domingo, 15 de agosto de 2010

Ψ QUÍRON , o curador ferido

*Na mitologia QUÍRON é um centauro rejeitado e abandonado pela mãe, foi adotado por Apolo, que lhe ensinou música, poesia, ética, filosofia, artes divinatórias e terapias curativas.
*Conhecido por seus atributos tanto animal quanto divino, identificava-se mais com os humanos, era amigo deles e ensinava-lhes música, a arte da guerra e da caça e da cura.
*Entretanto, ainda não tinha consciência do quanto conheceria e compreenderia os humanos.  
*Amigo de Hércules, o centauro foi, inadvertidamente, atingido por uma flecha envenenada disparada por ele.
*O veneno mágico provocara uma ferida na sua metade animal que, embora não matasse, nunca curava.
*UMA FERIDA QUE, QUANDO TOCADA DOÍA MUITO. 
*QUÍRON aprendeu que precisava proteger aquele lugar.
*Proteger significava cuidar da melhor maneira, PRECISAVA CONHECER BEM AQUELE PONTO DE SENSIBILIDADE.
*Exatamente por isso, ele compreendeu profundamente quem eram os humanos.
*O Centauro ferido percebeu que todos possuem um lugar em seu ser de extrema sensibilidade, uma ferida que nunca fecha.
*Percebeu que isto não acontecia apenas no corpo, estava também na alma.
*Percebeu o medo da dor. E reconheceu que a dor era singular e constituía uma sensibilidade que identificava aquela pessoa.
*QUÍRON representa a ferida que precisa ser curada mas a qual paradoxalmente, não abrimos mão;
*Amaldiçoada e protegida acaba sendo a nossa perdição; 
*Sendo o ferido e o curador acaba por negligenciar a própria dor;
*Por ser curador pressupõe poderes absolutos sobre a vida e a morte;
*A surpresa: quando adoece o curador ferido percebe sua vulnerabilidade, a ferida narcísica fica exposta, ele precisará de ajuda ... 
*a mesma medida de sua humildade em contar e confiar no outro, é parte da cura. 
*Há que se quebrar resistências...
*Por outro lado, o mal curador poderá experimentar do próprio veneno, se menosprezava a dor alheia poderá receber na mesma proporção por caminhos que vá se saber... 
*Não minimize a dor alheia e tampouco menospreze a própria, o preço poderá ser alto;
*A ferida narcísica é peculiar a cada um, a dor que te sufoca pode ser a que me liberta; 
*Se a dor secreta ao ser compartilhada torna-se parte da cura, fica a questão: com quem compartilhar minha dor?
*Na alegria parece tudo mais fácil... E se eu não for compreendido? e se me julgarem?
*Serei exposto enfim... A ferida exposta sangra e sem os cuidados necessários degenera.
*Nesta alquimia, o processo é lento, às vezes solitário, não será fácil a um humano, como não foi a um semideus (que QUÍRON preferiu a morte à dor, lembra?)
*RESIGNAÇÃO/ RENDIÇÃO: Chamo à isso o processo de acatar a própria dor sem culpa, sem projeções (sem culpar outros), aceitação incondicional e então sair em busca de soluções.
 *Lembremos que quatro são os estágios alquímicos da alma: 
.CALCINATIO - fogo, queima as emoções egoicas/ domar o lado animal para que a vontade verdadeira se manifeste/ é o sacrifício voluntário de um desejo até que algo novo surja;
.SOLUTIO - água, purificação, morte e transformação, é uma experiência de rendição. O indivíduo experimenta a fluidez dos limites do ego e perde-se no inconsciente coletivo, une-se com o outro e mata o individualismo.
.COAGULATIO
- Processo de encarnação, materialização o que era potencialidade criativa se transforma em algo prático (envolve dinheiro, nutrição, prazeres);
.SUBLIMATIO - Ideia de alçar voo, envolve a transformação de uma experiência em sentido espiritual. A dor da frustração (calcinatio), dá lugar a um impulso artístico criativo. A poesia um processo artístico que tem a ver com sublimação, nasce das lágrimas e do riso do poeta. Internalizar um objeto exterior numa imagem interior é proprio do processo de sublimação. 


*E A FERIDA NARCÍSICA TERÁ FIM? 
*Não importa quão grave seja a doença, a iminência ou não da cura, pois a ferida mais secreta é o medo, o medo da morte, essa é a dor mais lastimável, é dela que fugimos e é com ela que nos defrontaremos enfim... 
*Perde-se o medo da morte após algumas experiências de confronto com a finitude da vida, ao sairmos ilesos ou levemente "chamuscados", uma nova dimensão se anuncia, já não perdemos tempo com trivialidades, cria-se habilidade para lidar com o essencial. 
*Faz-se algumas escolhas e sem o menor constrangimento, conseguimos dar um chega prá lá em situações e pessoas que vibram em padrões baixos que já não nos acrescentam mais nada.
*Então percebemos que a leveza é fundamental que a flor até existe! Se o caminho for o do silêncio é boa escolha, mas se for outro também está bem, desde que seu coração esteja em paz. 
*Nesta perspectiva, apesar das fatalidades, a liberdade é possível é ela que me permite escolhas (livre arbítrio). 
*Dentre as escolhas possíveis posso FORTALECER a VONTADE, fazer pequenas e sábias escolhas que me levarão a uma melhor qualidade de vida, bem como a sociedade a qual faço parte.
*Quíron revela uma área da vida em que fomos feridos em nosso senso de integridade.
*É uma região de extrema vulnerabilidade, a partir da qual desenvolvemos defesas equivocadas que nos impedem o confronto direto com nossa dor.
*Quíron traz em si a ferida e a cura, pois à medida que vivenciamos nosso sofrimento e desamparo, tornamo-nos mais inteiros e curados, porque mais sábios, mais humanos, quase divinos. 
*É por volta de 49/ 55 anos que algo em nosso íntimo se inquieta: estamos nos movendo para a morte ou nos movendo mais profundamente para a vida que é nossa espiritualidade e essência?
*Para aqueles que têm trabalhado na cura de suas feridas e estão abertos para sua espiritualidade pode ser um período verdadeiramente notável, genuíno e criativo em suas vidas que lhes permite encontrar enfim, seu lugar no mundo.
*Por outro lado, pode ser uma mortal experiência.

Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica - (elaborei o txt pensando em todos nós os "curadores", cuidadores, psicoterapeutas, assistentes sociais, médicos, sacerdotes, pastores, xamãs, guias espirituais, e terapeutas, que atuam em benefício do outro).

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ψ EPIGENÉTICA, os hábitos fazem o monge...


*Há mais coisas entre o seu código genético e o seu destino do que sonhavam os cientistas. Antes, eles achavam que um determinaria o outro em matéria de saúde. Mas um ramo recente da biologia, a EPIGENÉTICA, comprova em detalhes por que o vigor ou os problemas que o futuro lhe reserva não devem ser encarados apenas como mérito ou culpa do que está escrito em seu DNA. 

*Pesquisadores desvendam como a ALIMENTAÇÃO, o ESTRESSE, a PRÁTICA DE EXERCÍCIOS ou o TABAGISMO são capazes de influenciar o comportamento dos genes para o bem e para o mal.

*Para ilustrar essas descobertas, basta recorrer a um estudo recém-concluído na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.


 *Os médicos recrutaram 30 pacientes com câncer de próstata em estágio inicial e os submeteram por três meses a um programa que incluía dieta rica em vegetais e pobre em gorduras, exercícios moderados, técnicas de controle do estresse e participação em grupos de apoio.

