Os músculos sustentam menos o esqueleto – a coluna, como também os órgãos.
- Embora a Dança do Ventre não defina tanto a musculatura do corpo como na musculação, seu exercício lhe confere elasticidade e sustentabilidade, principalmente à região abdominal (neste caso, as ondulações ventrais fortalecem a região como também a definem).
- A coluna, que abriga uma legião de nervos da medula espinal, cuja importância no funcionamento fisiológico é de peso ímpar, pois órgãos e glândulas estão a ela ligados, necessita de elasticidade, flexibilidade que a dança favorece.
 
Fonte: WikipédiaPrev: RITMOS ÁRABES/ PENNA, Lucy. Dance e Recrie o Mundo. São Paulo: Ed. Summus, 1997. PORTINARI, Maribel. História da Dança. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1989. 

(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

é assim que te quero! Pablo Neruda

É assim que te quero, amor,
assim,
é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luze sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita de luz e pão e sombra,
eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor,
uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Ψ "Não sou mais infeliz do que os outros..."

Ψ "Eu não tenho desprezo pelo mundo. Expressar desdém pelo mundo é apenas outra forma de cortejá-lo, de ganhar audiência e aplauso.
 Não, eu não sou um pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores!
 Não sou infeliz - ao menos não mais infeliz que os outros."

"Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade...
Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, vivi mais de setenta anos.
Tive o bastante para comer.
Apreciei muitas coisas - a companhia de nha mulher, meus filhos, o pôr-do-sol.
 Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu.  Que mais posso querer?"
(Sigmund Freud - 1856/ 1939)
Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

sem amor não sobrevivemos...

1. Sem amor não poderíamos sobreviver. Os seres humanos são criaturas sociais e sentir-se valorizado é a própria base da vida.
2. Quanto mais respeito sentimos por uma pessoa comum, mais dela nos aproximamos e mais nos predispomos a seguir seus conselhos. Do mesmo modo, quanto mais crédito você der a seu mestre, maior progresso terá nas suas práticas.
3. Se está acima de sua capacidade dar o melhor de si, a situação é uma. Mas se está a seu alcance, você deve fazê-lo.
4. A única coisa que importa é colocar em prática, com sinceridade e seriedade, aquilo em que se acredita.
5. Quer se creia, quer não em uma religião, quer se creia, quer não na reencarnação, não há ninguém que deixe de apreciar a cordialidade e a compaixão.
6. Se nos examinamos a cada dia com atenção e vigilância, interrogando nossos pensamentos, nossas motivações e suas manifestações sobre nosso comportamento exterior, poderá emergir em nós uma real oportunidade de mudança e de aperfeiçoamento pessoal.
7. Minha ignorância, meus apegos, meu desejo, meus ódios! Eis aí, na verdade, meus inimigos.
8. A finalidade de todas as grandes religiões não é se manifestar exteriormente, construindo grandes templos, mas criar templos de bondade e compaixão no interior, em nosso coração.
9. Quando somos capazes de reconhecer e perdoar os atos de ignorância cometidos no passado, nós nos fortificamos e nos colocamos à altura de resolver de maneira construtiva os problemas do presente.
10. Um dos pontos mais relevantes nos relacionamentos humanos é a gentileza. Ela, o am, esse sentimento que é a essência da fraternidade, levam-nos à paz interior e a compaixão.
11. Se nosso espírito não se mantém estável e calmo mesmo quando nossa condição física é satisfatória, não conseguimos tirar dele nenhum prazer. Portanto, o segredo de uma vida desabrochada, agora e no futuro, consiste em desenvolver um espírito feliz.
12. É indispensável demonstrar tolerância e paciência no amor a seus inimigos. Esse é o fundamento da vida espiritual, graças ao qual vivemos para o amor do próximo e para o bem da humanidade.
13. A crença religiosa não é uma garantia de integridade moral. Olhando para a história, vemos que, entre os grandes provocadores – aqueles que distribuíram fartamente violência, brutalidade e destruição –, muitos há que professaram uma fé religiosa, às vezes escancaradamente. A religião pode nos ajudar a estabelecer princípios éticos. Contudo é possível falar de ética e moralidade sem recorrer à religião.
14. Cada uma das ações que projetamos e realizamos e o modo pelo qual decidimos pautar nossa vida – como decidimos vivê-la no quadro das limitações impostas pelas circunstâncias – podem ser percebidos como nossa resposta à grande questão diante da qual todos estamos: “Como posso ser feliz?”
15. Em nossa grande busca de amor, somos mantidos pela esperança. Sabemos, muito embora não o queiramos admitir, que não pode haver nenhuma garantia de uma vida melhor e mais feliz do que a que levamos no dia de hoje.
16. O importante é que as pessoas façam um esforço sincero para desenvolver sua capacidade em matéria de compaixão. O grau que elas poderão realmente alcançar depende de numerosos fatores. Se realmente fazem tudo o que lhes é possível para ser mais cordiais e tornar o mundo um lugar melhor, então, a cada tarde, poderão dizer: “Pelo menos fiz o melhor que pude...”
17. Não podemos vencer a cólera e o ódio simplesmente suprimindo-os. Devemos cultivar empenhadamente seus antídotos: a paciência e a tolerância.
18. A linha divisória entre um desejo – ou um ato – negativo e um positivo não está no fato de ele lhe oferecer imediatamente a sensação de satisfação, mas, sim, no fato de ao final produzir resultados positivos ou negativos.
19. A cobiça está ligada ao fato de que, embora o motivo subjacente seja a busca da satisfação, quer a ironia que, depois de conseguido o objeto de seus desejos, você nunca se sinta satisfeito. O verdadeiro antídoto contra a cobiça é o contentamento. Se você tem disso um senso desenvolvido, pouco importa que você consiga ou não o objeto. Nos dois casos, você estará igualmente satisfeito.
20. Por via do esforço contínuo, poderemos superar todas as formas de condicionamento negativo e provocar mudanças políticas em nossa vida. Mas é ainda necessário percebermos que a verdadeira mudança não ocorre no intervalo de uma noite.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tocando em frente

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder seguir,
...É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada...
(Almir Sater/ Renato Teixeira)