 *Logo em seguida veio a constatação por meio de moderníssimos exames de DNA: essas medidas diminuíram a atividade de genes ligados ao surgimento de tumores e aumentaram a ação daqueles envolvidos na capacidade do organismo de enfrentá-los. O que ajudou (e muito) a brecar a evolução do problema.
 
*O que a EPIGENÉTICA faz, em resumo, é enxergar ao pé da letra o resultado dos nossos hábitos no interior de cada célula. Ali dentro esteja ela no cérebro ou no pé existe a receita completa de um indivíduo. Essa fórmula única é o seu material genético, o DNA.

*O que pode variar é a leitura dessa receita algumas células lêem os trechos que determinam como devem funcionar os neurônios e atuam como tal; outras decifram a parte necessária para executar as funções de uma célula de pele.  E assim por diante.

*Na receita também existem genes ligados a doenças e genes relacionados à capacidade de resistir aos males. Se são ou se não são lidos direito é o que determina quando as células de um órgão funcionarão bem ou serão um estorvo, dando origem a um câncer.

 *Agora os cientistas notam que existem fenômenos bioquímicos batizados de epigenéticos e intimamente associados aos hábitos.

 *Eles não chegam a alterar a seqüência do DNA, esclarece a biomédica Miriam Jasiulionis, da Universidade Federal de São Paulo. No entanto, o jeito como você vive pode, sim, destacar determinadas linhas, aumentando as chances de que se expressem. Ou fazer o contrário.

 *Os pesquisadores vasculham como a má alimentação ou o tabagismo metem o bedelho nos pedacinhos do DNA, reforçando a ameaça de doenças para as quais já temos tendência. 

*A boa notícia é que, em tese, dá para reparar os prejuízos de uma vida desregrada.

*Os mecanismos epigenéticos são reversíveis, conta a farmacêutica Cláudia Rainho, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu, no interior de São Paulo: Ou seja, se você adotar um estilo de vida mais saudável, será bem possível que alguns trechos nada agradáveis do seu DNA caiam no esquecimento.
 
*MUDANÇAS: Afinal, como uma mudança de hábito é capaz de se intrometer na atividade de um gene? A resposta é pura química. Diversas moléculas, resultantes do próprio trabalho do corpo e do que a gente come, por exemplo, são capazes de grudar em uma porção do código genético. 

*Entre essas figuras, destaca-se de longe o metil. Ele seria comparável a uma espécie de chave que consegue ligar ou desligar um gene, num fenômeno conhecido como metilação do DNA.

*Cerca de 60% dos nossos genes são passíveis de mecanismos assim, isto é, podem ser acionados ou inativados pelo metil, calcula Giseli Klassen, professora de patologia da Universidade Federal do Paraná.

*Para aplacar sua ansiedade: algumas peças-chave da célebre vida saudável, como o reles costume de comer brócolis ou cereais, incrementa a produção do bendito metil.


*A dúvida cruel é por que, se você come a porção de brócolis, por exemplo, as reações podem afetar positivamente um naco do DNA do seu fígado e, ao mesmo tempo, não se envolver com o mesmíssimo pedaço de DNA lá na cabeça.

*Assim como esses mecanismos podem se diferenciar de órgão para órgão, como se tivessem poder de decisão próprio, eles variam de pessoa para pessoa.


 *Até que ponto, então, o aparecimento de uma doença é resultado da receita que a gente carrega de berço ou de fenômenos bioquímicos disparados pelos hábitos? 

*Não sabemos ainda, responde Rafael Linden, professor do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas é certo que ambos entram no jogo. E que as refeições podem ser grandes ou péssimas fornecedoras de chaves para mexer com genes destrambelhados.

*COMO FUNCIONA: Algumas substâncias encontradas nos alimentos transferem os compostos metil para o DNA, controlando a expressão de um gene, afirma a bióloga Lusânia Antunes, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.


 *Ao se incorporar num gene que favoreça o surgimento de um tumor, é como se esse metil o rendesse e o mantivesse caladinho.

*Mas há perguntas no ar: será que, da mesma forma que ele silencia um gene do mal, poderia calar um gene benéfico, responsável por uma função interessante à célula?

*Em suma, será que o metil sempre escolhe o alvo certo? Apesar de questionamentos assim, já se presume que alguns nutrientes contribuam de maneira favorável.

*Pesquisadores suspeitam de que a PRÁTICA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS também ajude a deixar os genes em forma, por assim dizer.


 *É como se eles sentissem o resultado de aulas de musculação, corridas ou passeios de bicicleta frequentes.

* Na contramão, surgem provas de que os hábitos nocivos enlouquecem a maquinaria do DNA. 

*O cigarro e o excesso de álcool estão associados a alterações epigenéticas indesejáveis, conta Miriam Jasiulionis.

*Além disso, já se sabe que a fumaceira não só mexe com o comportamento dos genes mas também provoca mutações neles no caso, defeitos que ficam para sempre. Não é por acaso que os tabagistas têm mais câncer.

*A doença mais investigada pela epigenética, claro, é o câncer. As células normais e as tumorais apresentam um padrão de genes ativados e desativados diferente entre si, explica a bióloga Anamaria Camargo, do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer.


 *Os genes que controlam a proliferação celular geralmente ficam desativados nos exemplares doentes, conta a oncologista Mariângela Corrêa, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

 *E, enquanto estão impedidos de trabalhar, outros que fazem exatamente o oposto, ou seja, incentivam a desordem e deveriam ficar inertes os oncogenes estão ativados.


*Nas células saudáveis, vê-se o contrário: os genes supressores, que regulam a multiplicação, estão ativos, e os oncogenes, desligados.


*Para que todas as células continuem assim, firmes e fortes, a melhor estratégia é investir no estilo de vida é o que têm provado os primeiros estudos com seres humanos.

*HÁBITOS: E não pense que as medidas saudáveis, incluindo desde um cardápio balanceado até uma rotina com menos estresse, limitam-se ao seu exclusivo bem-estar. 


*Surgem indícios cada vez mais contundentes de que a maneira como você leva a vida seria transmitida para os genes dos seus filhos.

*Uma questão muito debatida é quanto se transmite dessa herança, conta Lygia Pereira, professora de genética humana da Universidade de São Paulo.

*Mas como isso aconteceria? Bem, nesse aspecto, mistérios ainda pairam. Até porque na fecundação, quando há a união do espermatozóide e do óvulo, uma cópia do DNA da mãe se acopla à do pai e, em meio a esse casamento, quase todo o material genético perde aquelas chaves, as metilações, que ligavam e desligavam os genes. Formam-se novas metilações durante o desenvolvimento do embrião, diz Cláudia Rainho.

*No entanto, uma pequena parcela dos genes herdados não sofre essa queima de arquivo e, assim, carrega totalmente a sua herança. 

*Deduz-se, assim, que quem viveu longe de cigarros e outras drogas, apostou na malhação e não se esqueceu de frutas e verduras no prato, entre outros ingredientes saudáveis, irá presentear seus filhos com uma bagagem genética de primeira, menos predisposta a doenças.

*Já quem não se cuidou pode transmitir não só as alterações epigenéticas indesejáveis como também mutações aqueles defeitos permanentes ao embrião. 


*E estas são indiscutivelmente mais herdadas, diz a biomédica brasileira Mariana Brait, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

*Ou seja, O MODO COMO VOCÊ VIVE HOJE FAZ TODA A DIFERENÇA PARA O FUTURO DO SEU CORPO E PROVAVELMENTE PARA O DE SEUS DESCENDENTES TAMBÉM.
Fonte: Revista Saúde é Vital Edição: Allisson Bacelar 23.09.08
Ψ  Fatima Vieira - Psicóloga Clínica

sexta-feira, 25 de junho de 2010

com o tempo perdi o jeito de ser gente...

Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço.
Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança.

Mas eu, eu não me perdôo. Se eu tivesse feito o milagre de nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho! (Clarice Lispector)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ψ PSICONEUROIMUNOLOGIA 2


Ψ NA ATIVIDADE CEREBRAL - O Sistema Imunológico afeta o cérebro e a conduta, sobretudo devido aos efeitos imunes das citocinas no Sistema Nervoso Central (Ransohoff).
Ainda que as citocinas sejam moléculas relativamente grandes, particularmente a chamada Interleucina-1 (IL-1), elas podem cruzar a barreira hemato-encefálica.
 Essa IL-1 também é produzida no cérebro, não só pela microglia, que são os macrófagos residentes no Sistema Nervoso Central, senão também pelos astrócitos. A IL-1 periférica pode afetar o cérebro, incluindo a produção de citocinas através do estimulo de fibras aferentes de nervo vago.
 - Existem receptores de citocinas no cérebro, incluindo para a IL-1, IL-8 e Interferon, ambos nas células gliais e nos neurônios. As citocinas têm importante papel no desenvolvimento e regeneração dos oligodendrócitos na produção de mielina. As citocinas também são ligadas ao desenvolvimento da esclerose, dos gliomas, das demências associadas ao HIV, das lesões no cérebro e, provavelmente, da *doença de Alzheimer.
- As citocinas pró-inflamatórias, particularmente IL-1 e o Fator de Necrose Tumoral (FNT) são responsáveis pela ocorrência da febre, do sono, da anorexia e da fatiga na doença. Daí, talvez, a grande prostração que pacientes dessas doenças experimentam.
- O uso terapêutico de citocinas, particularmente do Interferon, pode produzir sintomas psiquiátricos, tais como psicopatias e estados alterados de ânimo, tipo afetivo ou ansioso. O estado de ânimo depressivo, com desesperança e desamparo é associado ao declive rápido de e Células T-CD4. As relações entre o cérebro e a conduta se ilustram bem pela investigação substancial da influência de fatores psicossociais no curso da *AIDS (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida).


NO ESTRESSE
- Os experimentos relacionando imunidade e estresse em animais foram, sem dúvida, a porta de entrada para a Psiconeuroimunologia. Eles datam da década de 1930 e foram iniciados pelo canadense Hans Selye. Esse tema de investigação científica dispõe, portanto, de uma muito extensa bibliografia.

- Tipo de estresse, duração e intensidade do estímulo aversivo, administração de antígenos, etc, são todos temas muito relevantes para a Psiconeuroimunologia.
- O fato de o apoio social ser um importantíssimo modificador dos efeitos deletérios do estresse em experiências com primatas pode sugerir a importância do apoio ambiental na saúde da pessoa estressada. Quando o tipo de resposta do indivíduo ao estresse se caracteriza por uma postura de derrota e pessimismo, o Sistema Imunológico corre sérios riscos.
- O estresse agudo em humanos, cuja fisiologia é semelhante às reações de luta que se vê no reino animal, geralmente aumenta o numero e a atividade das Células NK. Porém isso só ocorre numa primeira fase dessa atitude de defesa (Coe, 1987 e Nallibof, 1991).
- O estresse da vida cotidiana, principalmente nas situações mais exaustivas, tensas e crônicas, pode afetar uma série elementos imunológicos. Entre essas alterações estão as funções de Células T, a atividade de Células NK, a resposta de anticorpos, a função dos macrófagos, a reativação de vírus latentes (como o Herpes Simples), com severas implicações na saúde global da pessoa (Glaser). As relações entre o estresse e infecções são bastante antigas e, inúmeras vezes, constatados por trabalhos experimentais, alguns bastante rigorosos (Friedmam).
- Segundo Cohem (1991), existe uma grande variedade de vírus intranasais capazes de desenvolver alterações imunológicas, tanto através da produção de anticorpos, quanto de infecções, como uma forma de resposta aos aumentos no grau de tensão psicológica. Cada vez mais trabalhos científicos confirmam efeitos danosos do estresse sobre infecções virais e bacterianas.
- Também os hormônios respondem ao estresse, incluindo a adrenalina, os corticoesteróides e as catecolaminas. Esses hormônios têm variadíssimos efeitos na regulação da resposta imune (Buckingham). Em níveis anormais, altos ou baixos, os hormônios afetam a imunidade.
- A atividade intergrada entre o Hipotálamo, a Hipófise e as glândulas Suprarenais, conhecido por Eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarenal, é ativado por eventos psicológicos, regulando assim a secreção de hormônios produzidos na Hipófise e destinados às Suprarenais, como é o caso da corticotrofina (CRF) e do hormônio adrenocorticotrofico (ACTH). Esses, por sua vez, terão efeitos diretos na imunidade.
- O hormônio do crescimento, também estimulado por eventos psíquicos, pode aumentar as funções dos Linfócitos T e NK em animais de experiência. Os hormônios sexuais também afetam a imunidade. A atividade da Célula NK é mais alta na fase lútea de ciclo menstrual e é também estimulada pelos hormônios da tireóide.
- A Psiconeuroimunologia está, assim, se desenvolvendo a passos largos, colaborando fortemente para apagar o incômodo dualismo ainda presente na medicina, o qual separa hermeticamente a mente do corpo.
- A Psiconeuroimunologia contribui para que os pacientes possam compreender que seu corpo é uma somatória integrada e indissolúvel do mental com o orgânico, influenciado significativamente pela experiência de vida e por sua própria sensibilidade. Finalmente, a Psiconeuroimunologia não só deve contribuir solidamente para a compreensão da fisiopatologia médica como da visão holística da medicina.

 Fonte: Ballone GJ, Psiconeuroimunologia, in. PsiqWeb, Internet, 2001, disponível em http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomática/psiconeuroimunologia.html
George F. Solomon - Psiconeuroinmunología: sinopsis de su historia, evidencia y consecuencias - 2001, (Psychoneuroimmunology: synopsis of its history, classes of evidence and their implications), disponível em http://www.psiquiatria.com/interpsiquis2001/2713
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

Ψ PSICONEUROIMUNOLOGIA 1

                  
Ψ Psiconeuroimunologia é o estudo das interações entre o comportamento, o cérebro, o sistema endócrino e o sistema imunológico.
Atende a tendência da ciência atual, que preconiza a integração entre a Medicina e as Ciências Humanas. A interdisciplinariedade, na compreensão da etiologia e no tratamento de diversas doenças, veio fortificar a concepção holística do ser humano.
A doença já passa a ser entendida como resultado do colapso das defesas do indivíduo, diante do processo de stress agudo ou contínuo. Já não se fala mais, meramente, na doença, mas no homem que adoeceu. A enfermidade não é mais um acontecimento físico-químico, nem somente biológico, antes de tudo, torna-se um acontecimento pessoal. Fatores psicossociais estressantes, as expectativas sociais da vida urbana, tais como as demandas da vida: sentimento de perda, luto, a angústia o desmoronamento dos projetos de vida, influem na saúde do indivíduo.
A sabedoria antiga desde Aristóteles já tinha forte convicção da integração mente corpo, ou seja, "psique" (alma) e corpo reagem complementariamente um ao outro. Uma mudança no estado da psique produz uma mudança na estrutura de corpo, assim como uma mudança na estrutura de corpo produz uma mudança na estrutura da psique.  
- Solomom, Levine, e Kraft demonstraram que nos primeiros anos de vida da criança o estresse poderia afetar a futura resposta dos anticorpos na vida adulta.
- Nos anos de 1960, algumas observações psicossomáticas foram feitas em relação às alterações emocionais que surgiam no início e durante o curso das doenças autoimunes, principalmente em relação à Artrite Reumatóide, ao Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e ao mal de Graves, (que é um tipo tireoidite), entre outras patologias. Tentava-se, avaliar a força dos elementos emocionais no desenvolvimento de algumas doenças.

 - Uma das observações mais intrigantes, talvez tenha sido o fato dos parentes saudáveis de pacientes com *Artrite Reumatóide também apresentarem uma sorologia característica de anticorpo dessa doença (o fator reumatóide ou Anti-imunoglobulina G), mas, apesar disso e por possuírem capacidade superior de adaptação psicológica à vida, esses parentes não apresentavam a doença.
- Esse fato sugere que o bem-estar psicológico pode ter uma influência protetora, até mesmo contra uma predisposição genética (Solomon, 1964).
- Em 1985 sai o primeiro trabalho sobre o hipotálamo e a evidência direta da modulação neurológica da imunidade (Guillemim).
- Os neurônios do hipotálamo disparam de maneira seqüencial depois da administração de um antígeno (corpo estranho) ao organismo. E o eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarenal se ativa por esse antígeno e por toxinas elaboradas por células pró-inflamatórias (cito-toxinas), num estado semelhante ao estresse.

 - Também se sabe que órgãos imunes, como é o timo, o baço e a medula óssea, recebem inervação do Sistema Nervoso Autônomo, mais precisamente, de sua porção simpática, havendo sinapses nas uniões entre os terminais nervosos simpáticos e as células imunológicas. Portanto, a imunidade se regula cerebralmente, havendo maior influência do córtex cerebral esquerdo na maturação e na função de Linfócitos T, as células imunológicas por excelência.
- Algumas alterações emocionais podem surgir no início e durante o curso de muitas doenças autoimunes. Essas alterações podem incluir forte tensão, sentimentos de insegurança, retraimento social, dificuldade para expressar sentimentos e sensibilidade afetiva muito aumentada.

 - Psicologicamente, pode haver perda da adaptação ou, melhor dizendo, perda da habilidade para atitudes que antes eram eficazes na adaptação. Solomon (1981) estudou essas alterações particularmente na Artrite Reumatóide, uma doença autoimune. Essas alterações emocionais também já tinham sido observadas em relação a outras doenças auto-imunes, como no Lúpus Eritematoso Sistêmico, por exemplo (Fessel).
- Com respeito às alergias, alguns trabalhos da década de 1990 têm constatado que o estresse, a ansiedade e a depressão, retardam significativamente a atividade dos Linfócitos T, proporcionando hipersensibilidades, dermatites e asma (Paciant, Gil, Djuric).


 *QUANTO AO CÂNCER A psiconeuroimunologia do câncer tem sido uma área continuadamente estudada, sempre procurando esclarecer as relações entre as emoções e a vulnerabilidade à essa doença, bem como à ocorrência e agravamento das metástases.
- A agressividade e malignidade entre tipos diversos de câncer é variável, conseqüentemente, varia também a habilidade de Sistema Imunológico em resistir a determinados tipos específicos desses cânceres (Lewis).

 - A imunoterapia está ganhando atenção, particularmente para o tratamento de melanomas, linfomas e câncer da mama.
 - As "toxinas de Cooley" tinham pouca eficácia antes de advento da quimioterapia, agora já são conhecidas como poderosos estimulantes imunológicos.
- O Sistema Imunológico é o responsável pela vigilância do organismo contra a proliferação de células cancerígenas. Algumas células do Sistema Imunológico são destinadas a destruir essas células anômalas que poderiam transformar-se em câncer e que nosso organismo, em seu estado natural, está sujeito à produzir esporadicamente. Entre essas células vigilantes estão as Células NK (Natural Killer).

 - Muitos estudos experimentais e clínicos em humanos e em animais têm mostrado que as Células NK, importantíssimas na vigilância contra as células neoplásicas e na prevenção de metástases de câncer, podem ser sensíveis à influência de fatores estressores e psicossociais.
- Constata-se, cada vez mais, que o estresse pode aumentar substancialmente a extensão e a probabilidade de metástases em câncer de mama em ratas devido à supressão da função das Células NK (Ben-Eliyahu).

 - Um estudo de intervenção psicoterapêutica em pacientes com câncer de pele (melanoma) foi realizado por Fawsy (1993). Comparou-se um grupo pacientes com melanoma maligno e que participaram de um grupo de atenção psiquiátrica durante seis meses, com um grupo controle, composto de pacientes portadores da mesma doença mas sem acompanhamento psicoterápico.
- **Os pacientes com melanoma maligno e participantes do grupo psiquiátrico, mostraram menos dor e maior atividade das Células NK que o grupo controle, de pacientes com esse mesmo quadro mas não participantes do programa de atenção psicoterapêutica. Os pacientes do programa de atenção psicoterapêutica mostraram ainda menos recorrência e metástases, além de uma sobrevida maior que seis anos.


 * IMUNIDADE E DOENÇA MENTAL:  As diferenças individuais no comportamento, nos estilos pessoais de enfrentamento dos conflitos, nos traços de personalidade e psicológicos podem acompanhar diferentes características imunológicas. Amkraut, em 1972, percebeu que ratos dotados de maior comportamento de luta espontânea mostravam maior resistência imunológica à indução de vírus tumorais. Kamen-Siegel constatou em idosos que um estilo pessimista em relação à vida se correlacionava com baixa imunidade.
- De um modo geral, as anormalidades imunológicas que ocorrem junto com transtornos psicoemocionais devem ser dividido em dois grupos; aquelas associadas às desordens afetivas e aquelas associadas à esquizofrenia.

- No caso das desordens afetivas (depressão) a baixa imunidade apareceria como consequência e na Esquizofrenia como comorbidade. De qualquer forma, a constatação da contribuição de processos imunológicos em doenças mentais e vice-versa é muito problemática. Desde a década de 80 tem-se documentado muito bem alguns elementos importantes entre funções imunológicas e depressão (Miller).
Em casos de estados depressivos mais graves, a função dos Linfócitos T declina de uma forma idade-dependente. Isso significa que pessoas jovens e com testes psicológicos sugestivos de depressão não tiveram déficit no funcionamento de células T mas, pessoas mais velhas e com os mesmo resultados nesses testes para depressão, sofrem diminuição significativa da imunidade (idade-dependente).
- A reativação de vírus latentes também pode ocorrer na depressão. Essas experiências forma mais comumente constatadas com o vírus do Herpes Simples.

 - *A depressão não é associada apenas à diminuição ou supressão da imunidade, mas também com sinais de ativação alterada do Sistema Imunológico. Essas alterações são o que ocorre nas doenças chamadas Autoimunes.
- Também se constata que os tratamentos efetivos para a depressão costumam ser acompanhados, gradualmente, do retorno da normalidade imunológica.
Fonte: Ballone J. Psiconeuroimunologia, in. PsiqWeb, Internet, 2001, disponível em http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomática/psiconeuroimunologia.html
George F. Solomon - Psiconeuroinmunología: sinopsis de su historia, evidencia y consecuencias - 2001, (Psychoneuroimmunology: synopsis of its history, classes of evidence and their implications), disponível em http://www.psiquiatria.com/interpsiquis2001/

(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

sábado, 22 de maio de 2010

ΨTRANSTORNOS ALIMENTARES 3


*TRATAMENTO OBESIDADE: Admite-se que a porcentagem de gordura corporal deve situar-se entre 15 e 18% para o sexo masculino e entre 20 e 25% para o sexo feminino. Podem ser considerados obesos os homens com percentual superior a 25% e as mulheres com mais de 30%.

- Considerar os fatores psicológicos envolvidos na obesidade é importante, tanto para se pensar sobre suas causas, quanto em seu tratamento. A hiperalimentação pode refletir um distúrbio ansioso, um distúrbio afetivo, um transtorno alimentar (do tipo compulsão alimentar) e mesmo um desarranjo na dinâmica familiar.

- Não é raro constatar mães (ou pais) que super alimentam seus filhos, talvez como uma espécie de compensação para outras emoções; seja de culpa, seja por frustrações passadas, seja como manifestação distorcida de amor...

- A hiperfagia (excesso de fome) pode ser uma resposta a situações de estresse, pode ainda servir para compensar dificuldades na interação social, nos conflitos sexuais e nas relações interpessoais.

- As pessoas magras normalmente pensam na comida , quase só quando sentem fome. As obesas, por outro lado, costumam pensar em comida o tempo todo e se sentem estimuladAs à comer nas mais variadas circunstâncias, no horário das refeições, num shopping center, ao sentirem cheiro de comida ...

- Todo paciente obeso deve, antes de iniciar qualquer tratamento sério, passar por um exame clínico completo, eventualmente complementado por alguns exames laboratoriais, para que possa se assegurar de não ser portador de doenças que se acompanhem de obesidade, como é o caso, por exemplo, do hipotireoidismo.

- O tratamento da obesidade simples, por sua vez, de baseia no tripé dieta, exercício físico e estabilidade emocional.

- Quando está envolvida uma razão emocional para a obesidade, podemos estar diante de um círculo vicioso: ansiedade (ou depressão), comer demais, obesidade, mais ansiedade (ou depressão), voltar a comer demais... e assim por diante.

- Por outro lado, uma das atitudes mais incorretas em relação à obesidade é, de um dia para o outro, cortar tudo e passar à dieta zero.
- Considerando que a grande maioria dos obesos são consequências da persistência de erros alimentares, é importante um diagnóstico nutricional e uma orientação dietética profissional, com o objetivo de mostrar o valor calórico de cada alimento e elaborar um cardápio adaptado à vida e rotina da pessoa.

- Segundo Mary Lane Almeida, para o tratamento da obesidade infantil, algumas orientações para os pais:
1. Não proibir alimentos, apenas determinar a porção a ser servida;
2. Estabelecer horários;
3. Ensinar a comer devagar e mastigar os alimentos;
4. Não fazer refeições assistindo televisão;
5. Diminuir gradativamente a quantidade de alimentos;
6. Não proibir sanduíches, desde que elaborados com alimentos pobres em gorduras;
7. Mude o hábito alimentar familiar se preciso;
8. Estimule atividade física regular;
9. Consulte um especialista na área ao menor sinal de perda de controle alimentar.

- Andrea Karla de Lima Alves, elabora a seguinte lista:
1. Cortar calorias nas refeições: os pais não devem superalimentar seus filhos à mesa. Se o cardápio é sempre muito calórico, talvez seja hora de repensar os hábitos alimentares da família em benefício da criança. Estudos comprovaram que os hábitos alimentares dos pais contribuem para o desenvolvimento da obesidade em crianças em idade escolar.
2. Limitar os lanchinhos: os pais não devem forçar seus filhos a comerem frutas e vegetais, ao invés disso, eles devem limitar a oferta de "guloseimas". A criança dificilmente aceitará frutas ao ter biscoitos e outras massas ao seu alcance.
3. Limitar Fast-foods: os pais devem reduzir gradativamente as saídas para lanchonetes;
4. Introduzir atividades físicas: a atividade física é indispensável para a criança queimar calorias reduzindo seu excesso de gordura.
5. Redução do tempo de TV: Estudos têm mostrado a relação direta entre assistir TV e a obesidade infantil.

DIETAS E EXERCÍCIOS
- Nenhuma proposta de tratamento pode ser considerado inválido se não incluir um plano nutricional individualizado, com vistas à diminuição na ingestão calórica. Trata-se de uma especialização dos profissionais nutricionistas.
- A maior dificuldade de tratamento está na indisposição e desinteresse das pessoas, tanto em relação à dieta, quanto aos exercícios. A maioria acredita que existem "remedinhos" milagrosos que fazem perder o peso. Aliás elas sempre lembram alguma amiga que consultou um determinado médico, o qual receitou uma certa fórmula e, plim-plim, sua amiga emagreceu 12 quilos.
- Algumas mulheres insistem em dizer que "não comem quase nada", apesar de obesas. Quando falamos nos exercícios, se apressam a dizer que não têm tempo e que a lida doméstica já é um "exercício e tanto". Gostam de fazer parecer ao médico que seu caso é, realmente, uma coisa misteriosa, um desafio à medicina. Aí, então, vem a frase final: "- Ah doutor, se eu não tiver algum remédio para ajudar, sei que não vou conseguir emagrecer."

TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
- O grande problema da psiquiatria é em relação ao que se espera dela. Uma coisa é verdadeira; o tratamento psiquiátrico, como qualquer outra área da medicina, é tão mais eficiente quanto mais clara é a doença a ser tratada. Isso quer dizer que o sucesso é proporcional à doença, ou seja; havendo doença a psiquiatria é eficiente, tanto na cura como no controle, não havendo doença a ser tratada, não acontece nada.

- Se a obesidade é resultado de anos seguidos de erro alimentar, de falta de vontade para uma dieta equilibrada, de falta de exercícios e vida sedentária, não se pode esperar muito da psiquiatria;

Por outro lado, se há diagnóstico de Transtorno Alimentar, seja Bulimia, Compulsão Alimentar, já se pode esperar uma atuação psiquiátrica melhor.

- No estresse, por exemplo, algumas pessoas desenvolvem um quadro de hiperfagia (comem demais). Trata-se de uma tentativa do organismo em compensar a necessidade aumentada de glicose, na ansiedade generalizada, além de ser possível que as pessoas tenham as crises de comer doces, outras vezes elas podem ter crises de comer qualquer coisa que faça volume. Chegam até a levantar à noite para limparem a geladeira. Isso pode ser um quadro de Transtorno Alimentar Noturno.

- Atualmente acha-se em estudo uma outra categoria comum de Transtorno Alimentar; o Transtorno do Comer Compulsivo ("binge-eating disorder"), na qual os pacientes apresentam episódios de voracidade fágica. As pessoas com este transtorno apresentam frequentes crises, durante as quais sentem que não podem parar de comer. Comem depressa, às vezes às escondidas.

ANOREXÍGENOS
- O fármaco ideal para tratamento da obesidade é ainda hipotético; trata-se de um medicamento capaz de emagrecer, sem privar os prazeres da mesa e nem alterar os hábitos alimentares. Esta droga ideal seria inócua e isenta de efeitos colaterais mesmo em longo prazo.. Infelizmente, até hoje isso não existe.

- Muitos trabalhos científicos publicados (Gastro News) documentam que os métodos não-cirúrgicos, isoladamente, não têm sido efetivos em obter uma perda de peso a longo prazo em adultos gravemente obesos.


Entretanto, o uso de medicamentos que inibem o apetite, chamados de anorexígenos, foi preconizado recentemente como tratamento a longo prazo dessa doença crônica. Sobre outras drogas anorexígenas, como é o caso da dietilpropiona, a associação com transtornos cardíacos não é documentada.

- Um dos agravantes para o insucesso dos tratamentos não-cirúrgicos da obesidade grave tem sido a alta taxa de desistência. Um terço dos pacientes desistem precocemente e a perda de peso final costuma ficar, acanhadamente, na média de apenas 1,5 kg.

- As anfetaminas representam o principal grupo das substâncias que inibem a fome. Sintetizadas pela primeira vez em 1887, as anfetaminas são drogas consideradas estimulantes, ou seja, estimulam ou aceleram o funcionamento do cérebro e do sistema nervoso central.
- De acordo com suas características farmacológicas, além de inibidoras de apetite, em doses altas as anfetaminas podem provocar um estado de grande excitação e sensação de poder. Seu uso ilícito se dá sob os nomes populares de bolinha, bola, rebite, etc.

O controle da comercialização das anfetaminas começa na década de 1970, quando elas passam a ser consideradas drogas psicotrópicas, sendo portanto ilegal seu uso sem acompanhamento médico adequado.

- As anfetaminas provocam dependência, podendo acarretar tolerância, que é quando há necessidade de aumentar-se a dose para se obter o mesmo efeito. Sua interrupção brusca pode causar a síndrome de abstinência, com grande mal-estar, tontura, irritabilidade, ansiedade aguda e outros sintomas do Sistema Nervoso Autônomo. Portanto, é imperioso o acompanhamento médico para os tratamentos que envolvem as anfetaminas.

- No mercado farmacêutico os nomes comerciais das anfetaminas são:
Dietilpropiona ou AnfepramonaDualid, Inibex, Hipofagin, Moderine
Femproporex
Lipomax, Desobesi
Mazindol
Dasten, Absten, Moderamin, Fagolipo, Inobesin, Lipese
- Os fabricantes desses produtos costumam acrescentar nas bulas que se trata de medicação adjuvante das dietas hipocalóricas, durante o tratamento de obesidade. Alguns até alertam para que a utilização desta classe de drogas deverá ser por tempo limitado a 4 semanas, somente para auxiliar a adesão à dieta hipocalórica e que o benefício que substâncias desta classe podem oferecer deve ser considerado à luz da relação custo-benefício.

- Não obstante, em doses adequadas e tomando-se o cuidado de uma supervisão médica continuada, além do uso concomitante de outros psicotrópicos compensadores dos efeitos colaterais, o tempo de tratamento pode ser bastante mais elástico. Para obesidade mórbida, entretanto, seu uso está sendo cada vez mais abandonado.

- A Dietilpropiona (Anfepramona) é o derivado anfetamínico mais utilizado no Brasil. Apesar da Anfepramona ser um anorexígeno potente, apresenta poucos efeitos colaterais.
- A Anfepramona age como neurotransmissor da noradrenalina, sendo o mais potente anorético. Seu local de ação predominante é nos núcleos hipotalâmicos laterais inibindo a fome. Porém, a Anfepramona tem um importante potencial de dependência, quando usado inadvertidamente e em doses altas.

- Outra anfetamina é o Femproporex, o qual também parece ser bem tolerado. É um anorexígeno de ação semelhante a Dietilpropiona, agindo como inibidor do centro da fome hipotalâmico, tendo a noradrenalina como neurotransmissor.

- No Brasil usa-se também o Mazindol, um derivado da imidazolina que se assemelha farmacologicamente aos antidepressivos pelo fato de bloquear a recaptação da noradrenalina e da dopamina.

MEDICAMENTO SEROTONINÉRGICO

- A serotonina é uma substância formada a partir da hidroxilação e descarboxilação do aminoácido triptofano que se distribui amplamente nos reinos vegetal e animal. Existem no hipotálamo ventro-medial receptores para serotonina relacionados com a indução da diminuição da ingestão alimentar. Os medicamentos a base de Dexfenfluramina foram retirados do mercado pela possibilidade de provocarem lesões de válvulas cardíacas.

Fluoxetina: A Fluoxetina é um antidepressivo com propriedades anoréticas. Inibe a recaptação de serotonina nas terminações sinápticas.

- Atualmente, muitos casos de obesidade podem ser abordados como um fenômeno psicossomático. A obesidade considerada "reativa" é aquela com etiologia emocional e, normalmente, se caracteriza como fenômeno "io-io" ou "sanfona", tendo em vista seu aspecto cíclico de emagrecimento-gordura.

- Inerente a este tipo de obesidade, reativa e cíclica, têm sido encontrado casos de depressão e ansiedade - Utilizando-se da escalas de Hamilton para depressão e para ansiedade, Resch et al (10) estudaram 29 obesos. A prevalência de transtornos por gula ou compulsão para comer foi de 57% e de bulimia nervosa foi de apenas 3%. O tratamento de todos foi com fluoxetina, um antidepressivo inibidor seletivo da recaptação de serotonina, associado à Terapia Cognitivo Comportamental. Os resultados foram bons.

Sibutramina: A Sibutramina tem tanto uma ação serotoninérgica, inibindo a recaptação da serotonina, como também um efeito catecolaminérgio. Aumentando a serotonina a Sibutramina aumenta a sensação da saciedade, agindo também sobre a compulsão alimentar, enquanto que, aumentando outras catecolaminas, promove um efeito inibidor na sensação de fome.  No Brasil a Sibutramina tem os nome comerciais de Reductil e Plenty. 

 (Qualquer medicamento só utilizar sob prescrição médica!) 
(Fonte: Ballone GJ - Tratamento Psiquiátrico da Obesidade, in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005.)

(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)

domingo, 16 de maio de 2010

Ψ DISTÚRBIOS PSICOSSOMÁTICOS 3

Ψ ENTENDENDO A CEFALÉIA
abordagem COGNITIVO COMPORTAMENTAL

- É reconhecida a necessidade de que o tratamento da dor crônica envolva profissionais de várias áreas. Esse reconhecimento da multidimensionalidade da dor crônica fez surgir, a partir dos anos 50s,
Centros Multidisciplinares, para o tratamento da dor crônica. Esses centros são cada dia mais frequentes em muitos países.
- O sucesso terapêutico requer esforço multidisciplinar, englobando várias áreas do conhecimento humano, que incluem a neurologia, a psicologia, a psiquiatria, a anestesiologia, a fisiatria, além da enfermagem.
- A abordagem Cognitivo-Comportamental tem sido cada vez mais utilizada para o tratamento da cefaléia persistente e outras dores crônicas, por considerar, as relações entre indivíduo e ambiente, procura articular o mundo interno do doente (cognições, pensamentos sentimentos e emoções) aos aspectos cognitivos afetivos e comportamentais do indivíduo, e seu mundo externo (comportamento individual e sociedade, resposta ambiental).
- Para isso busca instrumentalizar o doente para uma convivência com a dor menos penosa, além de fornecer toda a informação sobre o que é a doença, os fatores desencadeantes, as dores consequentes e o uso de medicamentos preventivos. Dor de cabeça ou cefaléia, é definida como sensação dolorosa na cabeça, pescoço e face. Existem mais de 150 tipos e podem ser primárias (causadas por distúrbios bioquímicos no cérebro que levam ao mau funcionamento dos neurotransmissores e/ ou receptores como a enxaqueca) ou secundárias (causada por problemas em qualquer região do corpo, podendo ter inúmeras causas). As cefaléias primárias são elas próprias o sintoma e a doença do indivíduo. As cefaléias quando crônicas (que duram meses ou anos) tornam-se profundamente problemáticas ou incapacitantes, transformando em grande sofrimento a vida dos indivíduos. A cefaléia crônica é, um grande desafio para os profissionais que buscam ajudar os indivíduos que se encontram nessa condição álgica. Apesar de existir várias formas de tratamento, nem um deles isolado pode resolver todos os tipos de dor. Por isso, na abordagem do doente de dor crônica, é muito freqüente se associar vários tipos de tratamentos paralelos. Essa associação deve ser planejada entre os vários profissionais de saúde envolvidos.
- Através da Psicoterapia Cognitivo Comportamental, o doente é levado a analisar a ligação entre pensamento, emoção, comportamentos e fatores ambientais, que contribuem, tanto para o surgimento, quanto para a perpetuação dos sintomas da doença. Procura-se estimular a aderência ao tratamento, substituir comportamentos que possam desencadear crises de cefaléias por aqueles que possam preveni-las e diminuir a percepção da dor.
- É importante instrumentalizar o paciente para que os desencadeantes e consequentes ambientais, alimentares e emocionais sejam controlados pelo mesmo. Busca-se, desta forma, que o indivíduo que sofre de cefaléia possa desenvolver uma reestruturação cognitiva dando uma resignificação a sua condição de saúde. 
- Durante o tratamento psicoterapêutico, avalia-se e trata-se a depressão e a ansiedade, que geralmente estão associadas à cefaléia crônica. A terapia objetiva reduzir os sintomas da cefaléia crônica, promovendo e estimulando o doente a desenvolver estratégias de enfrentamento mais adaptativas e eficientes, mudando as cognições distorcidas a respeito da doença e diminuindo os comportamentos de esquiva e sintomas psicológicos (ex: depressão, ansiedade e estresse), além de melhorar a percepção da qualidade de vida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Nevralgias Cranianas e Dor Facial. Tradução autorizada pela Sociedade Brasileira de Cefaléia e pela Sociedade Internacional de Cefaléia 1997.
Classificação e Critérios Diagnósticos das Cefaléia, BECK, Aaron et alli.
Terapia Cognitiva da depressão. Porto Alegre: Artes Médicas,1997.
BECK, Judith. Terapia Cognitiva - teoria e prática. Porto Alegre: Artes Médicas,1997. CARLSON, N. L. (1998) - Physiology of Behavior - Ally and Bacon - Needham Heights, MA, USA - pp. 205-213 - ISBN 0-205-27340-8.
GRAEFF, F. G.; BRANDÃO, M. L.(Eds) (1999) - Neurobiologia das Doenças Mentais - São Paulo - Lemos .
Winnicott, Donald Woods. A Importância do Setting no Encontro com a Regressão na Psicanálise(1964). In: Explorações Psicanalíticas; D. W. Winnicott/ Clare Winnicott, Ray Shepherd & Madeleine Davis; Trad.: José Octávio de Aguiar Abreu- Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994.
Winnicott, Donald Woods. O Conceito de Indivíduo saudável (1989). In:Tudo Começa em Casa; Associação Brasileira de Medicina Psicossomática – Regional São Paulo - 2004 -
Cláudio José da Silva - Psicólogo, Geisa Quental - Médica; João Paulo Correia Lima - Psicólogo; Maria Aparecida Borges - Fisioterapeuta; Osvaldo Amorim – Engenheiro; Sônia Maria Estácio Ferreira – Psicóloga.
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica) 



sábado, 15 de maio de 2010

Ψ NÓS OS PACIENTES PSICOSSOMÁTICOS

                                                   ...  porque a dor da alma é a mais profunda...

"Estar cheio de vida é respirar profundamente, mover-se livremente e sentir com intensidade." (Alexander Lowen)

“Um funcionamento inadequado da psique pode causar tremendos prejuízos ao corpo, da mesma forma que, inversamente, um sofrimento corporal pode afetar a psique pois a psique e o corpo não estão separados, mas são animados por uma mesma vida. Assim sendo, é rara a doença corporal que não revele complicações psíquicas, mesmo quando não seja psiquicamente causada.” (Jung).

“Quando o sofrimento não pode expressar-se pelo pranto, ele faz chorar os outros órgãos.” (William Motsloy)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ψ DISTÚRBIOS PSICOSSOMÁTICOS 2




. Amigdalite - Emoções reprimidas, criatividade sufocada
. Anorexia - Ódio ao extremo de si mesmo
. Apendicite - Medo da vida, bloqueio do fluxo do que é bom.
. Arterosclerose - Resistência, recusa de ver o bem
. Artrite - crítica mantida por longo tempo
. Asma - Sentimento contido, choro reprimido
. Bronquite - Ambiente familiar "inflamado", gritos , discussões
. Câncer - Mágoa profunda, tristeza mantida por muito tempo
. Colesterol - Medo de aceitar a alegria
. Derrame - Resistência. Rejeição a vida
. Diabetes - Tristeza profunda. Amargura. Vida sem doçura
. Diarréia - Medo, rejeição, fuga
. Dor de cabeça - Autocrítica, falta de valorização
. Dor nos joelhos - Medo de recomeçar, medo de seguir em frente
. Enxaqueca - Raiva reprimida. Pessoa perfeccionista
. Frigidez - Medo, negação do prazer
. Gastrite - Incerteza profunda, sensação de condenação , idéias mal digeridas
. Hemorróidas - Medo de prazos determinados, raiva do passado
. Hepatite - Raiva, ódio. Resistência a mudanças
. Insônia - Medo, culpa
. Labirintite - Medo de não estar no controle
. Meningite - Tumulto interior, falta de apoio
. Nódulos - Ressentimento, frustração. Ego ferido
. Pele (acne) - Não perdoa a si mesmo
. Pneumonia - Desespero, cansaço da vida
. Pressão alta - Problema pessoal duradouro não resolvido
. Pressão baixa - Falta de amor quando criança
. Prisão de ventre - Preso ao passado, medo de não ter dinheiro suficiente
. Pulmões - Medo de absorver a vida
. Resfriados - Confusão mental, desordem, mágoas
. Reumatismo - Sentir-se vítima, falta de amor, amargura
. Rinite alérgica - Congestão emocional, culpa, crença em perseguição
. Rins - Medo de crítica, do fracasso, desapontamento
. Sinusite - Irritação com pessoa próxima
. Tireóide - Humilhação
. Tumores - Alimentar-se de mágoas,
. Úlcera - Medo de não ser bom o bastante
. Varizes - Desencorajamento. Sentir sobrecarregado
• Câncer - Mágoa profunda, tristezas mantidas por muito tempo.
• Fibromas - Alimentar mágoas causadas pelo parceiro.
• Ronco - Teimosia, apego ao passado.
(Fonte: Louise L. Hay)

Ψ DISTÚRBIOS PSICOSSOMÁTICOS1

Segundo Fenichel toda doença poderia ser considerada "PSICOSSOMÁTICA", visto não haver doença inteiramente "somática" livre de influência psíquica.

. A resistência contra as infecções bem como todas as funções vitais, são incessantemente influenciadas pelo estado emocional até a mais "psíquica das conversões pode basear-se em facilitação puramente "somática".

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Wulff descreveu uma neurose que não é rara em mulheres e que se relaciona com a histeria, a ciclotimia e as drogas.
. O comportamento de uma pessoa é influenciado continuamente pelas suas necessidades instintivas inconscientes um exemplo seria o pigarro forçado habitual persistente, seca a garganta e resulta em faringite. Ou seja,uma atitude pouco usual que tem raiz em conflitos instintivos inconscientes, gera certo comportamento, que por sua vez causa alterações somáticas dos tecidos. Estas alterações não são psicogênicas diretamente, mas o comportamento da pessoa que iniciou as alterações este foi psicogênico.
. Nas disfunções hormonais feminina os distúrbios psíquicos que antecedem a menstruação (TPM), possuem um fator somático, a saber, as alterações físicas que se produzem na fonte dos impulsos instintivos. Por outro lado, a significação inconsciente da idéia de menstruação e a reação psíquica a esta significação também podem alterar os fenômenos hormonais.
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Nos casos em que há transtornos, o sentimento corporal pré-menstrual representa tensão, retenção (às vezes gravidez), sujeira, ódio por vezes relaxamento, limpeza, em certos casos frustração de desejos de maternidade.
. As pacientes alternam períodos de depressão nos quais se "empanturram" (ou bebem) e se sentem "gordas","inchadas", "desmazeladas", "grávidas" e deixam o ambiente também em desordem. Alternando períodos em que sentem-se exuberantes, esbeltas e se comportam com uma certa vivacidade. Esses sentimentos às vezes mostram uma ambivalência em relação à figura materna e consequentemente uma rejeição à própria feminilidade.

.TRATO GASTRINTESTINAL: Um bom exemplo de TRANSTORNO PSICOSSOMÁTICO que a Psicanálise interpreta como resultado físico de uma atitude inconsciente é a úlcera péptica. A pessoa que tem atitude exigente RECEPTIVO-ORAL cronicamente frustrada e que a reprimiu, manifestando com frequência comportamento muito ativo do tipo da formação reativa, mostra inconscientemente "fome de amor" permanente.
A palavra "fome" neste contexto é literal. É uma fome permanente que faz com que essa pessoa proceda como procede alguém que está esfomeado. A mucosa gástrica começa a secretar, do mesmo modo que no caso de quem está esperando comida, sem que esta secreção tenha qualquer outra significação psíquica específica. A hipersecreção crônica é a causa imediata da úlcera, e esta é a consequência fisiológica incidental de uma atitude psicogênica, não é satisfação forçada de impulso reprimido.
 


. SISTEMA MUSCULAR: Os efeitos físicos do estado de represamento emocional refletem-se facilmente no sistema muscular. É como se quisesse contrabalançar com uma pressão muscular externa a pressão internados impulsos reprimidos que procuram descarga motora.
Fenichel cita o exemplo de uma paciente que achava difícil falar durante o tratamento psicoterapêutico. Ficava visivelmente espástica sempre que tentava falar. Sentia-se contraída principalmente o tórax eos membros. Nõ conseguia "descarregar"/falar. Passada uma hora da consulta em silêncio, sentia-se exausta como se tivesse feito exercícios físicos intensos.


. APARELHO RESPIRATÓRIO: Na asma brônquica infantil o ataque é o equivalente da angústia. É um pedido de socorro que a criança dirige à mãe, na qual ela tenta introjetá-la pela respiração a fim de se sentir protegida.
. De acordo com French e Alexander o ataque de asma é reação ao perigo de separação da mãe; Que o ataque é uma espécie de equivalente de ansiedade e raiva reprimidos; O perigo de perder a mãe e de ser deixado só, sentimento que acompanha o indivíduo a vida inteira se não for devidamente elaborado.
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Outros exemplos são resfriados comuns de repetição (o medo de resfriar-se atrai certas pessoas paradoxalmente para situações que as tornam suscetíveis).
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E a "tosse nervosa" é, às vezes, sintoma de conversão, ou seja, identificação histérica com uma pessoa que tosse ou recordações infantis de tosse orgânicas persistentes nos primeiros anos de vida.


. PRESSÃO SANGUíNEA: Caracterizam-se os casos de hipertensão essencial por extrema tensão instintiva inconsciente; inclinação para a agressividade, mostra-se em pessoas que à superfície parecem muito calmas, não dando saída aos seus impulsos. A tensão interna não realizada parece ser, um dos componentes etiológicos da HAS, atuando por influências hormonais resultantes de conflitos inconscientes através da vasomotricidade e dos rins. A mais frequente incidência de hipertensão essencial no homem moderno deve ligar-se à situação psíquica dos indivíduos que, depois de aprender que a agressividade é má, tem que continuar a viver num mundo em que se exige quantidade enorme dela.

. CORAÇÃO E APARELHO CIRCULATÓRIO: Segundo Fenichel, tanto a raiva, a excitação sexual quanto a ansiedade se manifestam fisiologicamente em alterações circulatórias funcionais.
. Considera-se o coração o órgão do amor: bate rápido na raiva e no medo, dá a impressão de pesado quando a pessoa está triste. Toda sorte de "emoção inconsciente" pode exprimir-se em aceleramento do pulso.
. As reações vasomotoras gerais como enrubescimento, palidez, desmaio e tonturas, são bastante comuns nas neuroses, isto porque as expressões vasomotoras são as que mais aparecem nas manifestações físicas de todos os afetos e as reações vasomotoras são canais fáceis para descargas de emergência sempre que se bloqueia a descarga muscular.

Nesta perspectiva, ainda destacam-se as cefaléias psicossomáticas resultantes de conflitos inconscientes (tensões musculares específicas durante o sono) e as cefaléias de conversão (essas exprimem fantasias de gravidez).
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A investigação de pacientes que sofrem de enxaqueca mostra que eles são emocionalmente instáveis, amedrontam-se e deprimem-se com facilidade além de inibições sexuais.

. A PELE: A tendência da pele a sofrer a influência de reações vasomotoras e estas por sua vez, sendo evocadas por impulsos inconscientes, pode ser compreendida sob o aspecto das suas funções fisiológicas gerais.
. Considera-se quatro características da pele como revestimento externo do organismo, representando a fronteira entre este e o mundo exterior:
1. A pele como função protetora geral que examina os estímulos que chegam e em caso de necessidade embota-os ou até rejeita-os. Do mesmo modo que os músculos ficam rígidos inespecificamente na luta com os impulsos reprimidos, as funções vasomotoras da pele também servem de "armadura". Terá a fisiologia de explicar
de que maneira as alterações vasomotoras resultam em errupção das dermatoses.
2. A pele é zona erógena importante, se o impulso a usá-la como tal for reprimido, as tendências recorrentes à estimulação cutânea e contra esta encontrarão expressão somática em alterações cutâneos. Além dos estímulos táteis e térmicos, também a dor pode ser fonte de prazer cutâneo erógeno. Os conflitos sadomasoquistas constituem com frequência a base inconsciente das dermatoses. Tem-se referido que as irrupções de psoríase, representam às vezes, impulsos sádicos que se voltam contra o ego.

3. A pele, superfície do organismo, é a parte que externamente se vê, daí ser a sede da expressão de conflitos que giram em redor do exibicionismo. Daí também se encontrarem na base de certas dermatoses os mesmos conflitos inconscientes que se encontram em fobias ligadas à beleza e à falta dela, nos casos de temor social e medo do palco e de exibicionismo perverso.
4. Equivalentes da ansiedade também se podem localizar como reações cutâneas. Em certos indivíduos, os sintomas torturantes dos pruridos devem ser resultado psicossomático da sexualidade reprimida.

BIBLIOGRAFIA: Otto Fenichel - "Teoria psicoanalitica de las Neurosis"
(Fatima Vieira - Psicóloga Clínica)